Gramming & Marbles (MotoGP): Viñales em Silverstone, Pedrosa em Misano, oito vencedores diferentes (e contando)

A zoeira continua em 2016 na MotoGP. Duas provas e mais dois vencedores diferentes... Os caras ai da foto. Maverick Viñales atras), com a primeira vitória da carreira e o fim do jejum da Suzuki em Silverstone; e Dani Pedrosa a frente) deopis de tempos sumido, voltando a vencer em Misano Reprodução)

A zoeira continua em 2016 na MotoGP. Duas provas e mais dois vencedores diferentes… Os caras ai da foto. Maverick Viñales (atras), com a primeira vitória da carreira e o fim do jejum da Suzuki em Silverstone; e Dani Pedrosa (a frente) deopis de tempos sumido, voltando a vencer em Misano (Reprodução)

(Douglas Sardo & André Bonomini)

Quem pode com a MotoGP no momento atual? Uma temporada repleta de emoções e, pasmem, imprevisibilidades entre os ponteiros, permitindo até o protagonismo das sempre secundárias equipes particulares, que neste ano já somam duas vitórias (Jack Miller em Assen e Cal Cruthlow em Brno) e bons resultados. Fora isto, a briga sem precedentes entre Marc Marquez e Valentino Rossi, que promete contornos emocionantes nas próximas etapas do certame-rainha.

Foram tantas as emoções e o movimento nos calendários das demais categorias cobertas pelo G&M que tivemos um pequeno congestionamento nas postagens. A de Silverstone acabou ficando para trás em nossa redação e a de Misano está fresca para ser posta ao ar para o fã da motovelocidade que perdeu algum lance de ambas as (fantásticas) provas. Mas não fiquemos tristes, neste post em especial serão as DUAS CORRIDAS em destaque. Meio longo, mas vale a pena rever e ler.

Como sempre, a escrita é do jornalista e contador Douglas Sardo, irmão de nosso blog e responsável com primor pela MotoGP. Sendo assim, boa leitura e boa rememoração! Vamos ao que interessa duma vez!

Silverstone: Finalmente a primeira vitória de Viñales!

Nos braços do povo. Desde 2007 a Suzuki sonhava em voltar a vencer. E o talento já proeminente de Maverick Viñales foi o responsável pela volta dos azul-e-verdes ao degrau mais alto, com atuação primorosa em Silverstone (MotoGP)

Nos braços do povo. Desde 2007 a Suzuki sonhava em voltar a vencer. E o talento já proeminente de Maverick Viñales foi o responsável pela volta dos azul-e-verdes ao degrau mais alto, com atuação primorosa em Silverstone (MotoGP)

Em Silverstone não teve para ninguém: Maverick Viñales foi supremo na lendária pista e venceu pela primeira vez em sua carreira. O talento do espanhol já pedia passagem há algum tempo, mas não está fácil vencer nessa MotoGP 2016. Com essa vitória de Viñales, até aqui foram sete vencedores diferentes nas últimas sete corridas! Um novo recorde, superando a temporada de 1999 com seis e igualando o período entre o GP de Ímola de 1999 e o GP da África do Sul de 2000.

Com o triunfo de Viñales, a temporada de 2016 também se torna a primeira da história a ter quatro novos vencedores, com Maverick se juntando a Jack Miller, Cal Crutchlow e Andrea Iannone nesse momento histórico. Para completar, a corrida em Silverstone ainda teve mais um capítulo da saga Rossi Vs. Marquez, um novo duelo espetacular da dupla!

Após susto com Espargaró e Baz, primeira vitória de Viñales tira Suzuki da seca

As expectativas para a largada da MotoGP em Silverstone eram grandes, com o encantado Cal Crutchlow na pole, seguido por Valentino Rossi e Maverick Viñales. Não demorou muito porém, para que o espanhol da Suzuki assumisse a liderança da prova. Só que nada disso valeu porque logo na primeira volta aconteceu um acidente assombroso entre Pol Espargaró e Loris Baz.

