Gramming & Marbles (F1): Hamilton adia novamente a decisão em domingo de polêmica no México

Outro adiamento: Lewis Hamilton domina no México e leva decisão para o Brasil. Rosberg segue com o regulamento embaixo do braço em corrida polêmcia por conta de uma terceira posição e as punições complicadas e desmedidas da FIA (Reprodução)

Outro adiamento: Lewis Hamilton domina no México e leva decisão para o Brasil. Rosberg segue com o regulamento embaixo do braço para o Brasil e a corrida de Hermanos, sonolenta, ganhou tons de polêmica por conta de uma terceira posição e de punições complicadas e sem critérios da FIA (Reprodução)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Tarde caliente e de siesta em Hermanos Rodriguez

Desde a volta a F1 no ano passado, o GP do México ainda aguarda uma prova de emoção e bonitos pegas na pista, coisa que muito tinha no áureo passado (ou, como podemos também dizer, nos Peraltada’s years). Em 2016, esta prova dos sonhos ainda não veio, mas isto se você excluir a verdadeira confusão de punições que se seguiu após a corrida, vencida por Lewis Hamilton com uma mão nas costas e que permitiu ao inglês adiar por mais uma corrida a decisão do título.

A prova da Mercedes foi totalmente a parte, como de costume. Os dois bólidos prateados largaram na frente, dominaram a prova e venceram. Nico Rosberg ainda parece estar jogando com o regulamento embaixo do braço, correndo sem assumir riscos e assistindo apenas ao companheiro se esforçar pelas vitórias. Ele terá no Brasil, no próximo dia 13, o momento mais próximo do título que jamais esteve na carreira: Bastará vencer e colocará nos seus números impressionantes – enfim – o galardão máximo da categoria.

Mas, se digo que a prova mexicana foi um completo sonífero não quer dizer que estou desmerecendo o título acima. Mesmo com poucos e interessantes pegas, a corrida não se salvou de ser outra sequencia monótona de carros passando e parando nos boxes, pura e simplesmente. No entanto, mais para o final da prova, o lance que deu origem a uma polêmica sem precedentes surgiu: Envolveu três carros, algumas confusões, xingamentos e tudo mais que a FIA talvez não esperasse para contornar.

Um show a parte da torcida mexicana que não quer saber de prova monótona. É fanática por corridas e, como de praxe, lotou o belo Autódromo Hermanos Rodriguez para a segunda prova da F1 desde a volta ao calendário (Getty Images)

Um show a parte da torcida mexicana que não quer saber de prova monótona. É fanática por corridas e, como de praxe, lotou o belo Autódromo Hermanos Rodriguez para a segunda prova da F1 desde a volta ao calendário (Getty Images)

Três homens, um terceiro lugar e uma polêmica

O lance capital que, provavelmente, tenha sido a grande marca negativa (e, ao mesmo tempo, positiva se observar o conjunto da obra sem emoção) foi protagonizado pelo pega entre Max Verstappen, Sebastian Vettel e Daniel Riccardo. Aproximando-se do fim da prova, os três brigavam com a faca nos dentes pelo terceiro lugar e tudo indicava ser uma disputa daquelas. Isto até o primeiro incidente acontecer.

Nos ataques forçados de Vettel em Max, o holandês perdeu mão da freada no fim da reta e passou reto. Uma manobra muito idêntica a de Lewis Hamilton na largada, quando o inglês também perdeu a mão do Mercedes e foi reto pela grama. Feita a manobra, Verstappen seguiu, aos ataques de Sebastian, cada vez mais louco e agora desferindo toda a sorte em xingamentos a direção de prova, que demorava a tomar uma atitude sobre a manobra pedida pela Ferrari.

Vettel na saída dos pits. Manobras da Red Bull enfuresceram o alemão da Ferrari, que disparou torpedos verbais por todo lado, tendo como alvo o diretor-técnico e da prova, Charlie Whiting (Moy / XPB Images)

O pega seguia quente e com um ensandecido Vettel cada vez mais ferino no rádio, agora acusando Verstappen de segura-lo para a ultrapassagem de Riccardo. Na tentativa do australiano, antes do carrossel, o alemão da Ferrari fechou a trajetória do homem-sorriso, quase provocando um toque que poderia ser fatal para ambos. Sem ultrapassagem, a corrida seguiu assim até o final tranquilo.

No entanto, quem achava que todos os incidentes e outros pormenores seriam destacados no fim da corrida enganou-se. Ainda na sala de espera Verstappen soube que tomava uma punição de cinco segundos por conta da manobra que, segundo a FIA, lhe deu vantagem na briga com Vettel e, por isto, não entregara a posição ao alemão. Um golpe daqueles no moleque holandês, que depois de breve explicação a turma da Mercedes, saiu do pódio com o semblante mais irritado possível.

