Enfeites e espírito: Onde andam as luzes de Natal?

Talvez uma imagem um tanto chocante para começo de Natal, mas que sirva de toque para muitos: Não vamos deixar morrer as pequenas coisas que fazem desta época um momento tão especial Reprodução)

Talvez uma imagem um tanto chocante para começo de Natal, mas que sirva de toque para muitos: Não vamos deixar morrer as pequenas coisas que fazem desta época um momento tão especial Reprodução)

Não é nem um pouco excesso de saudosismo, mas talvez o seja para quem o ler. Em outros tempos, quando muitos de nós eramos crianças, o costume de decorar a casa para o Natal era uma das tantas sensações gostosas do tempo infantil. Ao menos para este jornalista, que ainda hoje faz (ou tenta fazer) deste momento uma forma única de reunir a família em torno da residência que lhe abriga, a vestindo de beleza ao menos uma vez ao ano. servindo de prévia para o preparativo da árvore.

Parece um pouco cedo, talvez, para se falar profundamente de Natal, mas correndo os olhos pelas ruas de Blumenau (e provavelmente deve ser o mesmo em outras cidades) percebe-se que o colorido dos enfeites e luzes se perdeu um pouco nestes últimos anos. Casas que tradicionalmente encantavam moradores hoje estão apagadas, entregues ao preto-e-branco de uma época que enfeitar e iluminar deveriam significar muito mais do que, simplesmente, enfeitar. Seria o reflexo de nosso cotidiano cada vez mais agitado? Da crise? Ou simplesmente esquecer da tal atmosfera de Natal que contamina a todos em volta?

Um dos já tantos anos do Magia de Natal, que tem tornado a cidade, novamente, em referencia na celebração natalina. Neste ano, decoração concentra-se exclusivamente no entorno da Vila Germânica, um reflexo dos dificeis tempos de crise Reprodução / PMB)

Um dos já tantos anos do Magia de Natal, que tem tornado a cidade, novamente, em referencia na celebração natalina. Neste ano, decoração concentra-se exclusivamente no entorno da Vila Germânica, um reflexo dos difíceis tempos de crise (Reprodução / PMB)

Pelas ruas de Blumenau é possível notar a falta de decoração natalina, que em outros anos era presente ao extremo. Mas para este ano a explicação da crise até que convence. Tudo ficou mais caro, tudo ficou mais difícil e a decisão de concentrar o grosso das decorações na Vila de Natal (Parque Vila Germânica) soa como uma ideia sensata vinda da coordenadora da programação do Magia de Natal, Sara Fogaça. Alias, não é mentira nenhuma dizer que a Vila Germânica está muito bem decorada e aconchegante para esta época do ano, e nosso Natal continua voltando a ser referencia no Brasil, claro.

O comércio em si prepara suas tradicionais vitrines de Natal, como é costumeiro. Claro, com todo um apelo bem diferente daquele da mensagem de paz e união que o tempo traz. Comprar é a lei, e especialmente em tempos de crise e receio para gastar isto se torna ainda mais sagrado. Fala-se em sairmos da recessão em 2017, mas há um rio de incertezas que cercam essa possibilidade. Enquanto isso, quem tem sanidade para economizar, que economize. E isso, inevitavelmente, recai sobre os enfeites de Natal.

A residência 64 da Rua Alpinópolis. Há alguns anos, uma das fascinações da iluminação de Natal em Blumenau e que, com o tempo, perdeu-se e apagou-se Reprodução)

A residência 64 da Rua Alpinópolis. Há alguns anos, uma das fascinações da iluminação de Natal em Blumenau e que, com o tempo, perdeu-se e apagou-se (Reprodução)

Em tempos atrás, Blumenau até estimulava o fato de preparar as casas para a quadra natalina, como me contara no ano passado o publicitário e amigo de A BOINA, José Geraldo Reis Pfau, o Zé Pfau. Concursos de casas mais bem enfeitadas faziam cócegas na sociedade e até mesmo a vontade de fazer uma decoração bem caprichada para quem passava nas ruas admirando os trabalhos era um motivador. Famílias tiravam dias a noite durante o Natal para passear pelas ruas, do Centro e dos bairros, para contemplarem os enfeites e luzes, num rodar de calma e sorrisos por vias e vias sem fim. Sem falar em tirar inspirações para onde colocar mais pisca-piscas, festões e guirlandas pela casa ao voltar.