Na curva Maggots, os dois pilotos disputavam posição quando Baz deu um leve toque em Danilo Petrucci, e na sequência acabou acertando Espargaró. Os dois pilotos caíram de forma violenta de suas motos e acabaram no meio da pista, com a moto de Loris ricocheteando até aterrizar perigosamente próxima dos dois. Por muita sorte, os outros pilotos conseguiram desviar.

Bandeira Vermelha e muita tensão. Pol saiu de maca, mas estava tudo bem com o piloto da Tech 3. Quem preocupava mesmo era Baz, mas após alguns minutos de angustia, o piloto da Avintia-Ducati acenou para as câmeras enquanto era levado para o carro médico. Um grande alívio.

Viñales fustigando Rossi na relargada. Espanhol precisou de poucas voltas para definir a corrida e deixar o italiano dos diapasões preso em um duelo épico contra o conterrâneo Marc Márquez (MotoGP)

Viñales fustigando Rossi na relargada. Espanhol precisou de poucas voltas para definir a corrida e deixar o italiano dos diapasões preso em um duelo épico contra o conterrâneo Marc Márquez (MotoGP)

Na relargada, novamente Viñales precisou de poucas curvas para assumir a ponta. Marc Márquez, Valentino Rossi, Cal Cruthclow e Andrea Iannone bem que tentaram, mas jamais estiveram no mesmo ritmo do piloto da Suzuki. Viñales venceu de ponta a ponta e com sobras, tendo seu caminho facilitado pelo duelo fratricida entre o quarteto já citado.

Piloto de muito talento, Maverick esperava ansiosamente por esse momento. Se as habilidades do futuro companheiro de Rossi na Yamaha jamais estiveram em questão, também é verdade que ele andava bastante apagado, em meio a uma temporada com tantas surpresas e vencedores diferentes. Mas agora que conseguiu sua primeira vitória, vai chegar com muito mais moral na Yamaha em 2017. Podemos esperar um duelo muito interessante entre ele e Rossi.

Chris Vermehulen, o Australiano Vermelho, embaixo de chuva em Le Mans, 2007. Última vitória da Suzuki na categoria-rainha antes do triunfo de Viñales (Reprodução)

Chris Vermeulen, o Australiano Vermelho, embaixo de chuva em Le Mans, 2007. Última vitória da Suzuki na categoria-rainha antes do triunfo de Viñales (Reprodução)

Essa foi a primeira vitória da Suzuki desde o GP da França de 2007, com o Vermen Chris Vermeulen. Naquela tarde chuvosa tivemos a primeira vez na era MotoGP em que os pilotos trocaram de moto durante a corrida por causa das condições climáticas. Só para se ter uma ideia de quanto tempo faz, naquele mesmo fim de semana tivemos vitória de Jorge Lorenzo, então correndo de Aprilia nas 250 cc.

Crutchlow segue em estado de graça

Em estado de graça: Cal Crutchlow segue fazendo bonito na segunda metade do campeonato. Levou a LCR-Honda a uma fabulosa pole e, diante dos fás britânicos da motovelocidade, subiu em segundo lugar, duelando cabeça-a-cabeça com Rossi (MotoGP)

Em estado de graça: Cal Crutchlow segue fazendo bonito na segunda metade do campeonato. Levou a LCR-Honda a uma fabulosa pole e, diante dos fás britânicos da motovelocidade, subiu em segundo lugar, duelando cabeça-a-cabeça com Rossi (MotoGP)

Após vencer em Brno, Cal Crutchlow voltou a dar show na MotoGP, e dessa vez na frente de seu público. O britânico aproveitou a chuva dos treinos para fazer uma pole position espetacular! Em boa parte do treino Cal tinha uma vantagem de mais de dois segundos para o restante do grid.

Na corrida, se Viñales estava inalcançável, Cal travou duelo incrível com Rossi, Márquez e Iannone, e conseguiu deixar todos para trás na luta pelo segundo lugar. Belíssimo desempenho e resultado na terra da rainha. Sem duvidas esse é um momento excepcional na carreira do piloto britânico!

