Gramming & Marbles: (5X5) Os mais feios F1 de sempre

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(André Bonomini & Douglas Sardo)

Como dissera em janeiro do ano passado, a F1 produziu ate hoje mais de 600 bólidos de corrida, alguns verdadeiros campeões (se não de vitórias e títulos, ao menos de beleza) mas outros verdadeiros shows de horrores, independente se vencedores ou não. Os grids da categoria já viram de tudo em 67 anos de disputas do mundial, e como na vida, o feio também faz parte da vida dos projetistas.

Tentando matar a saudade da F1 (que só começa em março, na Austrália), fomos as recordações e, em contraposição a lista dos mais belos de sempre postada no início do ano passado, retornamos as listas (e as crônicas em breve) com a eleição infame dos 10 mais feios carros que já alinharam (ou não, acredite) na história da categoria. Tem de tudo, de corcunda de notre-dame a campeão mundial recheado de aletas, de periscópios a grelhas de hambúrguer, um show de horrores que deveria mesmo ser publicado no Halloween.

Enfim, não somos de perder tempo, então comecemos a listagem, meio com os olhos entreabertos de medo, começando por Douglas Sardo e seus eleitos. A quem interessar, este post contém imagens fortes de carros mal desenhados, recomenda-se cautela.


Por Douglas Sardo:

5 – McLaren-Mercedes MP-4/23 (2008)

Reza a lenda que existe um carro de Formula Um no meio de todos esses penduricalhos aerodinâmicos (Reprodução)

Reza a lenda que existe um carro de F1 no meio de todos esses penduricalhos aerodinâmicos (Reprodução)

Projeto: Paddy Lowe e Tim Goss
Motor: Mercedes FO 108V 2.4 V8
Temporada: 2008
Pilotos: Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen
Resultados: 1 título mundial de pilotos (2008), 6 vitórias, 13 pódios, 8 poles, 3 voltas mais rápidas, 151 pontos.

Se essa lista fosse os carros campeões mais feios da história, certamente esse carro estaria em primeiro lugar nessa parada. Esse MP-4/23 era feio demais! Até podemos dar um desconto porque foi uma época em que todo mundo estava carregando demais nos apêndices aerodinâmicos. Em verdade, em verdade, 2008 foi um ano onde os carros se escondiam atrás destes apêndices, e quando não eram eles eram as estranhas tampas de motor em forma de bigorna (ou a lá Acme)

Mas o resultado deste filho de Woking foi lamentável aqui. A asa dianteira é horrorosa, com uma peça passando por cima do bico. Visto de cima, ficam evidentes os exageros aerodinâmicos da época. Dá pra ficar perdido no meio de tantos penduricalhos. Combine isso tudo com essa pintura que o Galvão gostava de chamar de futurista e temos um verdadeiro alienígena das pistas, no pior sentido.

Salvar o fato de que foi ele o responsável por levar Lewis Hamilton ao seu primeiro título na F1 na decisão alucinante no Brasil… Bom, nem tanto, era doido mesmo.


4 – March-Ford 711 (1971/1972)

Peterson pedindo um ferro pra passar umas roupas no March em Monaco. (Reprodução)

Peterson pedindo um ferro pra passar umas roupas no March em Monaco. (Reprodução)

Projeto: Robin Herd e Geoff Ferris
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporada: 1971 e 1972
Pilotos: Ronnie Peterson, Andrea de Adamich, Alex Soler-Roig, Henri Pescarolo, Nanni Galli, Skip Barber, Mike Beuttler, Niki Lauda, José Carlos Pace, Ray Allen.
Resultados: Quatro segundos lugares (Mônaco, Inglaterra, Itália e Canadá, todos em 1971).

Meu quarto lugar é um velho conhecido dos fãs de F1. Justamente por ter feito bastante sucesso nas mãos de Ronnie Peterson. O March 711, ou tábua de passar roupa (ou lamina, como queiram definir) foi o carro onde o Super Swede foi revelado para o mundo das corridas, fazendo bela campanha que lhe garantiu o vice-campeonato de 1971. E ainda, sem a tal tabua a frente, esteve com Peterson na chegada homérica do GP da Itália daquele ano, chegando em segundo lugar, colado em Peter Gethin e sua BRM, os vencedores.