O choque: Ainda se refazendo da prova, Verstappen descobre da punição ainda na sala de espera para o pódio. Holandês saiu irritado, sem dar detalhes a imprensa (TV)

O choque: Ainda se refazendo da prova, Verstappen descobre da punição ainda na sala de espera para o pódio. Holandês saiu irritado, sem dar detalhes a imprensa (TV)

A correria então foi para chamar Vettel para subir ao pódio, ele que provavelmente estava se preparando para encaixotar as coisas da equipe. Cena inusitada que virou naquele instante, o terceiro colocado vindo dos boxes, junto da equipe, para receber o troféu no pódio. Uma maluquice sem tamanho e que, por incrível que pareça, não terminou por ali. Exatamente três horas depois, Vettel também seria punido pela manobra na briga com Riccardo, e o australiano tornava-se o terceiro colocado da corrida. Uma confusão com cara de novela mexicana.

As artificialidades da FIA perdida em punições

Depois da prova, toda a sorte em troca de farpas e criticas foi sendo disparada, especialmente entre Vettel e Verstappen, que há algum tempo já não andam as mil maravilhas em matéria de relacionamento. No entanto, o que tinha de acontecer acabou acontecendo e, no fim, não há quem não concorde que a grande culpada neste meandro todo atende pelo nome de Federação Internacional de Automobilismo, ou simplesmente FIA.

O senhor das corridas, Charlie Whiting. Falta de critérios claros e explicações que abrem margem são alguns dos agravantes que botam a credibilidade da FIA em situações de punição sob descrença (Reprodução)

O senhor das corridas, Charlie Whiting. Falta de critérios claros e explicações que abrem margem são alguns dos agravantes que botam a credibilidade da FIA em situações de punição sob descrença (Reprodução)

Há algum tempo, a FIA tem peleado para tornar a F1 atrativa de novo, mesmo que para isto fossem autorizadas ou obrigadas para as equipes a instalação de artifícios que tornaram os pegas numa espécie de brigas-fantoche, onde parece se simular uma disputa acirrada. Aos poucos, os pilotos parecem ter soltado as mangas e, vez em quando, manobras inspiradas tem surgido.

No entanto, junto destas ousadias também surgiram as canetadas da FIA em vários lances que acabaram censuradas por punições esdruxulas, e na maioria das vezes com pesos e medidas em determinados casos. Houveram tantos em que os pilotos da Mercedes e outros tantos escaparam das sanções, causando estranheza pela forma como os comissários de prova aplicavam as punições. E no México, isto ficou ainda mais evidente.

Charlie Whiting, o famoso diretor-técnico e starter oficial da FIA, alegou que o que pesou entre punir Verstappen e não punir Hamilton foi a forma como foi cruzada a grama. Segundo Charlie, Hamilton reduziu a velocidade quando cortou a grama enquanto Verstappen a cortou rápido para não perder a posição. Ok, pode ele estar até certo na afirmação, mas uma manobra como esta abre qualquer forma de interpretação e soa como algo sem critério, sem noção de o que está certo ou errado.

Hamilton trava os pneus após a largada e passa reto. O corte pela grama foi considerado normal comparado a escapada de Max. No entanto, apesar de todos os poréns da Federação, os pesos e medidas não convenceram a quem viu e observou as manobras (Getty Images)

Hamilton trava os pneus após a largada e passa reto. O corte pela grama foi considerado normal comparado a escapada de Max. No entanto, apesar de todos os poréns da Federação, os pesos e medidas não convenceram a quem viu e observou as manobras (Getty Images)

Isto sem contar toda a confusão causada na punição a Verstappen e, posteriormente, a Vettel, em duas manobras que talvez não seria passíveis para tanto. Alias, vale dizer também que Sebastian está ameaçado (ao menos, segundo o regulamento) de não participar do GP do Brasil por conduta ofensiva a Federação. Talvez seja até merecido se observar no geral como o jovem alemão tetracampeão tornou-se o reclamão da temporada, sempre respondendo fortemente ou vociferando a qualquer manobra ou acontecimento na pista.

Provavelmente seja no grito de Vettel que a Ferrari tem se aparecido na temporada, contando que a máquina rossa tem sido a grande decepção da temporada. Mas, independente disto tudo, a F1 deu a mostra hoje, especialmente para o Liberty Media, que há muito a ser regulado para os próximos, para tirar a categoria desta artificialidade das brigas e das provas monótonas, a começar pela correta aplicação de sanções e um regulamento que não seja atrelado em interesses dos times.