Rossi Vs. Márquez: mais um duelo épico da dupla

A temporada de 2015 sem dúvidas ficou marcada pelas muitas disputas entre Valentino Rossi e Marc Márquez. Em 2016 porém, com Márquez liderando com folga o campeonato, os duelos entre os dois estavam rareando. Mas eis que em Silverstone, eles escrevem mais um belíssimo capítulo dessa rivalidade sensacional.

Rossi e Marquez de encontravam e se encararam inúmeras vezes na briga pelo terceiro posto em Silverstone. Um duelo épico, digno da atual MotoGP (MotoGP)

Rossi e Marquez de encontravam e se encararam inúmeras vezes na briga pelo terceiro posto em Silverstone. Um duelo épico, digno da atual MotoGP (MotoGP)

Não demorou muito para todos perceberem que Viñales estava em outro nível, e que a briga seria pelo segundo lugar. Márquez tentou se estabelecer na posição, mas Rossi o perseguiu de forma implacável até assumir o posto. No entanto, os dois foram surpreendidos por Iannone, que fez boa escalada da oitava posição apenas para sofrer mais um de seus tombos, e depois por Crutchlow, que lutou com os dois até se garantir em segundo lugar.

Aí a luta entre Rossi e Máqrquez era pelo pódio, e haja roda com roda entre esses dois! Um duelo de tirar o folêgo! A batalha jogava pelos ares qualquer cautela, e Márquez, que este ano tem sido muito paciente, acabou saindo duas vezes da pista antes de ver Rossi fechar em terceiro.

Um show para aplaudir de pé em Silverstone e arrancar lágrimas dos fãs da categoria. Dois gênios mostrando tudo do que são capazes!

A chuva se foi, mas o sol ainda não nasceu para Lorenzo

Lorenzo segue perturbado, sem conseguir mais reagir com boas atuações e dando como perdido o título de 2016. as críticas pelas suas atuações em pistas molhadas são um dos pontos mais batidos (MotoGP)

Lorenzo segue perturbado, sem conseguir mais reagir com boas atuações e dando como perdido o título de 2016. as críticas pelas suas atuações em pistas molhadas são um dos pontos mais batidos (MotoGP)

Após treinos chuvosos em Silverstone, eis que a chuva deu uma trégua justamente na etapa britânica, para alívio de Jorge Lorenzo. Bom, pelo menos era o que se pensava, mas a verdade é que mesmo com pista seca o desempenho do Espartano foi totalmente discreto. O espanhol completou a prova em oitavo lugar, onde andou praticamente o GP inteiro, sem sequer ameaçar uma briga pelo top five.

Em entrevistas após a prova, Lorenzo jogou a toalha sobre o campeonato, além de reclamar bastante do desempenho da Yamaha. Realmente o atual campeão parece bastante desanimado. Por tabela, Jorge ainda teve de ouvir críticas de Stefan Pierer, CEO da futura estreante na categoria-rainha, a equipe KTM, durante a última semana.

Stefan Pierer, chefão da KTM, um dos que alfinetaram Lorenzo, especialmente pelas suas corridas na chuva. (MotoGP)

Stefan Pierer, chefão da KTM, um dos que alfinetaram Lorenzo, especialmente pelas suas corridas na chuva. Os ducatistas nem sabem se poderão vencer com ele. (MotoGP)

Para o chefão do time que entra na MotoGP na próxima temporada, os ducatistas nem sabem se poderão vencer com ele (Lorenzo), pois quando chove ele tem uma série de problemas, e ainda alfinetou o salário elevado do piloto espanhol para a próxima temporada. Lorenzo respondeu dizendo que Pierer não tem boa memória, já que ele teve sim boas atuações na chuva.

Com 64 pontos de desvantagem para Márquez, realmente é muito improvável uma virada de Jorge, mas não é pedir demais que ele volte pelo menos a lutar por vitórias ao invés de ser esse piloto de meio/fundo de grid das últimas corridas.

