Gramming & Marbles (F1): Em Spa, Rosberg faz lição de casa em prova acidentada

Lição de casa feita. Nico Rosberg vence na Bélgica, mas não é líder do campeonato novamente. Hamilton chegou em terceiro e mantém-se na ponta da tabela por nove pontos (Beto Issa)

Lição de casa feita. Nico Rosberg vence na Bélgica, mas não é líder do campeonato novamente. Hamilton chegou em terceiro e mantém-se na ponta da tabela por nove pontos (Beto Issa)

(André Bonomini e Douglas Sardo)

Domingo de volta da F1 a rotina esportiva mundial. Foi quase um mês de férias durante as Olimpíadas até o retorno aos trabalhos da (ainda sonolenta) temporada de 2016 e a briga mandrake entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. O cenário era a idílica pista de SpaFrancorchamps, na Bélgica, cortando a misteriosa Floresta das Ardenas.

Tudo indicaria que, desta vez, era o alemão da Mercedes que ia puxar o trem da corrida, já que o companheiro britânico tomava um gancho (outra das centenas de punições esquisitas da FIA para os pilotos) por conta de uma troca de motor. Era a chance, enfim, do alemão das flechas de prata de fazer o que era de roteiro para a prova: Vencer incontestavelmente. Foi o que fez e nada mais, cumprindo a obrigação que pede o campeonato.

Hamilton, a presença incomoda a Nico no pódio. Inglês largou em 21º por conta de uma punição e não relaxou, chegando em terceiro (Beto Issa)

Hamilton, a presença incomoda a Nico no pódio. Inglês largou em 21º por conta de uma punição e não relaxou, chegando em terceiro (Beto Issa)

Mas, tendo Hamilton como companheiro a vida não pode ser fácil. Mesmo largando em último, o inglês mostrou de novo por que tem estrela para comandar os germânicos rumo a mais uma conquista. Concluiu a prova em terceiro lugar, depois de uma brilhante recuperação, impedindo que Nico voltasse a ponta do campeonato, agora separado dela por nove míseros pontos.

O campeonato segue aberto entre os bólidos prateados, faltando ainda algumas corridas para o fim da temporada. A tendencia é que toda esta maré de sorte de Rosberg (curta por sinal) volte a virar para Hamilton nas velozes curvas de Monza, cenário da próxima prova.

Mas até lá, há muita coisa para passar debaixo da ponte.

Verstappen exagera no ímpeto

Vettel ao contrário na largada. Vitima do toque com Raikkonen logo na virada da Source, provocado pelo ímpeto de Verstappen. Lance de corrida com sérias repercusões (Getty Images)

Vettel ao contrário na largada. Vitima do toque com Raikkonen logo na virada da Source, provocado pelo ímpeto de Verstappen. Lance de corrida com sérias repercusões (Getty Images)

Fora a atuação habitual das Mercedes no próprio campeonato, a prova teve seus lances peculiares que, sem dúvida, vão render um sem-número de matérias no portal Grande Prêmio. Um deles foi o toque polêmico de Kimi Raikkonen em Sebastian Vettel logo na largada da prova. Na virada da apertada Source, as Ferrari foram surpreendidas pela sombra de Max Verstappen, em busca de suplantar a ambos. Ensanduichado, Kimi nada pode fazer a não ser esperar um toque de algum lado, e ele veio de Vettel, que rodou e viu outra prova potencialmente boa virar pó.

Há algum tempo, o alemão vem mostrando que não sabe suportar a pressão que tem de carregar a Ferrari as glórias novamente, o que é bem visível em lances de erro constantes nas últimas provas. Mas desta vez, Seb foi vítima de um lance de corrida, melhor dizendo, a expevitação de Verstappen numa disputa arriscada demais de posição. No frigir dos ovos, sobraram críticas a atitude do holandês, que pela primeira vez depois de muito tempo, foi criticado por uma manobra de corrida.

Verstappen rasga a reta. Manobra errônea na largada tirou Vettel indiretamente da briga da frente e foi duramente criticada por todos os lados. Uma carreira que pode ser estragada com erros deste calibre (Beto Issa)

Verstappen rasga a reta. Manobra errônea na largada tirou Vettel indiretamente da briga da frente e foi duramente criticada por todos os lados. Uma carreira que pode ser estragada com erros deste calibre (Beto Issa)

Os disparos vieram, especialmente, da Ferrari no pós-GP, acusando-o furiosamente do incidente. Não é mentira alguma dizer que Max foi afobado e é ai que mora o perigo de se chegar perto da linha tênue entre a agressividade e o abuso. Mesmo com tantos galardões aqui no nosso espaço de Menino de Muzambinho, o piloto laranja sabe que um erro qualquer na posição que está pode arranhar – e muito – uma promessa. Ele tem tempo para aprender com os erros, mas que comece por agora.

Para completar o caldo amargo do holandês, Daniel Riccardo conseguiu um bom segundo lugar, o que lhe faz recobrar a confiança de poder correr em igualdade com o companheiro.

