Trump eleito: O mundo vai ficar mais louco

Acabou-se. Há um novo homem a frente das decisões de uma das nações mais poderosas do mundo. E, para surpresa de todos, contrariando todos os números e pensamentos, o escolhido foi, justamente, o impopular. Eis Donald Trump, o 45º presidente yankee Reprodução)

Acabou-se. Está eleito um novo homem a frente das decisões de uma das nações mais poderosas do mundo. E, para surpresa de todos que acreditavam ou não e contrariando todos os números e pensamentos, o escolhido foi, justamente, o impopular da dupla deste pleito. Eis Donald Trump, o 45º presidente yankee (Reprodução)

Eram por volta de 5h40, hora de Brasília, quando o resultado de uma das eleições mais dramáticas dos Estados Unidos foi oficialmente divulgado e, aos poucos, começou a bater ponto em todos os telejornais. Alguns ainda limpavam os olhos depois do sono e se preparavam para mais um dia de trabalho quando, ao colarem as retinas na TV, tiveram uma espécie de choque inimaginável em qualquer prognóstico eleitoral vindo da terra do Tio Sam.

Com 278 delegados a favor, ultrapassando o número mágico de 270, o povo americano deu ser veredito na disputa, e a vitória caiu justamente no colo de quem muitos esperavam ver derrotado no amanhecer do outro dia. O novo morador do endereço mais famoso do 1600 da Av. Pensilvânia atende pelo nome de Donald John Trump. É ele, quer queiram ou não (e como este jornalista não queria) o 45º presidente dos Estados Unidos da América, e sob suas ordens estará o futuro de uma das nações mais ricas e influentes do mundo.

Figura das mais controvertidas e polêmicas da política americana, Trump corria como um verdadeiro outsider a campanha inteira, surpreendendo com resultados concretos principalmente nos estados do centrão americano Reprodução)

Figura das mais controvertidas e polêmicas da política americana, Trump corria como um verdadeiro outsider a campanha inteira, surpreendendo com resultados concretos principalmente nos estados do centrão americano (Reprodução)

Jovem rebelde, magnata considerado por si mesmo um gênio dos negócios, ultra-conservador (que chega a ser apelido diante de suas posições), abstêmio ao alcool e compulsivo por lavar as mãos. Donald Trump é talvez uma das figuras mais controvertidas e polêmicas que a secular política americana pode ter visto. Visto como inimigo de minorias e traumático por mulheres que cruzaram seu caminho, o empresário passou por maus bocados durante a campanha, tomando bordoadas e viradas de costas até mesmo dentro do próprio cercado, o Partido Republicano, mas conseguiu derrubar algumas tantas pesquisas pelo caminho, aquelas que apontavam a democrata Hilary Clinton a frente.

Foi massacrante, se observar do alto a eleição. Na maioria dos estados americanos Trump levou bem as eleições. No início das contagens – por volta das 21h (horário de Brasília) de 08/11 – os primeiros números em estados como Indiana e Kentucky davam o magnata a frente. Na entrada da madrugada, as vitórias se multiplicavam, tomaram conta do centrão americano e levaram até mesmo os considerados estados-pêndulo do país, Flórida e Ohio. Nem mesmo com Hilary levando a melhor na Califórnia, estado com o maior número de delegados, foi o suficiente. O gongo estava batido em favor de Trump.

Para Hilary Clinton, o peso dos escandalos e investigações do FBI não foi o único agravante de sua derrota. O conservadorismo do americano, ainda muito presente, pode ter sido outro dos fatores que levou agrande parte da nação e delegados a apoiar e eleger a Trump Reprodução)

Para Hilary Clinton, o peso dos escândalos e investigações do FBI não foi o único agravante de sua derrota. O conservadorismo do americano, ainda muito presente, pode ter sido outro dos fatores que levou a grande parte da nação e delegados a apoiar e eleger a Trump (Reprodução)

Próximo de acabar o ano de 2015, comentei sobre ele e como suas ideias radicais, ultra-conservadoras e arcaicas sobre a política interna e externa poderiam ser perigosas para o curso que o mundo estava tomando desde os Obama’s years. Pelos caminhos que seguia, a principal esperança era de ver Hilary Clinton eleita, talvez para evitar cair no abismo do radicalismo de Trump, que vociferava com palavras fortes sobre a política de imigração, contra os que lhe criticavam ferozmente e até mesmo a mães com bebês chorando em seus comícios. Foram meses de trocas de farpas, acusações, escândalos e tudo mais o que podia e se permitia nos ataques diretos que só uma campanha para presidente nos EUA pode permitir.

