Gramming & Marbles (F1): Rosberg segura Riccardo, triunfa em Cingapura e volta a liderar campeonato

Além do dever de casa: Mesmo com a pressão de Riccardo no fim da prova, Nico Rosberg soube aproveitar a chance para vencer sua corrida nº 200 e, de quebra, voltar a ser líder do campeonato de 2016. Corrida de poucas emoções no cercado de Marina Bay, em Cingapura (Getty Images)

Além do dever de casa: Mesmo com a pressão de Riccardo no fim da prova, Nico Rosberg soube aproveitar a chance para vencer sua corrida nº 200 e, de quebra, voltar a ser líder do campeonato de 2016. Corrida de poucas emoções no cercado de Marina Bay, em Cingapura (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Muito mais que o dever de casa no trenzinho asiático

Um ponto atrás de Lewis Hamilton, devendo uma atuação maiúscula e largando da pole. Nico Rosberg estava com o cetro do comando na mão na iluminada pista de Marina Bay, em Cingapura, e teria de demonstrar muito mais do que uma reles atuação para, além de vencer, regressar a ponta da tabela, nas mãos de Hamilton por apenas um mísero ponto. Ao menos, era essa a única expectativa para a prova, que precisaria de um milagre para ser emocionante no conjunto da obra, coisa que não foi salvo alguns poucos pegas.

Depois das 61 voltas de poucos pegas e uma fila indiana cujo comentaremos mais adiante, Rosberg até surpreendeu que esteve em Marina Bay, seja nas bancadas ou diante da TV. Uma atuação digna de piloto da Mercedes (ainda é cedo para dizer que é digna de campeão), com uma corrida firme, rápida e pensada, tendo apenas que se preocupar mais com os ataques de Daniel Riccardo no final da prova, sacramentando uma grande vitória e, o que é melhor, a volta a ponta da tabela do campeonato, oito pontos a frente de Hamilton.

Daniel Riccardo teve grande atuação em Marina Bay e acompanhou perigosamente o ritmo de Rosberg no fim da prova. Ele ainda espera vencer este ano (Getty Images)

Daniel Riccardo teve grande atuação em Marina Bay e acompanhou perigosamente o ritmo de Rosberg no fim da prova. Ele ainda espera vencer este ano (Getty Images)

Talvez tenha sido esse o resumo do fim de semana, sobretudo para Rosberg. Vai além do dever de casa das últimas vitórias especialmente pelo fato de faze-lo de forma decidida e sem dar chance a azares. Foi uma feliz corrida para Nico, que agora vai a Malásia sem a grande pressão de vencer numa pista que poder ser de vantagem para Lewis, que tem se dado muito melhor em pistas mais velozes.

E se você acha que falei pouco da prova até aqui é que ela, realmente, foi uma prova sonolenta em muitos momentos, quase a corrida inteira, salvando alguns interessantes embates na pista. Algo que fez o novo dono da F1 pensar diante dos colegas nos camarotes de Cingapura. Alguma coisa precisa acontecer para 2017, e parece que o cidadão tem bala na agulha.

Novo dono em Cingapura: Novos (e bons) rumos para a F1?

Pelos corredores do autódromo asiático, Chase Carey esteve passeando pela primeira vez no circo desde que se tornou um dos donos dele no último mês. Compra da maior parte das ações da F1 pela Liberty Media o colocou a frente do circo e traz grande esperanças para o futuro da categoria (Getty Images)

Pelos corredores do autódromo asiático, Chase Carey esteve passeando pela primeira vez no circo desde que se tornou  dono dele . Compra da maior parte das ações da F1 pela Liberty Media o colocou a frente do circo e traz grande esperanças para o futuro da categoria (Getty Images)

Atende pela graça de Chase Carey o novo dono do circo da F1, cujo negócio foi fechado no início de setembro com a venda da maior parte das ações da categoria, que eram da CVC, para a Liberty Media. Carey, 62 anos, com um curioso bigode a lá maluco e escolhido como presidente da categoria assim que os pontos forem concretamente batidos em 2017, esteve em Cingapura para assistir o trenzinho no dito espetáculo de Marina Bay. Quase como um novo prefeito diante de uma cidade mal administrada.

