Gramming & Marbles (F1) – Rosberg afrouxa em casa e estende tapete vermelho a Hamilton em Hockenheim

Vibra Hamilton. Mais uma vitória em 2016 e na casa do companheiro Rosberg, que teve toda a sorte de azares na volta da Alemanha ao calendário da F1. Brasileiros, como de praxe, abandonam (Getty Images)

Vibra, Hamilton! Mais uma vitória em 2016 e na casa do companheiro Rosberg, que teve toda a sorte de azares na volta da Alemanha ao calendário da F1. Brasileiros, como de praxe, abandonam (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

A desfeita de Rosberg com os visitantes

É isso ai, retornamos a germânia! Depois de um breve hiato – e injusto por sinal com um país de tanta tradição no automobilismo – a Alemanha regressou ao calendário da F1. É claro que foi no mutilado Hockenheim, que já não é mais o mesmo há muito tempo, desde que o açougueiro de pistas – curiosamente, um alemão – Hermann Tilke o fez uma pista, digamos, sem a mesma graça dos tempos da Floresta Negra.

Era dia de um reencontro também com os pilotos da casa, que há muito não sabiam o que é correr diante dos loucos torcedores teutos, que antes mesmo da era Schumacher já suspiravam com as máquinas nas retas de Nurburgring e da própria Hock. No entanto, o tempo não está pra peixe para ambos, especialmente para Nico Rosberg, que outra vez falhou na largada e, pior, estendeu tapetes vermelhos para Lewis Hamilton emendar mais uma vitória na temporada, igualando o companheiro em número de tentos na temporada.

Largada em Hockenheim. Rosberg falha grosseiramente e é suplantado pelas duas Red Bull. O alemão ainda teria uma punição inútil nas costas para complicar ainda mais sua corrida (Getty Images)

Largada em Hockenheim. Rosberg falha grosseiramente e é suplantado pelas duas Red Bull. O alemão ainda teria uma punição inútil nas costas para complicar ainda mais sua corrida (Getty Images)

Depois da pole brilhante, a largada de Rosberg foi medíocre, provando que o novo sistema de largada não se dá com o alemão. Hamilton voou e não foi mais alcançado por ninguém, deixando o alemão as voltas com problemas de desempenho e tendo de reaver posições diante da grande corrida da Red Bull, que emplacou Daniel Riccardo e Max Verstappen no pódio, em ótimas atuações. Noves fora, o alemão ainda teve uma punição por, segundo a análise tola da FIA, bloquear Verstappen depois da ultrapassagem na metade final da prova. Uma sanção estúpida, que minou ainda mais a prova de Nico. Patético!

No geral, a prova foi bem melhor que a da Hungria, mas nada de espetacular. Algumas brigas de meio de pelotão muito interessantes mas também nenhuma surpresa diante do quadro da então temporada, cuja sequencia de erros de Rosberg, para o leigo, podem parecer que a Mercedes está fazendo um campeonato acontecer e não, simplesmente, deixa-lo rolar. Seriam temores de Toto Wolff? Ninguém saberá tão cedo.

Red Bull na berlinda, Ferrari na desgraça

Max Verstappen teve outra atuação combativa, digna do salário e do carro que tem. Chegou em terceiro, mostrando a boa fase do touro paraguaio (Getty Images)

Max Verstappen teve outra atuação combativa, digna do salário e do carro que tem. Chegou em terceiro, mostrando a boa fase do touro paraguaio (Getty Images)

Bem diferente de outros anos na Alemanha, duas antigas agremiações vivem momentos distantes da glória, mas ainda mais distintos na atual conjuntura da F1. Na Alemanha, Red Bull e Ferrari tiveram atuações bem opostas, entre a berlinda e a ruína, na peleja cada vez mais impossível de tentar superar as flechas de prata. Do lado austríaco, a festa foi grande, com uma bela atuação da dupla Ricardo-Verstappen.

O australiano está fazendo pela vida e muito bem, o holandês fez novamente merecer a cadeira no time do energético, ainda mais pela manobra em cima do companheiro na largada. Tamanha combatividade deu resultado, e ambos os botas subiram ao pódio. Uma demonstração de que os tempos em Milton Keynes, sede britânica da equipe tirolesa, os tempos são bem diferentes das últimas temporadas, para a alegria de Dietrich Mateschitz.

Vettel não teve um dia feliz no reencontro com a torcida. A Ferrari é a grande decepção de 2016, com um carro fraco de desempenho e que já vê as Red Bull logo atrás (Reuters)

Vettel não teve um dia feliz no reencontro com a torcida. A Ferrari é a grande decepção de 2016, com um carro fraco de desempenho e que já vê as Red Bull logo atrás (Reuters)

De Milton Keynes a Maranello, o feudo de Don Enzo vive momentos turbulentos. A Ferrari, que cujas palavras de Sergio Marchione não poderia sair de 2016 sem o título, está caindo para o campo das equipes médias com um projeto equivocado e inconstância no desempenho. Enquanto Kimi Raikkonen se diverte como pode e quer – e com o aval do time do cavalino rampante – Sebastian Vettel é o único que parece buscar algo com a draga vermelha, que não esconde problemas de desempenho.

O quinto e sexto lugares – com Vettel e Raikkonen nesta ordem – não apartam nenhuma crise. Mesmo saindo na frente nos testes de pneus para 2017, a Ferrari tem muito chão para recuperar depois de tantos problemas com o bólido desse ano. Voltou a faixa branca nos carros, voltaram as vacas magras de 1993. É mole?

