Fabrício Wolff em A BOINA: A lição das eleições 2016 (1º Turno)

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(Fabrício Wolff)

As eleições municipais realizadas neste domingo, dia 02, deixaram um recado muito claro ao PT e aos políticos de forma geral. A turma da estrela vermelha, maior perdedora do pleito por motivos óbvios (denúncias de corrupção, investigações, prisões etc), a necessidade de reinventar o partido. É preciso fazer um mea culpa interno, reconhecer os erros, voltar ao que o partido foi no seu nascedouro e recomeçar todo o trabalho se não quiser ver, cada vez mais, seu eleitorado se afastando de suas propostas.

Teoria e prática são dois lados de uma mesma moeda, mas de difícil convivência pacífica quando se chega ao poder. E, ao contrário do que podem pensar os mais radicais, os fins não justificam os meios. Não vale tudo para se chegar ao resultado que a causa quer. Não é assim que se pratica a ética, nem mesmo se fortalece a democracia.


As urnas demonstraram isto fortemente. Nos quadros lá de cima pode se ver quantos prefeitos cada partido elegeu na eleição de 2012 e também agora, em 2016. A derrocada do PT é enorme. Das capitais brasileiras, só venceu no Acre (e aqui aquela brincadeirinha com o Acre não vale) e não disputa nenhuma eleição em segundo turno.

Na maioria capital do país, São Paulo, Fernando Haddad tentou a reeleição e não conseguiu sequer provocar o segundo turno. Perdeu no primeiro. Em Blumenau, a bancada de vereadores petista se resumiu a um único parlamentar. O recado foi dado nas urnas. Agora é preciso sabedoria para interpretá-lo, caso o partido queira continuar sua luta na vida política do país.

Prova da derrocada do PT: A derrocada de Haddad em SP, sem fazer frente nem mesmo a Jorge Dória (PSDB), vencedor em primeiro turno (Reprodução)

Prova da derrocada do PT: A derrocada de Haddad em SP, sem fazer frente à Jorge Dória (PSDB), vencedor em primeiro turno sem nenhuma ameaça (Reprodução)

Aos políticos de uma forma geral, o recado das urnas é que o brasileiro cansou da mesmice – que no caso do nosso país são as velhas práticas políticas que incluem currais eleitorais, corrupção deslavada, favorecimentos em troca de votos. Se ainda há uma boa parcela dos eleitores que tenta se aproveitar das campanhas políticas para se dar bem, a verdade é que a grande maioria ou está indignada com este estado de coisas e vota contra isso, ou está tão desesperançosa que nem vota mais.

O número de votos em branco, nulos e abstenções dá este recado em todo o país. Em Blumenau, por exemplo, se perdeu 28.465 votos (13,6%) entre brancos e nulos. E outros 20.823 eleitores (9%) nem foram às urnas. No total, 22,6% de votos desperdiçados.

Uma coisa é certa. O eleitor cansou da velha política e de tudo que ela representa. Rejeitou os representantes desta velha política. Para a incredibilidade dos revoltosos que se negam a participar do pleito democrático e para desespero das velhas raposas políticas que comandaram o país desde sempre, o sentimento é de renovação.

(Reprodução)

(Reprodução)

Parece que não anda, parece que não muda, mas sabiamente já dizia Renato Russo em uma de suas composições da música do Legião Urbana: … e a mudança levou tempo por ser tão veloz (Perdidos no Espaço). Estamos aprendendo a lidar com a democracia, com eleições e com o fim do coronelismo político. Estamos aprendendo, através do voto válido e consciente, a empreender a mudança que para nos parece que não acontece pelo imediatismo que desejamos, mas que vem ocorrendo de forma avassaladora nos últimos anos.

Melhor do que isso, só se tivéssemos o mesmo avanço na educação, criando mentes mais pensantes. Mas aí o buraco é um pouco mais embaixo.

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