A vinda de Carey é bem vista pelas demais equipes do certame, que colocam nele grandes esperança em um novo rumo para a categoria, muito mais venturoso do que os atuais, monótonos, de domínio de uma única equipe e sem nenhum atrativo vigoroso para atrair fãs. Felizmente, nas primeiras palavras do bigodudo Carey, as perspectivas são boas. Fala-se em um regime bem mais democrático, sem perder o foco em transformar a F1 num verdadeiro esporte global, cujo espetáculo seja atrativo, grandioso e, por que não, acessível a muito mais gente do que a meia-dúzia de gatos pingados que consegue pagar um ingresso.

Ideias novas de Carey, especialmente sobre o trabalho junto das equipes, batem de frente com a arcaica filosofia ditatorial de Bernie Ecclestone, que anda dando sinais de caduquice (Getty Images)

Ideias novas de Carey, especialmente sobre o trabalho junto das equipes, batem de frente com a arcaica filosofia ditatorial de Bernie Ecclestone, que anda dando sinais de caduquice (Getty Images)

Claro que você dira de boas intenções, o inferno está cheio, mas há algo de alentador nas palavras de Carey. A F1 nunca viveu uma perspectiva tão real de um turning pont como agora. Aproximação como os fãs, um regime democrático e igualitário as equipes, investimento em plataformas digitais e nada disso sem colocar o lucro rápido a frente, pensamentos muito mais livres do que o arcadismo ditatorial de Bernie Ecclestone, que na altura da própria idade, já estava começando a caducar com suas declarações. Um exemplo recente? Dizer que Alain Prost era o melhor de todos os tempos por não ter privilégios… Você tire suas conclusões ai.

Quando ao sr. Carey, que a gestão dele e da Liberty Media seja a mais venturosa possível, pelo bem da F1 e do automobilismo como um todo. Os fãs agradecem e torcem.

Os 10 mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
3 – Lewis Hamilton (Mercedes)
4 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
5 – Sebastian Vettel (Ferrari)
6 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
7 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
8 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
9 – Daniil Kvyat (Toro Rosso-Ferrari)
10 – Kevin Magnussen (Renault)
12 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
13 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

A largada em Cingapura, com a panca de Hulkenberg a direita (Getty Images)

A largada em Cingapura, com a panca de Hulkenberg a direita (Getty Images)

Os 6 mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (273)
2 – Lewis Hamilton (265)
3 – Daniel Riccardo (179)
4 – Sebastian Vettel (153)
5 – Kimi Raikkonen (148)
6 – Max Verstappen (129)
10 – Felipe Massa (41)
22 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Daniil Kvyat (Toro Rosso)

Apagado em 2016 e tentando voltar ao tempo de promessa com o carro B do touro paraguaio, Kvyat protagonizou um belo e emblemático duelo nas curvas de Marina Bay, junto do algoz de casa, Max Verstappen (Getty Images)

Apagado em 2016 e tentando voltar ao tempo de promessa com o carro B do touro paraguaio, Kvyat protagonizou um belo e emblemático duelo nas curvas de Marina Bay, junto do algoz de casa, Max Verstappen (Getty Images)

Não é mentira nenhuma. Em Cingapura um dos grandes destaques da pista foi quem, há algum tempo, estava mais queimado na fita que arroz passado do tempo. Depois do rebaixamento ao time-satélite, Daniil Kvyat protagonizou um raro momento de volta aos bons tempos travando um duelo com quem lhe roubou o lugar ao sol. Ele mesmo, Max Verstappen.

E se você acha que rolou dedo da equipe na ultrapassagem do holandês (que era inevitável, claro), saiba que não. O russo não quis entregar tão fácil e a briga tirou a corrida da salmoura e trouxe a ela um elemento emblemático: A luta entre o promovido e o rebaixado. Um belo duelo sem dedo de equipe e nada, e Kvyat sabendo medir a força do adversário sem perder a cabeça.

Dividindo curvas com Max e não facilitando em nada. E o que é melhor, sem dedo de equipe para atrapalhar o atrevido russo (TV)

Dividindo curvas com Max e não facilitando em nada. E o que é melhor, sem dedo de equipe para atrapalhar o atrevido russo (TV)

No fim, apesar de ter chegado atrás de Verstappen, Kvyat mereceu palmas pelo duelo limpo, o melhor da prova. E ainda saiu feliz da pista com dois pontinhos pelo nono lugar.

