Gramming & Marbles (MotoGP): Em Valência, o canto do cisne de Lorenzo na Yamaha

Uma ultima vez entre os diapasões: Lorenzo fatura vitória em Valência, tira Yamaha do jejum que vinha desde a Catalunha e dá recado na pista sobre o que esperar dele na Ducati em 2017 (Getty Images)

Uma ultima vez entre os diapasões: Lorenzo fatura vitória em Valência, tira Yamaha do jejum que vinha desde a Catalunha e dá recado na pista sobre o que esperar dele na Ducati em 2017 (Getty Images)

(Douglas Sardo)

O último fim de semana foi de gala para quem gosta de automobilismo, com o Grande Prêmio do Brasil de F1 agitando a galera em Interlagos em corrida emocionante. Mas não foi só as quatro rodas que deram show, a MotoGP fechou sua histórica temporada de 2016 com mais um domingo cheio de tombos e ultrapassagens.

As emoções em Valência começaram com as grandes disputas da Moto3 e da Moto2, e terminaram com Jorge Lorenzo entregando um último presente para a Yamaha. Essa vitória do Espartano nos dá uma pista do que está por vir com sua transferência para a Ducati na próxima temporada…


O Show de Lorenzo

Espanhol foi perfeito nos treinos, sem mesmo deixa o compatriota campeão, Marc Márquez, encostar  nos tempos (Getty Images)

Espanhol foi perfeito nos treinos, sem mesmo deixa o compatriota campeão, Marc Márquez, encostar nos tempos (Getty Images)

Após uma segunda metade de temporada sofrível, Lorenzo chegou a Valência determinado a mostrar seu valor e nada melhor do que fechar sua fantástica passagem de nove anos pela Yamaha com uma vitória. Acontece que a equipe dos diapasões não vencia desde o longínquo GP da Catalunha, em Junho, um incomodo tabu que os comandados de Lin Jarvis não queriam levar para 2017.

Nos treinos, Jorge começava a tirar a Yamaha da fila com um desempenho fantástico, quebrando o recorde da pista várias vezes para marcar uma pole avassaladora. Marc Márquez tentou de tudo, mas não conseguiu bater o #99. A tática do campeão foi colocar pneus duros na dianteira para arriscar tudo nas frenagens, marca registrada da hormiga. Mas nada feito, e Márquez teria que largar em segundo.

Valentino Rossi sofreu para conseguir o terceiro lugar no final do treino, superando Maverick Viñales. O espanhol da Suzuki torcia para o domingo ser de muito frio na Espanha, já que sua GSX-RR trabalha melhor com os pneus em temperaturas baixas.

Rossi no pega com Ianonne e Márquez (Getty Images)

Rossi no pega com Ianonne e Márquez. Terceiro no grid e uma corrida suada no final das contagens (Getty Images)

Só que o domingo foi de muito sol e Lorenzo não teve problemas para manter a ponta na largada. Para melhorar ainda mais a situação do #99, Marc Márquez largou muito mal, fechando a primeira volta em quinto. Então o “espartano” tratou de abrir margem segura sobre o surpreendente Andrea Iannone, que pulara de sétimo para segundo.

Liderando com tranquilidade, Jorge passou a guiar como um relógio, abrindo vantagem a cada giro. Tudo estava em harmonia: piloto, equipamento e a pista. A tarefa do piloto da Yamaha era facilitada por uma briga intensa pela segunda posição, da qual Márquez só conseguiu emergir no final da prova, quando a vantagem de Jorge já estava batendo os seis segundos.

Márquez passou descontar a diferença de forma impressionante, mas já era tarde. Vitória categórica de Lorenzo, tirando a Yamaha da fila, um último presente como o próprio piloto descreveu emocionado após a prova.

Márquez vence duelo incrível pelo segundo lugar

Outra imagem do superpega pela segunda posição. Entre Rossi e Márquez, um surpreendente Ianonne que incomodou até onde pode (Getty Images)

Outra imagem do superpega pela segunda posição. Entre Rossi e Márquez, um surpreendente Ianonne que incomodou até onde pode (Getty Images)

Se havia alguém com chances de desbancar Lorenzo em Valência era Marc Márquez. O campeão de 2016 partia do segundo posto e tentava apagar as últimas duas provas onde ele acabou encontrando o chão. Só que La Hormiga largou mal e abriu passagem para o foguete Andrea Iannone. O italiano da Ducati surgiu de sétimo e do nada estava em segundo lugar. Esplêndido!

