Fabrício Wolff em A BOINA: Eduardo Marinho – Filósofo de rua, arte do pensamento

(Reprodução / YouTube)

(Reprodução / YouTube)

(Fabrício Wolff)

Descobri no Facebook alguns vídeos de um cara chamado Eduardo Marinho. Ele é conhecido como um artista de rua, mas na verdade é um baita filósofo da vida real. Acabei postando alguma coisa em meu Face. O cara é de uma clareza em pensamento mais profundo invejável. Em um dos vídeos, fala de como a humanidade, apesar do caos que se encontra, melhorou. Mas o que me impressionou naquele vídeo foi a realidade de como nós, seres humanos, somos condicionados a sermos homo produtivus (termo que acabei de inventar).

Estamos na vida para produzir, condicionados a termos prazer somente nas horas de folga. Ele explica como este condicionamento vem lá da escola, nos primeiros anos de compromisso. Faz relação entre aprendizado e o recreio. Bingo! É por isso que o trabalho costuma ser um fardo e apenas as horas de folga um prazer. O homem condicionado a não poder ser feliz o tempo todo, a odiar o seu trabalho.


Em um segundo vídeo, este cidadão fala da relação religiosidade e espiritualidade. Quebra tabus ao dizer que o ser humano é muito pretensioso ao querer falar com Deus – seja ele o que for. Acredita que Deus seria um desocupado se em um universo tão imenso, onde nosso sistema solar é uma poeira cósmica, pudesse nos dar atenção, aceitar nossos pedidos, punir os pecadores. Vai mais longe ao dizer que espiritualidade não tem nada a ver com religião, com meditação ou templos.

(O documentário completo cá está abaixo)

 

Ele pratica a espiritualidade da matéria, no mundo real em que vive. Isso vai desde simples atitudes como tratar bem as outras pessoas, animais, natureza. O cara é, como um bom artista de rua, de bem com a vida. Diz por que a religião existe e que há pessoas que precisam dela, as que estão no jardim de infância da vida. Fala dos necessitados de um código de conduta.

Neste segundo vídeo ele começa contando sobre o encontro com um padre que tinha dúvidas. Um homem de fé com dúvidas. E lembra o quão importante são as dúvidas para as pessoas. Foi neste início nietzschniano que me chamou a atenção. Afinal, a dádiva da dúvida é a dívida do óbvio (minha também). E valeu a pena ver o vídeo inteiro. Poucas vezes alguém me chama a atenção de forma tão intensa por falar o que pensa. Talvez este seja o grande dilema do mundo contemporâneo: O pensar.

As pessoas agem, na maioria das vezes por impulso ou condução, e o pensar fica de lado, esquecido. Pensar é a única coisa que nos difere dos seres ditos irracionais. Pensar é a única coisa que pode fazer a diferença. Mas há a necessidade de buscar conhecimento, informações, como forma de amadurecer e aprofundar o pensamento. Porque se o ato de pensar (de verdade) já é raro, o aprofundamento do pensamento nas questões é quase um E.T. entre nós.

Fica a dica para os vídeos do cara. Eduardo Marinho, artista de rua.

(Reprodução)

(Reprodução)

Deixe uma resposta