Force India em plena forma, Williams caquética (como sempre)

Hulkenberg fez bonito e parece estar se recuperando de tantos revezes nas provas passadas. Quase foi ao pódio, conseguindo um bom quarto posto (Beto Issa)

Hulkenberg fez bonito e parece estar se recuperando de tantos revezes nas provas passadas. Quase foi ao pódio, conseguindo um bom quarto posto (Beto Issa)

O fim de semana também foi de aplausos para a Force India, que fez um excelente resultado depois de algumas corridas apagadas. Desta vez, foi no comando de Nico Hulkenberg o responsável pelo melhor resultado da prova, um quarto lugar muito bom e o quase do primeiro pódio, ainda tão esperado. Ele foi seguido por Sergio Pérez, em quinto, e que é uma das bolas da vez do mercado de pilotos para o ano que vem. Enquanto o mexicano está em negociações, o alemão começa, mesmo de leve, a mostrar serviço depois de tantos revezes.

Os bons resultados do time indiano são a dor de cabeça que acomete Grove nas últimas provas da categoria. A Williams, mais uma vez, padeceu na pista e, mesmo pontuando, foi passada para trás pelos comandados de Vijay Mallya na tabela de construtores, tendo no placar 101 pontos contra 103 do time preto-e-laranja. Valtteri Bottas foi o melhor da equipe na pista, com um modesto oitavo posto. Já Felipe Massa, outra vez, brigou por bons pontos (apesar dos gritos guturais e “segura-a-ondas” de Luiz Roberto na briga do brasileiro com Vettel). Somou um mísero pontinho, 10º posto, imediatamente a frente do famigerado da prova, Max Verstappen.

Massa a frente de Pérez. A sombra constante da Williams agora é vista a frente. Os pontos em Spa e as melhores colocações levaram o time indiano a colocar-se a frente da equipe britânica na pontuação dos construtores (Beto Issa)

Massa a frente de Pérez. A sombra constante da Williams agora é vista a frente. Os pontos em Spa e as melhores colocações levaram o time indiano a colocar-se a frente da equipe britânica na pontuação dos construtores (Beto Issa)

Ao contrário dos bons ventos na Force India, para a Williams sobram dúvidas, especialmente acerca de onde Felipe Massa estará em 2017. O brasileiro está acabado para a F1 e não é exagero, a não ser que algum time tenha um projeto potencialmente competitivo para ainda buscar alguma glória. Fala-se na presença dele na Renault ou até fora da F1, o que seria uma espécie de fim da linha para o Brasil nas pretensões de voltar aos píncaros da glória na categoria, já que Felipe Nasr segue o calvário na Sauber.

Outras perguntas cujas respostas ficam para os próximos capítulos.

Os 10 mais – Corrida:

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
3 – Lewis Hamlton (Mercedes)
4 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
5 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
6 – Sebastian Vettel (Ferrari)
7 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
8 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
9 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
10 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
17 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Lewis Hamilton (232)
2 – Nico Rosberg (223)
3 – Daniel Riccardo (151)
4 – Sebastian Vettel (128)
5 – Kimi Raikkonen (124)
6 – Max Verstappen (115)
10 – Felipe Massa (39)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Fernando Alonso (McLaren-Honda)

O bom momento da McLaren, reavendo o crédito perdido e tendo bons resultados. Grande parte disso nas mãos de Alonso, mostrando que tem a velha forma para brigar com quem está perto (Beto Issa)

O bom momento da McLaren, reavendo o crédito perdido e tendo bons resultados. Grande parte disso nas mãos de Alonso, mostrando que tem a velha forma para brigar com quem está perto (Beto Issa)

É evidente que a McLaren vive um bom momento depois das agruras de 2015. É ainda mais evidente que o projeto te evoluído, o motor Honda saiu da fase de pipoqueira e tem melhorado e os pilotos até tem se animado. Fernando Alonso é prova disso e, aos poucos, vai arregaçando as mangas no pelotão da frente outra vez, mostrando que ainda tem forma para brigar por coisas maiores com o bólido de Woking.

Neste GP da Bélgica, o asturiano fez muito bem com o carro, se engraçando em algumas brigas de meio de pelotão e, mesmo tomando alguns passões, galgou um bom sétimo posto. Presença do carro da McLaren entre os dez que pontuam não é mais novidade ou espanto e tende a melhorar, especialmente no comando de gente como Alonso e Jenson Button. Alias, o veterano inglês só não teve sorte melhor por conta de um esparrama com Pascal Wehrlein.

Button toma esbarrão de Wehrlein (atràs). Não foi um bom dia para o inglês, que teve de abandonar a prova (Getty Images)

Button toma esbarrão de Wehrlein (atràs). Não foi um bom dia para o inglês, que teve de abandonar a prova (Getty Images)

Rapidinhas:

– Por falar em Wehrlein, a Manor presenciou a estreia de Esteban Ocon, francês de talento vindo de categorias como a GP3 e a DTM alemã. Juntou-se a Romain Grosjean na trupe de pilotos bleu-blanc-rouge na categoria, talvez buscando fazer a França voltar a respirar glorias depois dos idos de Prost. Mas sonhar ainda é o permitido para o jovem que desbancou Rio Haryanto e seus petrodólares indonésios, ele foi apenas o 16º e último, merecendo méritos por ter completo a prova. Ainda está em análise por nós do G&M.

