Gramming & Marbles (F1): Rosberg domina, Hamilton vacila e F1 sai de Suzuka quase definida

Quem pode contra Nico? Nem mesmo Lewis Hamilton tem conseguido este feito. O alemão da Mercedes está a caminho do seu primeiro título, e saiu de Suzuka ainda mais perto dele depois de uma grande vitória e contando com os azares do companheiro de flecha de prata (Getty Images)

Quem pode contra Nico? Nem mesmo Lewis Hamilton tem conseguido este feito. O alemão da Mercedes está a caminho do seu primeiro título, e saiu de Suzuka ainda mais perto dele depois de uma grande vitória e contando com os azares do companheiro de flecha de prata (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Nico: De Barbie a Ken e rumo ao título

No final de 2015, quando da decisão a favor de Lewis Hamilton em Austin, teve quem bateu forte na falta de reação de Nico Rosberg, que era visto como uma Barbie no meio dos pilotos de ponta. Um vencedor sem título, com números tão expressivos que, seguindo-se tantas derrotas dentro de casa, poderiam o tornar um novo Striling Moss.

No entanto, 2016 parece mesmo ser o ano da redenção de Rosberg. Foi de Barbie a Ken em algumas provas, mostrando classe e cabeça para superar problemas e deixar o companheiro de casa e tricampeão perturbado como nos tempos infantis da McLaren. Em Suzuka foi assim novamente. Os japoneses mal poderiam acreditar no que viam ao notarem Hamilton errando a embreagem a lá Senna e abrindo caminho para mais um triunfo do filho de Keke na temporada.

Rosberg esteve impecável a prova inteira. Só teve o trabalho de levar para a vitória e sair do Japão com 33 pontos de frente para Hamilton (Getty Images)

Rosberg esteve impecável a prova inteira. Só teve o trabalho de levar para a vitória e sair do Japão com 33 pontos de frente para Hamilton (Getty Images)

O que eram alguns pontos depois de Cingapura já são 33 unidades de diferença para o inglês, que saiu do Japão com a maior cara de bunda da carreira. Nem mesmo nos tempos de McLaren Hamilton parece ter sido destruído mentalmente como está sendo. Ainda mais quando o golpe final fora dado por um atrevido moleque holandês, que se contasse o número de pilotos do dia e Menino de Muzambinho que já tem nas costas, já seria um grande vencedor.

Enfim, é melhor contar mais sobre este interessante GP do Japão, prova que fez Rosberg chegar mais perto do sonho e evitar que a F1 visse nascer, injustamente, outro Striling Moss nas suas fileiras.

Hamilton, o que que acontecemos?

Largada em Suzuka, todos os primeiros saltam, menos Hamilton, que assiste sem resistência quase meio grid passando diante dos seus olhos (Getty Images)

Largada em Suzuka, todos os primeiros saltam, menos Hamilton, que assiste sem resistência quase meio grid passando diante dos seus olhos (Getty Images)

Perguntaria a lenda Edgard Mello Filho ao ver a desastrosa largada de Hamilton em Suzuka. Lewis resolveu recordar Ayrton Senna em 1988, esquecendo de como se faz uma largada lançada e, saindo de segundo, viu meio grid passar diante de sua viseira, despencando-se para o oitavo posto ao fim da primeira volta. Foi uma tragédia homérica, o que faltava para atirar o título de 2016 pela janela.

A frente da corrida, Rosberg sobrou. Soube medir o gasto dos pneus e encaixar as estratégias certas para nem ser ameaçado durante a prova inteira. No entanto, era no meio do pelotão que a coisa queimava forte. Max Verstappen era, outra vez, o grande expoente da prova. Não deu chance alguma a Sebastian Vettel, que teve um fim de semana mais feliz com a Ferrari, embora irritou os ouvidos da equipe com tantas reclamações do tráfego a frente. Clássico dele durante a temporada.

