Eleições: Uma História contada em “santinhos”

Parecem insignificantes, mas com o passar do tempo registra histórias de eleições passadas, de outros tempos da política na cidade, estado e no país. Eis os santinhos eleitorais, que depois da função de pedir votos viram pequenos registros de histórias Arquivo A BOINA)

Parecem insignificantes, mas com o passar do tempo registra histórias de eleições passadas, de outros tempos da política na cidade, estado e no país. Eis os santinhos eleitorais, que depois da função de pedir votos viram pequenos registros de histórias (Arquivo A BOINA)

Eles existem desde os primórdios das eleições, numa variedade de tamanhos e formatos. A única função deles é, pura e simplesmente, lembrar que quem está impresso neles pede seu voto, muito embora acabem por vezes nas calçadas e lixeiras das cidades. Em tempo eleitoral eles nunca faltam, são a principal arma do candidato em busca da simpatia do eleitor, decidido ou não. Se você nunca viu ou recebeu um santinho em tempo de eleições, você praticamente não vive no Brasil, pois de tão presente ele já é peça clássica nos pleitos nacionais há tempos.

Surgido das representações religiosas na Europa do século XV, os santinhos eram, como o nome diz, pequenas figurinhas de divulgação dos santos e doutores da igreja católica junto aos fieis. Países como Bélgica, Alemanha, Itália e França eram os maiores fabricantes destas papeletas no passado, retratando de mártires até passagens da bíblia dentro deles. Nos dias atuais, é claro, não é difícil os encontrar nas livrarias religiosas, em igrejas católicas ou em qualquer outro lugar onde a presença em imagem de um santo é pedida.

Um santinho de Santo Expedito, o famoso santo das causas urgentes, um dos mais corriqueiros pelas casas de fieis no Brasil. A origem do santinho eleitoral é recente e descende dos pequenos amuletos católicos (Reprodução)

Um santinho de Santo Expedito, o famoso santo das causas urgentes, um dos mais corriqueiros pelas casas de fieis no Brasil. A origem do santinho eleitoral é recente e descende dos pequenos amuletos católicos (Reprodução)

De tão corriqueiros na mão de muitos brasileiros, além de simples e direto, os santinhos passaram das mãos da igreja para as mãos políticas como instrumento direto para o candidato a qualquer cargo pedir o voto de confiança. E em períodos eleitorais eles estão em todo lugar e nem sempre apenas nas mãos dos candidatos. Eles pipocam em comércios, nas mãos dos cabos eleitorais, sendo entregues em malas diretas, uma verdadeira avalanche que, infelizmente em muitas cidades brasileiras (Blumenau é uma das felizes exceções), é demonstrada nas calçadas em frente as zonas eleitorais no último apelo ao voto dos indecisos.

No entanto, muito além daquele material xarope, chato e desnecessário que muita gente pensa ser, o santinho eleitoral evoluiu e, juntando materiais de campanha de outros tempos, acabou por virar uma espécie de registro histórico de um pleito passado. De vultos da memória política de uma determinada parte do país a pessoas ou autoridades que, hoje, ainda figuram em cargos de alto posto ou desapareceram sem deixar vestígio. Isto sem contar as antigas legendas e alianças partidárias, a evolução do design, os textos (que não mudaram muita coisa de lá para cá, especialmente quando se fala em “promessas”) e tantos outros elementos que, acredite se quiser ou não, causam nostalgia e lembrança muito mais do que repulsa.

Numa das tantas conversas deste jornalista com o historiador, mentor e amigo d’A BOINA Adalberto Day, me chegou as mãos uma preciosidade: Guardados em uma bolsa simples mas muito bem cuidados, Beto juntou uma pequena – porém significativa – coleção de santinhos e materiais eleitorais de várias épocas das eleições municipais, estaduais e federais. Olhando por cima, são mais de 500, retratando os pleitos de 1982 até hoje em todas as esferas do poder. Na troca de figurinhas que virou aquela tarde histórias não faltaram, vindas de nomes atuais que se lançavam a candidatura naqueles idos a vultos que, ou sumiram, ou morreram ou ainda estão na ativa.

Uma bolsa simples e mais de 500 santinhos e materiais diversos de campanha. A pequena coleção de Adalberto Day que, agora, está sob os cuidados de A BOINA Arquivo A BOINA)

Uma bolsa simples e mais de 500 santinhos e materiais diversos de campanha. A pequena coleção de Adalberto Day que, agora, está sob os cuidados de A BOINA Arquivo A BOINA)

E para provar que um mero santinho eleitoral pode trazer lembranças de toda a natureza, A BOINA resolveu fuçar a coleção e trazer aos amigos alguns destes tantos recortes de pleitos passados em Blumenau, Santa Catarina e presidenciais. São 92 deles selecionados da coleção inteira e que aqui estão expostos, ficando a vontade para serem salvos e usados em documentos históricos por quem aqui contemplar este material raro para muita gente.

Vale lembrar, claro, que este registro é meramente para preservação e mostra de conteúdo histórico, portanto sem comentários, ofensas ou algo desta natureza para com as pessoas retratadas aqui. Também é bom lembrar que a coleção é grande e muitos podem ter ficado de fora. Quem sentiu falta de alguém ou quer colaborar com algum santinho antigo fique a vontade para participar, seja nos comentários do Facebook do blog, no email (blogaboina@gmail.com) ou nos comentários aqui mesmo.

Então, sentemos na cadeira e vamos voltar no período. No período eleitoral do passado:

Presidenciais (clique para ampliar):


Estadual (clique para ampliar):


Municipal (clique para ampliar):

E para quem quer rir um pouco, aqui tem uma listinha com os 18 piores santinhos que você já viu. O registro é das eleições de 2014 feito pelo Liberzone. Divirta-se!

Um comentário sobre “Eleições: Uma História contada em “santinhos”

  1. André,
    Um texto muito bom de ler e apreciar “santinhos” de personagens de nossa comunidade. Alguns com muito sucesso e bons trabalhos junto a comunidade. Fico grato por fazer esta postagens dos santinhos que te deixo aos teus cuidados e conservação. Quero ressaltar que esta é uma bela coleção, mas como te disse quando te doei, que eu guardava desde por volta de 1961. Acredito que possuía mais de 2 mil. Os mais antigos acabei fazendo doação para um jornalista, lá pelo ano de 2001.
    Como você cita em seu agradável texto, apenas para recordar sem qualquer envolvimento politico ou partidário. Todos merecem nosso respeito e tem o seu valor.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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