Gramming & Marbles (F1): O legado da bizarra classificação eliminatória

Parece legal... só que não: A explicação da estranha regra de classificação adotada pela F1 no início de 2016. Afinal, ela deixou alguma lição para o futuro da categoria? (Reprodução)

Parece legal… só que não: A explicação da estranha regra de classificação adotada pela F1 no início de 2016. Afinal, ela deixou alguma lição para o futuro da categoria? (Reprodução)

(Douglas Sardo)

Não é novidade para ninguém que a FIA vêm tentando estabelecer mais competitividade na F1 através de regulamentos cada vez mais, digamos, pouco ortodoxos. O formato do treino classificatório foi um dos maiores alvos da sanha dos que queriam o show a qualquer preço, principalmente na segunda metade dos anos 2000. Mas a partir de 2010 o formato atual se estabilizou, sem alterações até 2016, quando apareceu o infame novo sistema de treino eliminatório…

O resultado foi aquele que conhecemos: Faltando minutos para acabar o Q3, Lewis Hamilton já estava dando entrevistas, longe até dos boxes! A categoria foi exposta ao ridículo, mas alguns não haviam se convencido do tamanho da furada e ela continuou até o GP do Bahrein. Depois voltou para a gaveta de onde nunca deveria ter saído.

Meus engenheiros já tinham avisado que seria uma droga". Hamilton tirou sarro do treino na Austrália (Reprodução)

Meus engenheiros já tinham avisado que seria uma droga. Hamilton tirou sarro do treino na Austrália (Reprodução)

Até aí, tudo certo. O treino eliminatório sequer deveria ter sido cogitado. O problema é a sensação de que nunca deveríamos ter mexido nas classificações. Pelo menos foi essa a impressão deixada por analistas após o desastre. De Lito Cavalcanti a Martin Brundle, passando por vários fãs na vastidão da internet, o consenso foi de que a F1 tentou resolver um problema que não existia. Será?

A ideia da pole position sempre foi a busca pelo limite, pela volta arrasadora. Para isso, pilotos e equipes sempre se debruçaram sobre ajustes dos mais diversos para conseguir obter o desempenho máximo dos pneus de classificação, ou dos motores turbo com pressão extrema.

Chapa branca: Comentarista pela SkySports, Martin Brundle ficou em cima do muro e não se opôs a adoção do novo formato. Críticas vieram só depois do fracasso que era eminente (Reprodução)

Chapa branca: Comentarista pela SkySports, Martin Brundle ficou em cima do muro e não se opôs a adoção do novo formato. Críticas vieram só depois do fracasso que era eminente (Reprodução)

Mas isso ficou no passado. Atualmente as regras de parque fechado congelam os carros entre os treinos e a corrida. Some-se isso a restrições de motores e jogos de pneus, e os pilotos ficam extremamente limitados no treino. Ou seja, o qualifying acabou se tornando uma extensão da corrida. Os acertos não podem ser modificados, com exceção de pequenas mudanças em ângulos de aerofólios. Com uma única fornecedora de pneus, não temos mais compostos especiais de classificação e também não existe a possibilidade de se usar motores envenenados.

A vitória de Senna em Jerez 1986 começou com a pole, obtida através dos pneus de classificação e acertos especiais. Brasileiro era mestre em extrair a performance nessas condições, largando com frequência na frente de carros com mais ritmo de corrida, como as Williams naquele ano (Reprodução)

A apertada vitória de Ayrton Senna em Jerez 1986 começou com a pole, obtida através dos pneus de classificação e acertos especiais. O brasileiro era mestre em extrair a performance nessas condições, largando com frequência na frente de carros com mais ritmo de corrida, como as Williams naquele ano (Reprodução)

Para compensar a falta de alternativas nos treinos, a FIA criou um regulamento patético com punições no grid por qualquer mudança realizada no equipamento, geralmente ocasionada por quebra de algum componente. Ou seja, o embaralhamento que poderia ser conseguido através da separação de desempenhos de treino e corrida, é obtido através do aumento da influência de fatores aleatórios.

Em 2017 entra em vigor um novo regulamento aerodinâmico, aumentando o tamanho dos pneus e outros efeitos colaterais. A tendência é que a turbulência provocada pelo ar sujo aumente, e seja mais difícil de ultrapassar. Caso se confirme, vai ser o primeiro teste do Liberty Media. Veremos que tipo de medidas serão tomadas. Recentemente, em entrevista ao jornalista Maurice Hamilton (falaremos mais sobre essa entrevista nos próximos dias), Ross Brawn acenou para várias mudanças na F1, na questão dos pneus, DRS, punições… Mas não se falou em treinos classificatórios.

Brawn não quer nem saber do assunto Classificação (Reprodução)

Brawn não quer nem saber do assunto Classificação (Reprodução)

O fiasco do início de 2016 pode blindar as regras do treino classificatório, e justamente dali poderiam surgir algumas soluções para tornar a F1 mais interessante e menos artificial.

Sendo assim dito, saudações e até a próxima!

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