Gramming & Marbles (F1): Sem emoções, Hamilton vence e assume ponta da tabela na Hungria

O inglês manda. Lewis Hamilton fez o dever de casa e venceu na Hungria. Agora é o novo líder da temporada, algo quase previsível diante da apatia de Rosberg (Getty Images)

O inglês manda. Lewis Hamilton fez o dever de casa e venceu na Hungria. Agora é o novo líder da temporada, algo quase previsível diante da apatia de Rosberg (Getty Images)

(André Bonomini)

Um barato de país, uma m… de GP

Fora as bajulações dos húngaros para Bernie Ecclestone visando não perder o GP (tem até rua com o nome dele em Budapeste), a F1 na Hungria sempre é um grande barato há 30 bons anos. Desde os tempos na cortina de ferro, quando a prova foi a primeira no bloco socialista, o travadíssimo Hungaroring reservou sempre corridas curiosas e emocionantes, especialmente nos tempos áureos, onde recordamos o pega de Ayrton Senna e Nelson Piquet (1986) – ou o looping num Boeing 747, como dizia Jacke Stewart – e a vitória de Thierry Boutsen em 1990, numa corrida fantástica do início ao fim.

A Hungria é um barato, e como todo ano, deve se esperar um GP fantástico como o do ano passado, que fora a melhor prova do ano. Isso sem contar o sol a pino (mesmo depois de tanta chuva), torcedores e até fiscais de pista meio malucos e garotas de biquini e roupas minimas mas arquibancadas. Mas, fora da pista, tudo isso se cumpriu. Dentro da pista, Lewis Hamilton venceu uma prova frouxa, monótona, fraca e totalmente parada, salvando-se apenas uma única briga de verdade: A de Max Verstappen e Kimi Raikkonen.

A Hungria é sempre um barato. Tudo acontece por aqui, de vitórias inesperadas como a de Thierry Boutsen em 1990 (abaixo) a aparição de gente maluca nas arquibancadas, muito calor e alegria. Só este ano que vimos um trenzinho monótono, reflexo dos últimos anos da F1 (Getty Images)

A Hungria é sempre um barato. Tudo acontece por aqui, de corridas incríveis e vitórias inesperadas como a de Thierry Boutsen em 1990 (abaixo) a aparição de gente maluca nas arquibancadas, muito calor e alegria. Só este ano que vimos um trenzinho monótono, reflexo dos últimos anos da F1 (Getty Images)

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Nico Rosberg iria largar na pole com uma única certeza: Tinha que vencer para sair da Hungria ainda líder. Nem mesmo a própria obrigação cumpriu, largou comportadamente demais e perdeu a ponta para Hamilton. Ate chegou a andar mais rápido que o inglês em alguns momentos, mas simplesmente aquela coisa de trocar voltas rápidas. Mesmo com os atrapalhos do pífio Esteban Gutierrez, que virou chincane ambulante na prova, o alemão não fez cócegas no companheiro, mesmo podendo tomar as próprias rédeas e mostrado a garra que até agora não mostrou.

Hamilton, por muitos, foi tachado de o melhor da prova, até mesmo pelo meu colega de coluna e grande irmão Douglas Sardo. Mas bati o pé nessa. Hamilton fez muito mais que a obrigação diante do apático companheiro. Largou como deveria e venceu com autoridade, até porque se não vencesse ai mesmo seria estranho. Isso sem pensar que, depois de tantos toques e enroscos, a Mercedes parece ter endurecido os confrontos na pista, e não duvido nada disso. Toto Wolff protege o seu negócio, mas é um verdadeiro medroso, para não dizer coisa pior.

