Gramming & Marbles (MotoGP): Márquez acerta na loteria de Motegi e fatura o tricampeonato

Habemus campeão: Em Motegi, Honda não esperava a festa maior, mas ela veio no derrubar das rivais azuis da Yamaha, que entregaram a Marc Márquez o merecidíssimo título da temporada (Getty Images)

Habemus campeão: Em Motegi, Honda não esperava a festa maior, mas ela veio no derrubar das rivais azuis da Yamaha, que entregaram a Marc Márquez o merecidíssmo título da temporada (Getty Images)

(Douglas Sardo)

Quem ficou acordado durante a madrugada do último domingo para acompanhar a etapa japonesa da MotoGP, certamente não esperava por uma decisão de título. Provavelmente esperaria uma dobradinha ou até um pega alucinante entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, que agora se entreolham pelas costas depois de tantos desencontros.

Mas eis que os pilotos Yamaha sentiram o gosto do asfalto da pista nipônica Motegi na pele, abandonando a prova de forma melancólica e entregando o campeonato de mãos beijadas para um inspirado Marc Márquez, que diga-se, pilotou melhor do que nunca durante 2016. Um título realmente merecido para quem foi, indescritivelmente, o melhor da temporada.

Treinos: Pressão e armadilhas de Motegi

Bang! Pedrosa perdeu mão da Hormiga e parou no chão nos treinos em Motegi. Infelizmente, lesionado, não volta mais este ano (Getty Images)

Bang! Pedrosa perdeu mão da Hormiga #26 e parou no chão nos treinos em Motegi. Infelizmente, lesionado, não volta mais este ano (Getty Images)

O circuito japonês é desafiador e não demorou muito para que isso ficasse evidente. No segundo treino livre na sexta-feira, Dani Pedrosa sofreu um acidente impressionante na curva 11, sendo arremessado de sua moto. Felizmente o espanhol se levantou imediatamente, mas foi levado para o centro médico. Uma fratura na clavícula foi detectada e Dani passou por uma cirurgia que o deixará de fora praticamente do restante do ano.

Outra vítima da pista foi Eugene Laverty. O irlandês só não foi atropelado porque Tito Rabat foi muito preciso ao desviar para fora da pista. E tinha mais: durante os treinos de sábado Jorge Lorenzo também foi arremessado de sua moto em mais um acidente espetacular. O espartano foi levado ao hospital para exames, mas nada preocupante foi diagnosticado. Jorge estava liberado para correr, mas era certo que suas condições físicas não eram as ideais…

Rossi aplica uma volta certeira e faz a pole. Era o Doutor que tinha que correr atrás do prejuizo (Getty Images)

Rossi aplica uma volta certeira e faz a pole. Era o Doutor que tinha que correr atrás do prejuízo e tinha chances para isso (Getty Images)

Valentino Rossi precisava desesperadamente de um bom resultado no Japão para manter a luta pelo título aberta. Sob pressão, o italiano encaixou uma volta fantástica no final do treino, garantindo sua terceira pole em 2016. Ao lado de Rossi largariam Márquez e Lorenzo. Andrea Dovizioso foi o quarto, seguido pelo combativo Cal Cruthlow (que poderia ter ido além não fosse um tombo em sua volta derradeira). Aleix Espargaró fechou a segunda fila, batendo seu badalado companheiro Maverick Viñales, apenas o sétimo do grid.

Má largada de Rossi, tombos e título de Márquez

Má largada de Rossi o forçou a ir a luta contra Márquez e Lorenzo. Ele até conseguiu... Isso até encontrar o chão, longe do reflexo das câmeras (Getty Images)

Má largada de Rossi o forçou a ir a luta contra Márquez e Lorenzo. Ele até conseguiu… Isso até encontrar o chão, longe do reflexo das câmeras (Getty Images)

Durante o fim de semana, Márquez falou em corrida defensiva e que ser campeão no Japão seria como acertar na loteria… Ele com certeza não contava com a má largada de Rossi, e agora via à sua frente um cambaleante Lorenzo. Em terceiro, o Doutor tentou o impossível para se recuperar, ultrapassando a Honda #93 algumas vezes, mas sempre no limite, logo recebendo o troco.

No fim das contas, foi Márquez quem ultrapassou Lorenzo, jogando a batata quente nas mãos de Rossi. O italiano precisava se livrar rapidamente de seu companheiro de equipe… Foi o que fez Valentino, apenas para momentos depois sumir do alcance das câmeras… Rossi no chão! O italiano caíra sozinho.

E quando parecia que a festa seria transferida... Lorenzo também achava o chão. Caminho livre pra farra da Honda sobre a turma do diapasão e dentro do japão (TV)

E quando parecia que a festa seria transferida… Lorenzo também achava o chão. Caminho livre pra farra da Honda sobre a turma do diapasão e dentro do japão (TV)

O campeonato só não estava decidido por uma diferença ínfima graças ao segundo lugar de Lorenzo. Márquez não teve problemas para costear até a quadriculada, mas a poucas voltas do fim outra surpresa: Lorenzo também caiu! Inacreditável! O massacre de Motegi foi completo com tombos de Jack Miller e Eugene Laverty (mais um)!