Este carro ainda seria aproveitado por Frank Williams durante a temporada de 1972, para o uso da sua equipe de garagem. Nele, estavam o italiano barba-negra Henri Pescarolo e um brasileiro que estreava na F1: José Carlos Pace, que estrearia com o bólido apenas no GP da Espanha. Depois daquela corrida, tio Frank mudaria o desenho do bico dianteiro, tornando-o um pouco mais elegante que a prancha de surf que ia a frente. A equipe oficial, no entanto, já utilizava o 721 com Ronnie Peterson e, mais a frente, com um certo estreante austríaco chamado Niki Lauda.

Jose Carlos Pace, o Moco, com a sua tabua de passar roupa em Jarama, 1972. Era o March particular de Frank Williams e a estreia do brasileiro na categoria (Reprodução)

Jose Carlos Pace, o Moco, com a sua tabua de passar roupa em Jarama, 1972. Era o March particular de Frank Williams e a estreia do brasileiro na categoria (Reprodução)

Pena que foi com um carro tão feio. A asa dianteira é um show a parte, realmente dava pra passar umas peças ali. Mas o que era essa frente do carro, que lembra a forma daquelas formigas da embaúva? Feio que dói! Fora que ás vezes eles usavam uma tomada de ar atrás do piloto que era bizarra. Um ótimo exemplo do pior dos anos 1970.


3 – Toleman-Hart TG183B (1983/1984)

Warwick e seu aerofólio, digo, Toleman TG183B. Se ao menos era feio, as cores angariam bons patrocínios, como a fiel Candy, presente no time desde a estreia, em 1981. (Reprodução)

Warwick e seu aerofólio, digo, Toleman TG183B. Se ao menos era feio, as cores angariam bons patrocínios, como a fiel Candy, presente no time desde a estreia, em 1981. (Reprodução)

Projeto: Rory Byrne
Motor: Hart 415T L4 V6 turbo
Temporada: 1983 e 1984
Pilotos: Derek Warwick, Bruno Giacomelli, Ayrton Senna, Johnny Cecotto
Resultados: 2 quartos lugares (Holanda e na África do Sul em 1983)

Ayrton Senna teve em mãos muitos carros bonitos, como os Lotus 97/98T e a McLaren MP4-8. Porém sua porta de entrada na F1 foi um dos carros mais feios de todos os tempos. O Toleman TG183 foi desenvolvido no final da temporada de 1982, inclusive fez sua estréia nos dois últimos GPs daquele ano. O quadradão que, ou parecia um aerofólio ambulante ou um carro feito naqueles esquemas de dobradura.

Já em sua estréia, o carro se destacava facilmente por ser um carro feio numa época em que se faziam carros tão bonitos. Mas a coisa iria piorar com o ano de 1983. A Toleman deu um upgrade de feiura no carro com a versão B. Os caras enfiaram uma asa dianteira horrenda no carro, parecia uma espécie de tomada gigante. Não bastasse isso, o carro reunia o que havia de pior naquele ano de 1983 em termos de formato do carro, graças ao fim do conceito do carro-asa.

Entre tantos bólidos belos, Ayrton Senna teve seu patinho feio, justo o carro de estreia na categoria pela Toleman (Reprodução)

Entre tantos bólidos belos, Ayrton Senna teve seu patinho feio, justo o carro de estreia na categoria pela Toleman em 1984 (Reprodução)

Para coroar tudo com chave-de-ouro, a Toleman decidiu revolucionar. Pro mal é claro. Usando um inovador sistema de duas asas traseiras, quase metade do carro era aerofólio mesmo. Nãos bastasse a feiura daquele trambolho traseiro, ele ainda tornava o carro desproporcional. Pra fechar o pacote, a pintura era feia também, com esse azulão com detalhes em vermelho.

No entanto, acredite, ao menos a combinação de cores garantiu por mais um ano uma verbinha decente com o patrocínio da marca britânica de eletrodomésticos Candy, que estava junto do team desde a estreia, em 1981.


