Gramming & Marbles (F1): Em Abu Dhabi, Rosberg resiste a “tatica Villeneuve” e, enfim, é campeão mundial

Eis o novo campeão mundial de F1: Deixando para trás a fama de Barbie e amarelão, Nico Rosberg correu mais uma vez com o regulamento embaixo do braço e fez o suficiente para escrever o nome na história mesmo abaixo de uma tática Villeneuve imposta por Hamilton. Um fim de semana feliz - mas não tão emocionante - em Abu Dhabi (Getty Images)

Eis o novo campeão mundial de F1: Deixando para trás a fama de Barbie e amarelão, Nico Rosberg correu mais uma vez com o regulamento embaixo do braço e fez o suficiente para escrever o nome na história mesmo abaixo de uma tática Villeneuve imposta por Hamilton. Um fim de semana feliz – mas não tão emocionante – em Abu Dhabi (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Nico: Dez anos entre números de campeão e o título

Atende pelo nome de Nico Erik Rosberg, alemão de 31 anos e herdeiro do super Keke Rosberg – que é finlandês – o portador do 66º título da história da F1. Enfim, o garoto com números de campeão mundial é campeão mundial de pilotos e, ao contrário das patacoadas e amareladas de 2015, a ex-Barbie agora é um respeitado boneco do Esquadrão Classe A e não pode discordar-se de que sua conquista foi recheada por méritos, especialmente o fato de ser um exímio oportunista que somou sua capacidade de andar rápido a sorte que surgiu nas escorregadas do companheiro e estrela Lewis Hamilton.

A decisão em si teve seus lances mais emocionantes nas ultimas dez voltas da prova, quando Hamilton aplicou o que passou o fim de semana desconversando que faria: A mundialmente conhecida tática Villeneuve, imitando o gesto do filho de Gilles no GP do Japão de 1997, ao segurar o pelotão e dar pressão para Michael Schumacher no fervor da briga do título daquele ano. Lewis tentou, apertou o companheiro diante a pressão de Sebastian Vettel e Max Verstappen, ávidos pela posição do alemão. E quem viu ao vivo ou ao menos soube no paddock de Abu Dhabi entre um gole de champanhe e outro ficou feliz com um fim de temporada interessante.

A festa nos braços do povo mais competente do grid. Mercedes faz de seus dois pilotos campeões mundiais e escreve uma das hegemonias mais sólidas da história da F1 (Getty Images)

A festa nos braços do povo mais competente do grid. Mercedes faz de seus dois pilotos campeões mundiais e escreve uma das hegemonias mais sólidas da história da F1 (Getty Images)

Nico talvez tenha devido uma atuação como um campeão decidido, não procurando decidir o título antes da prova em Yas Marina, mas provavelmente aprendeu esta lição com Alain Prost, evitando erros e abusos e deixando que Hamilton fizesse o seu esperando que Rosberg tivesse uma infelicidade qualquer, especialmente por ter o engenho mais usado comparado ao seu. Nada feito, o companheiro do carro #6 teve sangue frio e até mesmo preso por uma tática um tanto desesperada teve de resfriar o sangue e manter o foco para, depois, correr para os zerinhos e para o abraço.

Não foi a mais emocionante briga da F1 em todos os tempos, sem parâmetro para se comparar a pauleira de 30 anos atrás, entre quatro gênios. Mas Nico Rosberg ao menos fez o que lhe cabia, com oportunismo e uma dose necessária de talento para saber que era agora ou nunca mais. A promessa de 2006 é o campeão de 2016, foram dez anos mostrando que podia mesmo quando ninguém acreditava, e agora tudo que Nico quer é um descanso para a mente, merecido por sinal.

Emoções no fechar das cortinas

Largada em Yas Marina. Verstappen em sexto corrupiaria logo na primeira curva, tocando a Nico Hulkenberg. Na ponta, as Mercedes disparam (Getty Images)

Largada em Yas Marina. Verstappen em sexto corrupiaria logo na primeira curva, tocando a Nico Hulkenberg. Na ponta, as Mercedes disparam (Getty Images)

A prova de Abu Dhabi não foi, como de costuma, aquele decisão de título mundial que se esperava. Foi uma corrida marcada por momentos, especialmente os das dez voltas finais, quando Hamilton começou a diminuir o ritmo para jogar pressão em Rosberg diante de quem vinha atrás, no caso um consistente Vettel e Max Verstappen, vindo de uma recuperação fabulosa. Mas antes deste momento de respiração presa, vamos aos inicialmentes deste final.

