Gramming & Marbles (Indy): Shows e duelos na vitora de Power em Pocono

Power, um morto-vivo agora mais vivo do que antes. Australiano superou o endiabrado Mikhail Aleshin para vencer em Pocono, em plena segundona (IndyCar)

Power, um morto-vivo agora mais vivo do que antes. Australiano superou o endiabrado Mikhail Aleshin para vencer em Pocono, em plena segundona de sol na terra de Franklin Roosevelt (IndyCar)

(Douglas Sardo)

Após a bela vitória de Simon Pagenaud em Mid-Ohio no final de julho, a F-Indy foi para suas férias praticamente com o campeonato definido a favor do francês. Mas tudo pode acontecer no circuito tri-oval de Pocono, e a prova da última segunda-feira (a corrida foi adiada no domingo por causa da chuva) deixou o campeonato novamente aberto, com Will Power apenas 20 pontos atrás de seu companheiro de Penske.

Não custa lembrar: Power fez a pole para a prova de abertura do campeonato em St. Pete, mas não correu por problemas de saúde. Se ele tivesse chegado em décimo naquela corrida, hoje ele seria o líder do certame.

Aleshin: Pole e 87 voltas lideradas, mas não foi dessa vez que o russo venceu

Um russo domando os bólidos born in USA? Mikhail Aleshin vai acertando a mão. Fez a pole e só não venceu por pouco, outra vez (IndyCar)

Um russo domando os bólidos born in USA? Mikhail Aleshin chegou a terra do Tio Sam como um estranho no ninho vindo do lar de Putin e, por incrível que pareça, vai acertando a mão. Fez a pole e só não venceu por pouco, outra vez neste ano (IndyCar)

Mikhail Aleshin segue batendo na trave para ser o primeiro russo a vencer em plena terra de Franklin Roosevelt. O piloto da Schmidt Peterson tinha tudo para brigar pela vitória em Ohio semanas atrás mas foi atrapalhado por um erro bizarro de sua equipe nos boxes. Em Pocono, Mikhail veio determinado a vingar aquela derrota, e cravou a pole-position.

Durante toda a prova Aleshin foi um dos pacesetters, junto de Josef Newgarden e Ryan Hunter-Reay e inclusive foi quem mais liderou voltas, com 87 giros na ponta. Mas o russo não teve forças para responder ao ataque final do ascendente Will Power. O australiano fez valer a excelente estratégia da Penske de economizar combustível durante a primeira metade para surpreender na segunda.

Aleshin teve que se contentar com o segundo lugar, mas o recado dele está mais do que dado em termos de desempenho. Olho no russo nas próximas provas!

Corrida fantástica de Hunter-Reay

Foi uma parada que parecia ter minado as chances de Hunter-Reay. No entanto, o piloto da Andretti mostrou como sabe pilotar e se recuperar bem nos ovais. Faturou um excelente terceiro posto (IndyCar)

Foi uma parada como esta que parecia ter minado as chances de Hunter-Reay. No entanto, o piloto da Andretti mostrou como sabe pilotar e se recuperar bem nos ovais. Faturou um excelente terceiro posto (IndyCar)

Se é verdade que Aleshin pode se lamentar por não ter conseguido sua primeira vitória em Pocono, o que dizer de Ryan Hunter-Reay? A equipe Andretti faz uma temporada sofrível, mas eis que o piloto texano conseguiu extrair um belíssimo desempenho de seu Honda, partindo do 22º e último lugar no grid para liderar por 31 voltas e ficar sempre na briga pela vitória… Isto até uma estranha falha no motor o jogar para as últimas posições, com praticamente uma volta de atraso.

Ryan não podia acreditar no seu azar, e já era dado como carta fora do baralho, quando Pagenaud sofreu um acidente e o piloto da Andretti aproveitou a bandeira amarela para entrar de novo na briga por bons pontos, como diria o caxias Felipe Massa. Mas Hunter-Reay fez muito mais!