A sequencia da largada. Rosberg não reagiu, Hamilton tomou a ponta e pronto, acabou o GP por ai mesmo (Getty Images)

A sequencia da largada. Rosberg não reagiu, Hamilton tomou a ponta e pronto, acabou o GP por ai mesmo (Getty Images)

Alonso em sétimo e a ciranda de emoções

Quem sorri mesmo depois de uma gangorra de acontecimentos é Fernando Alonso. O asturiano deu declarações fortes esta semana, rondando a aposentadoria e o entusiasmo de ver a McLaren parecer recuperar o tempo perdido, chegando a disparar que o time de Woking será campeão em 2017. Noves fora, o espanhol fez bonito, largou e chegou em sétimo sem se esmorecer, numa boa atuação.

Alonso viveu uma semana intensa de emoções. Das esperanças com a McLaren para 2017, rumores de aposentadoria e um bom sétimo no Hungaroring (Getty Images)

Alonso viveu uma semana intensa de emoções. Das esperanças com a McLaren para 2017, rumores de aposentadoria e um bom sétimo no Hungaroring (Getty Images)

De fora disso, a McLaren ainda tem que tratar da dupla do próximo ano. Parece que Alonso fica, já Jenson Button afirma que só fica se a equipe demonstrar competitividade, coisa que faz tempo que promete. Seria uma chance no futuro para o promissor Stofel Vandoorne? Tomara, o belga mostra que anda muito e já mostrou isso no início do ano.

Williams padece, Massa idem

Massa viveu outro calvário na temporada. Bateu nos treinos, largou mal e fechou num distante 18º. É apenas mais uma mostra dos problemas crônicos da equipe de Grove neste ano. (Getty Images)

Massa viveu outro calvário na temporada. Bateu nos treinos, largou mal e fechou num distante 18º. É apenas mais uma mostra dos problemas crônicos da equipe de Grove neste ano. (Getty Images)

Outro calvário de Felipe Massa, outra corrida para esquecer para registrar no álbum de frustrações da temporada deste ano. Depois do acidente nos treinos, um medíocre 18º posto, sem brilho e nem tentativa de recuperação. Para aumentar a desgraça, basta dizer que Valtteri Bottas pontuou e Felipe Nasr chegou imediatamente a frente da Williams.

A fase do time de Grove, realmente, é de regressão aos tempos de vacas magras e quem agradece é a Force India, buscando passar os ingleses na tabela dos construtores. O imobilismo da trupe do velho Frank chega a assustar, sem poder de reação para salvar, ao menos, a metade final da temporada.

Será a Williams capaz de voltar aos tempos promissores de 2014? Pouco provável.

Aguentando a Globo

Quem assiste F1 no Brasil tem duas saídas: Ou procurar entortar-se (ou não se dominar a língua) com o inglês e ver na TV fechada ou, infelizmente, aguentar todas as escorregadas e forçações de barra da Rede Globo, que vai transmissão vem transmissão, está cada vez mais transformando as corridas num espetáculo dantesco de falhas, chateações e, por que não, risadas involuntárias.

A primeira foi ainda nos treinos, onde a relação Sérgio MaurícioLito Cavalcanti outra vez mostrou sinais de desgaste. Quem ouviu jurou ouvir bem baixinho o narrador mandando o comentarista/fã de Hamilton tomar naquele local especial durante a transmissão. Um longo silêncio surgiu seguido de um Max Wilson tentando salvar a transmissão por algum momento. Verdadeiramente, uma desordem de trabalho que já vem há muito sendo criticado pelos fãs da categoria.

Cliques da transmissão: O onboard de Rosberg, assim como de outros pilotos, revivendo o clássico onboard ao lado do piloto, típico dos anos 90. Um dos poucos baratos da temporada (TV)

Cliques da transmissão: O onboard de Rosberg, assim como de outros pilotos, revivendo o clássico onboard ao lado do piloto, típico dos anos 90. Um dos poucos baratos da temporada (TV)

E os finlandeses fanáticos já pedem: Kimi Raikkonen no parlamento em Helsinque (Getty Images)

E os finlandeses fanáticos já pedem: Kimi Raikkonen no parlamento em Helsinque (Getty Images)

A outra, ai para selar o caixão, foi a de Luis Roberto, que neste tempo de olimpíadas aguenta a marimba substituindo Galvão Bueno. Ufanista, buscador de emoções e um completo chato, Roberto força a barra o tempo todo, parecendo fazer uma tempestade de emoções de um lance corriqueiro como a última parada de Lewis Hamilton. De Luciano Burti e Reginaldo Leme (até pra ele sobra), não é preciso comentários, muito menos para Mariana Becker e seus assuntos (nada) pertinentes.