A largada foi a mais normal possível, a exceção de Verstappen que tomou um currupeio ao tocar sutilmente à Nico Hulkenberg logo na largada. Para o holandês, que vinha de uma corrida memorável no Brasil, a lei agora passava a ser a da recuperação, caindo para o 22º lugar. Lá na frente, as Mercedes voavam a frente, deixando Kimi Raikkonen, Daniel Riccardo e Vettel digladiando-se entre si pelo terceiro lugar.

A única saída para Hamilton, e que todo mundo cogitava no fim de semana todo era uma só: Usar-se da artimanha de Jacques Villeneuve em 1997, no Japão, segurando Schumacher para fazer pressão e induzir a um possível erro do perseguido. Lewis bem que tentou, sob o olhar espantado de todos, mas a tática não surtiria efeito (Getty Images)

A única saída para Hamilton, e que todo mundo cogitava no fim de semana todo era uma só: Utilizar-se da artimanha de Jacques Villeneuve em 1997, no Japão, segurando Schumacher para fazer pressão e induzir a um possível erro do perseguido. Lewis bem que tentou, sob o olhar espantado de todos, mas a tática não surtiria efeito (Getty Images)

Para mudar o jogo para si, Hamilton sabia que, da posição onde estava, tinha de ver Rosberg em quarto, atrás de quem vinha a frente. Eu e Douglas assistimos a prova juntos e já cogitávamos, ainda de leve, que Lewis poderia utilizar-se da famosa artimanha de Jacques para tentar alguma coisa, talvez o erro que Nico não cometeu nesta fase final.

Enquanto isso, a Red Bull muda a estratégia de Verstappen, que faz um stint maior com os supermacios e conseguiu pular entre os seis primeiros, andando até em segundo lugar durante a prova. Estranhamente, a tática não foi a mesma com Riccardo, que parou cedo e perdeu terreno na briga. Entender o que houve nos bastidores da equipe austríaca é um curioso mistério.

Riccardo tinha um bom trem de corrida e a mesma configuração de pneus de Verstappen. Entender o porquê da Red Bull não ter usado a mesma tática com o australiano foi o grande mistério da prova. Talvez, por uma jogada diferente pensada pelo homem-sorriso como que não daria certo (Getty Images)

Riccardo tinha um bom trem de corrida e a mesma configuração de pneus de Verstappen. Entender o porquê da Red Bull não ter usado a mesma tática com o australiano foi o grande mistério da prova. Talvez, por uma jogada diferente pensada pelo homem-sorriso como que não daria certo (Getty Images)

Rosberg age como campeão (uma vez na prova)

Com Verstappen em segundo e perdendo terreno para Hamilton, Rosberg teve de fazer algo diante do holandês que parecia que não ia parar tão cedo. Colado, ele foi a luta, colocou por dentro e arrancou na marra a posição de Max. O filho de Jos ainda tentou o troco, tomando uma fechada homérica de Nico num dos trechos mais possíveis para ultrapassagem. Correto, afinal Max estava na corrida dele, não tem nada a perder a não ser a segunda posição naquele momento.

Durante o lance, a repreenda de Galvão Bueno soou como ridícula ao jovem holandês. Não é defender Verstappen como um apaixonado por esporte já que ser atirado também pode trazer consequências imprevisíveis e para o mal, a bronca do narrador soou ridícula diante de uma bela briga. Nico sabia o que tinha que fazer e Verstappen mais ainda, buscando a posição perdida. Bater seria simplesmente um fato de corrida e, talvez, poderia mudar um campeonato, o que igualmente seria interessante. Coisas de corrida que a F1 sente falta e que vê em Max. Deixem o menino correr, oras!