Os 10 mais – Corrida:

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
3 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
4 – Nico Rosberg (Mercedes)
5 – Sebastian Vettel (Ferrari)
6 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
7 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
8 – Jenson Button (McLaren-Honda)
9 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
10 – Sergio Perez (Force India-Mercedes)
ABN – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
ABN – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Riccardo, Hamilton e Verstappen. Uma Mercedes a menos no pódio alemão (Getty Images)

Riccardo, Hamilton e Verstappen. Uma Mercedes a menos no pódio alemão (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Lewis Hamilton (217)
2 – Nico Rosberg (198)
3 – Daniel Riccardo (133)
4 – Kimi Raikkonen (122)
5 – Sebastian Vettel (120)
6 – Max Verstappen (115)
9 – Felipe Massa (38)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Daniel Riccardo (Red Bull)

Depois de um período a sombra de Verstappen, Riccardo tem virado o jogo e mostrado seus dotes novamente na Red Bull. A autoridade do segundo lugar na Alemanha é uma prova disso (Getty Images)

Depois de um período a sombra de Verstappen, Riccardo tem virado o jogo e mostrado seus dotes novamente na Red Bull. A autoridade do segundo lugar na Alemanha é uma prova disso (Getty Images)

Sentir-se ameaçado pelo companheiro de casa faz as pessoas mudarem a forma de ver o ambiente na F1. Daniel Riccardo vem mudando isso, muito embora isto não desqualifique Verstappen, que fez outra atuação combativa como tantas. Riccardo fez pela vida com méritos, e o vem fazendo desde a Hungria. Largou perdendo posição para o companheiro, a recuperou numa espécie de passagem programada e foi ao pódio num bom segundo posto.

Riccardo nunca deixou de ser promessa, embora um pouco apagado com a chegada do pequeno Max. No entanto, o ritimo do australiano em Hock foi positivo, chegando a diminuir a diferença para Hamilton em dado momento da prova. Este galardão alemão vai não apenas pela prova de Daniel, mas pelo conjunto da obra das últimas provas, onde está mostrando que está ali do lado de Verstappen e que sabe os velhos truques de antes.

Rapidinhas:

– Realmente, a fase da Williams não permite ilusões. Apesar dos dois pontos de Valtteri Bottas, o carro está muito aquém do que se esperava do time que, em 2014, tinha chances de andar perto da Mercedes. Pior mesmo para Felipe Massa, outra vez mostrando sinais da fadiga para a categoria. A ilusão o permite prometer apenas pontos e nada mais. E nem isso consegue. Outro abandono para a coleção de desgraças deste ano.

Massa: Calvário da temporada segue, com mais um abandono e sem pontos, a única coisa que o brasileiro pode prometer com a complicada Williams (Getty Images)

Massa: Calvário da temporada segue, com mais um abandono e sem pontos, a única coisa que o brasileiro pode prometer com a complicada Williams (Getty Images)

Esteban Gutierrez está literalmente acabado para a F1. O mexicano virou a nova chincane ambulante da categoria, ignorando sumariamente bandeiras azuis. O que faz na Haas – uma equipe que tem potencial para ir longe, mas com pilotos sérios – é um grande mistério, e provável que sua cadeira seja de outro em 2017. Alexander Rossi não quer renovar com a Andretti-Herta na Indy. Seria um sinal da tal porta aberta do garoto vencedor das 500 milhas deste ano para a F1? E pela Haas?

– A McLaren, apesar de ainda não contar com 100% de confiança na sua pipoqueira, tem evoluido muito. Ao ponto de permitir Fernando Alonso brigar em pé de igualdade com muita gente durante a prova. Mesmo tendo perdido o duelo para Sergio Perez e o pontinho, mereceu palmas ver o asturiano guiando com a faca nos dentes outra vez. Aos pontos coube a responsabilidade a Jenson Button, com um bom oitavo posto.

Gutierrez é a nova chincane ambulante da F1 e está queimado na categoria com pífias atuações. Já Alonso fez grande prova junto com Button, mas não pontuou desta vez. O companheiro britânico na McLaren terminou em um bom oitavo (Getty Images)

Gutierrez é a nova chincane ambulante da F1 e está queimado na categoria com pífias atuações. Não será surpresa se Gene Haas o saca-lo em 2017. Já Alonso (abaixo) fez grande prova junto com Button, mas não pontuou desta vez. O companheiro britânico na McLaren terminou em um bom oitavo (Getty Images)

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– Falando em Sergio Perez, o duelo com Alonso foi digno da boa temporada que o mexicano está fazendo na modesta Force India. Merece muito uma equipe mais competitiva depois do que mostra no ressurgimento após os tempos magros da McLaren. Nico Hulkenberg, que deve atuação há tempos, desta vez chegou a frente de Checo, em sétimo e sem brilho.

– E quanto a Luis Roberto, a narração apaixonada e exagerada sobre Lewis Hamilton… bom, sem comentários. Ele e Lito Cavalcanti davam um belo casal como tietes de Lewis.

Para recordar: Le dramatique du Professeur

Em 1986, o mundo deparou-se na última curva de Hockenheim com um desesperado Alain Prost e sua McLaren-Porsche no último esforço para chegar depois que a gasosa da Shell pediu demissão:

Cenas de outros tempos, corridas intensas onde a gasolina ditava o resultado final. Há 30 bem vividos anos.

Sendo assim, hora da F1 tirar férias por conta das Olimpíadas do Rio. E enquanto vemos a grande festa do esporte mundial (que, assim esperamos, que seja uma festa apenas aguardamos a volta da categoria mais nobre do automobilismo. Será no dia 28 de agosto, na mítica pista das Ardenas de Spa-Francorchamps, na provinciana Bélgica.

Até lá!

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