Iannone volta ao normal: correu como nunca e caiu como (quase) sempre

Ianonne até correu bem, mas, para não perder o costume, sofreu outra queda (MotoGP)

Ianonne até correu bem, mas, para não perder o costume, sofreu outra queda (MotoGP)

Após vencer pela primeira vez na Áustria, e de lutar até pela vitória em boa parte da prova na República Checa, Andrea Iannone voltou a aumentar sua conta de abandonos em 2016. O roteiro já é muito manjado por quem acompanha as corridas da MotoGP: Andrea até apresentou um bom ritmo de prova em Silverstone, largando de oitavo lugar e escalando o pelotão até alcançar um belo segundo posto.

Parecia até que o piloto da Ducati tinha condições de se manter até o final com esse resultado. Mas logo em seguida ele sofreu mais um de seus tombos e saiu de Silverstone de mãos abanando.

O companheiro de Iannone na Ducati, Andrea Dovizioso, fechou em discreto sexto lugar, como de costume.

Jackass de volta

Jack Miller perseguido por Crutchlow. Retorno de Jackass a Honda azul da Marc VDS foi super discreto na Inglaterra (MotoGP)

Jack Miller perseguido por Crutchlow. Retorno de Jackass a Honda azul da Marc VDS foi super discreto na Inglaterra (MotoGP)

Graças às disputas frenéticas na turma da frente, o retorno de Jack Miller acabou passando meio despercebido nessa prova em Silverstone. O vencedor do inesquecível GP da Holanda deste ano havia sofrido um acidente na Áustria, e ficou de fora da prova do tirol e também da corrida em Brno.

O retorno de Jackass começou com uma ida ao Q2 nos treinos. Largando de 12º lugar, Miller fechou em apagado 16º, fora da zona de pontos e atrás de Tito Rabat, seu companheiro na equipe de Marc van der Straten.

Os 10 mais – Corrida

1 – Maverick Viñales (Suzuki)
2 – Cal Crutchlow (LCR-Honda)
3 – Valentino Rossi (Yamaha)
4 – Marc Márquez (Honda)
5 – Dani Pedrosa (Honda)
6 – Andrea Dovizioso (Ducati)
7 – Aleix Espargaró (Suzuki)
8 – Jorge Lorenzo (Yamaha)
9 – Danilo Petrucci (Pramac-Ducati)
10 – Alvaro Bautista (Aprilia)

Viñales, além de fazer história, chega com mais moral e respeito a Yamaha em 2017, no provável duelo interno com Rossi. Atuações de talento tem o feito destacar-se nos lados azuis-e-verdes da Suzuki (MotoGP)

Viñales, além de fazer história, chega com mais moral e respeito a Yamaha em 2017, no provável duelo interno com Rossi. Atuações de talento tem o feito destacar-se nos lados azuis-e-verdes da Suzuki (MotoGP)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Marc Márquez (Honda) 210
2 – Valentino Rossi (Yamaha) 160
3 – Jorge Lorenzo (Yamaha) 146
4 – Maverick Viñales (Suzuki) 125
5 – Dani Pedrosa (Honda) 120
6 – Andrea Iannone (Ducati) 96


Misano: Pedrosa quebra a banca e resolve aparecer no primeiro lugar

Quem é vivo, sempre aparece. Depois de atuações à sombra de Marc Márquez, Dani Pedrosa foi a forra e tirou a prova de Misano da previsibilidade. E isso foi só a oitava vez neste ano na MotoGP (MotoGP)

Quem é vivo, sempre aparece. Depois de atuações à sombra de Marc Márquez, Dani Pedrosa foi a forra e tirou a prova de Misano da previsibilidade. E isso foi só a oitava vez neste ano na MotoGP (MotoGP)

Após tantas surpresas nessa temporada de 2016, eis que o GP de San Marino, na pista de Misano, se encaminhava para um final previsível: Vitória de Valentino Rossi em casa. Não que o Doutor não tivesse feito por merecer esse tento, afinal foi o piloto combativo de sempre, mas uma vitória deRossi acabaria com a fantástica sequência de vencedores alternados da MotoGP.