O louco da Ducati até tentou atacar Lorenzo, mas teve que se contentar em lutar pelo segundo lugar. E como ele lutou! Inicialmente Iannone era seguido por Viñales. Atrás do piloto da Suzuki, Márquez tentava passar Rossi para iniciar sua recuperação. O Doutor respondeu ao ataque partindo para cima da Suzuki #25 e ultrapassando seu futuro companheiro de time. Na volta seguinte foi a vez de Márquez deixar o Mavecão para trás e seguir no encalço de Rossi.

A partir daí o que se viu foi uma verdadeira guerra pelo segundo lugar, com Iannone sendo acossado por Rossi. Os dois travaram um duelo de sair faíscas. Foram várias ultrapassagens, divididas, manobras ousadas e muita potência do motor da Ducati para manter o Andrea mais arrojado na briga, já que a Desmosedici era claramente mais lenta nas curvas.

Márquez foi a forra e passou quem visse a frente, numa batalha sensacional. Com mais voltas, provavelmente teria suplantado Lorenzo (Getty Images)

Márquez, a frente, foi a forra e passou quem visse a frente, numa batalha sensacional. Com mais voltas, provavelmente teria suplantado Lorenzo (Getty Images)

Enquanto Rossi e Iannone se digladiavam, Márquez ficava na espreita, e no momento certo deu o bote para cima do Doutor. Depois a vítima foi Iannone e a partir daí o espanhol passou a abrir sobre os dois enquanto descontava a grande desvantagem que tinha para Lorenzo. De quase seis segundos em determinado ponto da prova, a vantagem do #99 caiu para apenas um segundo no fim da prova. Mais algumas voltas e Márquez lutaria por uma vitória antológica.

No fim, os esforços de Iannone compensaram, e Crazy Joe fechou o pódio, com Rossi em quarto, Viñales em quinto, e o bom Pol Espargaró em sexto, superando o apenas discreto Andrea Dovizioso, que nem parecia vir de uma vitória na Malásia.

Os 10 mais – Corrida

1 – Jorge Lorenzo (Yamaha)
2 – Marc Márquez (Honda)
3 – Andrea Iannone (Ducati)
4 – Valentino Rossi (Yamaha)
5 – Maverick Viñales (Suzuki)
6 – Pol Espargaró (Tech 3-Yamaha)
7 – Andrea Dovizioso (Ducati)
8 – Aleix Espargaró (Suzuki)
9 – Bradley Smith (Tech 3-Yamaha)
10 – Álvaro Bautista (Aprilia)

Foi a derradeira... Nove anos de casa, títulos, vitórias incríveis e admiração de muitos. Jorge Lorenzo parte para a Ducati talvez levando em algum lugar do coração de Espartano lembranças boas da turma dos diapasões (Getty Images)

Foi a derradeira… Nove anos de casa, títulos, vitórias incríveis e admiração de muitos. Jorge Lorenzo parte para a Ducati talvez levando em algum lugar do coração de Espartano lembranças boas da turma dos diapasões (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Marc Márquez (298)
2 – Valentino Rossi (249)
3 – Jorge Lorenzo (233)
4 – Maverick Viñales (202)
5 – Andrea Dovizioso (171)
6 – Dani Pedrosa (155)

Retorno de Pedrosa, sem brilhos e nem forma

De volta aos trabalhos: Dani Pedrosa regressou a categoria depois do forte acidente em Motegi. No entanto, bem longe da forma ideal, como ele próprio admitiu (Getty Images)

De volta aos trabalhos: Dani Pedrosa regressou a categoria depois do forte acidente em Motegi. No entanto, bem longe da forma ideal, como ele próprio admitiu (Getty Images)

Nem Hiroshi Aoyama, nem Nicky Hayden. Quem esteve com a segunda moto da equipe Honda foi o seu dono por direito. Dani Pedrosa fez seu retorno após se lesionar em um acidente na pista de Motegi. O samurai foi festejado pelo público valenciano, mas ele mesmo admitiu que voltou longe de sua condição ideal.

O Samurai de Borracha pouco fez, conseguiu apenas o oitavo lugar do grid e acabou sofrendo um tombo após quatro voltas completadas na corrida.