Verstappen outra vez decisivo. Piloto da Red Bull mostrou novamente a estrela que tem e garantiu o segundo lugar com uma manobra fulminante sobre Hamilton (Getty Images)

Verstappen outra vez decisivo. Piloto da Red Bull mostrou novamente a estrela que tem e garantiu o segundo lugar com uma manobra fulminante sobre Hamilton (Getty Images)

Entre tantos lances e ultrapassagens, Hamilton teve de cavocar o pelotão atrás das posições perdidas, e o fazia com a clássica eficiência que só a Mercedes podia o permitir. Estava em quarto e encaixou uma estratégia certeira para suplantar Vettel e partir em perseguição a Verstappen. O filho de Jos sabia que o perigo o perseguia a longos passos e não ia demorar muito para Hamilton estar no seu cangote.

No entanto, alguém esqueceu de avisar para Lewis que, a frente dele, não estava um moleque mas um senhor piloto que não ia deixar barato. Não deixou mesmo, no último golpe possível para Hamilton e na clássica chicane de entrada da reta, o inglês foi com tudo. Tão com tudo que não notou-se que Verstappen fez a defesa aproveitando a tangencia da curva, fazendo o inglês da flecha de prata passar reto e bem reto pela chicane. Pronto, nada mais tirava Max do segundo lugar, garantido com méritos.

No frigir dos ovos, um pódio feliz para Rosberg – agora mais líder ainda – e para Verstappen, outra vez eleito o piloto do dia graças a outra prova combativa e medida. Para o holandês a prova ainda foi melhor já que mostrou serviço necessário após a vitória de Daniel Riccardo na Malásia. O australiano não teve muito motivo para abrir o sorriso de mil dentes, já que esteve na briga da frente e acabou limado dos ponteiros por conta de um desastroso serviço de boxes.

Quanto a Hamilton, a cara de bunda diz tudo. O título de 2016 voou pela janela do britânico.

Force India e Williams aparecem bem

Pérez: Boa aparição na prova e o sétimo lugar (Getty Images)

Pérez: Boa aparição na prova e o sétimo lugar (Getty Images)

Com a tabela dos construtores definida (e bem definida) a favor da Mercedes, a briga dos demais times segue aberta, e uma das mais interessantes está sendo entre os indianos da Force India e os britânicos da Williams, clássica reconstituição do duelo de nervos entre a Grã-Bretanha e a colônia da Índia nos tempos de Mahatma Gandhi. E os dois times apareceram e muito bem na pista nipônica, com vantagem para a trupe de Vijay Mallya.

Na prova do time indiano, Sergio Pérez foi quem terminou a frente, com uma boa atuação desde a largada e fechando com um bom sétimo lugar. Como de praxe, Checo mostra serviço e competência, mas não vai mudar de casa tão cedo, já que confirmou que fica na Force India para 2017. Segue firme apostando no projeto e, talvez, acreditando que Mallya ainda tem algum dinheiro sobrando na carteira de pois de tantos problemas financeiros no início do ano.

Quanto a Nico Hulkenberg, os ventos estão soprando mais para os lados franceses. É que na última semana uma publicação alemã já dava como certa a ida de Hulk para a Renault, que está louca para varrer a dupla Joylon Palmer-Kevin Magnussen do mapa. A ida do alemão para a trupe amarelo-ovo abriria uma vaga nos lados indianos, além de mostrar que Hulk possa estar a procura do brilho próprio que fugiu a muito tempo, mas precisamente desde Le Mans do ano passado.

O golpe de Hulk: Numa jogada ousada, Nico Hulkenberg atacou Valtteri Bottas por fora na famigerada chicane de Suzuka. A mais bela manobra da prova sem dúvidas e uma surpresa vinda do jovem alemão da Force India (TV | Getty Images)

O golpe de Hulk: Numa jogada ousada, Nico Hulkenberg atacou Valtteri Bottas por fora na famigerada chicane de Suzuka. A mais bela manobra da prova sem dúvidas e uma surpresa vinda do jovem alemão da Force India (TV | XPB Images)

No entanto, em momentos, Hulk surpreende e esbugalha os olhos de quem o vê de relance. A ultrapassagem sobre Valtteri Bottas foi, talvez, uma das mais belas manobras da prova. Ele não tomou conhecimento do finlandês e aplicou por fora na famigerada chincane de entrada da reta o golpe para ultrapassar o contendor. Foi bonito, de uma ponta a outra da manobra, totalmente fatal para Valtteri.