Com uma remontada (mais uma) espetacular, ele passou quem via pela frente com manobras de puro arrojo e terminou em fantástico terceiro lugar, sendo o único a andar no mesmo ritmo de Power e Aleshin no fim da corrida. Não fosse a falha do motor no meio da prova…

Power revive no campeonato

Will Power parecia fadado ao vice (outra vez) na Indy. Mas azar de Pagenaud o fez se aproximar do colega de Penske. São 20 pontos de diferença depois do triunfo no tri-oval (IndyCar)

Will Power parecia fadado ao vice (de novo) antes das férias na Indy. Mas um novo azar de Pagenaud e uma vitória brilhante o fez se aproximar do colega de Penske. São 20 pontos de diferença depois do triunfo no tri-oval (IndyCar)

Will Power saiu como o grande derrotado da prova em Mid-Ohio. Tomou um passão sensacional de seu rival pelo título e companheiro de Penske, Simon Pagenaud. Além disso, a vitória do francês praticamente dava por encerrada a disputa pelo campeonato. A não ser que algo de imprevisível acontecesse com o bólido 22.

Na prova em Pocono, os dois pilotos da Penske faziam uma primeira metade discreta, salvando combustível para atacar no final. Mas após um pit-stop, Pagenaud perdeu o controle de seu carro e acertou o muro, decretando fim de prova para o francês. O acidente aparentemente foi causado por uma queda de pressão dos pneus, que ainda não estavam aquecidos.

Pagenaud perdeu a mão do Chevrolet destaca-texto e achou o muro. Outro azar para o francês, que tinha o campeonato na mão por muito tempo (IndyCar)

Pagenaud perdeu a mão do Chevrolet destaca-texto da Penske e achou o muro. Outro azar para o francês, que tinha o campeonato na mão por muito tempo (IndyCar)

Power viu a oportunidade e não bobeou, guiou com velocidade e precisão para assumir a liderança e dominar o quarto final da prova. O australiano sai de Pocono apenas 20 pontos atrás de Pagenaud. E mais: A próxima etapa do campeonato é a continuação da prova no oval do Texas, interrompida em 12 de Junho.

Não custa lembrar que até aqui, Pagenaud não venceu nenhuma prova em ovais, e o desempenho de Power tem sido superior ao do francês nos Speedways.

Acidente de Castroneves e Carenagem de Kanaan: A sorte segue distante dos brasileiros.

Kimball sai sem dar seta, Rossi desvia e batiza Helinho. Literalmente, já que a roda do carro de Alexander trisca o topo do Chevrolet do brasileiro. Acidente irresponsável causado por Kimball e que poderia ter acabado pior TV)

Kimball sai sem dar seta, Rossi desvia e batiza Helinho. Literalmente, já que a roda dianteira e o carro de Alexander triscam o topo do Chevrolet do brasileiro. Acidente irresponsável causado por Kimball e que poderia ter acabado pior (TV)

Não foi dessa vez que os brasileiros se livraram do tão presente azar na temporada 2016. Hélio Castroneves fazia prova interessante com seu Penske, andando com ritmo forte e próximo dos líderes. Mas tudo caiu por terra no seu terceiro pit-stop. Charlie Kimball estava no pit-lane chegando nos seus boxes e não viu Alexander Rossi saindo de sua troca.

Os dois bateram, o carro de Rossi chegou a dar uma decolada, só para aterrizar justamente (e certeiramente) no carro de Castroneves! Isso é que é estar no lugar errado e na hora errada! No mais, uma grande lambança de Kimball, que por muito pouco não resultou em algo mais grave, pois o carro dele passou muito perto do capacete do brasileiro…

As imagens não mentem. Veja como foi a sarabanda de Helinho, Kimball e Rossi no pit-lane de Pocono:

Quanto a Tony Kanaan, o baiano da Chip Ganassi apresentou um ritmo consistente durante boa parte da prova, e com suas relargadas chegou a ameaçar os líderes. Mas as chances do brasileiro começaram a diminuir por causa de um pit-stop demorado. Mesmo assim, Tony parecia com condições de brigar por um pódio em Pocono, mas de repente as câmeras flagraram um pedaço de carenagem solto na pista.

Celso Miranda e Felipe Giaffone, do BandSports, foram rápidos ao identificar: Era um pedaço do carro de Kanaan, uma aleta do aerofólio traseiro, e que fez diferença, pois no último stint da prova. O ritmo do brasileiro caiu bastante e ele fechou apenas em nono.

