Chapecó, 03 de Dezembro de 2016

(Reprodução / G1)

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A cidade está cinza

O tempo está molhado, chorado, fechado, deprimido

O Desbravador chora no Centro, ao pé da Catedral, uma parte pela chuva, outra pelo que ele e aqueles que lhe cruzam no dia a dia sentiu num sábado cinzento.

Durante a semana, o que se viveu em emoções vindas do Oeste, da simpática Medellin e de todo campo de futebol que deve haver no mundo não se descreve, não se explica. Desafiei os colegas de imprensa a conseguirem fazer um relato completo e sincero das emoções que sentem e o que explica esse sentimento. Ninguém consegue. Estou aqui quase escrevendo a esmo pois este relato do que meus cristalinos captaram ainda não explica tudo. Disseram a mim durante a semana que não conseguiria escrever algo. Sim, não consegui, mas estou tentando.

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Desde as primeiras e negras horas da terça passada ainda não é possível digerir por completo um choque tremendo como este. Lágrimas vertiam em vários momentos: Na reação das famílias flechadas pela tragédia, num Atanásio Girardot recheado de colombianos irmãos de fibra e carinho por um convidado que chegou em espírito, até mesmo nas sensações de espanto e revolta quanto as conclusões do desastre. Há segredo de barrar as lágrimas e emoções? Receio que não. Provavelmente meus amigos de jornalismo vindos do oeste podem contar melhor.

Hoje, sábado de chuva e frio cortantes na alma, a simpática Chapecó chorou outra vez nesta semana tão difícil. Correram carretas frias com os ataúdes maciços em um trajeto curto, levando gente que sonhava em regressar a casa com a taça na mão e carregado sob sirenes em um caminhão dos Bombeiros. No gramado verde do ainda mais verde Índio Condá o mundo pousou os olhos com serenidade e tristeza na chegada dos jovens rapazes a sua casa. Independente se são gaúchos, cariocas, paulistas, mineiros, no fundo das suas identidades carregavam aquela frase cunhada por Horácio Nunes Pires no Hino catarinense: É cada um homem, um bravo!

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O esporte jamais tornará a ver cenas como esta, e desejamos que seja assim. Mas talvez, diante de tudo que se viu em torno de um time tão jovem e tão cativante, se veja ainda mais cenas de reverencia, de emoção e homenagens. Juca Kfouri, em comentário na ESPN, não poderia ser mais certeiro a dizer que sim, o Brasileirão deve terminar com bola em campo. Não por interesses espúrios de cartolas pútridos que mancham a imagem do colorado gaúcho, longe disso. De alguma forma, a bola deve seguir rolando, ao menos para, na recordação de Kfouri, a mãe questionada pelo filho pequeno se o time havia morrido possa responder, mesmo de olhos marejados diante da homenagem do possível encontro de Chape e Atlético-MG: Filho, a Chape não morreu.

Aqui de Blumenau, cidade-jardim e irmã de estado da querida Chapecó, fomos mais de muitos que se emocionaram. Nossa prefeitura se pintou de verde mesmo em meio dos enfeites natalinos, acordávamos ávidos pelas notícias e tentávamos entender tudo que aconteceu com aquele clube atrevido, a tal Associação Chapecoense de Futebol que era o modelo para qualquer cidade de Santa Catarina que desejava ter uma agremiação como era o verdão do oeste, até mesmo nós de Blumenau se espelhávamos. Por vezes, BEC e Metropolitano encararam e vão encarar a Chape, com olhos bem diferentes de antes.

(Reprodução / RBS)

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E os homens da notícia que perdemos? Ainda mais moços do mundo esportivo que choram com finais emocionantes, exaltam os grandes esportistas e vivem sonhos todo o dia perto de ídolos, de lugares históricos e de momentos únicos. Os colegas que se foram, mesmo tão distante de relações profissionais e pessoais, nos tocam profundamente. Eram gente como a gente, que também escreve, narra, grava e informa, contavam quase que em cima da mesa lances emocionantes e, hoje, são estrelas, motivadores a mim para não desistir de forma alguma deste mundo chamado jornalismo, por mais percausos que tenha-se.

Enfim… Façamos uma prece por Chapecó e seus jovens. A noite virá, a vida vai seguir, a bola vai (e deve) voltar a rolar por reverencia e a Chapecoense, como as tantas fênix de todos os dias, vai ressurgir! Voltará com o tino e força de um genuíno catarinense, que não se entrega a adversidade e vai a luta. A terra de Condá vai adormecer, esperar, lembrar, as vezes chorar (que é preciso), celebrar um Natal sereno, refletir e lembrar com reverencia.

(Reprodução / G1)

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A grama verde da casa do cacique nunca foi tão significativa para aquilo que temos do futuro: Esperança… de dias melhores, de gols alegres, de ver a Chape de volta, feliz e reverente aos que lhe fizeram forte, hoje e sempre.

Um comentário sobre “Chapecó, 03 de Dezembro de 2016

  1. André
    Mais uma bela homenagem que fica registrado a esse povo de nossa querida Chapecó, seus guerreiros jogadores, jornalistas, diretores e todos desportistas.
    #CHAPE Amigos para sempre, o novo time de todas as torcidas.
    28 de novembro/2017
    Esse dia jamais será esquecido na história do futebol mundial e em especial de Santa Catarina – Brasil.

    As vitimas de toda essa tragédia merecem todo nosso respeito. Jogadores, dirigentes, repórteres,
    O “Campeão voltou” sim foram campeões do Estado de Santa e Sul americano.
    Foram nossos ídolos, guerreiros. Três deles passaram pelo nosso #C.A. Metropolitano , o Thiaguinho, Bruno Rangel e Neto (que resistiu a queda.
    Assisti um dia aqui na Associação Artex (jogadores do Amazonas) a Associação Chapecoense derrotar a equipe da Artex por 1×0 , gol de André Cambalhota.
    Que todos vão em paz e tenham seu acalento junto a moradia no reino de DEUS.
    Nossa gratidão e sentimentos a todos familiares
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

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