Blumenau Esporte Clube: O feijão e o sonho (que não acaba!)

Sonhar é permitido sempre. E a torcida do BEC sonha sempre e de tamanha vontade que espanta qualquer incrédulo na volta do tricolor. O mais querido do estado está esquentando a volta, e uma descontraída feijoada no último domingo 21/08) foi o constatador desta esperança sempre viva nos corações dos torcedores Gilmar de Souza / RBS)

Sonhar é permitido sempre. E a torcida do BEC sonha sempre e de tamanha vontade que espanta qualquer incrédulo na volta do tricolor. O mais querido do estado está esquentando a volta, e uma descontraída feijoada no último domingo (21/08) foi o constatador desta esperança sempre viva nos corações dos torcedores (Gilmar de Souza / RBS)

Permita-me, Origenes Lessa, parafrasear o nome da sua mais famosa obra literária para explicar o atual momento que cerca o histórico Blumenau Esporte Clube (BEC), tempos depois dos lances complicados da segundona estadual em 2015. A BOINA acompanhou entristecida os respiros pesados vindos do lado tricolor depois de tantos problemas naquela temporada. Fora os bailes tomados em campo, a desorganização fora dela e a preocupação do torcedor que parecia ver o sonho da volta pra valer do clube afundando novamente.

Eu exagerei naquela ocasião, de verdade. Como tricolor (sim, assumo que sou BEC, pelas boas recordações no meu tempo de criança e pela grande história), não podia ser tolerado aquele cenário confuso que o Blumenau havia se enfiado. Gols que não saiam, goleadas que se sucediam e até jogos com falta de reservas. No entanto, o que soava-me como o fim e a volta as lembranças eternas virou uma grande esperança, sobretudo depois de pisar no último domingo (21/08) nas clássicas instalações do Clube Blumenauense de Caça-e-Tiro: O velho BEC de guerra esta vivo e querendo voltar as quatro linhas.

Era dia de feijoada do BEC no Blumenauense. Domingão, o líquido negro no prato, sorrisos e risadas, gente bonita e música boa. Clima tranquilo para apreciar boa comida e rir por alguns minutos até mesmo do tempo frio e chuvoso lá fora. No entanto, pelas camisas dos torcedores religiosamente presentes, pelas três cores estampando o salão e os cânticos da torcida no ar, os amantes do mais querido sentiam-se como se estivessem num pré-jogo no Adherbal Ramos da Silva, aguardando o adversário final no jogo da história.

O ambiente festivo, com boa música e um feijão de lamber os beiços. Torcedores do BEC, membros do clube, jogadores e admiradores que nunca perderam a esperança, renovada novamente nos planos do clube para os próximos anos, e que não são poucos André Bonomini)

O ambiente festivo, com boa música e um feijão de lamber os beiços. Torcedores do BEC, membros do clube, jogadores e admiradores que nunca perderam a esperança, renovada novamente nos planos do clube para os próximos anos, e que não são poucos André Bonomini)

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De futebol, foi menos tempo de bola rolando, mas de história são 100 anos trilhados, somando-se o tempo denominado Brasil Football Clube, Recreativo Brasil Esporte Clube, Palmeiras Esporte Clube, até o nome atual cunhado e criado em 1980, simbolizando a concretização do anseio dos antigos dirigentes do clube de centrar a cidade em torno de um time apenas. Ostentando as cores do velho Palmeiras (verde) e do Grêmio Esportivo Olímpico (grená), foi lá o Blumenau escrever uma bela história, recheada de lances emocionantes, grandes nomes, momentos memoráveis e títulos que não fizeram falta diante de tamanha história.

Os anos se foram, passaram a conquista da segunda divisão em 1987, o vice estadual diante do Avaí em 1988, a histórica participação na Copa do Brasil de 1989 (dando a maior lotação do Sesi da história e caindo diante do Flamengo no Maracanã) e tantos outros momentos. Passaram aqueles domingos típicos de BEC no Deba, na voz possante de Rodolfo Sestrem, que das cabines de transmissão humildes do estádio da Rua das Palmeiras irradiava grandes lances de partidas inesquecíveis. A multidão, em êxtase por mais uma atuação do tricolor, lotava as calçadas do entorno aguardando entrar no estádio, quase sempre superlotado, para passar o domingo empurrando o BEC com a charanga, os gritos e as vibrações em cada tento.

(Só para recordar o tento de Walbert, contra o Flamengo em 1989. A explosão do Sesi!)