2 – Ensign-Ford N179 (1979)

Chapa de hambúrger, escadaria, cachoeira artificial... Chame como quiser. Com vocês, o aberrante Ensign N179 (Reprodução)

Chapa de hambúrguer, escadaria, cachoeira artificial… Chame como quiser. Com vocês, o aberrante Ensign N179 e seu genial radiador dianteiro (Reprodução)

Projeto: Shabab Ahmed e David Baldwin
Motor; Ford-Cosworth DFV V8
Temporada: 1979
Pilotos: Dereck Daly, Marc Surer e Patrick Gallard
Melhor Resultado: 8º lugar (GP da Áustria)

Você conhece aquelas chapas para hambúrguer das lanchonetes, ou mesmo aquelas cachoeiras artificiais para colocar dentro ou fora de casa de granfinos. Pois então, pegue estas duas visões e olhe para a seção frontal do primeiro projeto do Ensign N179, a tragédia criada pelo paquistanês Shabad Ahmed, o tal XisXis que desenhara o F5 para a Copersucar-Fittipaldi em 1977, com a assistência de outro ex-Copersucar, David Baldwin. Claro! Está feita a fórmula para o desastre.

Desde 1977 correndo com o arcaico N177 (com o qual Nelson Piquet estreara em 1978 na Alemanha), a equipe de Morris Nunn precisava trocar de ares. Para isso, contou com uma ideia geniosa (ou um surto psicótico) do paquistanês, que pensou em revolucionar a forma de refrigerar o Ford-Cosworth que impulsionava o carro. XisXis colocou todo o sistema de refrigeração – radiador e por ai vai – para o castelo, a região do bico do carro a frente do cockpit. Era uma forma de aliviar o peso da lateral do carro, para contribuir com o efeito-solo. Revolucionário? Nem nos sonhos mais loucos!

O resultado não podia ser pior, ou ainda conseguia ser pior que o Fittipaldi F6. Derek Daly, recém-vindo da falida Hesketh, tentou se classificar com a geringonça para o GP inaugural de 1979, na África do Sul. Obviamente não conseguiu e a invenção provou-se totalmente ineficiente. Na corrida seguinte, em Long Beach, a escadaria (ou como queiram chamar…) saiu de cena e o N179 ganhou um desenho mais convencional, mas nada que evitasse a concepção do que muitos consideram o F1 mais feio de todos os tempos.

Estar em segundo em minha lista ainda é premio de consolação e olhe lá!


1 – Eifelland (March)-Ford E21 (1972)

Toda a feiura do Eifelland em Clemont-Ferrand, 1972. Taco de golfe, prancha de surfe, um verdadeiro "multi-esportivo". Nem mesmo as fotos salvam esta joça (Reprodução)

Toda a feiura do Eifelland em Clemont-Ferrand, 1972. Taco de golfe, prancha de surfe, um verdadeiro “multi-esportivo”. Nem mesmo as fotos salvam esta joça (Reprodução)

Projeto: Luigi Colani
Motor: Ford-Cosworth DFV V8
Temporada: 1972
Piloto: Rolf Stommelen (foi o único que andou com essa aberração por aí)
Melhor resultado: Dois 10º lugares (Mônaco e Brands Hatch)

Meu campeão não poderia ser outro. Baseado em outro bonitão do grid do início dos anos 70, o March 721, ou melhor, Eiffeland-March E21 é sem dúvidas uma das maiores bizarrices que já apareceram na F1 em todos os tempos. A Eifelland era uma fabricante alemã de motorhomes e trailers, e deveria ter continuado apenas nesse ramo, viu!? O desenho não poderia ter sido criado por outra mente mais extravagante de que a do alemão Luigi Colani, conhecido por suas formas futuristas cheias de linhas arredondadas e, por vezes, extravagantes.

Felizmente eles fizeram apenas um carro de F1, mas também quando fizeram, enfiaram o pé na jaca literalmente. O piloto parece que está dentro de uma prancha de surfe, um negócio horrendo. A asa dianteira também lembra o pior das retroescavadeiras que surgiram na década de 70. E pra cagar tudo de vez, tem um taco de golfe em forma de retrovisor que fica bem na frente do piloto. Pobre Stommelen, que nunca teve vida fácil na categoria e começara da pior forma!

E acredite, no início de 1972, ele chegou a usar o bico-tabua de passar roupa da antiga March de 1971, o que seria a conjunção máxima da feiura em si. Tirem as crianças da sala! É recomendável ao ver esta aberração.