Vitória e título para Márquez, com evidente ar de surpresa na equipe Honda, que não esperava fechar o campeonato com essa antecipação, ainda mais em casa. Para boa parte dos fãs porém, ficou mesmo o amargo gosto de uma decisão bastante chinfrim para uma temporada tão espetacular.

Márquez Campeão

(Getty Images)

Merecia, como também merecia uma decisão mais… emocionante. Mas não importa, o melhor venceu. Marc Márquez fez uma temporada regular e irretocável, sem dar a mínima chance ao azar (Getty Images)

A única surpresa foi o título ser decidido no Japão, algo que parecia lotérico. Mas era só questão de tempo até Márquez confirmar sua conquista. O piloto espanhol fez temporada brilhante. Digo sem nenhuma dúvida que dos três campeonatos que acompanhamos aqui no G&M (MotoGP, F1 e Indy), Márquez foi o piloto do ano.

Longe de contar com um equipamento dominante, o espanhol levou no braço os problemas da Honda para se adaptar às novas regras, especialmente na parte eletrônica. Basta ver o rendimento de Pedrosa em 2016 para comprovar.
Além disso, a grande competitividade do campeonato – que teve vários vencedores diferentes e muitas variações de desempenho – valorizam ainda mais esse título.

Sem dúvidas durante 2016 assistimos ao amadurecimento de um piloto fora de série em uma temporada que será lembrada para sempre.

Os 10 mais – Corrida

1 – Marc Márquez (Honda)
2 – Andrea Dovizioso (Ducati)
3 – Maverick Viñales (Suzuki)
4 – Aleix Espargaró (Suzuki)
5 – Cal Crutchlow (Lucio Cecchinello-Honda)
6 – Pol Espargaró (Tech 3-Yamaha)
7 – Álvaro Bautista (Aprilia)
8 – Danilo Petrucci (Pramac-Ducati)
9 – Scott Redding (Pramac-Ducati)
10 – Stefan Bradl (Aprilia)

Quem pode parar a festa da Honda, com mais um caneco para a extensa galeria da MotoGP? (Getty Images)

Quem pode parar a festa da Honda, com mais um caneco para a extensa galeria da MotoGP? (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Marc Márquez (273) Campeão
2 – Valentino Rossi (196)
3 – Jorge Lorenzo (182)
4 – Maverick Viñales (165)
5 – Dani Pedrosa (155)
6 – Andrea Dovizioso (124)

Barberá ganha chance na Ducati

Sem Ianonne, Ducati pula na vizinha Avintia e pede arrego a Hector Barberá, que ganha chance de ouro para mostrar algo. (Getty Images)

Sem Ianonne, Ducati pula na vizinha Avintia e pede arrego a Hector Barberá, que ganha chance de ouro para mostrar algo. Não foi além do 17º (Getty Images)

Com Andrea Iannone ainda se recuperando de seu acidente em Misano, a Ducati abriu a vaga para Héctor Barberá. O espanhol largou apenas do oitavo lugar e fechou a prova em apagado 17º. A Avintia, que cedeu Barberá para a Ducati, chamou o australiano Mike Jones, de 22 anos e que corre na Superbike para a moto vaga. Jones terminou a prova em 18º.

Enquanto isso na Avintia, Mike Jones tentava se acostumar com os ares da categoria-rainha. (Getty Images)

Enquanto isso na Avintia, Mike Jones tentava se acostumar com os ares da categoria-rainha na Desmosedici de Barberá. Curiosamente, terminou atrás do mesmo Barberá, em 18º (Getty Images)

Entradas regionais em Motegi

Como já é de praxe, Katsuyuki Nakasuga fez uma participação em seu GP Local. Essa foi a quinta vez consecutiva que o veterano piloto fez um bico na etapa japonesa da MotoGP, dessa vez terminando em 11º com uma Yamaha de fábrica da equipe Yamalube.

Outro japa veterano que apareceu em Motegi foi Hiroshi Aoyama, campeão da antiga 250cc em 2009. Aoyama foi chamado às pressas pela equipe Honda para substituir o acidentado Dani Pedrosa, e terminou apenas em 15º lugar.

katsuyuki

Nipônicos na pista. Katsuyuki Nakasuga fez sua tradicional aparição com a Yamaha particular em Motegi, terminando apenas em 11º. Desta vez, ele não esteve sozinho, já que Hiroshi Aoyama (abaixo) foi escalado para o lugar de Dani Pedrosa na Honda. O japa da Hormiga não foi além do 15º posto (Getty Images)

20161015539207_15japon16mgprepsol_fk01224_ii

O azar de Jack Miller

Não há duvidas de que Jack Miller foi um dos grandes personagens dessa temporada graças à sua vitória avassaladora na Holanda. Tudo indicava que Jackass trilharia um caminho parecido com o que faz Cal Crutchlow, brigando constantemente na turma da frente. Mas veio o acidente na Áustria e tudo mudou.

