Fabrício Wolff em A BOINA: Pesquisas eleitorais???

(Reprodução / Jornal de Blumenau)

(Reprodução / Jornal de Blumenau)

(Fabrício Wolff)

Estamos na semana da eleição, onde os brasileiros vão definir os destinos dos municípios para os próximos quatro anos. Em Blumenau, ela começou agitada com a divulgação de uma única pesquisa eleitoral feita nessas eleições, do Instituto Mapa, encomendada pela RICTV Record. O resultado é contestado por alguns, comemorado por pelo menos um candidato. Mas, convenhamos… As pesquisas eleitorais em Blumenau estão sob suspeita desde 2012. É bom relembrar. Há quatro anos atrás a lambança das pesquisas foi tanta, que repercutem até hoje.

Para os menos ligados ou cuja memória é mais curta do que o normal, há quatro anos atrás as pesquisas apontavam o atual prefeito e então candidato Napoleão Bernardes (PSDB) fora do segundo turno. Na eleição passada, o instituto Ibope fez várias pesquisas por aqui e, três dias antes da eleição garantia que Ana Paula Lima (PT) chegaria aos 40% dos votos. Napoleão estaria, na semana da eleição, quatro pontos percentuais atrás de Jean Kuhlmann (PSD), que também era candidato. A lambança foi tanta naquele 2012, que uma pesquisa do Instituto Accord chegou a apontar Osni Wagner (PSOL) com 7%.

Dados de 2012, com números de pesquisa dos vários institutos responsáveis (Reprodução)

Dados de 2012, com números de pesquisa dos vários institutos responsáveis. Perdão pela qualidade de imagem (Reprodução)

O próprio instituto Mapa, realizador da única pesquisa eleitoral em Blumenau em 2016 apontava, naquele nem tão distante 2012, Ana Paula bem na frente, com Kuhlmann em segundo. Napoleão estaria fora do segundo turno. O IBOPE este ano nem deu as caras em Blumenau. Talvez por vergonha do erro crasso cometido em 2012.

Outros institutos que estão ali na tabela de 2012 (no alto da página) também sumiram, desapareceram. Somente na última semana da campanha apareceu a única pesquisa eleitoral em Blumenau, do único instituto que resolveu, mediante pagamento da contratante (claro), efetuá-la.

Uma análise sobre as pesquisas de 2012 sempre deixaram em dúvida se o eleitor mudou o voto tanto assim ou se havia erro no planilhamento das intenções de voto. Ou, quem sabe, na leitura deste planilhamento… Não houve, grosso modo, nenhum fato cabalístico naquela eleição que pudesse fazer a candidata petista cair mais de 10% em três dias. Nem mesmo que o candidato tucano ultrapassasse o pessedista, crescendo 16% em apenas 72 horas.

(Reprodução)

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Vamos combinar: o que aconteceu naquela eleição não foi surreal. Estranhas foram as pesquisas de intenção de voto. Pesquisa que funcionou de verdade foi aquela de boca de urna, feitas por emissoras de rádios locais, no dia e hora da eleição.

O fantástico erro das pesquisas eleitorais de 2012 em Blumenau coloca os institutos que a fizeram em suspeita. Por isso, antes de comemorar a única pesquisa deste ano divulgada na última segunda-feira e que aponta Khulmann com 5% a frente de Bernardes – e estranhamente que embora Napoleão tenha 29% das intenções de voto mais de 49% dos eleitores acreditam que ele vá vencer a eleição – é muito prudente esperar o resultado das urnas.

Afinal, em Blumenau, tem se mostrado que os números das pesquisas não são corroboradas pelos números dos votos. E que o eleitor blumenauense não age como Maria-vai-com-as-outras quando o assunto é eleição.

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