Morre Orival Pessini… o Fofão… o Patropi… o mestre das máscaras.

Um homem e suas máscaras, sendo duas delas verdadeiros ícones da TV nacional.  Orival Pessini deu vida aos seus tipos e, através deles, fez história diante das telas. Ele nos deixou na última sexta de madrugada, vencido pelo câncer no baço Reprodução)

Um homem e suas máscaras, sendo duas delas verdadeiros ícones da TV nacional. Orival Pessini deu vida aos seus tipos e, através deles, fez história diante das telas. Ele nos deixou na última sexta de madrugada, vencido pelo câncer no baço (Reprodução)

A madrugada da última sexta-feira (14/10) surgiu sem uma porção de personagens icônicos da TV brasileira no nosso meio. Em um quarto do Hospital São Luiz, em São Paulo, já aos 72 anos de idade e lutando contra um câncer no baço faziam dois anos, falecia o ator, humorista e criador de bonecos Orival Pessini, o mestre das máscaras como era conhecido na televisão, especialmente por nascer da sua habilidade única de criador de mascaras dois dos mais icônicos personagens de nossa TV: De um lado, o simpático e bochechudo extraterrestre Fofão, do outro, o avoado hippie Patropi.

Pessini, paulista de Pompéia, cidade situada na região de Marília, começou a trilhar a carreira no teatro amador e atuando em comerciais. Começou a vida na TV em 1963, na TV Tupi, no programa infantil Quem Conta um Conto. Anos se passaram entre trabalhos menores e bem feitos até chegar o grande salto: Em 1978, participou do humorístico Planeta dos Homens, da Rede Globo, dando vida aos macacos Sócrates e Charles.

Primeiro tipo de sucesso: Os macacos Sócrates foto) e Charles, mascotes e cômicos do humorístico Planeta dos Homens, em fins dos anos 70 Reprodução)

Primeiro tipo de sucesso: Os macacos Sócrates (foto) e Charles, mascotes e cômicos do humorístico Planeta dos Homens, em fins dos anos 70 (Reprodução)

O talento para criar máscaras e tipos, desenvolvido ao longo dos anos 70, encontraria o ponto máximo em 1983, quando surgia na Globo o infantil Balão Mágico, que seguiria a linha de programas infantis com uma nova pegada, já proposta pela emissora nos fins da última década e início dos anos 80 nos grandes musicais infantis. Pessini fez nascer o inesquecível Fofão, um gigante alienígena ruivo nascido no distante planeta Fofolândia e que marcava ponto com situações cômicas e momentos tocantes. O Fofão iria além da fronteira do programa global, tornando-se um dos tantos referenciais dos anos 80, recordados com saudosismo pelos outrora jovens daqueles tempos.

A criação de Pessini foi além da Globo. No fim do Balão Mágico, em 1986, Fofão foi para a Bandeirantes estrear o programa solo (TV Fofão), que ficou no ar por dois períodos (1986 a 1989 e de 1994 a 1996). Filmes, brinquedos, discos, o alienígena conquistou as crianças e, até nos dias atuais, engraçava-se em aparecer em especiais infantis nas emissoras nacionais.

Ele, o alienigena atrapalhado vindo da Fofolândia, que descobriu um mundo novo diante dos olhos e marcou uma geração, seja sorrindo com suas graças, seja de medo de suas lendas urbanas: O Fofão, surgido no Balão Mágico, de 1983 a 1986 Reprodução)

Ele, o alienígena atrapalhado vindo da Fofolândia, que descobriu um mundo novo diante dos olhos e marcou uma geração, seja sorrindo com suas graças, seja de medo de suas lendas urbanas: O Fofão, surgido no Balão Mágico, de 1983 a 1986 (Reprodução)

Mas a trajetória de Orival não seria restrita apenas ao simpático personagem ruivo, pelas praças da televisão (Praça Brasil, da Bandeirantes, e A Praça é Nossa, do SBT) e por duas salas de aulas do humor (Escolinha do Professor Raimundo, na Globo, e Escolinha do Barulho, na Record) vagava o descolado Patropi. Um hippie tranquilo e avoado que tirava da paciência quem tentava com ele conduzir um monólogo. Entrava em cena soltando o clássico Sem crise, meu! e fazia questionamentos e tiradas tipicas de um cidadão paz-e-amor.

Um dos seus últimos tipos com máscara também foi para dentro de uma sala de aula. Era o calmo e reclamão Ranulpho Pereira, um sexólogo aposentado que, além de matar as perguntas com facilidade, tecia reclamações sobre a realidade social do país, sempre soltando no final da explanação e das palmas o bordão se a gente não reclamar, vai ficar do jeitinho que está! Era um dos mais queridos da turma de Sidney Magal na Band e permaneceria na atração até o fim da Uma Escolinha Muito Louca.

Em escolinhas, dois tipos marcantes: O hippie avoado Patropi, sempre tentando desviar das incisivas dos professores acima...

Em escolinhas, dois tipos marcantes: O hippie avoado Patropi, sempre tentando desviar das incisivas dos professores acima…

...e o senhor Ranulpho Pereira, sexolo aposentado, bom aluno e reclamão de primeira Reprodução)

…e o senhor Ranulpho Pereira, sexologo aposentado, bom aluno e reclamão de primeira (Reprodução | Reprodução / Band)

O último trabalho na TV foi a interpretação do Padre José na série Amores Roubados, da Globo, sem mascara. A doença já estava avançando mas nada tirava do eterno Fofão a vontade de viver e trabalhar. Em 2015, lançou o DVD #FofãoForever, numa boa tentativa de fazer ressurgir o personagem entre as crianças de hoje. Os tempos não são os mesmos dos anos 80, mas a boa intenção do alienígena boa-praça de reaparecer sempre que possível deixava ocultas as batalhas de seu criador, que terminaram na madrugada desta sexta-feira.

Simony, uma despedida emocionada dela para o "seu eterno Fofão". Orival e a pequena cantora dividiram atuação no Balão Mágico. Reprodução)

Simony, uma despedida emocionada dela para o “seu eterno Fofão”. Orival e a pequena cantora dividiram atuação no Balão Mágico. Reprodução)

Muitos artistas e profissionais da TV que conviveram com Pessini prestaram homenagens no decorrer da sexta-feira. Uma das mais marcantes foi de Simony, cantora e ex-companheira de Fofão no Balão Mágico. No seu perfil no Instagram deixou uma mensagem tocante de despedida para o amigo e antigo companheiro de aventuras do Balão: Hoje é um dia tão triste, mas tão triste, porque eu acabo de perder meu amigo, meu boneco que fez tanto minha alegria e a de muitas crianças. Orival Pessini, eu te amo. Vai com Deus, meu amigão. Meu eterno Fofão.

Talvez o sentimento de Simony seja o de muitos nostálgicos que não verão mais em cena os inesquecíveis personagens de Orival Pessini, o homem que emprestava corpo e alma para suas artes em máscaras e fazia nascer deles eternos tipos que, onde quer que estejamos, ainda vão nos fazer rir e sentir falta daquele tempo bom que se foi.

Obrigado, Pessini (1944-2016)

Reprodução)

(Reprodução)

2 comentários sobre “Morre Orival Pessini… o Fofão… o Patropi… o mestre das máscaras.

  1. André,
    Uma bela homenagem ao nosso grande artista Orival Pessini. Um talento, gostava de todos seus personagens. Dava boas gargalhas com Patropi.
    Esteja na paz eterna grande homem, grande artista e caráter.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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