Na peleia da recuperação, Verstappen deu trabalho para os ponteiros e até para Rosberg, que teve de forçar uma bela ultrapassagem sobre o holandês, que ameaçou revidar. Ele não tinha nada a perder na sua corrida de recuperação, enquanto Galvão Bueno esbravejava falaciosamente (Getty Images)

Na peleia da recuperação, Verstappen deu trabalho para os ponteiros e até para Rosberg (atras), que teve de forçar uma bela ultrapassagem sobre o holandês, que ameaçou revidar. Ele não tinha nada a perder na sua corrida de recuperação, enquanto Galvão Bueno esbravejava falaciosamente (Getty Images)

Pois bem, voltando a peleja, a corrida caminhava para a parte final quando Hamilton colocou o plano em prática aos olhos de quem vinha atrás. Mesmo tomando pitos da Mercedes para garantir a vitória, o inglês diminuía o ritmo aos poucos, permitindo a aproximação de Rosberg, Verstappen e Vettel. Para Nico, a pressão seria eminente e muito sangue frio seria necessário para evitar algum erro. Especialmente da parte de Vettel, que superou a Max – que estava de pneus gastos pelo stint final longo – e começou a partir para cima de Rosberg.

Cinco voltas para o fim e os quatro primeiros corriam juntos. Hamilton poderia esperar uma escapada de Rosberg, já que Verstappen estava refém da borracha desgastada. O embate entre os alemães era a última esperança de Lewis ver Nico escapar, rodar, passar reto, alguma coisa desse nível. Vettel até tentou colocar e armar a ultrapassagem há duas voltas do fim, mas nada feito. No rádio, Hamilton deu a resposta a equipe, talvez a mais emblemática do ano: Estou ganhando a corrida e perdendo o título. O que me adianta isso? Preciso tentar alguma coisa!, parecia dizer.

A chegada: Os quatro primeiros enfileirados, com Vettel em terceiro e tentando o golpe final em Rosberg. Sem chance, Nico é campeão, Hamilton vice, Seb arranca um bom terceiro posto e Verstappen é vencido pelos pneus e chega em quarto (Getty Images)

A chegada: Os quatro primeiros enfileirados, com Vettel em terceiro e tentando o golpe final em Rosberg. Sem chance, Nico é campeão, Hamilton vice, Seb arranca um bom terceiro posto e Verstappen, vencido pelos pneus, chega em um bom quarto (Getty Images)

O trenzinho ficou como estava até a quadriculada. Ao menos um lampejo de emoção para o final, mas sobretudo a mostra que Nico Rosberg esfriou o sangue, controlou a pressão da tática de Hamilton e festejou com méritos o primeiro título mundial. Depois de cruzar a faixa, a pista de Yas Marina era toda de Rosberg, que fez zerinho, subiu no carro, festou com os felizes que, ao menos, assistiam a corrida (bem diferente de quem tomava champanhe ou ajustava a maquiagem nos camarotes e nos boxes). A F1, enfim, é de Nico Rosberg, e as palmas respeitosas pelo bom ano vão para ele, finalmente.

Os 10 mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Nico Rosberg (Mercedes)
3 – Sebastian Vettel (Ferrari)
4 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
5 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
6 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
7 – Nico Hulkenberg (Force India-Mercedes)
8 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
9 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)
10 – Fernando Alonso (McLaren-Honda)
16 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari)

Dane-se a multa, o importante é festar. Yas Marina ficou toda para Rosberg na comemoração do título com os torcedores que ainda assistiam a corrida entre um gole de champanhe e outro (Getty Images)

Dane-se a multa, o importante é festar. Yas Marina ficou toda para Rosberg na comemoração do título com os torcedores que ainda assistiam a corrida entre um gole de champanhe e outro (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Nico Rosberg (385) – CAMPEÃO
2 – Lewis Hamilton (380)
3 – Daniel Riccardo (256)
4 – Sebastian Vettel (212)
5 – Max Verstappen (204)
6 – Kimi Raikkonen (186)
11 – Felipe Massa (53)
17 – Felipe Nasr (2)

MENINO DE MUZAMBINHO – Sebastian Vettel (Ferrari)

Ao menos uma atuação boa de Sebastian Vettel. Mesmo reclamando (como de costume) da postura retranqueira de Hamilton, o alemão aproveitou bem a chance de pular a frente de Verstappen e arrancou um bom terceiro lugar. O melhor da prova (Getty Images)

Ao menos uma atuação boa de Sebastian Vettel. Mesmo reclamando (como de costume) da postura retranqueira de Hamilton, o alemão aproveitou bem a chance de pular a frente de Verstappen e arrancou um bom terceiro lugar. O melhor da prova (Getty Images)

Falou-se muito da recuperação de Max Verstappen, que usou inteligentemente de uma estratégia diferente do companheiro de Red Bull – Daniel Riccardo – para recuperar-se do rodopio na largada para chegar num bom quarto lugar. No entanto, a atuação de Sebastian Vettel na briga entre os primeiros foi, milagrosamente, consistente e correta, sobretudo no fim da prova. Andando bem entre os primeiros, Vettel teve frieza pra superar Verstappen nas voltas finais, justo o holandês que soltou farpas sobre o alemão durante a temporada, e garantiu um justo (e, desta vez, valido) terceiro lugar.