E foi um personagem que andava bastante sumido que tratou de manter a escrita: Dani Pedrosa fez prova impecável escalando o pelotão a partir do oitavo lugar para vencer pela primeira vez esse ano.

Agora só falta uma vitória da Aprilia, que torcemos muito que aconteça (para a zoeira de 2016 continuar, hehehe).

Bautista e a Aprilia, ainda de resultados minguantes. O G&M torce por uma vitória das motos laranja-verde-prata, para continuar a zoeira (MotoGP)

Álvaro Bautista e a Aprilia, ainda de resultados minguantes. O G&M torce por uma vitória das motos laranja-verde-prata, para continuar a zoeira (MotoGP)

Lorenzo renascido, mas faltou agressividade

Após longo e tenebroso inverno finalmente parece que Jorge Lorenzo está de volta. Foram várias provas na mediocridade completa, mas em Misano Jorge mostrou novamente sua força e marcou uma belíssima pole-position, de quebra batendo o recorde do circuito, na frente do fanático público de seu grande rival.

Lorenzo ressurgiu na classificação em Misano, depois de jogar a toalha na briga pelo título de 2016. Apesar do terceiro posto, falta ânimo para o Espartano fechar a temporada e rumar para a casa vermelha da Ducati (MotoGP)

Lorenzo ressurgiu na classificação em Misano, depois de jogar a toalha na briga pelo título de 2016. Apesar do terceiro posto, falta ânimo para o Espartano fechar a temporada e rumar para a casa vermelha da Ducati (MotoGP)

Na corrida, o Espartano conseguiu se manter na ponta após a largada, mas logo se viu às voltas com Rossi, que tratou de fazer uma manobra muscular para assumir a liderança. Claramente faltou arrojo para Lorenzo nessa disputa, talvez reflexo de um piloto que está desanimado nesse final de temporada. A mesma passividade foi vista quando Dani Pedrosa deixou o #99 para trás. Ao menos Jorge se manteve à frente de Márquez e fechou o pódio.

Rossi combativo, Pedrosa em tarde de gala

Valentino Rossi chegou em Misano com muitas ganas de vencer em seu terreno, para manter suas chances de título e também para se vingar do estouro de motor em Mugello. Mas os treinos já mostravam que a missão do Doutor não seria fácil, com Lorenzo lhe arrancando a pole no Q2 de forma brilhante.

Na largada, Rossi foi atacado por Maverick Viñales, mas logo mostrou que não estava para brincadeiras ao se defender com força e partir com tudo para cima de seu rival de Yamaha. A perseguição de Rossi foi implacável e ele aplicou uma manobra agressiva para assumir a ponta.

Rossi começou combativo, a frente, não dando moleza a quem aparecia e dando show diante da torcida, como de costume (MotoGP)

Rossi começou combativo, a frente, não dando moleza a quem aparecia e dando show diante da torcida, como de costume (MotoGP)

Com a liderança, Vale tratou de abrir uma vantagem segura e em determinado ponto da corrida sua vitória parecia inevitável, com Lorenzo sem forças para atacar mas mantendo Marc Márquez sob controle. Só que partindo de oitavo lugar no grid, Dani Pedrosa demonstrou um ritmo de prova espetacular, conseguindo duas posições logo na largada e deixando para trás Andrea Dovizioso e Viñales.

Pedrosa foi o único a optar pelo composto macio na dianteira, uma aposta que se pagava graças a seu estilo mais limpo, que não gastava tanta borracha.
Só que a briga agora era com seu próprio companheiro de time, e muitos duvidavam que Dani tivesse os culhões para ultrapassar o líder do campeonato. Pairava no ar a possibilidade de ordens de equipe para proteger Márquez, só que o Samurai de borracaha passou o badalado companheiro e partiu para a luta com a dupla do diapasão.