Miller não pôde participar de quatro etapas, e no Japão parece que finalmente retornou em definitivo. Porém o piloto australiano está distante da forma exuberante do meio do ano. Em Motegi, Miller caiu após somente seis voltas e não apareceu muito bem no seu retorno. Talvez compreensível por ainda estar se acostumando a pegar uma moto depois de tanto tempo.

(Getty Images)

Miller a frente de Bradl em Motegi. No seu retorno definitivo a Marc VDS, um tombo depois de seis voltas. Tomara que a boa forma volte rápido (Getty Images)

Fica a torcida pra que Jackass volte com força total nas últimas provas do campeonato.

Moto3 – Vitória espetacular de Bastianini

Batistiani e Binder: A briga que pegou fogo até a última volta da Moto3 (Getty Images)

Bastianini e Binder: A briga que pegou fogo até a última volta da Moto3 (Getty Images)

Se a corrida da MotoGP não foi lá essas coisas, ninguém se arrependeu de ligar a TV um pouco mais cedo para acompanhar a corrida da Moto3 no Japão. O campeonato já foi decidido a favor do sul-africano Brad Binder, mas isso não impediu a prova de ser um grande show para os fãs.

Os líderes andaram juntos o tempo todo, e no final da prova, quando Binder parecia com a vitória garantida, o italiano Enea Bastianini surpreendeu com uma bela ultrapassagem. Mas Binder não se deu por vencido e a briga foi até a linha de chegada, com o Bastianini vencendo por apenas 17 milésimos.

Simplesmente sensacional!

Moto2 – Luthi ganha em Motegi. Zarco mais próximo do título

Luther foi o dono da festa em Motegi, mas é Johann Zarco (foto) que está bem perto do caneco da Moto2 (Getty Images)

Luther foi o dono da festa em Motegi, mas é Johann Zarco (foto) que está bem perto do caneco da Moto2 (Getty Images)

A corrida da Moto2 não foi tão impressionante, mas na principal categoria de acesso a luta pelo título continua aberta. O suíço Thomas Luthi venceu a prova, mantendo suas chances vivas. Mas quem tem tudo para levar o caneco é o francês Johann Zarco. O piloto de 26 anos nascido em Cannes vai correr na MotoGP em 2017 pela equipe Tech3.

Zarco fechou a prova japonesa em segundo lugar e viu seu principal rival na luta pelo título, o espanhol Alex Rins, sofrer um tombo logo no início da prova e fechar apenas em 20º. Rins também está de malas prontas para a MotoGP, onde vai ser companheiro de Andrea Iannone na Suzuki. O alemão Jonas Folger e o britânico Sam Lowes também sobem para a MotoGP em 2017: Folger correrá pela equipe Tech 3, enquanto Lowes fará dupla com Aleix Espargaró na queridíssima Aprilia.

Faltando três etapas para o fim, Zarco tem 222 pontos, Rins 201 e Luthi 179.

Karel Abraham na Aspar

Tem guri novo na grelha. Na verdade, novo-velho. (Getty Images)

Tem guri novo na grelha. Na verdade, novo-velho. Checo Karel Abraham, 26 anos, retorna a MotoGP depois de um ano ausente. Estará acelerando na Aspar e espera-se algo bem melhor que a passagem anterior na categoria (Getty Images)

O grid da MotoGP 2017 está completo. A última vaga restante era da equipe Aspar, que ainda não havia definido quem seria o companheiro de Álvaro Bautista. Mas durante o fim de semana em Motegi a equipe confirmou a contratação do checo Karel Abraham, de 26 anos.

O piloto atualmente corre na Superbike, mas já teve uma passagem pela MotoGP entre 2011 e 2015, na qual foi muito criticado por não ter conseguido nenhum resultado relevante nas categorias inferiores, só conseguindo a vaga na MotoGP porque a equipe AB Motoracing era de Karel Abraham Sr, seu pai.

Vamos ver se ele consegue impressionar mais dessa vez…

Confira o grid para a temporada 2017 da MotoGP:

Yamaha: Valentino Rossi e Maverick Viñales
Honda: Marc Márquez e Dani Pedrosa
Ducati: Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso
Suzuki: Andrea Iannone e Alex Rins
Aprilia: Sam Lowes e Aleix Espargaró
KTM: Bradley Smith e Pol Espargaró
Tech3: Jonas Folger e Johann Zarco
LCR: Cal Cruthclow
Marc VDS: Jack Miller e Tito Rabat
Pramac: Scott Redding e Danilo Petrucci
Avintia: Héctor Barberá e Loris Baz
Aspar: Alvaro Bautista e Karel Abraham

A MotoGP segue nos próximos dois finais de semana. Dia 23 de Outubro tem corrida na Austrália, no sensacional circuito de Phillip Island, onde ano passado tivemos uma prova arrebatadora. E dia 30 de outubro tem MotoGP na Malásia, na pista de Sepang.

Portanto, até breve e um grande abraço!

Deixe uma resposta