Vettel foi chamado as pressas para substituir Verstappen. Três horas depois, soube que também seria punido pela manobra em cima de Riccardo. Uma jogada de corrida que a FIA não enxerga como correta, diferente das brigas pegadas de outros tempos (Getty Images)

Vettel foi chamado as pressas para substituir Verstappen. Três horas depois, soube que também seria punido pela manobra em cima de Riccardo. Uma jogada de corrida que a FIA não enxerga como correta, diferente das brigas pegadas de outros tempos (Getty Images)

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Nico Rosberg (Mercedes)
3 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
4 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
5 – Sebastian Vettel (Ferrari)
6 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
7 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
8 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes)
9 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
10 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
16 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Outra festa da Mercedes, como de hábito. Hamilton ainda sonha, mas Rosberg parece estar mesmo jogando com o regulamento. Titulo pode vir no Brasil, se Nico vencer a prova, pura e simplesmente (Getty Images)

Outra festa da Mercedes, como de hábito. Hamilton ainda sonha, mas Rosberg parece estar mesmo jogando com o regulamento. Titulo pode vir no Brasil, se Nico vencer a prova, pura e simplesmente (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (349)
2 – Lewis Hamilton (330)
3 – Daniel Riccardo (242)
4 – Sebastian Vettel (187)
5 – Kimi Raikkonen (178)
6 – Max Verstappen (177)
11 – Felipe Massa (51)
21 – Felipe Nasr (0)

MENINO DE MUZAMBINHO: Daniel Riccardo (Red Bull)

Riccardo teve de refazer todo o trem de corrida por conta da estratégia equivocada da Red Bull. Correu com calma, recuperou bem as posições e ainda ganhou quase que de presente o terceiro lugar (Getty Images)

Riccardo teve de refazer todo o trem de corrida por conta da estratégia equivocada da Red Bull. Correu com calma, recuperou bem as posições e ainda ganhou quase que de presente o terceiro lugar (Getty Images)

No meio de tantas bolas divididas na prova, da sonolência e fora as polêmicas das punições, sem dúvida quem mais se destacou nisto tudo foi o homem-sorriso australiano, que teve de refazer praticamente a corrida inteira para poder chegar entre os seis primeiros e ainda sair premiado com um pódio três horas depois do fim da prova. Daniel Riccardo fez uma chamada corrida a lá mineira, já que dizem que o mineiro é do tipo que come quieto, e sem se envolver nas carambolas (sendo até vítima de uma delas) ele apareceu.

Tendo de reconfigurar a prova depois de uma estratégia equivocada e furada por um safety-car, Riccardo foi a luta escalando o grid pouco a pouco, estabelecendo-se na quinta posição e assistindo a briga de Verstappen (que ele havia deixado passar por conta dos pneus gastos) e Vettel. Acabou, mesmo depois de uma tentativa furada contra o alemão, sendo premiado quase que por acaso com o terceiro lugar.

Como se diz por ai: Sorte de uns, azar de outros…

Rapidinhas:

Felipe Massa teve um GP trabalhoso no México. Fora não se entender com os pneus, teve um duelo ruidoso com o guri da casa, Sergio Pérez. Melhor para o brasileiro que chegou a frente do mexicano, mas atrás de Valtteri Bottas, que não conseguiu suplantar Nico Hulkenberg. Uma interessante briga entre os ingleses e os indianos.

Massa fechando as intentonas de Pérez. Interessante briga do brasileiro com o dono da casa deu um bom nono lugar diante das dificuldades (Batchelor / XPB Images)

– Se Esteban Gutierrez está sonhando em ficar na Haas, pode ser que depois do GP caseiro este sonho fique um pouco mais distante. A carambola na largada entre Marcus Ericsson e Pascal Wehrlein teve como principal culpado o pobre Esteban, que empurrou o sueco da Sauber para cima do menino-prodígio alemão da Manor. No fim, há publicações que já sugerem que Kevin Magnussen está em conversas com Uncle Gene Haas para 2017. Aguardemos.

Gutierrez festou o que pode em casa, mas a chapa do mexicano está esquentando na Haas, especialmente depois de ser o causador do salseiro entre Ericsson e Wehrlein, na largada (Charniaux / XPB Images)

wherlein

– Falando em Magnussen, lembrando da Renault, Joylon Palmer mereceu palmas mesmo terminando em 14º. Na briga pela 12ª posição, o filho de Dr. Jonathan teve de se virar numa manobra pra cima do conterrâneo e campeão mundial Jenson Button, numa bela manobra. Talvez o único momento de brilhantismo de Joylon a temporada inteira… Um milagre!