Lado a lado com Rossi, Pedrosa ignorou as urras da torcida italiana e protagonizou um grande duelo, voltando a vencer quase um ano depois na categoria-rainha (MotoGP)

Lado a lado com Rossi, Pedrosa ignorou as urras da torcida italiana e protagonizou um grande duelo, voltando a vencer quase um ano depois na categoria-rainha (MotoGP)

Primeiro contra Lorenzo, que não conseguiu dificultar muito a vida da Honda número 26 com sua atuação demasiado conservadora durante a prova. Já com Rossi, a parada seria muito mais dura. Mas Pedrosa foi ao encalço do eneacampeão com uma sequência espetacular de voltas mais rápidas. Em pouco tempo, Rossi se via em apuros.

A torcida em Misano empurrava Valentino, mas o desempenho de Pedrosa deixava os mais de cem mil italianos apreensivos. E com razão, pois o espanhol tratou de arriscar tudo em manobra semelhante a que o próprio Rossi aplicara em Lorenzo no início da prova. O Doutor até ameaçou uma fechada, mas nada feito. Valentino tentou aumentar o ritmo no fim, mas Pedrosa estava inalcançável, conseguindo sua primeira vitória desde o infame GP da Malásia em 2015.

Se falávamos aqui que Viñales esteve sumido em 2016 até vencer em Silverstone, o quê dizer de Pedrosa? O Samurai faz temporada totalmente apagada, sequer sendo uma sombra de Marc Márquez na Honda, e de repente consegue uma vitória impressionante. O campeonato da MotoGP segue driblando qualquer previsão.
Para Rossi, fica o consolo de ter diminuído a diferença para um Márquez em tarde discreta na luta pelo título.

MotoGP)

Vitória de Pedrosa nem faz cócegas no campeonato, que tem ainda o companheiro do Samurai de Borracha, Marc Márquez, a frente. No entanto, hoje foi dia de Dani ser a estrela da Hormiga (MotoGP)

Os 10 mais – Corrida

1 – Dani Pedrosa (Honda)
2 – Valentino Rossi (Yamaha)
3 – Jorge Lorenzo (Yamaha)
4 – Marc Márquez (Honda)
5 – Maverick Viñales (Suzuki)
6 – Andrea Dovizioso (Ducati)
7 – Michele Pirro (Ducati)
8 – Cal Crutchlow (Lucio Cecchinello-Honda)
9 – Pol Espargaró (Tech 3-Yamaha)
10 – Alvaro Bautista (Aprilia)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Marc Márquez (Honda) 223
2 – Valentino Rossi (Yamaha) 180
3 – Jorge Lorenzo (Yamaha) 162
4 – Dani Pedrosa (Honda) 145
5 – Maverick Viñales (Suzuki) 136
6 – Andrea Dovizioso (Ducati) 99

Rossi “bluesman”

MotoGP)

Blues Brothers à italiana. Rossi e o quase-irmão Alessio Salucci – o Uccio – imortalizados no casco do Doutor em Misano (MotoGP)

Tradicionalmente Valentino Rossi usa em Misano uma versão especial de seu capacete. Dessa vez o Doutor fez uma homenagem a um de seus filmes preferidos: Os Irmãos Cara-de-Pau (The Blues Brothers), de 1980. O filme na verdade começou como mais um dos sketches do programa Saturday Night Live, e envolvia uma banda, os Blues Brothers, composta pelos comediantes John Belushi e Dan Aykroyd, além de vários músicos da cena do blues e do jazz americano.

A banda acabou ganhando vida própria, com vários álbuns lançados, e o filme de 1980.
No capacete de Rossi, ele e seu grande amigo Alessio Uccio Salucci aparecem caracterizados como os brothers Belushi e Aykroyd.

Iannone e Miller no departamento médico

Michele Pirro na moto de Ianonne. Andrea sofreu grave acidente nos treinos e ficou de fora de Misano por recomendação médica MotoGP)

Michele Pirro na moto de Ianonne. Andrea sofreu grave acidente nos treinos e ficou de fora de Misano por recomendação médica MotoGP)

O leitor mais atento deve ter percebido a ausência do incendiário Andrea Iannone de nosso relato. Acontece que Crazy Joe sofreu uma queda durante o primeiro treino livre em Misano. Inicialmente parecia estar tudo bem com o piloto da Ducati, mas uma radiografia e exames mais detalhados revelaram uma fratura na terceira vértebra torácica e os médicos acabaram vetando a participação do nosso maluco favorito em Misano, sendo substituído por Michele Pirro, que fechou a prova em sétimo lugar, atrás de Dovizioso. Iannone também é duvida para a próxima etapa da MotoGP, daqui a duas semanas em Aragón.