Falando em Bottas, bom destacar também a boa apresentação da Williams, é claro que dentro das limitações que o carro impõe ao time. Felipe Massa foi mais feliz, terminando a frente do companheiro pela primeira vez depois de tanto tempo, fora que fechou dentro dos pontos depois de algumas corridas.

Massa voltou aos pontos com um bom nono lugar e a frente de Bottas. No entanto, não há nada que salve o desempenho complicado da Williams, nem diante da forte Force India (Getty Images)

Massa voltou aos pontos com um bom nono lugar e a frente de Bottas. No entanto, não há nada que salve o desempenho complicado da Williams, nem diante da forte Force India (Getty Images)

Fora isso, a admissão de que os indianos estão mesmo em vantagem e que 2017 poderá ser um ano de estaca zero para a Williams, que ainda não aprendeu a ser um time de ponta como nos bons tempos.

Os 10 mais – Corrida

1 – Nico Rosberg (Mercedes)
2 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
3 – Lewis Hamilton (Mercedes)
4 – Sebastian Vettel (Ferrari)
5 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
6 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
7 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
8 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
9 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
10 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
19 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (313)
2 – Lewis Hamilton (280)
3 – Daniel Riccardo (212)
4 – Kimi Raikkonen (170)
5 – Max Verstappen (165)
6 – Sebastian Vettel (165)
10 – Felipe Massa (43)
22 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen (Red Bull)

Vão investigar o G&M um dia desses: Max Verstappen não fugiu a luta e, com uma única manobra, parou Hamilton e conquistou um louvável segundo lugar (Getty Images)

Vão investigar o G&M um dia desses, mas o que fazer se é merecido mais de uma vez? Max Verstappen não fugiu a luta e, com uma única manobra, parou Hamilton e conquistou um louvável segundo lugar (Getty Images)

Provavelmente, algum entendido de automobilismo vai achar que este galardão está comprado a favor de Max. Mas, o que fazer quando o cara tem mérito para ganhar o prêmio? Notadamente, o segundo lugar foi fruto de uma prova comedida e combativa, tendo de decidir a manobra lindamente num único golpe contra Lewis Hamilton, seus três títulos mundiais e o poderio de fogo da Mercedes. E não é qualquer um que peita uma flecha de prata desta forma.

Era o último golpe possível do inglês, que vinha descontando tudo que tinha direito para cima de Lewis. No entanto, quem poderia imaginar que o holandês iria desferir um golpe certeiro e demonstrar resistência? Talvez resistência já era esperada, mas não da forma que foi.

No fim, Max fez a festa de uma grande atuação – mais uma, diga-se de passagem – enquanto Hamilton, bem… como disse, a cara de bunda do inglês no pódio diz tudo.

Rapidinhas:

Alonso não se encontrou com as boas atuações das últimas provas. As McLaren acabaram a corrida de Suzuka bem distantes dos pontos na prova caseira da Honda (Getty Images)

Alonso não se encontrou com as boas atuações das últimas provas. As McLaren acabaram a corrida de Suzuka bem distantes dos pontos na prova caseira da Honda (Getty Images)

– Na casa da Honda (literalmente mesmo, a pista é de propriedade da própria Honda), a McLaren se apagou-se por completo. Uma atuação totalmente opaca na pista nipônica, isto advindo de boas presenças nos últimos GPs. Fernando Alonso (16º) e Jenson Button (18º) terminaram até atrás das pífias Renault e saíram de Suzuka sem muito o que celebrar.

– De praxe, Felipe Nasr não fez nada relevante, até porque o que se dá para fazer um um carro tão arcaico quanto o Sauber? 19º posição para ele, a frente apenas de Esteban Gutierrez (que tomou um roda sozinho durante a prova) e da dupla da Manor.