Seb tinha um jogo de borrachas mais inteiro e soube aproveitar-se disto para garantir o terceiro posto. Garantiu o último lampejo de emoção na pista ao duelar com Rosberg sem dar alívio, embora preso na segurada de Hamilton no fim da corrida, a qual reclamou da postura rotulada como suja ao fim da prova. Alias, reclamar e balbuciar impropérios durante a temporada foi seu passatempo este ano, mas Vettel vez em quando demonstra que ainda tem braço, e vai precisar muito dele ano que vem se quiser provar que é tetracampeão mundial que mereça seus galardões.

Massa e Button – Adeuses em Yas Marina

Jenson Button abre o caminho para o jovem Stoffel Vandoorne. O inglês campeão de 2009, boa praça desde criancinha, despediu-se da categoria (por hora, talvez) sem pompas, com uma suspensão quebrada (abaixo) e pedindo apenas uma cerveja gelada depois de tudo (Getty Images)

Jenson Button abre o caminho para o jovem Stoffel Vandoorne. O inglês campeão de 2009, boa praça desde criancinha, despediu-se da categoria (por hora, talvez) sem pompas, com uma suspensão quebrada (abaixo) e pedindo apenas uma cerveja gelada depois de tudo (Getty Images / TV)

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Muito além das brigas na pista e pelo título, a prova de Abu Dhabi assistiu duas despedidas. Quem achava ser apenas de Felipe Massa a aposentadoria mais sentida, viu também o adeus, um tanto discreto, do bom inglês Jenson Button, que abandonou na metade da corrida com uma quebra de suspensão da McLaren depois de atacar vorazmente as zebras de Yas Marina. Foi a despedida de dois representantes de duas gerações saudosas da F1 no ano 2000: Um campeão e um vice de respeito.

Jenson, sempre sentimental e o feliz campeão de 2009 – na surpreendente Brawn, hoje Mercedes – Saiu abraçado da família e de amigos pelo pit depois de chegar derradeiramente ao box do time de Woking. Seu único desejo depois da prova era, pura e simplesmente, uma cerveja gelada, coisa que ele deve ter saciado no motorhome ou nos camarotes da pista. Uma despedida discreta, sem louros e nem festas, dando lugar ao jovem belga Stofel Vandoorne para 2017, mas talvez preparado para pular de volta ao cockpit caso Alonso decida abandonar o navio britânico no meio do ano. Seria uma saída planejada? Um plano B? Só o ano que vem dirá.

Depois do adeus emocionante em Interlagos, enfim Massa fecha seu ciclo na F1 com um bom nono lugar em Yas Marina. Abre caminho para o enigmático canadense Lance Stroll, que recoloca o país da folha de bordo novamente na F1. A Felipe, ao menos um bom descanso neste fim de ano para pensar no que fazer em 2017 (Getty Images)

Depois do adeus emocionante em Interlagos, enfim Massa fecha seu ciclo na F1 com um bom nono lugar em Yas Marina. Abre caminho para o enigmático canadense Lance Stroll, que recoloca o país da folha de bordo novamente na F1. A Felipe, ao menos um bom descanso neste fim de ano para pensar no que fazer em 2017 (Getty Images)

Quanto a Massa, o brasileiro viveu seu momento. Completou em nono, segurando Alonso e abrindo vaga em 2017 para o ainda enigmático Lance Stroll, que recolocará um canadense na F1 e, outra vez, na trupe de Grove. Na última corrida deu-se ao luxo de fazer zerinhos, agradecer o time no rádio e sentir-se em paz numa prova onde teve mais trabalho para segurar o companheiro Valtteri Bottas. Para Felipe, agora resta um bom descanso dos percausos da Williams e, talvez, uma volta as pistas mais tranquila, seja no endurance ou na F-E.