Por André Luiz Bonomini:

5 – Ligier-Matra JS5 (1976)

O primeiro do time de Vichy não era uma obra digna de Louvre, mas um legítimo Corcunda de Notre-Dame. Ao menos, bons resultados em 1976 para o Ligier JS5 (Reprodução)

O primeiro do time de Vichy não era uma obra digna de Louvre, mas um legítimo Corcunda de Notre-Dame. Ao menos, bons resultados em 1976 para o Ligier JS5 (Reprodução)

Projeto: Gérard Ducarouge e Michel Beaujon
Motor: Matra MS73 (V12)
Temporada: 1976
Piloto: Jacques Laffite
Melhor Resultado: 2º lugar (Austria, 1976)

Ele ficou elegante durante a temporada de 1976, a primeira da equipe de Vichy na F1. Mas, no nascimento, era um tremendo patinho feio com a corcova que lhe deu os malfadados apelidos de Corcunda de Notre-Dame e Carro-Bule. Depois de anos como construtor no Mundial de Esporte-Protótipos, Guy Ligier resolveu enfrentar o desafio da F1, tendo como parceira a mitológica Matra, que lhe cederia os motores. Como piloto, o ainda novato Jacques Laffite, que já tinha feito incursões na categoria pela Williams, em 1975, quase conseguindo um segundo lugar que seria antológico para o ainda pobretão Tio Frank no GP da Alemanha daquele ano.

A temporada de estreia até foi interessante para a Ligier, com três pódios – sendo o melhor na Áustria, com um 2º lugar – e 20 pontos no total. No entanto, o desenho inusitado do periscópio foi o ponto desfavorável do carro nas primeiras três provas do campeonato. Dava-lhe um aspecto pesado, indigesto e de trambolho. Mas, diferente de outros patinhos-feios desta lista, o JS5 salvou-se da ridicularização eterna após o GP da Espanha. Na prova de Jarama entrou em vigor a normativa que bania os periscópios de ar dos bólidos.

O novo desenho deixou o carro mais elegante e leve. Mas a beleza não fez a história, o corcunda foi o que ficou mesmo.


4 – Coloni-Subaru C3B (1990)

O F-Indy da F1. Apesar de comportado, o Coloni C3B era pesadão e arcaico, especialmente com o engenho-problema da Subaru no cofre. 16 provas, 16 não-qualificações em 1990 (Reprodução)

O F-Indy da F1. Apesar de comportado, o Coloni C3B era pesadão e arcaico, especialmente com o engenho-problema da Subaru no cofre. 16 provas, 16 não-qualificações em 1990 (Reprodução)

Projeto: Christian Vanderpleyn
Motor: Subaru/Motori Moderni 1235 (V12)
Temporada: 1990
Piloto: Bertrand Gachot
Melhor resultado: Nunca se classificou para uma largada

Na F1, a receita para o desastre é simples e não tem erro. Pegue um motor sofrível, um piloto inexperiente e um carro de design duvidoso e ultrapassado. O resultado? Nada menos do que um dos piores desempenhos entre equipes na história da F1. Esta foi a temporada da pequeníssima Coloni em 1990, quando deu as mãos a bomba que foi o motor Subaru V12 preparado e construído por Carlo Chitti na Motori Moderni. Foram 16 etapas em 1990 e 16 participações da Coloni que não passaram da pré-qualificação. Uma estatística vergonhosa.

O sonho de Enzo Coloni era transformar a pequena equipe numa promissora McLaren dos pobres, adotando um propulsor de chancela japonesa para o carro que teria naquele ano. No entanto, Enzo não se inteirou das notícias perto de casa, que davam conta que, um ano antes, a Minardi testou o mesmo motor e, decepcionada com as sequentes quebras, pulou fora do projeto e adotou o comum Ford V8. Coloni não deu ouvidos e, junto do trágico engenho, pediu a Christian Vanderpleyn uma revisão do modelo C3, que era elegante e até bonito na pintura de 1989, mas que foi transformado em um carro de F-Indy com o novo desenho.

Tragédia escrita, uma eliminação precoce atrás da outra nas pré-qualificações, o que minou o nome de Bertrand Gachot, que era um piloto prestativo que fazia o possível para levar o carro em alguma largada. Antes do fim da temporada, sem a presença da Eurobrun, a Coloni pode, ao menos, participar dos treinos do sábado, repetindo o desempenho pífio. No frigir dos ovos, o velho C3 de 1989 (rebatizado de C3C) retornou, mas o estrago do carro pesadão e ultrapassado já tinha sido feito.