Realmente, acompanhar automobilismo no Brasil está sendo um verdadeiro calvário, especialmente diante de uma F1 sem emoções e categorias nacionais que são o único consolo para estes caçadores de emoções. Depois da total negligencia da Venus Platinada com a demolição criminosa de Jacarepaguá não há mais como acreditar nas ondas que os Marinho fazem pela F1 no país. Isto sem falar alguns portais de notícias de automobilismo, que nada mais são que promotores de pseudo-entendedores que recheiam os espaços de assuntos forçados e com erros gritantes.

Estamos cercados… Como diria Paulo Bonfá: “SOCOOOORRO!

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Nico Rosberg (Mercedes)
3 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
4 – Sebastian Vettel (Ferrari)
5 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
6 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
7 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
8 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Ferrari)
9 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
10 – Nico Hulkenberg (Force Índia-Mercedes)
17 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)
18 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Lewis Hamilton (192)
2 – Nico Rosberg (186)
3 – Daniel Riccardo (115)
4 – Kimi Raikkonen (114)
5 – Sebastian Vettel (110)
6 – Max Verstappen (100)
9 – Felipe Massa (38)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen (Red Bull)

Motivo de discordância entre mim e Douglas Sardo, Max Verstappen é o melhor da prova outra vez. Mesmo decadente, Raikkonen sempre é um peso a ser considerado, e o duelo do holandes com o iceman foi uma das melhores - senão a única - brigas da prova (Getty Images)

Motivo de discordância entre mim e Douglas Sardo, Max Verstappen é o melhor da prova outra vez. Mesmo decadente, Raikkonen sempre é um peso a ser considerado, e o duelo do holandes com o iceman foi uma das melhores – senão a única – brigas da prova (Getty Images)

Douglas Sardo vai me condenar, mas como dissera antes, Lewis Hamilton fez nada além da própria obrigação de vencer e assumir a ponta da tabela. Até mesmo Daniel Riccardo, que fez uma largada muito boa, chegou em terceiro como obrigação, já que a Red Bull andou muito mais que a Ferrari. Mas Max Verstappen, como sempre, é o único que mostrou ousadia diante um trenzinho monótono.

É claro, não teve o melhor acerto pelo fim de semana, mas fez por merecer o quinto lugar, mais pela briga cerrada com Kimi Raikkonen, que apesar de decadente, sempre é um peso a ser considerado. Chegou a ser ultrapassado pelo finlandês da Ferrari (que os torcedores querem como presidente do país nórdico), mas recuperou-se e segurou o iceman com categoria e fazendo certeiras manobras. Dignas de fato e direito de um potencial campeão.

Fora isso, é o espelho de uma prova chata, onde o quinto colocado, na opinião deste jornalista, foi o melhor do certame.

Para recordar: Hungria/1986, e um duelo

Em 30 anos de Hungria, não há como deixar passar em branco o que foi, talvez, a maior ultrapassagem da F1…

Senna X Piquet, para húngaro – que ainda sabia direito o que era F1 – ver. Sem palavras, apenas isso:

A F1 bate ponto novamente no próximo domingo, 31 de julho, com a volta triunfal (e que seja) do GP da Alemanha na clássica Hockenheim (mutilado, mas vai). O que será de Rosberg em casa? Hamilton vai vencer de novo? Vamos ter bebeiras dos germânicos?

Bom, é aguardar e esperar o melhor. Até lá!

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