Pão de Açucar em Blumenau: Uma volta?

Estaria voltando? Depois de uma passagem por Blumenau entre os anos 70 e 90, o Pão de Açúcar está em tratativas para instalar novamente uma das lojas do grupo na cidade, em espaço no Norte Shopping. Uma história que tem um Q de especial desde a incorporação do Pfutzenreiter, no fim dos anos 70 Reprodução)

Estaria voltando? Depois de uma passagem por Blumenau entre os anos 70 e 90, o Pão de Açúcar está em tratativas para instalar novamente uma das lojas do grupo na cidade, em espaço no Norte Shopping. Uma história que tem um Q de especial desde a incorporação do Pfutzenreiter, no fim dos anos 70 Reprodução)

Uma notícia um tanto breve, mas que vale a menção em A BOINA pela surpresa que causou. Recado mandado pelo super Pedro Machado, colunista do Jornal de Santa Catarina, na coluna do dia 23/06, trouxe uma notícia de peso um tanto histórico na vida comercial da cidade: O poderoso Grupo Pão de Açúcar, um dos titãs dos supermercados do Brasil, estuda regressar com loja própria à Blumenau em espaço no Norte Shopping onde, anteriormente, funcionava o BIG.

A nota foi curta, é verdade, mas mexeu com os nostálgicos que viram no ar a expectativa de uma volta da clássica rede de supermercados que deixou a cidade em meados dos anos 90, entregando suas lojas a também antiga rede Vitória/Mini Preço, de Itajaí. Ainda segundo a nota de Machado, há tratativas iniciais já traçadas entre o grupo e o shopping, mas nada concreto de fato.

Filho e pai. Abilio e Valentim Diniz. Até 2010, a família esteve a frente dos negócios que faziam os brasileiros modar hábitos de consumo em massa, trocando os armazéns e secos-e-molhados pelos supermercados, como a primeira loja da família, em 1959, abaixo Reprodução)

Abilio Diniz e o pai, Valentim. Até 2010, a família esteve a frente dos negócios que faziam os brasileiros mudarem hábitos de consumo em massa, trocando os armazéns e secos-e-molhados pelos supermercados, como a primeira loja da família, em 1959, abaixo Reprodução)

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Os blumenauenses, especialmente alguns mais de outros tempos, ainda lembram com certa saudade do supermercado da família Diniz, cuja história no Brasil confunde-se quase como a própria linha do tempo dos supermercados brasileiros. A grande rede que hoje se constitui começou numa tímida loja de doces – a doceira Pão de Açúcar – aberta pelo imigrante português Valentim dos Santos Diniz em 1948.

Valentim estava no Brasil desde 1929, quando abandonou a pequena aldeia lusitana de Pomares de Jamelo para tentar uma vida melhor na América do Sul. O nome da doceria vinha do clássico morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, que encantou Valentim logo de vista ao chegar ao Brasil.

O Jumbo, primeiro hipermercado do Brasil e uma verdadeira revolução dentro da revolução já começada pela família Diniz Reprodução)

O Jumbo, primeiro hipermercado do Brasil e uma verdadeira revolução dentro da revolução já começada pela família Diniz (Reprodução)

Uma década depois, com os negócios em franca expansão, Valentim decidiu dar um novo passo e trazer o molde de supermercado a maior cidade do país. Da modesta loja da Av. Brigadeiro Luis Antônio, Valentim e seu filho, o ainda jovem Abilio, abriram o primeiro supermercado de São Paulo, bem ao lado da doceria, em 14 de abril de 1959. O sistema de auto-serviço era uma novidade no país, tendo sido iniciado pelo antigo Supermercado SirvaSe, em 1953. Nota: O SirvaSe seria incorporado pelo Pão de Açucar em 1965.

Os anos foram passando, e o Pão de Açucar passou de tímido supermercado a uma potência que, ao fim dos anos 60, chegava a 60 lojas em 17 cidades. A expansão continuaria nos anos 70, especialmente com a inauguração do Jumbo, o primeiro hipermercado do Brasil, em Santo André, em 1971.

Dali por diante, Abilio Diniz – já a frente dos negócios da família – foi adquirindo várias redes e lojas de supermercados menores em diversos estados. A maior compra destas tantas seria a da Eletroradiobraz, em 1976, que rendeu até um interessante comercial:

Em Blumenau, o Pão de Açucar chegava pelos caminhos da tradicional Comercial Rudolfo Pfutzenreiter, em meados dos anos 80. O grande supermercado blumenauense havia sofrido um violento incêndio no fim dos anos 60 e estava recuperando-se das cinzas quando a rede dos Diniz adquiriu o controle das lojas, rebatizando-as de Pão de Açúcar em meados da década de 70. Eram quatro lojas, que pela localização, ficaram marcadas na história de cada cantinho onde estavam instaladas: No Centro, Garcia, Itoupava Norte e Itoupava Seca.

Até os anos 90, o Pão de Açúcar era uma das redes fortes de supermercados na cidade, mas uma mudança de política do grupo fez com que a marca desaparecesse de Blumenau repentinamente. No fim da década, todas as quatro lojas da rede foram entregues ao uso dos Supermercados Vitória/Mini Preço, que usufruíram das instalações até meados da década de 2000, com o fechamento do Mini Preço. Das quatro antigas lojas, apenas os prédios do Garcia e da Itoupava Norte encontram-se fechados. No antigo Pfutzenreuter, na Rua 7, funciona atualmente um boliche e na Itoupava Seca, próximo ao Blu Pizza/Blu Lanches, abriga uma filial da Milium.

No entanto, o pouco de informações que há sobre uma provável volta do Grupo Pão de Açúcar à Blumenau resume-se simplesmente na informação de Pedro Machado. Até mesmo para montar esta matéria em especial foi dificil – e sem sucesso – conseguir informações com a assessoria central do GPA. A BOINA tentou sequentes contatos, até para obter algum histórico sobre a passagem do grupo pela cidade, coisa que havia em bom registro no site do GPA em uma interessante linha do tempo. Infelizmente, os poucos dados resumem-se a números aproximados, especialmente nas datas relacionadas a Blumenau.

Sendo assim, o jeito é ficar atento a qualquer novidade nos próximos meses, donde ela vier. A BOINA estará atenta aos detalhes, se de algum lugar eles vierem. Se você tiver alguma informação ou dado que enriqueça a história do Pfutzenreuter e do Pão de Açúcar em Blumenau não hesite, mande para o blog nos comentários do Facebook ou da própria página ou no e-mail blogaboina@gmail.com .

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