3 – Brabham-Judd BT60B (1992)

Era bonito, virou um travesti multicolorido a muito mal gosto. Agruras de Damon Hill no ano derradeiro da Brabham (Rainer W. Schlegelmilch / Getty Images)

Era bonito, virou um travesti multicolorido a muito mal gosto. Agruras de Damon Hill no ano derradeiro da Brabham (Rainer W. Schlegelmilch / Getty Images)

Projeto: Sergio Rinland e Tim Densham
Motor: Judd GV (V10)
Temporada: 1992
Pilotos: Eric Van der Poele, Giovana Amati, Damon Hill
Melhor resultado: 10º lugar (Bélgica, 1992)

O ano de 1992 marcava de forma melancólica o fim da passagem da Brabham pela F1. Atolada em dívidas, sem patrocinadores fortes e com um carro antiquado, a equipe fundada por Jack Brabham e Ron Tauranac nos anos 60 dava os últimos suspiros prova a prova. Até que com uma certa beleza do carro, pelo menos até a metade da temporada, quando trocou o azul marinho e branco por uma horrível combinação de azuis e rosa. Foi mesmo a pá de cal na sepultura de um dos nomes mais tradicionais da categoria.

O BT60B tem lá sua história antes de ser um patinho feio. Foi ele o último F1 a ver uma mulher no volante em provas oficiais. A italiana Giovana Amati, que tinha mais jeito de modelo do que piloto, foi a luta nas três primeiras provas de 1992, falhando na classificação de todas. Sem crédito, deixou o lugar para o jovem Damon Hill, que se bateu com o caquético Judd V10. Mas, acredite, do alto das dificuldades do time de Chessington, a equipe ainda consegui emprestar motores naquele ano, para a famigerada Andrea Moda, no GP do Canadá.

A frente do time, o belga Eric Van der Poele conseguiu a melhor classificação com o pesadelo cor-de-rosa, um 10º lugar chorado na própria casa, na Bélgica. Fim de festa para a Brabham em Portugal e quem saiu feliz foi Hill, que começaria a escrever em 1993 a história maior da carreira na insuperável Williams.


2 – BAR-Supertec 01 (1999)

A arte de juntar dois carros num só. Sem poder pintar os bólidos com cores diferentes (como na Indy), a BAR apelou para a mescla. O resultado, uma verdadeira tragédia em matéria de livery, talvez a pior da história da F1 (Reprodução)

A arte de juntar dois carros num só. Sem poder pintar os bólidos com cores diferentes (como na Indy), a BAR apelou para a mescla. O resultado, uma verdadeira tragédia em matéria de livery, talvez a pior da história da F1 (Reprodução)

Projeto: Adrian Reynard, Malcom Oastler e Willem Toet
Motor: Supertec (Renault) FB01 (V10)
Temporada: 1999
Pilotos: Jacques Villeneuve, Ricardo Zonta e Mika Salo
Melhor resultado: 7º lugar (San Marino e Itália, 1999)

A ideia primeira eram dois patrocinadores tabagistas diferentes, o que deixava as pinturas dos carros belas por sinal. A FIA não aprovou o argumento e, na última hora, o jeito foi fechar o ziper. O resultado? A pintura mais horrenda e estranha da F1 na história. Este foi apenas uma das desgraças em que se envolveu a British American Racing (BAR para a Globo, por causa dos cigarros) na primeira temporada da história, a de 1999, em que sucedeu a tradicional Tyrrell sem nenhuma lembrança dos louros da antecessora inglesa.

A trapizonga com a pintura do carro, emendando as duas ideias de pintura para o bólido, talvez tenha sido a coisa mais marcante da equipe naquela temporada. Desenvolvido pela Reynard e impulsionado pelo recauchutado Renault, agora rebatizado de Supertec, o modelo colecionou mais abandonos do que provas completas.

Para melhor compreensão, era para ser assim. Muito mais bonito por sinal. Mas a FIA vetou, e para contornar o veto foi preciso juntar dois em um... e da pior forma Reprodução)

Para melhor compreensão, era para ser assim. Muito mais bonito por sinal. Mas a FIA vetou, e para contornar o veto foi preciso juntar dois em um… e da pior forma Reprodução)

Os melhores resultados foram conquistados por Mika Salo (San Marino, substituindo Ricardo Zonta) e Jacques Villeneuve (Itália), ambos batendo na trave dos pontos (7º). Para completar, na Bélgica, ambos os chassis da BAR foram arrebentados em dois acidentes espetaculares na Eau Rouge:

Em 2000, a Honda comprou a ideia de voltar a F1 com fábrica própria, em um carro mais bonito e pintado com um convencional branco. Para uma temporada de estreia e com toda a pompa que prometia, a BAR foi um fiasco, a começar pelo horrendo carro.


