Piracicabana veio e quer ficar: Abertos os envelopes da licitação do transporte coletivo

Chegam os envelopes. A Piracicabana, atual operadora do sistema emergencial do transporte coletivo, foi a única a apresentar proposta para a operação definitiva na cidade. Um ato que abre margem para interpretações variadas, mas que é preciso calma e raciocínio para não se tirar conclusões precipitadas (Michele Lamin / Secom PMB)

(Vídeo: Secom / Prefeitura de Blumenau) 

Quem tiver memória fresca – e nesse caso terá sem dúvida – vai recordar que há um ano e uma semana atrás o Consórcio SIGA desaparecia das ruas de Blumenau. Era o fim do contrato de concessão do transporte coletivo que, por tabela, limava dos terminais e pontos de ônibus as três empresas tradicionais do serviço na cidade (Glória, Rodovel e Verde Vale), bem como as incertezas sobre greves mensais, atrasos de pagamentos e problemas de funcionamento e qualidade.

Numa solução emergencial, pousava na cidade a Viação Piracicabana, empresa do Grupo Comporte e que chegava para assumir a missão árdua de tocar adiante o vai-e-vem de milhares de blumenauenses dependentes dos coletivos. Foram semanas de sufoco com a adaptação, horários reduzidos, ônibus quebrando e lotações sem precedentes, até que com o ajuste da frota e a manutenção quase constante a empresa paulista entrou nos eixos. E tem sido assim por um ano, entre críticas ferozes e esperanças de dias melhores.

O tempo passou, os turbilhões e revoltas continuam em tempos de serviço emergencial que, apesar dos pesares, tem segurado a marimba no dia-a-dia da cidade. No entanto, todo mundo sabia que, em algum momento, uma nova empresa precisava chegar para assumir o trabalho permanentemente, dentro do que a prefeitura pedia e o passageiro exigia. Edital montado, revisto e lançado, espera de concorrentes e, chegando ao aguardado 30 de janeiro de 2017 – prazo final do envio de propostas por parte das empresas interessadas – eis que temos a que, possivelmente, assumirá os trabalhos: A Viação Piracicabana.

Veja como foi a abertura dos envelopes (ou, do envelope):

Para muitos, soa como uma brincadeira de antes de 1º de abril, mas não o é. O anuncio da única empresa a apresentar proposta na licitação para o transporte coletivo aconteceu nesta última segunda-feira (30/01) no suntuoso Salão Nobre da Prefeitura, data que assinalou também o prazo final para o envio de propostas. Faltando poucos minutos para o fim do período (14h), o envelope da empresa paulista pousou nas mãos da administração do edital. Era o único e nada mais, e o anuncio soou como surpresa para poucos e com uma certa certeza para outros.

É claro que a proposta da Piracicabana, bem como a conformidade com os requisitos exigidos, ainda precisa ser analisada pela Comissão Especial de Estudos e Projetos do Transporte Coletivo (CEEPTC). Ainda cabem recursos por parte de outras empresas (se haver, claro) e outras reuniões deverão ser feitas, o que deve levar ainda 30 dias para a confirmação do nome da empresa que tomará as rédeas dos coletivos na cidade. No entanto, tem quem já torça o nariz e jogue interpretações distorcidas, talvez revoltadas ou sem conhecimento ou calma para opinar neste momento.

A chegada da Piracicabana foi, exatamente, há um ano e uma semana. Uma vinda complicada, a conta-gotas, com percausos no caminho, mas que aos poucos foi se ajustando a horários e cotidiano, mesmo ainda devendo algo no serviço emergencial Jaime Batista)

A chegada da Piracicabana foi, exatamente, há um ano e uma semana. Uma vinda complicada, a conta-gotas, com percausos no caminho, mas que aos poucos foi se ajustando a horários e cotidiano, mesmo ainda devendo algo no serviço emergencial (Jaime Batista)

Não é brincar com a inteligencia de quem lê, apenas é preciso parar para respirar e pensar no que virá no que a Piracicabana tem que se atentar se quiser verdadeiramente tomar conta do transporte nosso de cada dia: Primeiro, que a frota emergencial que ai está, confirmada a permanência, não será esta. A empresa terá 90 dias a partir da data de aceite para iniciar os trabalhos, e terá que ter na largada pelo menos 100 ônibus novos dos 240 (20 reservas) pedidos. O restante da frota deve ter no máximo oito anos de idade e deve ser renovado em até três anos.

Outro ponto que incomoda é a tarifa. E como incomoda. No divulgar da única empresa a dispor-se ao serviço também foi confirmada a proposta de preço da passagem feita pela Piracicabana: R$ 3,90. É o teto máximo de tarifa que o edital permite e, que segundo consta, deve ser procurado reduzi-lo de acordo com o que a empresa conseguir. Claro, bem provável que logo teremos mais um aumento de cinco centavos, mas se o edital pede que o valor procure ser mais acessível em algum tempo, o jeito é esperar pra ver e manter a guarda, especialmente acompanhando as sugestões ao processo enviadas.

A própria Piracicabana não escondeu que estaria disposta a participar de uma concorrência para o transporte coletivo na cidade-jardim quando esta fosse aberta. Não que fosse uma intenção inicial, afinal no momento da emergência quem tiver bala na agulha apresenta-se ao dever. No entanto, a empresa paulista sai a frente por um fator que pode ser considerável: Ela já estava aqui, mesmo emergencialmente, e pôde observar o que deve ser melhorado, feito, refeito e por ai vai. Esta experiência preliminar conta, especialmente se é ela mesma que deverá tomar conta do serviço caso os tramites apontem para isto.

A experiência conta. Apesar das interpretações que podem surgir, a empresa nunca escondeu que estaria na concorrencia quando esta fosse aberta. Agora, é usar o que viu para moldar o que fará, caso os tramites apontarem que será ela a vencedora e responsável (Michele Lamin / Secom PMB)

A experiência conta. Apesar das interpretações que podem surgir, a empresa nunca escondeu que estaria na concorrência quando esta fosse aberta. Agora, é usar o que viu para moldar o que fará, caso os tramites apontarem que será ela a vencedora e responsável (Michele Lamin / Secom PMB)

Detalhes como horários, linhas, terminais, manutenções, o tal ar-condicionado (que ainda é um supérfluo ainda sem necessidade imediata)… Tudo isso ainda é demasiado cedo para se falar ou esperar algo. A chegada de uma proposta a mesa da prefeitura, mesmo que sendo da empresa vigente, já é algum horizonte diante do turbilhão que a cidade vive desde o último ano. Outros processos virão e mudanças também, positivas espera-se, mas se uma coisa que não pode falhar é a vigilância sobre o tramite, algo que o usuário tem o dever de fazer sem deixar de observar fatos para se fazer apontamentos.

E enquanto os papeis esquentam e as coisas parecem andar, seguimos a vida mas sempre vigilantes. A Piracicabana veio e quer ficar, mas não deve deixar de ter sobre ela os olhos vigilantes (e sãos) de quem faz do ônibus o seu veículo número um diariamente.

O Blumenauense)

(O Blumenauense)

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