Palmer, o roda-presa do ano

Palmer na Renault em 2017 é algo que ainda não se entende de maneira alguma. Totalmente inconstante e cometendo muitos erros, como o que custou a prova de Carlos Sainz em Yas Marina. Vai entender... (Moy / XPB Images)

Palmer na Renault em 2017 é algo que ainda não se entende de maneira alguma. Totalmente inconstante e cometendo muitos erros, como o que custou a prova de Carlos Sainz em Yas Marina. Vai entender… (Moy / XPB Images)

Ainda estamos tentando entender como a Renault mantém um piloto tão abaixo do desempenho no seu plantel como Joylon Palmer. Inconstante, lento e sem nenhum cacoete de vencedor, o filho do Dr. Jonathan (que também não deixou nada de relevante na passagem na F1) diz-se injustiçado e que é bom piloto mas não prova para tanto. Ainda mais quando rastela-se outro piloto como foi Carlos Sainz, na metade final da prova…

O que fará Palmer em 2017? Provavelmente o papel de sombra de Hulkenberg. Se é que a Renault terá capacidade de fazer uma maquina, pelo menos, razoável.

Globo: O túnel dos erros e o papel de santo (do pau oco)

Pódio de Portugal, em 1984, com Prost, Lauda e... Piquet. Ao menos foi o que Sérgio Maurício, em mais um erro para a coleção, viu no lugar de Ayrton Senna a direita), terceiro com a Toleman (Sutton)

Pódio de Portugal, em 1984, com Prost, Lauda e… Piquet. Ao menos foi o que Sérgio Maurício, em mais um erro para a coleção, viu no lugar de Ayrton Senna (a direita), terceiro com a Toleman (Sutton)

Um dos poucos consolos do fã brasileiro da F1, talvez, seja o fim da temporada e, por momento, da coleção de patacoadas dos narradores/comentaristas da categoria. Uma temporada marcada por displicências, forçações de barra, pachequismos, erros grotescos e, agora, criticas a CBA no mais tardiamente possível.

A começar pelas trocas gritantes de Sérgio e seus Maurícios no Túnel do Tempo do fim de semana na Sportv. Desta vez, um troca-troca entre Ayrton Senna e Nelson Piquet no pódio na retrospectiva do GP de Portugal de 1984!  Inaceitável especialmente para qualquer seninsta ou piquetista. Depois, imagens do segundo título de Emerson Fittipaldi na… Lotus! (Foi na McLaren, para qualquer entendedor que esqueceu-se). Trágico, ou talvez motivo de risadas depois de uma coleção de galhofadas e escorregões num quadro que deveria ser, ao menos, didático sobre o esporte.

Depois, fora a repreenda de Galvão Bueno a atitude de briga de Verstappen, as criticas a falta de gerência e investimento de base da CBA apareceram, na noite de comentários na Sportv no sábado e durante a transmissão do GP no domingo. Louvável? Talvez não, já que a Globo, como a dona de tudo sobre F1 no país, veste mais do que tardiamente o papel de defensora e crítica da atual situação da categoria para o país. Estamos perdendo Interlagos, não teremos brasileiros no grid, perdemos Jacarepaguá e quase perdemos Curitiba… E só agora a Vênus Platinada percebeu que o fundo do poço chegou?

Nasr não tem lugar garantido na Sauber em 2017, não temos um piloto de ponta na eminencia de chegar a F1, podemos perder Interlagos... E agora, apenas, a Globo desfere golpes a CBA. Atitude tardia? Demais! (Getty Images)

Nasr não tem lugar garantido na Sauber em 2017, não temos um piloto de ponta na eminencia de chegar a F1, podemos perder Interlagos… E agora, apenas, a Globo desfere golpes a CBA. Atitude tardia? Demais! (Getty Images)

A postura de defensora que a Globo tomou nas últimas corridas (leia-se Brasil e Abu Dhabi) é tardia, talvez não adiante muito agora especialmente que o estrago já vinha sendo feito ainda na década passada, especialmente no tempo do Pan quando colocar o autódromo do Rio de Janeiro abaixo em nome de um complexo que seria especulado posteriormente pela industria imobiliária não era nada. O interesse venceu, Jacarepaguá morreu e a Globo nada falou. Aos poucos, nosso automobilismo foi definhando e agora, na eminencia de ficarmos sem pilotos e sem GP, a Globo resolve partir contra o anacronismo da CBA. Tarde… tarde demais.