1 – AGS-Ford JH22 (1987)

A periscópio de Fabre. Bólido de 1987 da AGS era pesadão, mal desenhado e com todos os ingredientes lado C que podiam haver, mas ao menos saiu de 1987 com um ponto. Reprodução)

O periscópio de Fabre. Bólido de 1987 da AGS era pesadão, mal desenhado e com todos os ingredientes lado C que podiam haver, mas ao menos saiu de 1987 com um ponto. E era tudo que a curta grana de Henri Julien podia dar (Reprodução)

Projeto: Christian Vanderpleyn (outra vez?) e Michel Costa
Motor: Ford Cosworth DFZ (V8 aspirado)
Temporada: 1987
Pilotos: Pascal Fabre, Roberto Moreno e Phillipe Streiff
Melhor resultado: 6º lugar (Austrália)

Imagine você que o Renault RE40, um quase campeão da temporada de 1983, ainda estava na pista travestido de um legítimo Frankenstein de fundo de quintal. Este era o AGS JH22, o segundo carro da pequeníssima equipe de Gonfaron, propriedade do batalhador Henri Julien. Estreando nas últimas provas de 1986, o bólido era um chassi da Régie de três anos atrás remodelado a martelo, equipado com o anacrônico Motori Moderni de Carlo Chitti e tendo o ainda jovem Ivan Capelli na boleia. Era igualmente feio e pífio, como era de se esperar.

Em 1987, a equipe deu apenas um verdadeiro tapa na peruca e remodelou o bólido, contando com os poucos trocados do orçamento que tinha. O resultado não podia ser outro, não bastasse as linhas de aparencia pesada do carro, o AGS ainda carregava um ridículo periscópio como entrada de ar no cofre do motor, talvez se preparando para alguma ponta num futuro filme do livro 20 mil Léguas Submarinas.

Já com a pintura de barbearia e sem o horrendo periscópio, Moreno operou um milagre como na maioria das vezes na carreira) e levou o AGS a um ponto na Austrália. Feriado municipal em Gonfaron

Já com a pintura de barbearia e sem o horrendo periscópio, Moreno operou um milagre (como na maioria das vezes na carreira) e levou o AGS a um ponto na Austrália. Feriado municipal em Gonfaron (Reprodução)

Se este carro tinha alguma coisa de bom era o fato de ser equipado com um fracote, mais muito mais fiável, motor Ford DFZ. Nem mesmo o piloto salvou a desgraça, Pascal Fabre é considerado um dos mais lentos de toda a história da F1 e era o legítimo retardatário eficiente. Coisas de uma equipe com pouco orçamento e com um staff de um pouco mais de seis pessoas.

Mais, acredite se quiser, o monstrengo pontuou. Sem o trambolho no cofre do motor, o carro passou de mãos no México para Roberto Moreno, que ainda disputava a F3000 e retornava a F1 depois de uma malfadada participação no GP da Holanda de 1982, pela Lotus. E contando com uma enxurrada de abandonos e uma persistência incomum, o baixo fez o milagre de somar um pontinho a AGS na Austrália. O ponto permitiu ao tio Julien desenvolver um carro melhor (e mais bonitinho) para 1988, mas não garantiu banco na equipe para Moreno, que regressou ao vestibular por mais um ano.

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2 comentários sobre “Gramming & Marbles: (5X5) Os mais feios F1 de sempre

  1. Assim não!
    A lista do André está considerando a pintura e o desempenho. Carro feio de verdade é feio com qualquer pintura ou desempenho. Além disso, qualquer carro pilotado pelo Roberto Pupo Moreno fica bonito! Cadê as Ferraris? Faltaram as Ferrari F2012 (2012) e a F14 T (2014), para ficar só em duas recentes. E a Williams (aparelho de barbear) FW26 (2004), Tyrrel 025 (orelhuda) (1997) ou a Arrows (varal de roupa) A22 (2001)?

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    • A lista é basesada segundo a opinião do colunista, independente do desempenho ou não. Alias, se fossemos passar por grids inteiros, como em 2012, teríamos de dar menção honrosa para o grid todo. Mas aceita a sugestão.

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