Fabrício Wolff em A BOINA: Progressão Automática, um desrespeito

(Repropdução / ND)

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(Fabrício Wolff)

Todo mundo sabe – ou pelo menos diz ou já ouviu dizer – que a educação é o futuro do país. Tudo bem… Deveria ser o presente, mas aqui no gigante adormecido tudo demora mais um pouco, o processo é sempre mais lento.

Quem está atento à importância da educação para uma nação, já ouviu falar também do Japão pós segunda guerra mundial. É, provavelmente, o exemplo mais clássico de como a educação, no caso específico voltada para a tecnologia, pode impulsionar economicamente um país. Há muitos outros exemplos mundo afora que demonstram que o conhecimento transmitido e adquirido no ensino escolar modifica para melhor seu povo, a nação e, por conseqüência, o país.

Na contramão de tudo o que se sabe sobre a importância da educação, o Governo do Estado de Santa Catarina acaba de anunciar a implantação da promoção automática para os alunos das primeiras, segundas e terceiras séries do ensino fundamental. Na prática, o aluno passa de qualquer jeito até a terceira série, saiba ou não ler e escrever, saiba ou não as continhas básicas da matemática. Só ao final da terceira série, haverá uma avaliação do aprendizado. E será exatamente aí, neste momento, que a porca torcerá o rabo. Se o aluno não souber, não tiver aprendido tudo o que precisaria saber na primeira e segunda série, o que fazer?

(Reprodução)

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A patuscada governamental pode ser criticada de todas as formas. Primeiro porque promover os alunos às séries superiores é um desrespeito ao próprio aluno, pois não leva em consideração o seu nível de aprendizado. Há quem defenda que a tal promoção automática não respeita nem mesmo as Leis de Diretrizes Básicas da Educação.

Mas este ato por decreto, desrespeita mais: Desrespeita os pais dos alunos, que não terão real noção de como seus filhos estão no processo de aprendizagem – fundamental para que, no futuro, sejam alguém na vida. Desrespeita o princípio da meritocracia, nivelando todas as crianças dessas três primeiras séries por baixo, uma vez que passarão de uma série para outra sabendo ou não sabendo, esforçando-se ou não. Desrespeita a inteligência da sociedade, por motivos óbvios.

(Reprodução)

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Dei aula no ensino superior trabalhando com textos. Sei da dificuldade de boa parte dos estudantes universitários com a língua portuguesa. O ensino de base já é deficiente, pelas mazelas da educação que todos sabemos. Professores desmotivados, alguns mal preparados, dificuldades de investimentos nas escolas, teoria conteudista de ensino. Com avaliação ano a ano, os alunos chegam à universidade com parcos conhecimentos de base. Imagina empurrando as crianças adiante com a barriga, série após série, sem avaliação de aprendizado, sem constatação da sua capacidade de avançar para o passo seguinte.

Santa Catarina, mais do que um tiro no pé, pode estar dando um tiro no peito. No coração do futuro.

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