Hilary também não era a melhor escolha, talvez seria a melhor que se tinha diante do que Trump representava. Vinha de uma vida ladeando o também louco Bill Clinton, presidente americano nos anos 90 e que passou o tempo mais fugindo de escândalos do que controlando um país em transformação e um mundo em convulsão. Contou ainda o escândalo dos e-mails e o fato de os EUA ainda dobrarem o nariz com relação as sua ideias sobre as drogas, uniões homoafetivas e outros temas controvertidos. Os americanos, ferrenhos patriotas desde a origem, tem ainda uma natureza conservadora, que curte fins de semana de canções Country e Rock, com grandes churrascos e rodeados de famílias que tem nas garagens carros grandes. Não é um esteriótipo, mas é o que muito se vê nos programas de TV.

Partidários e eleitores republicanos rasgam o grito pela vitória de Trump. Há ainda um conservadorismo preso em cada um, que impede um outro olhar até mesmo sobre o curso que o mundo anda tomando. Mas é a América, de patriotismo rasgado e de um padrão de vida único no mundo inteiro, e que fez valer a democracia que George Washington conseguiu em 1776 Getty Images)

Partidários e eleitores republicanos rasgam o grito pela vitória de Trump. Há ainda um conservadorismo preso em cada um, que impede um outro olhar até mesmo sobre o curso que o mundo anda tomando. Mas esta é a América, de patriotismo rasgado e de um way of life único no mundo inteiro, e que fez valer a democracia que George Washington conseguiu em 1776 (Getty Images)

Enfim, Trump está eleito e, como diz o velho dito, esta é a democracia. Ela que manda e venceu justo quem a maioria do povo queria que vencesse o pleito. As reações em volta do mundo se multiplicaram rapidamente, surpreendentemente prevalecendo um misto de parabéns respeitosos e vivas as pedradas e críticas ao resultado. Embora o futuro das relações diplomáticas do país com o novo presidente são agora completamente imprevisíveis, especialmente as recém restauradas relações com Cuba, os acordos nucleares com o Irã, a luta contra o Estado Islâmico e as ainda frágeis relações com a China, que se opôs e muito a Trump durante a campanha.

Se os americanos que, através dos delegados, escolheram Trump como seu presidente estão certos na direção que tomaram isso ainda é um mistério. Donald ainda é um ser imprevisível, que incorpora muito da identidade 100% yankee de patriotismo, grandiosidade e protecionismo com relação ao que entra e sai da terra-mãe. No seu primeiro discurso como eleito, no QG da campanha em Nova York, não foi tão direto ao mundo. Agradeceu a família, amigos, apoiadores e doadores de campanha e deixou claro que terá a melhor das relações com quem estiver disposto a trabalhar junto dos EUA, isto dentro e fora do cercado americano. Mas as respostas sobre como será o país com o magnata a frente só devem vir mesmo depois do dia 20 de janeiro, data que marca a posse do novo presidente americano, como é de tradição.

A recém reatada relação diplomática entre EUA e Cuba é uma das questões que Trump terá nas mãos no panorama mundial. Situações que podem sofrer revezes bons ou ruins dependendo da postura de Trump Reprodução)

A recém reatada relação diplomática entre EUA e Cuba é uma das questões que Trump terá nas mãos no panorama mundial. Situações que podem sofrer revezes bons ou ruins dependendo da postura do magnata (Reprodução)

Dentre as tantas reações do mundo a vitória de Trump, uma delas talvez seja a mais simples e, ao mesmo tempo, que mais resume o que esperar do velho magnata a frente de uma das nações mais poderosas do mundo. Trata-se de uma frase do ministro da justiça alemão Heiko Maas, que simplesmente carimbou: O mundo não vai acabar, mas vai ficar mais louco.

Que assim seja, ao menos. Quanto a Trump, meus respeitosos parabéns e bom trabalho… Apenas isso, nada mais.

(AP Photo/Andrew Harnik)

(AP Photo/Andrew Harnik)

Um comentário sobre “Trump eleito: O mundo vai ficar mais louco

  1. É isso e nada mais …
    Só nos resta torcer, torcer, e torcer.
    Que DEUS ilumine essa mente Trump! e que ele vá para um bom trampo!
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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