Fabrício Wolff em A BOINA: (Rio 2016) O fim antes do começo

A Vila Olimpica e o reflexo do despreparo e jeitinho marcantes na forma brasileira de levar as coisas a sério. Delegações da Austrália e Suécia detonam as instalações, repletas de problemas primarios. Estamos falhando e feio antes mesmo da largada, em agosto (Reprodução)

A Vila Olimpica e o reflexo do despreparo e jeitinho marcantes na forma brasileira de levar as coisas a sério. Delegações da Austrália e Suécia detonam as instalações, repletas de problemas primarios. Estamos falhando e feio antes mesmo da largada, em agosto (Reprodução)

(Fabrício Wolff)

O Brasil perde a grande chance de se mostrar como um país organizado, preparado para grandes eventos, para receber os turistas. Não bastasse o surto de dengue, chicungunya e zika pouco antes do período dos jogos olímpicos e os assaltos frequentes a turistas e até atletas no Rio de Janeiro, nosso famoso jeitinho brasileiro queima o filme do país passando uma imagem de desorganizado, despreparado, incompetente. Delegações chegando na Vila Olímpica e deixando a área porque os prédios estão mal acabados, com vazamentos, fios expostos e outros quetais, foi o fim. O fim antes do começo.

Vamos combinar. Esta é bem a cara do Brasil quando se trata de obras: não cumpre prazos, não termina o serviço, não faz bem feito. É mais fácil dar desculpas do que mostrar competência para fazer aquilo que foi combinado. É comum fazer jogo de empurra para ver quem era o responsável, do que todos assumirem suas tarefas e terminar dentro do prazo, fazer bem feito. E nem estamos falando das obras de infraestrutura… Aquelas do tal legado olímpico. Essas, nem as da Copa se salvam. Algumas terminaram, outras estão atrasadas. Muitas nem começaram.

Entulho e mal acabamento no banheiro da delegação australiana. Situação que colocou o COB numa saia-justa sem tamanho nem fim (Reprodução / G1)

Entulho e mal acabamento no banheiro da delegação australiana. Situação que colocou o COB numa saia-justa sem tamanho nem fim (Reprodução / G1)

É por essas e outras que quando o ex-presidente Lula cravou o nome do Brasil para sediar esses grandes eventos mundiais, o brasileiro torceu o nariz. Nosso maior legado poderia ser o turístico. Não será. Muitos jornalistas que viriam fazer a cobertura das olimpíadas não o fizeram com medo. Dizem que do mosquito. Não sei se só disso. Não só mostramos ao mundo, turisticamente, que somos um país de terceiro mundo, como também demonstramos que não levamos as coisas a sério. Nem mesmo as sérias. Nem mesmo o turista. É uma pena!

Claro que a grande mídia também vai falar sobre essas mazelas da organização, mas não vai escancarar nosso prejuízo com isso. Há muito dinheiro, patrocinadores, muitos interesses envolvidos. Vamos torcer que, pelo menos, quando os atletas começarem a disputar as várias modalidades esportivas dos jogos em nome de uma paz mundial, lembremos do único verdadeiro legado que pode ficar deste evento: O despertar do interesse das crianças para o esporte e a motivação de adolescentes e jovens para seguir os princípios que ele prega: Disciplina, respeito, equipe, superação.

Pelo menos isso, pra tentar justificar a realização do evento aqui no Brasil.

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