Reveja o acidente de Ianonne:

Outro que segue frequentando o departamento médico é Jack Miller. Pois é, no G&M sobre a corrida em Silverstone nós falamos que Jackass estava de volta. Mas nos treinos em Misano o figuraça da equipe de Marc van der Straten acabou sentindo sua lesão no pulso e ficou de fora da prova italiana. Fica a torcida para a recuperação tanto de Iannone quanto de Miller, dois grandes personagens dessa temporada.

Quem deve voltar de lesão em Aragon é o britânico Bradley Smith da equipe Tech3, que sofreu um acidente nos treinos para as 8 horas de Oschersleben, corrida do campeonato de Endurance da motovelocidade. Smith têm sido substituído por outro britânico, Alex Lowes, que corre na Superbike.

Depois de recuperar-se num acidente no endurance, Bradley Smith regressou em Misano. Posto foi ocupado por outro bom britânico - Alex Lowes - MotoGP)

Depois de recuperar-se num acidente no endurance, Bradley Smith regressa na próxima prova, em Aragón. Posto foi ocupado em Misano por outro bom britânico – Alex Lowes – que o faz há algumas corridas (MotoGP)

Dorna aposenta número 58 em homenagem à Marco Simoncelli

Durante a semana em Misano, a Dorna aproveitou para anunciar que o #58 pertence agora à família Simoncelli, só podendo ser usado com o aval dos familiares de Marco daqui por diante. Marco Simoncelli segue sendo a última fatalidade da MotoGP, após terrível acidente em Sepang na Malásia em 2011. O italiano tinha 24 anos.

Simoncelli, sua Honda alva e o #58. Número do saudoso italiano de vasta cabeleira agora é imortal Reprodução)

Simoncelli, sua Honda alva e o #58. Número do saudoso italiano de vasta cabeleira agora é imortal (Reprodução)

O #58 se junta agora a outros quatro, o #34 de Kevin Schvantz, o #48 de Shoya Tomizawa, o #65 de Loris Capirossi e o #74 de Daijiro Kato.

Rossi e Lorenzo batem boca em coletiva pós GP em Misano

É evidente que o clima na Yamaha é péssimo nesse fim de temporada. Jorge Lorenzo está de malas prontas para a Ducati e claramente está sem muita motivação em uma equipe pela qual foi tricampeão, mas que segue sendo devota de Rossi.

Lorenzo e Rossi puxam o pelotão na largada italiana. Clima na turma do diapasão não anda as mil maravilhas. A coletiva em Misano provou bem isto MotoGP)

Lorenzo e Rossi puxam o pelotão na largada italiana. Clima na turma do diapasão não anda as mil maravilhas. A coletiva em Misano provou bem isto (MotoGP)

Na coletiva pós GP em Misano, o clima esquentou novamente entre os dois companheiros de Yamaha, com Lorenzo acusando Rossi de ter sido agressivo demais em sua ultrapassagem para assumir a liderança no início da prova. Rossi ficou irritado com os comentários de que faz ultrapassagens de forma menos limpa que os outros e se defendeu, dizendo que todos fazem manobras como aquela, e pediu para que Lorenzo assistisse o vídeo da manobra novamente.

Chamou atenção também a justificativa de Rossi para ser tão agressivo no começo da prova: queria modificar algo, porque em Mugello eu fique atrás de Lorenzo e isso me deu azar, pois o motor quebrou.

Então você já sabe, a MotoGP volta em 25 de Setembro, para o Grande Prêmio de Aragón (uma das mil corridas da MotoGP na Espanha), nas bandas espanholas de Alcañiz.

Quem vence? Será que teremos um nono vencedor diferente? Até lá e um forte abraço!

Deixe uma resposta