JSC 45: Um abraço ao Jornal de Santa Catarina

São 45 anos, e não aparenta a experiência com o sangue sempre jovem dos jornalistas que o tornam sempre pra frente, atualíssimo e marcante como patrimônio da imprensa catarinense que é: Eis o Jornal de Santa Catarina, 45 primaveras de história, pioneirismo e aventuras Reprodução)

São 45 anos, e não aparenta a experiência com o sangue sempre jovem dos jornalistas que o tornam sempre pra frente, atualíssimo e marcante como patrimônio da imprensa catarinense que é: Eis o Jornal de Santa Catarina, 45 primaveras de história, pioneirismo e aventuras (Reprodução)

1971

O ano depois do tri. A China de Mao Tsé-Tung entra nas Nações Unidas em substituição a Formosa, expulsa da organização. o Vietnã comia solto em guerra sangrenta e Bangladesh conquistava sua independência do Paquistão. Perdíamos o mito da moda Coco Channel e a voz rebelde de Jim Morrisson. Ganhávamos as risadas do Chaves, made in Mexico por Roberto Bolaños.

No Araguaia, Carlos Lamarca era abatido e o regime militar entrava de vez na fase mais repressiva sob o governo do General Médici. O mesmo Médici que visitaria, em maio, a ainda jovem Blumenau. Uma cidade que ainda chorava a perda do trem, mas que respirava alegre ao assistir a fundação da nova Escola Superior de Música no Carlos Gomes ou a inauguração do majestoso Restaurante Moinho do Vale, encostado na Prainha (Praça Jucelino Kubitschek).

Tantas histórias ao redor dele, fora as outras tantas que podíamos aqui recordar daquele 1971. Inclusive a de um patrimônio da imprensa blumenauense. Um legítimo sobrevivente entre os pioneiros que aqui se instalaram. Ainda sob as mãos dos empresários que, há meros três anos antes, trouxeram a Blumenau e a Santa Catarina a também pioneira TV Coligadas, nascia um pequeno-grande gigante que, no nome, já mostrava a intenção maior de cobrir o estado com a informação e o reflexo da própria gente: Nascia o Jornal de Santa Catarina.

Antiga Fábrica de Chapéus Nelsa, na Rua São Paulo. Onde seria a primeira redação do Santa, aberto ao estado e mostrando a cara como o jornal da integração em 22 de setembro de 1971 Antigamente em Blumenau)

Antiga Fábrica de Chapéus Nelsa, na Rua São Paulo. Onde seria a primeira redação do Santa, aberto ao estado e mostrando a cara como o jornal da integração em 22 de setembro de 1971 (Antigamente em Blumenau)

Foi no dia 22 de setembro, exatamente 20 dias depois da sua genitora, a TV Coligadas, completar três anos de bons serviços e bons programas, que o grande jornal surgiu. Assim como a própria televisão, o Santa – como ficou carinhosamente conhecido ao longo dos anos – carregava nas mãos a mesma palavra que a TV tinha como lema: Integração. Integrar o estado através da notícia, dar-lhe cara, corpo, fazer refletir em cada catarinense a imagem dele próprio em cada canto do estado em que vive. Uma tarefa que, em tempos tão insipientes à tecnologia da informação, soavam como um desafio.

O boneco da primeira edição Reprodução)

O boneco da primeira edição. Prelúdio da integração de ponta a ponta de um estado ainda carente por se conhecer e trazendo a novidade: A impressão em off-set (Reprodução / FCBlu)

O Santa não nascia pequeno, tinha uma estrutura respeitável que aproveitava a velha Fábrica de Chapéus Nelsa, na Rua São Paulo. Dentro delas, além de um corpo de jornalistas de grosso calibre e prontos para o embate, um avanço que nenhum jornal no estado ainda tinha: A mágica impressora off-set, a famosa rotativa que impulsionava folhas e folhas de notícias, entrevistas, fatos e momentos que ficaram na história. O estado inteiro, do norte ao sul, do oeste ao planalto e litoral, liam de cabo a rabo as grandes notícias do dia que vinham impressas do Vale.

A edição desta quinta (22/09, dia do aniversário) foi a de nº 13.886. Imagine você, amigo e amiga que não vive sem informação nossa de cada dia, quantas e quantas notícias passearam pelas páginas de papel fino do Santa? São 45 anos, repete-se. A história, assim como as rotativas, rodou alucinantemente em Blumenau, e a cada passo dela lá estava o jornal para dar o testemunho do fato. Os JASC, as enchentes, a Oktoberfest, o futebol, a polícia, a política, a vida do Vale e do estado crescendo pouco a pouco, as cocadinhas de Carlinhos Muller, as filosofias do Horácio, as curiosidades do Pancho Tudo isso carimbado e dividindo espaço com anunciantes e classificados em todas estas …. edições.