Magnussen já é cogitado como substituto de Gutierrez na Haas. Enquanto isso, Palmer (abaixo) sai aplaudido pela bela manobra sobre o compatriota campeão Jenson Button. Ele foi apenas o 14º (Getty Images)

Magnussen já é cogitado como substituto de Gutierrez na Haas. Enquanto isso, Palmer (abaixo) sai aplaudido pela bela manobra sobre o compatriota campeão Jenson Button. Ele foi apenas o 14º (Getty Images)

Kimi Raikkonen também teve uma manobra de destaque, no passão por fora de Nico Hulkenberg antes da entrada do carrossel e por fora. O alemão da Force India se entortou na guiada e chegou a rodar. Belo lance do iceman.

– E, ufa, um fim de semana normal para a trupe famigerada Sérgio e seus Maurícios. Isso se você considerar, é claro, outra sessão de erros gritantes, como Prost na McLaren e Alesi na Tyrrell em 1992!!!… (Respirada fundo) Na próxima semana, em nossos domínios, as coisas voltarão ao normal e na Globo. Pelo menos por hora.

Raikkonen fez Hulkenberg dançar e escorregar no salão. Finlandês está se divertindo bem e ficou quieto, sem ser incomodado, em sexto lugar (Getty Images)

Raikkonen fez Hulkenberg dançar e escorregar no salão. Finlandês está se divertindo bem e ficou quieto, sem ser incomodado, em sexto lugar (Getty Images)

Para Recordar: Um vencedor duas semanas depois

Saladas no pódio não são habituais na F1, embora aconteçam e ficam na história. De momentos estranhos, gente que faltou ao pódio por sofrer acidente, desmaios e tudo mais. A situação estranha no México, com a indefinição de resultado do terceiro lugar por conta das punições fez lembrar outra salada famosa, aqui mesmo no Brasil em 2003.

Giancarlo Fisichella enfrentando o aguaceiro de Interlagos com a Jordan-Ford em 2003. Sua primeira vitória viria da forma mais inusitada possível que o piloto podia imaginar (Reprodução)

Giancarlo Fisichella enfrentando o aguaceiro de Interlagos com a Jordan-Ford em 2003. Sua primeira vitória viria da forma mais inusitada possível que o piloto podia imaginar (Reprodução)

Na confusão da chuva que caiu naquele domingo, a corrida encaminhava-se para o final com uma briga improvável entre Giancarlo Fisichella, à época na Jordan, e Kimi Raikkonen, então na McLaren. Entre tantos acidentes durante a prova, a pancada da Renault do jovem Fernando Alonso na saída da curva do café interrompeu a prova, tendo Fisichella ultrapassado Raikkonen na volta 53 e assumindo a ponta até o fim da prova, declarado na volta 56.

Apesar de terminar a volta, tecnicamente, em primeiro lugar, Fisichella não levou a vitória. Ela parou nas mãos de Kimi Raikkonen, já que o regulamento previa que, em caso de término forçado da prova valiam os resultados de momento de duas voltas atrás. A bandeira vermelha foi dada na volta 55 e Fisichella ultrapassou Raikkonen e cruzou líder na volta 54. A compreensão eram de que valiam os resultados da volta 53 já que se contavam que a fora na 55 que a interrupção aconteceu.

Veja como foi o climão no fim da prova do Brasil, em 2003:

No entanto, depois de investigações e provas em vídeo apresentadas, que provavam que Fisichella havia passado como líder na volta 56, sendo nesta volta que a interrupção, de fato, aconteceu. Ratificando o resultado da volta 54, vemos Fisichella em primeiro, Raikkonen em segundo e Alonso – que nem foi ao pódio no Brasil por conta do grave acidente no fim da prova – em terceiro.

Duas semanas depois, em Imola, na corrida de San Marino e em uma cerimonia não-oficial, Raikkonen entregou o troféu de primeiro lugar a Fisichella. Era a primeira vitória do Fisico na F1 e a última de um motor Cosworth na categoria.

E falando em Brasil, adivinhe… A próxima prova é aqui! É no dia 13/11, com largada às 14h para as 71 voltas no icônico e intocável Autódromo de Interlagos, em São Paulo. É a segunda chance de Rosberg fechar questão para 2016 e ser campeão, fora o que virá de repercussões das polêmicas do México e o desempenho dos brasileiros.

Fiquem conosco! um grande abraço e até lá!

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