Se teremos algum ponto positivo das posições da Globo, talvez não a curto prazo pois reações curtas e tardias demoram a fazer efeito. Ao menos, espera-se que o mundo fora da realidade da família Marinho, se acaso o automobilismo voltar a velha forma, não terá crédito nenhum. Afinal, é fácil transmitir corrida e errar registros, difícil é trabalhar em favor do nosso automobilismo de verdade. Tarde demais…

Para Recordar: Os Rosberg na história da F1

O pai de Nico, Keke Rosberg, em ação na Williams, em 1982. Com passagens sólidas por Theodore, ATS e Fittipaldi, o finlandês fez história ao ganhar o título de 1982 com uma única vitória apenas, em um ano recheado de confusão, tragédias e surpresas Reprodução)

O pai de Nico, Keke Rosberg, em ação na Williams, em 1982. Com passagens sólidas por Theodore, ATS e Fittipaldi, o finlandês fez história ao ganhar o título daquele ano com uma única vitória apenas, em um ano recheado de confusão, tragédias e surpresas (Reprodução)

Com o título de Nico Rosberg conquistado, o bom e velho bigodudo Keke Rosberg vê o seu sobrenome sendo imortalizado na F1 e de maneira única. Está junto dos Hill (Graham e Damon) como as únicas famílias campeãs da categoria com pai e filho, fato que desperta admiração dos fãs do esporte, e fascina ainda mais pelo fato do Sr. Keijo estar vivo e ter o prazer de presenciar o filho alcançar o que alcançou no ano mais louco do circo até então: 1982.

Ano de greve, de duas mortes trágicas de pilotos (Gilles Villeneuve em Zolder/BEL e Riccardo Paletti em Montreal/CAN) dos problemas dos turbo, de vitórias improváveis e da inconstância do campeonato com a retirada do seu favorito principal – Didier Pironi, da Ferrari – na metade final da temporada por conta de um grave acidente, Keke Rosberg entrou de gaiato no navio e venceu. O finlandês teve uma vitória apenas, na antepenúltima corrida do ano, em Dijon-Prenois (GP da Suíça) e só, a regularidade nos pontos e o desempenho constante do Ford V8 talvez tenham sido o grande fator que beneficiou-o na conquista sobre o norte-irlandês John Watson, o rei das recuperações, na última corrida em Las Vegas.

Graham Hill mostrando o instrumento de trabalho em tamanho reduzido ao filhote, Damon. Bicampeão da F1 em 1962 e 1968, ele teria no filho a continuação da mitica história em 1996, apesar de um título conquistado de forma simples quase sem rivais...

Graham Hill mostrando o instrumento de trabalho – em tamanho reduzido – ao filhote, Damon. Bicampeão da F1 em 1962 e 1968, ele teria no atento filho a continuação da mítica história em 1996, apesar de um insólito título conquistado de forma simples e quase sem rivais…

... 20 anos depois, eis que os Rosberg cunham seu nome na história das famílias vitoriosas da F1, graças as peripécias de Keke e Nico (Reprodução / Getty Images)

… 20 anos depois, eis que os Rosberg cunham seu nome na história das famílias vitoriosas da F1 junto dos Hill, graças as peripécias de Keke e Nico (Reprodução / Getty Images)

Agora, 34 anos após o feito do pai e em condições bem diferentes, Nico Rosberg é campeão com nove vitórias, 385 pontos e atuações em grande parte regulares graças ao conjunto insuperável da Mercedes. Nada que tira o mérito da história escrita, apenas a justiça ao jovem Nico e seus números de campeão que o coloca ao lado do pai como um feliz campeão do mundo.

Gramming & MarblesEnfim, a F1 terminou em 2016, e quem quiser sentir saudade de um ano monótono e complicado extra-pista pode sentir a vontade. Para você e para outros que desejam ter um bom registro do ano o G&M coloca no ar neste sábado o resumão da temporada, os melhores e os piores, o que vem em 2017 e o que ficou de lembrança (amarga ou não) de 2016.  E tem mais, as colunas especiais com temas diversos do automobilismo, do ontem e do hoje, com a crítica afiada, a irreverencia e a seriedade tranquila do duo André-Douglas.

Quanto a F1, o retorno será em março, como de costuma, nos caminhos de Albert Park em Melbourne, Austrália. Até o sábado e estamos juntos!

 

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