– E cada dia mais ando sonhando e ver a lenda Edgard Mello Filho narrando a F1. Ele que com sua irreverencia natural e olho clínico criou bordões e imortalizou narrações de Indy, DTM e até a Nascar nos anos 90… Mas, talvez seja um rebaixo de carreira para o careca feliz. No entanto, quem pode tomar o lugar de Luiz Roberto? Essa coisa de passa passa passa passa… dá nos nervos. E na Sportv, dispensa comentários a secagem explícita de Lito Cavalcanti contra Rosberg. Ele, Lito, a maior tiete de Hamilton no país.

Para Recordar (1989): A famigerada chicane de Suzuka

O que uma mera chicane quer dizer tanto a respeito da história da F1? A de Suzuka assistiu a grandes manobras no último domingo, mas uma página em 1989 foi, talvez, a mais marcante deste pedaço de asfalto em solo nipônico (Reprodução)

O que uma mera chicane quer dizer tanto a respeito da história da F1? A de Suzuka assistiu a grandes manobras no último domingo, mas uma página em 1989 foi, talvez, a mais marcante deste pedaço de asfalto em solo nipônico (Reprodução)

Na história da F1, curvas, trechos e locais são também pontos imortais da história da categoria. A Eau Rouge em Spa, o S do Senna em Interlagos, o muro dos campeões em Montreal, As De Lesmo e a Variante Ascari em Monza e por ai vai…

Suzuka não é diferente, no calendário desde 1987, a prova tem na sua extensão duas curvas/trechos marcantes. Uma, a Spun, conhecida pelo raio variável no seu feitio e desafiadora na busca do melhor tempo. A outra, no entanto, faz parte da história pelo motivo mais bastardo: A chicane de entrada na reta, simples e corriqueira de se fazer, foi o palco de uma das maiores controvérsias da F1 até hoje.

Uma manobra para a história e para a controvérsia. Senna tenta encaixar a ultrapassagem, Prost fecha, sem mais nem menos - se é que fechou mesmo de propósito - e a batida fica para a história. O resto? Todo o bom fã de F1 sabe bem como acabou (Reprodução)

Uma manobra para a história e para a controvérsia. Senna tenta encaixar a ultrapassagem, Prost fecha, sem mais nem menos – se é que fechou mesmo de propósito – e a batida fica para a história. O resto? Todo o bom fã de F1 sabe bem como acabou (Reprodução)

Foi nela que Alain Prost e Ayrton Senna embolaram-se na manobra que decidira – direta ou indiretamente – o título de 1989. A fechada do francês sobre o brasileiro, numa ultrapassagem praticamente consolidada, foi o pretexto para a desclassificação de Senna do resultado da prova, vencida por ele depois de uma recuperação avassaladora e uma ultrapassagem sobre o líder de momento, a Benetton de Alessandro Naninni, a uma volta do fim.

Do documentário Senna (2012), os detalhes daquele dia e da manobra (não é a melhor fonte, mas serve. Só esquecer o ufanismo do título do vídeo):

Senna venceu, vibrou e não levou. A desclassificação até hoje é considerada um dos golpes mais duros na carreira do tricampeão. Naninni ficou com a vitória, com a dupla da Williams (Riccardo Patrese e Thierry Boutsen, respectivamente) fechando o pódio.

A manobra e o momento ficaram, a chicane também, e as duas grandes manobras da prova do domingo passado não deixaram passar em branco – para os brasileiros, outra vez – as lembranças doloridas de 27 anos atrás.

Naninni nem sabia como bem reagir. Venceu a primeira e única corrida da vida no mero acaso. No pódio, Patrese (esq) e Boutsen (dir) tiveram de ensinar ao jovem italiano como se vibrava uma vitória, mesmo ela sido tão polêmica (Getty Images)

Naninni nem sabia como bem reagir. Venceu a primeira e única corrida da vida no mero acaso. No pódio, Patrese (esq) e Boutsen (dir) tiveram de ensinar ao jovem italiano como se vibrava uma vitória, mesmo ela sido tão polêmica (Getty Images)

Pois bem, entre lembranças e atualidades, a F1 atravessa o Pacífico rumo a Austin, no Texas. É no próximo dia 23 a prova yankee no Circuito das Américas.

A gente se vê lá!

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