Vem a mente fresca a admirável visão da residência nº 64 da Rua Alpinópolis, no Garcia. Aquela casa de dois pavimentos era a fascinação de todos durante o Natal pois era iluminada com lâmpadas de cima a baixo. Não havia quem parasse durante o passeio noturno para ver as mais de 100 mil lâmpadas que a iluminavam, fazendo filas de carros se formarem na pequena rua residencial. Hoje, depois de alguns natais, apenas as tímidas ondas ou, em vezes, nada que a ilumine. Não sei se o dono mudou ou desanimou de elaborar a decoração. Certeza que é um ponto escuro a mais neste período.

Seu posto foi ocupado por outra residência: Há alguns anos, o nº 163 da Rua Antonina, na Itoupava Norte, assumiu o status de casa mais iluminada da cidade. O dono da arte, o eletricista (como não poderia deixar de ser) Martim Grodinski e a família não escondem ano a ano a alegria para preparar a casa com uma chuva de mais de 500 mil lâmpadas. A admiração dos visitantes é incalculável, impossível de ser medida em palavras, e não teria como mesmo. Afinal, o que paga tanto empenho? Simples, basta olhar o sorriso de tanta gente deslumbrada, em um momento apenas de paz e tranquilidade de coração ao contemplar as luzes.

Um exemplo de nossos dias: A casa 153 da Rua Antonina, na Itoupava Norte. Um trabalho de carinho feito pelo eletricista Martim Grobinski abaixo, com a familia) e que traz admiração a crianças e adultos. certamente o que paga tamanho empenho para a decoração do lar doce lar Jaime Batista)

Um exemplo de nossos dias: A casa 153 da Rua Antonina, na Itoupava Norte. Um trabalho de carinho feito pelo eletricista Martim Grodinski (abaixo, com a família) e que traz admiração a crianças e adultos. certamente o que paga tamanho empenho para a decoração do lar doce lar (Jaime Batista)

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Não quero que pense, amigo leitor, que enfeitar a casa é o mais importante da data ou algo assim. O simples ato de pendurar uma singela guirlanda na porta vai muito além do adorno. Imergir no espírito natalino – independente do credo que você tenha – é fazer uma revisão de tudo que aconteceu durante o ano, abrir o coração para boas ações que, talvez pelo corre-corre do ano, não lhe deixaram pratica-las durante os meses. Enfeitar não é só dar beleza, nada disso. É sinalizar que há espirito de Natal, há sorriso, não importando o quão difícil seja nosso mundo atualmente.

Portanto, se você está ai correndo e pensando apenas no fim de ano. Desligue por hora a mente, olhe ao redor e reflita que a família e os amigos que a cada dia do ano estiveram contigo merecem entrar junto de você neste espírito. Decore a casa, faça alguma boa ação que deixou de fazer no ano, relaxe ao som de uma melodia natalina, sorria. Não deixe que o preto-e-branco do cotidiano cruel te faça desaparecer na penumbra justo na época mais brilhante do ano.

… e ao seu Martim, farei o possível para ver sua casa. Capriche! Pois eu e tantos outros blumenauenses querem vê-la brilhando e distribuindo júbilo nesta quadra natalina.

(Jaime Batista)

(Jaime Batista)

Um comentário sobre “Enfeites e espírito: Onde andam as luzes de Natal?

  1. André,
    Parabéns por esta bela postagem sobre casas enfeitadas para o Natal. Em dezembro de 2005 fomos capa do jornal SC com nossa casa enfeitada no Natal.
    Depois fui diminuindo um pouco, porém nunca deixei de colocar algo, é só observar em nossa varanda.
    Grande abraço
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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