Em troca do dinheiro, talento e promessa. Esteban Ocon tomou a vaga de Rio Haryanto na Manor. Por hora, o viva pelo completar da prova, e uma carreira que ainda precisa de análises (Charniaux / XPB Images)

Em troca do dinheiro, talento e promessa. Esteban Ocon tomou a vaga de Rio Haryanto na Manor. Por hora, o viva pelo completar da prova, e uma carreira que ainda precisa de análises (Charniaux / XPB Images)

Mesmo com várias atualizações e a promessa de um fim de ano decente, a Sauber ainda está longe de bons desempenhos. Nasr foi apenas o 17º e ultimo na pista (Photo4 / XPB Images)

Mesmo com várias atualizações e a promessa de um fim de ano decente, a Sauber ainda está longe de bons desempenhos. Nasr foi apenas o 17º e ultimo na pista (Photo4 / XPB Images)

– A Sauber anda feliz com o novo investidor injetando dinheiro e, talvez, prometendo um fim de temporada mais condigno para o time azul-e-amarelo. Apesar das várias atualizações no carro apresentadas e Spa, a corrida não foi um mar de rosas. Bem longe disso. Felipe Nasr terminou na última posição dos que completaram a prova (17º), enquanto Marcus Ericsson amargou um abandono.

– Quem realmente tem que se assustar é a Renault, que presenciou uma violenta panca de Kevin Magnussen logo depois da subida da Eau Rouge, ainda no princípio da prova. O dinamarquês perdeu mão do carro e virou passageiro, chocando-se violentamente contra os pneus. O chassi ficou imprestável e o que espanta é que, no momento do choque, o protetor de cabeça do carro voou para fora do cockpit. Se o carro não anda muito, agora a preocupação também deve ser a correção de possíveis falhas de segurança.

O estado do carro de Magnussen, imprestavel depois do violente acidente que lhe arrancou até o encosto de cabeça (abaixo, peça em U voando) no fim da subida da Eau Rouge (Getty Images | TV)

O estado do carro de Magnussen, imprestavel depois do violente acidente que lhe arrancou até o encosto de cabeça (abaixo, peça em U voando) no fim da subida da Eau Rouge (TV)

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Para recordar: Schumacher debuta na verde Jordan (1991)

Em 1991 (25 anos), novos botas chegavam a todo momento, de diferentes origens. Os alemães ainda tinham a má fama de ter na pista pilotos de segunda mão e que se davam melhor com protótipos e carros de turismo, mas não com os monopostos da F1. Eis que, num lance do destino e de alguns tostões, um irrequieto e magricela menino nascido em Colônia apareceu no cockpit de um dos carros-revelação daquele ano. Era o jovem Michael Schumacher, que estreava na categoria pela Jordan, tendo como palco o GP da Bélgica daquela temporada.

Compenetrado. Bem referido em categorias de base e no Mundial de Esporte-Protótipos, Michael Schumacher galgava um lugar na ainda estreante Jordan para o GP da Bélgica de 1991. Era a estreia do alemão que, anos depois, conquistaria o mundo com sete títulos da categoria maior (Reprodução)

Compenetrado. Bem referido em categorias de base e no Mundial de Esporte-Protótipos, Michael Schumacher galgava um lugar na ainda estreante Jordan para o GP da Bélgica de 1991. Era a estreia do alemão que, anos depois, conquistaria o mundo com sete títulos da categoria maior (Reprodução)

Ele entrou na vaga deixada pelo luxemburguês-belga Bertrand Gachot, que estava encrencado com a justiça britânica, sendo preso na terra da raínha por agredir um taxista. Uma jogada esperta de nomes como o empresário do piloto, Willi Webber, e Norbert Haug, da Mercedes (onde Schumacher era protegido, especialmente no mundial de protótipos), e uma mentirinha para os ouvidos de Eddie Jordan fez Michael parar no banco do carro. E ele não deixou dúvidas do potencial ainda nos treinos, passando com sobra pela pré-qualificação e classificando o excelente Jordan-Ford 191 em sétimo no grid.

Apesar do furor dos treinos, a corrida de Schumacher só durou mesmo a extensão da curva Source, quando o bólido sucumbiu a um problema mecânico. Não precisava mais, ele já estava bem marcado e, uma prova depois, estaria sob o comando de Flavio Briatore e no lugar de Roberto Moreno, no GP da Itália, e no ano seguinte regressaria ao mesmo Spa como primeiro piloto da Benetton e faturaria a primeira das 91 vitórias da carreira. O resto desta história, todo mundo bem sabe como foi…

No vídeo abaixo, a volta de Schumacher na Bélgica, para recordar este nome legendário da categoria. Apreciem:

Quanto a F1, o circo segue justamente o mesmo script de outros anos. Das curvas de Spa para as retas mitológicas de Monza, para o GP da Italia. A prova terá lugar no dia 4 de setembro, as 9h.

Um abraço e até la!

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