Novo azar para o Chip Ganassi azulão de Tony. Corrida combativa foi brecada por uma aleta solta da carenagem. O bom baiano foi apenas o nono (IndyCar)

Novo azar para o Chip Ganassi azulão de Tony. Corrida combativa foi brecada por uma aleta solta da carenagem. O bom baiano foi apenas o nono (IndyCar)

Os 10 mais – Corrida

1 – Will Power (Penske-Chevrolet)
2 – Mikhail Aleshin (Schmidt Peterson-Honda)
3 – Ryan Hunter-Reay (Andretti-Honda)
4 – Josef Newgarden (Carpenter-Chevrolet)
5 – Sébastien Bourdais (KV-Chevrolet)
6 – Scott Dixon (Ganassi-Chevrolet)
7 – Carlos Muñoz (Andretti-Honda)
8 – Juan Pablo Montoya (Penske-Chevrolet)
9 – Tony Kanaan (Ganassi-Chevrolet)
10 – James Hinchcliffe (Schmidt Peterson-Honda)
ABN – Helio Castroneves (Penske-Chevrolet)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Simon Pagenaud (497)
2 – Will Power (477)
3 – Josef Newgarden (397)
4 – Scott Dixon (386)
5 – Hélio Castroneves (384)
6 – Tony Kanaan (380)

O que esperar agora? Power vai a forra no prosseguimento do GP do Texas? Pagenaud vence a primeira num oval? E Scott Dixon e Montoya reaparecerão? Cenas dos próximos capítulos da Indy 2016 (IndyCar)

O que esperar agora? Power vai a forra no prosseguimento do GP do Texas? Pagenaud vence a primeira num oval? E Scott Dixon e Montoya reaparecerão? Cenas dos próximos capítulos da Indy 2016 (IndyCar)

Para recordar: Um soviético e um Penske

O obscuro Aleksy Gregoriev no cockpit do Penske/Patrick de Emerson Fittipaldi. Só sorrisos ao descobrir os bólidos do lado capitalista (Reprodução / GRID)

O obscuro Aleksy Gregoriev no cockpit do Penske/Patrick de Emerson Fittipaldi. Só sorrisos ao descobrir os bólidos do lado capitalista (Reprodução / GRID)

Ainda hoje é estranho pensar num russo como piloto mesmo que já tenhamos presenciado os prodígios de Vitaly Petrov e Daniil Kvyat na F1. Ainda mais estranho é pensar que o mundo, aos poucos (e muito poucos) começava a descobrir o que havia de veloz atrás da cortina de ferro da URSS. Até piloto com superlicença da FIA havia e este era Aleksey Gregoriev.

Acredite, Mikhail Aleshin não foi o primeiro russo a sentar num cockpit da Indy (a andar num Indy, ai sim Mikhail foi o primeiro). Gregoriev era um dos nomes top do automobilismo no leste europeu quando, em 1989, foi aos EUA para disputar uma corrida de off-road com um piloto local. Neste meio-tempo, foi convidado enquanto passava pelos boxes da Patrick durante a corrida de Long Beach a sentar-se no bólido de Emerson Fittipaldi, o reluzente Penske-Chevrolet número 20. E o convite partiu, pasme, do próprio Emerson!

Gregoriev hoje. Sua carreira é um completo mistério até hoje, menos para os mais aficionados pelo automobilismo da cortina de ferro (Reprodução)

Gregoriev hoje. Sua carreira é um completo mistério até hoje, menos para os mais aficionados pelo automobilismo da cortina de ferro (Reprodução)

Gregoriev foi só sorrisos para as câmeras, que acompanhavam o estranho e pitoresco encontro de um soviético com um bólido yankee. Mas foram apenas poses. Alexey não chegou nem a andar com o carro e admitiu que gostaria de estar naquele lugar, mas que para chegar a tanto precisaria disputar categorias bem mais velozes do que as que existiam no leste europeu.

Os 15 minutos de fama de Gregoriev terminaram por ai. Quanto a carreira do piloto, virou um completo branco sem registros nas fileiras do Google, mas serviu de figurinha da história de quando um fulano da terra de Gorbachev deu de cara com um fruto do capitalismo nas corridas.

Emerson com o Penske da Patrick em Long Beach. Ele terminou em terceiro na prova vencida por Al Unser Jr (Reprodução)

Emerson com o Penske da Patrick em Long Beach. Ele terminou em terceiro na prova vencida por Al Unser Jr (Reprodução)

Fiquem ligados, a próxima etapa da Indy acontece sábado, dia 27 de agosto. É a continuação do Grande Prêmio do Texas, e faltando três provas para o fim do campeonato, com certeza é imperdível!

Até lá!

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