Cruthclow encerra o ano um tom abaixo

Longe da boa pilotagem, Cal Cruthlow - provavelmente a grande revelação de 2016 - terminou o ano bem longe de bons resultados (Getty Images)

Longe da boa pilotagem, Cal Cruthlow – provavelmente a grande revelação de 2016 – terminou o ano bem longe de bons resultados, com um tombo após 16 voltas (Motorsport)

Um dos grandes destaques da temporada 2016, Cal Crutchlow pouco fez em Valência. O britânico teve que passar pelas arguras do Q2, e apesar de conseguir avançar com certa tranquilidade para o Q1, terminou a classificação apenas em 11º após um tombo que atrapalhou totalmente seu treino.

Na corrida, Cal jamais teve ritmo para se manter próximo dos líderes, e mal conseguia se manter entre os dez melhores quando sofreu outro tombo no fim de semana, encerrando sua prova após 16 voltas. Passou longe de ser um encerramento à altura da grande temporada que o britânico fez em 2016.

Estréia da KTM

(Getty Images)

Tem casa nova no pit: A KTM fez seu debut experimental na prova deste fim de semana, com o finlandês Mika Kallio no comando dos guidões do time laranja. Largou em 20º mas padeceu de problemas e abandonou a disputa da prova. Há muito trabalho nos lados austríacos (Getty Images)

A corrida de Valência foi a última da temporada 2016 da MotoGP, e foi a primeira da equipe KTM na categoria principal. A fabricante que já detona na Moto3 decidiu se arriscar em empreitada no topo do motociclismo.

Mika Kallio comandou a única moto do time em Valência. O finlandês conseguiu um bom vigésimo lugar no grid, a frente de Tito Rabat e Yonny Hernández. Só que a corrida não foi tão boa assim para a estreante. Kalio andou sempre entre os últimos e abandonou faltando 11 voltas para o fim.

Para piorar, após os primeiros testes desse fim de semana, o piloto finlandês demonstrou bastante decepção com o desempenho da moto, alertando que o time terá muito trabalho pela frente…

Moto3 – Binder raspa a cuca, entra de gaiato na pauleira e fatura a vitória

Adeus cabeleira. Binder cumpriu a palavra, mas também não deixaria passar Valência em branco e faturou a prova (Getty Images)

Adeus cabeleira. Binder cumpriu a palavra e tosou a juba. No entanto, não deixou-se passar em branco na pista de Valência e faturou a prova depois de uma disputa onde entrou de penetra (Getty Images)

O Circuito Ricardo Tormo em Valência foi devidamente aquecido pelas categorias intermediárias. Começando pela Moto3. Após ficar longe da vitória na Malásia, o campeão mundial de 2016, Brad Binder, teve que raspar o cabelo para a última prova da temporada, conforme prometido caso ele não vencesse as três últimas etapas de 2016. Promessa feita, promessa cumprida, e o sul-africano apareceu em Valência com novo visual.

Mas novidade mesmo foi a pole-position do espanhol Arón Canet. O piloto da equipe Estrella Galicia teve resultados discretos durante a temporada, mas eis que em Valência conseguiu arrebatar o lugar de honra do grid. Um desempenho impressionante. Só que o destino reservava uma amarga decepção para o jovem de apenas dezessete anos: Um problema na moto o impediu da largar do grid. Portanto, largada dos boxes e apenas o 19º lugar para Canet. Uma pena.

(Getty Images)

Migno, Bastianini e Mir, os três logo atrás de Binder, liderando o pelotão depois de uma fantástica briga com ambos (Getty Images)

Enquanto isso, Brad Binder cometia erro na segunda volta e despencava para o fundo do grid. O piloto da cabeça raspada partiu para o ataque a partir de vigésimo, e de ultrapassagem em ultrapassagem, chegou nos líderes! Uma corrida impressionante.
A festa era boa na frente, com um excelente duelo entre Joan Mir, Andrea Migno e Enea Bastianini.

Só que Binder não quis nem saber, entrou de penetra e passou todos, assumindo a ponta com muito arrojo. O sul-africano ainda caiu para terceiro após um pequeno erro, fruto talvez do desgaste dos pneus após uma corrida de puro ataque, mas nada que ele não conseguisse recuperar para vencer de forma fantástica em Valência.

