Fabrício Wolff em A BOINA: Os fakes da vida real

A terra sem lei do mundo fake dentro do Facebook. Onde qualquer um pode vestir uma máscara, se trajar de alguém, regurgitar falácias e exibir uma verdadeira ilusão de vida (Reprodução)

A terra sem lei do mundo fake dentro do Facebook. Onde qualquer um pode vestir uma máscara, se trajar de alguém, regurgitar falácias e exibir uma verdadeira ilusão de vida (Reprodução)

(Fabrício Wolff)

Este texto principal da coluna de hoje vem inspirado em um outro texto, postado por minha mulher – Márcia Annuseck Wolff – em seu perfil no Facebook. Ela começa falando dos fakes das redes sociais utilizados nas eleições, cada um defendendo o seu candidato, para desembocar no que considera o pior tipo de fake (falso): Os fakes da vida real, que se escondem debaixo de uma carapuça digital para ofender, atacar e denegrir a imagem dos outros.

E seu texto, mais longo do que este resumo, finaliza dizendo que esses fakes da vida real só têm coragem no mundo virtual, porque na vida real são chegados a tapinhas nas costas. Gostei tanto do post, que resolvi aprofundar a ideia.

Deve ser um tipo de doença, ou de covardia exacerbada… Mas é verdade. O pior tipo de fake é aquele que mente para os outros e até para si mesmo, independente se é um perfil de Facebook ou uma pessoa de carne e osso. Na eleição foi visto de tudo nas redes sociais. Gente que usava fake, mas falava mal de quem usava fake. Gente que tecia comentários negativos sobre candidatos ou seus defensores, ou por interesses próprios na outra candidatura, ou sem conhecer a realidade dos fatos que comentava. Gente que dizia as maiores bobagens como se dono da verdade fosse (como se isto existisse). Enfim, vimos fakes de carne e osso agindo como fakes virtuais. Todos iguais. Todos no mesmo balaio… Ou quase.

Exemplo clássico de um fake... (Reprodução)

Exemplo clássico de um fake… Devidamente sinalizado (Reprodução)

Ser um fake real é ainda pior do um fake virtual. O fake virtual não tem vida, não tem amigos, não tem credibilidade. Não deve nada para ninguém, até porque não existe. Na real, ninguém dá bola para o que escrevem, exceto alguns incautos das redes sociais. Já o fake real, de carne e osso, deveria ter do que se envergonhar. Agredir os outros, lançar mentiras como se verdade fosse, posar de moralista enquanto falseia a verdade com falácias mil, é de envergonhar a si, a família e os amigos. A vida é feita de pessoas corajosas, comuns e covardes. Os fakes se encaixam na última categoria, porque sejam virtuais ou de carne e osso, são grandes falastrões nas redes sociais – e apenas nelas.

Um não tem coragem de mostrar a cara e se esconde atrás de uma máscara. O outro mostra a cara onde não consegue ser realmente atingido (no mundo virtual), mas não mantém as mesmas posições em debates e discussões ao vivo, reais, presenciais, seja com amigos ou desconhecidos. É muito macho atrás de um computador; na frente de alguém que pode contrapor suas ideias, vira um cordeirinho conciliador.

(Reprodução)

(Reprodução)

Mas se há uma lição que uma eleição deixa, via redes sociais, é o final do texto do post da Márcia:

Desculpe a sinceridade, mas a vida digital, ao meu ver, é uma mera extensão da vida real. Não consigo ver de outra forma, senão seria bipolaridade. Será que estes seres teriam coragem pra te dizer, olho no olho, a mesma coisa que te falam pelas redes?

Aos fakes da vida real: vocês não servem para ser meus amigos. Nem na vida digital, muito menos na vida real.

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