Tragédia da Chapecoense: Em detalhes, algumas das principais catastrofes envolvendo esporte e aviação

(Reprodução)

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A tragédia da Chapecoense é a maior do mundo do futebol quando se fala em um acidente aéreo. 71 mortos, grande parte dos jogadores e delegação do time pereceram no fatídico incidente da madrugada negra e de tempo frio nas imediações de Medellin, na Colômbia. Uma notícia que tomou conta de todos os jornalísticos do dia e lotou de emoção o esporte numa terça-feira aparentemente normal. Infelizmente, é mais uma que se junta a memória triste de tragédias aéreas que abalaram o nobre esporte bretão.

Uma das mais lembradas em todos os tempos aconteceu na Itália, em 4 de maio de 1949, abalando profundamente a terra da bota. A equipe do Torino retornava de Portugal, onde havia enfrentado o Benfica num amistoso. Na aproximação com a pista do Aeroporto de Turim, o avião Fiat G.212 de propriedade da Avio Linee Italiane colidiu contra uma das paredes da Basílca de Superga. Foram 31 vítimas, sendo dentre elas 18 jogadores da equipe que seria a campeã do Calcio daquele ano e era a base da seleção azurra que disputaria a Copa de 1950, no Brasil.

Oito anos depois, foi a vez da Inglaterra sentir a mesma dor. A equipe do Manchester United retornava de Belgrado, na antiga Iugoslávia (hoje Sérvia), onde tinha enfrentado o Estrela Vermelha pela Champions League. A aeronave em que vinham – um de propriedade da British European Airways (BEA) – tentou várias vezes decolar na neve densa de Munique, na Alemanha, depois de parar para abastecer. Na última tentativa o avião caiu, vitimando 23 passageiros, sendo oito jogadores do time britânico. Entre os sobreviventes estava o super Bobby Charlton, que seria campeão mundial pela seleção inglesa na Copa de 1966.

Em 1960, a seleção de futebol olímpica da Dinamarca também sofreu um revés trágico ao perder oito de seus jogadores que se dirigiam a Roma para as olimpíadas daquele ano. O De Havilland Dragon Rapide, fretado pela federação dinamarquesa de futebol, caiu no Estreito de Oresund, entre a Dinamarca e a Suécia. Apenas o piloto sobreviveu ao acidente.

O modesto De Havilland Dragon Rapide, aeronave idêntica, transportando oito jogadores da seleção olímpica de futebol da Dinamarca caiu no Estreito de Oresund, matando a todos menos o piloto, em 1960 (Reprodução)

O modesto De Havilland Dragon Rapide, aeronave idêntica, transportando oito jogadores da seleção olímpica de futebol da Dinamarca caiu no Estreito de Oresund, matando a todos menos o piloto, em 1960 (Reprodução)

Um ano depois, outro choque, a equipe chilena do Green Cross também perdeu oito jogadores em um acidente de avião. Foi em abril de 1961 quando o Douglas DC-3 da LAN chocou-se contra a Cordilheira dos Andes quando voava entre TemucoSantiago. O time tinha um compromisso contra o Provincial Osorno pela Copa do Chile. Anos depois, o time do Green Cross fundiu-se com a equipe do Temuco e desapareceu do cenário esportivo chileno. Ainda hoje, no local da queda, podem ser encontrados restos da fuselagem do avião e até restos mortais.

Oito anos após, em setembro de 1969, a equipe boliviana do The Strongest retornava de Santa Cruz de la Sierra para La Paz quando o Douglas DC-6 do Lloyd Aéreo Boliviano desapareceu dos radares do aeroporto da capital. Apenas no dia seguinte a aeronave foi encontrada destroçada na região de Viloco e com todos os 74 passageiros mortos. Entre eles, 16 jogadores do time e membros da delegação.

Passaram-se dez anos até o registro de mais uma tragédia deste porte. Desta vez na Ucrânia, então sob o julgo da URSS. A equipe do Pakhtakor Tashkent, do Uzbequistão, voava para Minsk, na Bielorrússia, onde enfrentaria o Dinamo Minsk pelo campeonato soviético. Ao sobrevoar o território ucraniano, o Tupolev Tu-134 em que estavam chocou-se com outro Tupolev identico. Todos 178 passageiros a bordo morreram, dentre elas 14 jogadores e três membros da delegação.

Em 1987, a América Latina viveu novamente uma tragédia aérea com um time de futebol. A equipe do Alianza Lima era a líder do campeonato peruano e tinha tudo para ser campeã naquele ano. Ao voltar em voo fretado de Pucallpa com destino a Lima, aproximando-se do Aeroporto Jorge Chavez, o Fokker F27 pertencente a Marinha do Peru caiu no Oceano Pacífico, matando 43 pessoas, entre elas 16 jogadores do time.

Já em 1993, uma tragédia aerea chocou o futebol africano. A seleção da Zâmbia, em busca de uma vaga na Copa de 1994, viajava para o Senegal para uma partida das eliminatórias da CAF em Dakar, capital daquele país. Próximo a costa do Gabão um problema em um dos motores do De Havilland DHC-5D Buffalo da Força Aérea da Zâmbia fez a aeronave perder altitude rapidamente, caindo no Oceano Atlântico. Todos os 30 passageiros morreram, sendo 18 jogadores da seleção da Zâmbia. 19 anos depois, sagrando-se campeã africana pela primeira vez, os então jogadores da seleção zambiana prestaram homenagens na costa do Gabão aos colegas vitimados.

Vale constar na lista que num mesmo 29 de novembro, em 1975, a F1 também sofria uma grande perda de uma equipe do circo, que perecia junto de um de seus grandes nomes em todos os tempos. Bicampeão da categoria em 1962 (BRM) e 1968 (Lotus), o então ex-piloto britânico Graham Hill viajava com membros da equipe Embassy-Hill de Paul Ricard, França – onde testara o modelo de 1976 do team – para Londres quando enfrentou uma densa neblina e chocou-se em arvores do Clube Arkley, um campo de golfe próximo a capital britânica.

A aeronave, um Piper Aztec de matricula americana, foi consumida por completo pelas chamas, tornando difícil até mesmo a identificação dos tripulantes, que teve de ser feita por arcada dentária. Além de Graham, estavam no Piper cinco integrantes da equipe: O engenheiro, três mecânicos e o piloto britânico Tony Brise, uma das revelações do automobilismo inglês de últimos tempos.

Outra tragédia misturando equipe esportiva e aviação também merece menção nesta lista: A famosa Tragédia dos Andes ocorrida em outubro de 1972, quando o turbo-hélice Fairchild FH-227 da Força Aérea Uruguaia colidiu e caiu em um ponto remoto da Cordilheira dos Andes. A aeronave transportava um time de Rugby uruguaio – o Old Christians – para o Chile, onde jogaria uma partida contra um time local. Junto ainda estavam parentes e amigos dos jogadores.

Mais de um quarto dos 40 passageiros morreu no choque, outra parte pereceu por conta das condições climáticas e dos ferimentos e outros oito seriam vitimados por uma avalanche que atingiu o abrigo onde estavam. Os 16 restantes sobreviventes só seriam resgatados dois meses depois, em fins de dezembro daquele ano, graças a investida de dois do grupo – Fernando Parrado e Roberto Canessa – que desceram a Cordilheira em busca de ajuda. Foram encontrados por um vaqueiro chileno, que lhes tratou e informou as autoridades sobre os demais sobreviventes.

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