Assim que se fecha uma temporada!

Moto2 – Zarco, o preterido, fecha o ano no alto do pódio

O campeão preterido. Vitória de boas de Zarco depois de duelo fervoroso com o queridinho do Brasil, Franco Morbidelli, que outra vez morreu na praia com problemas nos pneus (Getty Images)

O campeão preterido. Vitória de boas de Zarco depois de duelo fervoroso com o queridinho do Brasil, Franco Morbidelli, que outra vez morreu na praia com problemas nos pneus (Getty Images)

Zarco Vs. Morbidelli

A prova da moto 2 também garantiu um grande espetáculo para o público que lotou as arquibancadas em Valência. Mais uma vez o bicampeão mundial Johann Zarco partiu da pole, mas a vida do francês foi complicada pelo novamente brilhante Franco Morbidelli. O piloto italiano partiu para a briga e o duelo entre os dois foi simplesmente extraordinário. Várias trocas de posições em uma única volta, curva a curva, no limite do equipamento e da lealdade.

Mais uma vez porém, Morbidelli nadou, nadou, e morreu na praia, perdendo rendimento com pneus desgastados e terminando em terceiro, sendo superado na última volta por Thomas Luthi. Ainda não foi dessa vez que Franco conseguiu sua primeira vitória.

Morbidella, a frente de Zarco e Luthi. Italiano de coração tupiniquim fez de tudo para se aguentar a frente, mas os pneus desgastados impediram - outra vez - a sonhada primeira vitória (Getty Images)

Morbidelli, a frente de Zarco e Luthi. Italiano de coração tupiniquim fez de tudo para se aguentar a frente, mas os pneus desgastados impediram – outra vez – a sonhada primeira vitória (Getty Images)

Zarco fechou sua última temporada na Moto2 da melhor forma possível, e vai muito fortalecido para a categoria principal. Na disputa pelo quarto lugar, Sam Lowes superou Alex Rins, também na última volta.  Rins que, aliás, terminou o ano de cabeça cheia, com muitos erros e nervosismo.

Na transmissão da Sportv foi dado muito destaque para uma situação curiosa: A equipe Suzuki tinha tudo para fechar com Zarco para 2017 mas de última hora decidiu mudar e contratou Rins. Pelo menos por enquanto, parece que a Suzuki fez uma grande besteira. Vamos aguardar, pois em 2017 pilotos como Zarco prometem agitar ainda mais a MotoGP. O próprio Rins terá de desfazer essa péssima impressão do fim de 2016…

Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo

Eis os campeões; Binder Moto3), Márquez MotoGP) e Zarco Moto2). O que esperar de 2017? O que vivemos em 2016? Uma grande temporada como essa deixa perguntas e lembranças fantásticas dos pegas em duas rodas, acidentes, vitórias surpreendentes e da emoção da MotoGP. Mas não se desespere, o GM está preparando especiais de fim de ano para aplacar um pouco a falta do certame em sua vida (Getty Images)

Eis os campeões; Brad Binder (Moto3), Marc Márquez (MotoGP) e Johann Zarco (Moto2). O que esperar de 2017? O que vivemos em 2016? Uma grande temporada como essa deixa perguntas e lembranças fantásticas dos pegas em duas rodas, acidentes, vitórias surpreendentes e da emoção da MotoGP. Mas não se desespere, o G&M está preparando especiais de fim de ano para aplacar um pouco a falta do certame em sua vida (Getty Images)

Pois bem pessoal, isso é tudo! A MotoGP fecha suas cortinas em 2016 deixando saudades e uma grande expectativa para o dia 27 de março do ano que vem, na abertura da temporada 2017 no Catar. O G&M vai superar a abstinência das motos…falando sobre motos!

Vamos publicar um resumo da temporada destacando pontos importantes e também levantando a bola para a próxima temporada, destrinchando equipe por equipe, piloto por piloto, testes e outras notícias. Além disso, história de motos também terá destaque aqui no nosso espaço, com um especial sobre um às das motos tupiniquim, lenda das pistas brasileiras e que foi vencido pelo excesso de liberdade: Carlos Jacaré Pavan.

Lembrando também que dia 27 de Novembro tem a grande decisão da F1 em Abu Dhabi. Imperdível! Portanto, até breve e grande abraço!

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