Rapidinhas:

– A panca de Nico Hulkenberg no começo da prova causou o primeiro – e único – carro de segurança da prova, coisa rara em Cingapura. Na bandeira verde, um susto: Os comissarios de prova deram a largada com um dos fiscais na reta de largada ainda recolhendo pedaços da Force India do alemão. Um erro que poderia ter acabado em uma tragédia.

Hulkenberg tomou um totó na largada e achou a parede antes da primeira curva. Na volta da bandeira amarela, o susto: Um comissario desavisado no meio da pista, ainda recolhendo pedaços do carro alemão (TV)

Hulkenberg tomou um totó na largada e achou a parede antes da primeira curva. Na volta da bandeira amarela, o susto: Um comissario desavisado no meio da pista, ainda recolhendo pedaços do carro alemão (TV)

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Felipe Massa, depois de anunciar a aposentadoria, largou de mão o otimismo que o acompanhava em cada comentário pré-corrida. Em vez de expectativas boas a realidade dos problemas do carro, que em Cingapura se repetiram. Massa e seu xará de Sauber – Felipe Nasr – chegaram comboiando ao final, em 12º e 13º, respectivamente.

– Quem vai acreditar no projeto da Renault? Se crença na ideia fosse crédito a escuderia francesa estaria com o nome sujo no SPC. Kevin Magnussen ainda arrancou um 10º posto. Já Joylon Palmer segue zerado neste ano.

Massa parece ter caído de vez na real dos problemas da Williams, esquecendo os discursos otimistas pré-corrida. Foi apenas o 12º, comboiado pelo xará, Felipe Nasr, em 13º (Bearne / XPB Images)

Massa parece ter caído de vez na real dos problemas da Williams, esquecendo os discursos otimistas pré-corrida. Foi apenas o 12º, comboiado pelo xará, Felipe Nasr, em 13º. Já Kevin Magnussen (abaixo), pontuou para a Renault. Mas apenas um mísero 10º posto, o máximo que o descrente Renault pode chegar (Bearne / XPB Images | Getty Images)

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– A atuação de Kimi Raikkonen também merece distinção, com combatividade que há tempo não se via no finlandês. A briga com Hamilton foi um dos pontos altos da prova, mas não resistindo ao equipamento do inglês. Vitória para a Ferrari em 2016 continua sendo um sonho.

Raikkonen fez grande corrida, chegando a passar Hamilton, mas fechou mesmo em quarto (TV)

Raikkonen fez grande corrida, chegando a passar Hamilton, mas fechou mesmo em quarto (TV)

Para Recordar: 30 anos de um quarteto

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Foi na mureta da reta de largada no Estoril que quatro dos maiores gênios da F1 reuniram-se para uma foto história, talvez a maior de todas da categoria. Lado a lado, Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet, os protagonistas do supercampeonato de 1986. Até aquela corrida eram mesmo os quatro que disputavam a tapa o título daquele ano, que seria decidido a favor de Prost na decisão mais empolgante de todos os tempos.

O retrato, naquela mureta do Estoril, foi o retrato do que era os anos 80, de corridas imprevisíveis, emocionantes e feitas por verdadeiros ases dispostos a bater na porta do limite para conseguir vencer. Abaixo, a primeira parte (largada) da corrida, se quiser, pode ir acompanhando com os vídeos seguintes:

Keke Rosberg e a McLaren amarela. Propaganda do Marlboro Lights que casou bem com o momento que marcava despedida do finlandês, encerrando o ciclo na categoria em Adelaide, no fim daquele ano (Sutton)

Keke Rosberg e a McLaren amarela. Propaganda do Marlboro Lights que casou bem com o momento que marcava despedida do finlandês, encerrando o ciclo na categoria em Adelaide, no fim daquele ano (Sutton)

Quanto ao GP de Portugal daquele ano, os quatro primeiros foram, exatamente, eles mesmo. Mansell em primeiro, Prost em segundo, Piquet em terceiro e Senna em quarto. As Ferrari de Michele Alboreto (5º) e Stefan Johansson (6º) fecharam a zona de pontos. Nesta corrida também marcou a presença da McLaren amarela de Keke Rosberg, publicidade do cigarro Marlboro Lights que casou como uma espécie de homenagem ao pai de Nico, que se aposentaria da F1 no fim daquele ano.

De volta a hoje, a próxima prova do mundial é de madruga no Brasil. Dia 2 de outubro, dia de eleições municipais e dia de GP da Malásia, no veloz autódromo de Sepang.

Até la!

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