Olha aqui ó... Não é por nada não... Mas, quem conhece o Santa jamais esquece as filosofias do bom-vivant Horácio Braun nas veredas do noticioso. O Santa foi feito por personagens e grandes jornalistas do passado e do presente, que deixaram por suas páginas rios de histórias únicas, como as tristes enchentes em 1983 abaixo), recortes para a memória da cidade-jardim Reprodução / Santa / Jandir Nascimento)

Olha aqui ó… Não é por nada não… Mas, quem conhece o Santa jamais esquece as filosofias do bom-vivant Horácio Braun nas veredas do noticioso. O Santa foi feito por personagens como Horácio e grandes jornalistas do passado e do presente, que deixaram por suas páginas rios de histórias únicas, como as tristes enchentes em 1983 9abaixo), recortes para a memória da cidade-jardim que fascinam a amantes de história a cada visita no arquivo do jornal (Reprodução / Santa / Jandir Nascimento / Adalberto Day)

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O jornalismo é um dos maiores contribuintes para a constituição dos documentos que, no futuro, contarão a história do passado vivido. A memória guardada em notícias de tantas e tantas páginas foleadas no Santa está bem guardada e é o deleite nos olhos de quem tem na mistura da notícia e da história o foco da pesquisa e o passatempo favorito. O arquivo do jornal, em uma das tantas salas da atual redação – próxima a Ponte do Salto, na Rua Bahia – é esta loja de doces dos amantes da história, e prova viva da importância da notícia como registradora de eventos pertencentes a um passado sedento de ser descoberto.

Passado de acontecimentos e também de nomes que por lá deixaram seus escritos. Jornalistas do tempo de diagramações no pé da régua, tendo a máquina de escrever como fiel amiga dos textos do dia a dia, que iam para a rua munidos de canetas, blocos, gravadores semelhantes a caixas de bombons e uma louca curiosidade só saciável diante do fato a se dissecar em anotações e fotos.

A primeira capa oficial, de 22 de setembro de 1971, com a revelação de que duas cidades de SC apenas tinham esgotamento sanitário, além, claro, da visita do governador Colombo Salles na inauguração do JSC. Abaixo, a primeira capa colorida, em  Reprodução)

A primeira capa oficial, de 22 de setembro de 1971, com a revelação de que duas cidades de SC apenas tinham esgotamento sanitário, além, claro, da visita do governador Colombo Salles na inauguração do JSC. Abaixo, a primeira capa colorida, em setembro de 1994 (Reprodução / Santa / Pancho)

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Tempos românticos das telefotos enviadas em maquinas terrivelmente barulhentas,  das enciclopédias como o Google da época e do telefone de disco como o escudeiro nos contatos externos. Tempo onde só o jornal mesmo, de folha grande e dobrado ao meio na leitura, era junto da TV e do rádio simples o tal manancial de informação. Tudo mudou drasticamente, a internet entrou na ciranda e o jornalista, preocupado em apenas não errar a tecla na velha Olivetti a sua frente, tem que estar ligado ao mínimo movimento do mundo.

O Santa ainda hoje também é um dos tantos supra-sumos do jovem jornalista. Talvez nem tanto seja assim hoje, com a tamanha independência da notícia que faz jornalistas tornarem-se também empreendedores e donos do próprio nariz, compartilhando consigo a inspiração para fazer a hora, como dizia o compositor. De certo, leva como inspiração a bela história e trabalho desenvolvidos por quem fez ou faz as páginas do Santa, sejam os velhos lobos das antigas, dando aulas ou ainda na ativa e contando belas histórias, seja a nova geração, mandando ver e deixando também sua marca.

A atual localização da redação do Santa: Rua Bahia, antiga cozinha industrial do Ataliba, bem de frente para a Ponte do Salto e diante de uma cidade inteira. Sonho de muitos jornalistas em formação, recordações de veteranos que ali enveredaram, um patrimônio da imprensa catarinense sempre jovem e presente na primeira leitura de muitos Blumenauenses Reprodução / 2014)

A atual localização da redação do Santa: Rua Bahia, antiga cozinha industrial do Ataliba, bem de frente para a Ponte do Salto e diante de uma cidade inteira. Sonho de muitos jornalistas em formação, recordações de veteranos que ali enveredaram, um patrimônio da imprensa catarinense sempre jovem e presente na primeira leitura de muitos Blumenauenses (Reprodução / 2014)

Os tempos mudaram muito em 45 anos, verdade seja dita. Mas dias vão e vem e o velho Santa ainda é a primeira leitura de muitos blumenauenses. Do pioneirismo que cobriu um estado inteiro ao som a integração aos tempos frenéticos da cidade-jardim e de um Vale de histórias que rolam dia a dia em cada esquina, lá está sempre o valente jornal, ao lado de tanto outros jornalistas que o veem não como concorrente, mas como outro colega de correria, atentos aos acontecimentos de nosso pedaço de Brasil.

A BOINA deixa aqui seu abraço aos amigos que hoje fazem e que ontem fizeram a história deste patrimônio da imprensa catarinense: O Jornal de Santa Catarina, que hoje e sempre estará nas bancas fazendo o que sabe fazer muito bem há 45 primaveras: Informar e integrar o Vale através da notícia, enquanto o jornalismo assim permitir.

Um comentário sobre “JSC 45: Um abraço ao Jornal de Santa Catarina

  1. Parabéns André, por mais esta bela crônica sobre os 45 anos do Jornal de SC. Fui assinante desde 22 09 1971 do Santa e tinha quase todos os exemplares guardados, porém um enxurrada em 1983 estragou todos os exemplares, Obrigado por me citar. Creio que deverias usar a charge do Cao Hering do dia 22 um número 45 que sendo bem olhado, está escrito CAO.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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