Coca-Cola com Stévia: Cara de saudável, alma de Coca-Cola

O que esconde o rótulo verde? A BOINA provou esta semana a tal Coca-Cola com stévia, novidade da Coca-Cola que não deixa de ser um perigo, embora com metade de açucares comuns (André Bonomini)

O que esconde o rótulo verde? A BOINA provou esta semana a tal Coca-Cola com stévia, novidade da Coca-Cola que não deixa de ser um perigo, embora com metade de açucares comuns (André Bonomini)

Coca-Cola é Coca-Cola, já dizia quem por algum motivo trocava a bebida tradicional pela Pepsi (que este jornalista, acredite, gosta mais). Uma bebida que atrai apreciadores e contestadores mas que não sai das mãos até mesmo de quem nem deve encostar a boca na bebida. Criada em 1886 pelo farmacêutico John Smith Pemberton, o tal líquido negro passou da qualidade de um bom e refrescante digestivo a um ícone de todos os tempos, seja pelos seus consumidores ou pelas icônicas campanhas de marketing e participação em eventos esportivos.

No entanto, como dito no primeiro parágrafo, a Coca-Cola desperta um sem-número de vilões pelo mundo, e com justa razão. Um copo da bebida corresponde a um copo cheio de açúcar, sem contar os tantos elementos prejudiciais à saúde que compõem o produto. Fazer dela um produto saudável (ou mais saudável) é quase uma tarefa hercúlea, embora a The Coca-Cola Company esforça-se ao máximo para tirar de si o rótulo de inimiga da saúde. Uma destas tentativas chegou ao Brasil no primeiro semestre uma nova variação da bebida: A Coca-Cola com Stévia.

De origem indígena das tribos de guaranis latino-americanos, a stévia é um adoçante natural muito mais poderoso que o açúcar e que consegue misturar qualidades saudáveis - como não causar diabetes - com o prazer da doçura sem igual (Reprodução)

De origem indígena das tribos de guaranis latino-americanos, a stévia é um adoçante natural muito mais poderoso que o açúcar e que consegue misturar qualidades saudáveis – como não causar diabetes – com o prazer da doçura sem igual (Reprodução)

A BOINA teve a chance de provar a nova bebida nesta semana, para também tecer algum parecer sobre esta Coca verde. Para quem não sabe ainda, a stévia é o grande achado botânico da vida saudável. Uma planta de origem latina que contem um poder de doçura impressionante. Para se ter uma ideia, na forma natural a stévia é de 10 a 15 vezes mais doce que o açúcar doméstico, tendo esta capacidade aumentada em muitas vezes na forma de pó branco.

Fora esta qualidade excepcional, a stévia ainda consegue ser doce sem trazer consigo os males que o derivado da cana-de-açúcar traz consigo. O índice glicêmico é zero e o glicosídeo presente na planta não modifica o trato intestinal normal. Ou seja, a stévia não provoca ou agrava um quadro de diabetes. Ela também não contém calorias e é rica em sais minerais e vitaminas, até mesmo vitamina C. Usada há séculos pelos índios guaranis como adoçante, a stévia é quase um milagre para quem quer uma vida doce sem prejuízo da saúde.

E ai, o que acontece quando uma planta como esta encontra-se com um dos inimigos nº 1 da saúde alimentar? A intenção da Coca-Cola, indiretamente, é que a bebida com stévia substitua, paulatinamente, modelos como a Coca-Cola Zero, já que a reclamação do modelo sem açúcar dava-se por conta do sabor sem graça. A nova bebida chegou aos EUA, primeiramente, em 2015 e já está presente em 25 países. No exterior, até a eterna concorrente – a Pepsi – encontrou o adoçante natural e tem uma versão nos mesmos moldes: A Pepsi True.

A eterna arquirrival não fica para trás: Ao lado da Coca com stévia, a Pepsi fez também sua versão da bebida adoçada com a planta, a Pepsi True (Reprodução)

A eterna arquirrival não fica para trás: Ao lado da Coca com stévia, a Pepsi fez também sua versão da bebida adoçada com a planta, a Pepsi True, que ainda não chegou ao Brasil (Reprodução)

Notadamente, o sabor da Coca verde é bem melhor que o da Zero e um pouco diferente da tradicional de rótulo vermelho. Vale a compra para quem quer tomar a bebida com metade de culpa apenas. E quando digo metade falo que a nova Coca-Cola não é totalmente adoçada pela stévia (e sabe-se la por que não). É uma proporção meio-a-meio, tendo ainda 50% de açúcares. Ou seja, não deixa de ser perigosa, mesmo sendo metade dela saudável no quesito doçura.

E não deve se enganar o sábio que pensa que a presença da stévia salva a Coca-Cola do calvário. Todo o circulo de componentes que a compõem ainda é um perigo para a saúde, como os componentes colorantes (como o corante caramelo IV) e os índices de sódio. Mas, se serve de consolo, a intenção de dividir a proporção de açúcar com a milagrosa stévia é um bom sinal. Quem sabe, algum dia, ao menos o açúcar comum seja totalmente limado pela planta nas composições.

Apesar de provocar reações positivas - como a da bela e sorridente modelo ao fundo - a Coca com stévia não pode ser vista como 100% saudável por conta dos outros componentes da fórmula e por ainda ter metade de açúcares comuns (Reprodução / Coke)

Apesar de provocar reações positivas – como a da bela e sorridente modelo ao fundo – a Coca com stévia não pode ser vista como 100% saudável por conta dos outros componentes da fórmula e por ainda ter metade de açúcares comuns (Reprodução / Coke)

Não se engane pelo papo de mais saudável pois ainda é muito longe disso. Mas a doçura da stévia, este achado natural indelével, é alguma coisa de espetacular dentro da composição da amada e odiada Coca-Cola. Quem não resiste a um gole do líquido negro, aconselha-se também a dar seu parecer sobre o modelo verde, se quiser é claro.

Afinal, é verde, mas continua sendo a boa e velha Coca-Cola.

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