Tempos difíceis vieram, houveram alentos e até um grande momento em 2013, quando o clube foi para as cabeças com o Inter de Lages na decisão da Série C do Catarinense. Logo no primeiro ano da nova volta, onde o clube acumulava gols, goleadas e apenas o Leão Baio como rival do campeonato. Três jogos, pura emoção e que, infelizmente, terminou em derrota dolorida na serra catarinense. Estive no Sesi no segundo jogo da decisão do returno. Não poderia estar num lugar mais alvoroçado e animado se não no meio da fanática BEC Manguaça, a torcida organizada do time que recusa-se a aceitar o fim (ainda bem!) e grita quantas vezes for preciso: Todos eles tão errados… O BEC é o mais querido do estado!

Naquele jogo, foi um chorado 2X0, com resultado conquistado na prorrogação. A cada gol era uma explosão sem igual nas arquibancadas. O bandeirão do clube subia alucinantemente ocultando a festa incontida dos torcedores, se abraçando, berrando, gritando palavrões, uma zorra sem fim. Foi daquelas tardes de voltar no tempo em que Blumenau respirava verdadeiramente futebol no fim de semana, onde o amendoim era vendido aos borbotões por entre os bancos e onde os narradores podiam observar bem de pertinho a exaltação dos presentes. Um extasio diante daquele pano que, segundo os torcedores, já tinha passado por algumas enchentes!

Lance entre Blumenau e Inter de Lages, no returno da série C catarinense de 2014. Dia de voltar a sentir o arrepio de jogos decisivos e o extasio de uma glória longe do campo tricolor há anos. Divulgação)

Lance entre Blumenau e Inter de Lages no returno da série C catarinense de 2013. Dia inesquecível que foi de voltar a sentir o arrepio de jogos decisivos e o extasio de uma glória longe da história tricolor há anos. (Divulgação)

Mas tudo virou história. Dificuldades voltaram e a sombra do fim abateu-se novamente. Comentários esportivos batiam de frente com a dura realidade dos problemas extra-campo, das dívidas e da desordem na diretoria. Eduardo Corsini saiu de cena deixando um time desorientado e sem rumo apenas para cumprir tabela num cenário que, antes, o tinha visto como um bicho-papão. Agora, era a cruel Série B estadual que mostrava que o sonho de voltar ainda precisava de ajustes.

Enfim, abro os olhos diante da feijoada rolando. Diante das retinas, aquela frase motivacional para todo tricolor: Eu acredito em ti, BEC! O cantor da banda empolga-se no palco ensaiando um grito de guerra e, pelas mesas, a presença alegre do atual presidente, Vanderlei Laureth, que tem nas mãos um trabalho hercúleo, mas que será gratificante no final: Reconduzir o Blumenau ao lugar de onde não deveria ter saído e de onde parecia estar indo em 2013, normalizar a situação do clube, recuperar a confiança e tornar o clube uma potência outra vez.

A cidade cujo futebol é matéria difícil de se engolir e que leva a sociedade a debater burramente o porquê de se fazer ou não se fazer um estádio municipal (ideia de construção totalmente apoiada por A BOINA) não se contenta apenas com o Metropolitano, que já provou que também é uma grande ideia e que só precisa também de ajustes para atingir o topo. O torcedor e a história do esporte blumenauense clamam, mesmo em voz baixa por conta das pancadas passadas, pela volta do BEC. O retorno de um clube que leva o nome da cidade e que tem uma torcida que não assina nunca o atestado de óbito (se é que ele, um dia, existiu).

A apresentação do técnico Renato Trindade no BEC com a camisa na mão). Ao lado dele, de gravata, o presidente do clube Vanderlei Laureth, que tem uma missão das grandes e que a trava com orgulho): Levar o Blumenau, definitivamente, aos dias de glória Divulgação)

A apresentação do técnico Renato Trindade no BEC com a camisa na mão). Ao lado dele, de gravata, o presidente do clube Vanderlei Laureth, que tem uma missão das grandes e que a trava com orgulho): Levar o Blumenau, definitivamente, aos dias de glória Divulgação)

Disse ao torcedor-simbolo do BEC, o amigo Maicon Chatourni, antes de sair da feijoada, que faria justiça ao tricolor depois do que tinha visto. Exagerei no passado de pancadas, coisas de torcedor entristecido, mas ao Blumenau sempre é tirado o chapéu em respeito e admiração de tricolor que sou (admito, deu pra reparar). Para Laureth, fica o desejo de sabedoria e sorte para conduzir os anseios de tantos tricolores que, como eu , sonham em ver o Sesi pintado de verde e grená, vendo os 11 jogadores subindo ao campo para um novo desafio.

O sonho, ao contrario do feijão, não acaba. E para o BEC, está voltando a ser realidade, pelo visto muito mais concreta e planejada. Assim seja.

Um comentário sobre “Blumenau Esporte Clube: O feijão e o sonho (que não acaba!)

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