Gramming & Mables (F1): Algumas das confusões domésticas mais marcantes da F1

Os quatro carros da BRM em Monza, 1971. A arte de se ter dois (ou, por um tempo, mais) pilotos num mesmo teto é antiga e está sempre sujeita aos encargos do destino numa corrida. E a F1 já assistiu muito aos bololôs envolvendo botas da mesma casa. Hoje aqui recordados (Reprodução)

Os quatro carros da BRM em Monza, 1971. A arte de se ter dois (ou, por um tempo, mais) pilotos num mesmo teto é antiga e está sempre sujeita aos encargos do destino numa corrida. E a F1 já assistiu muito aos bololôs envolvendo botas da mesma casa. Hoje aqui recordados (Reprodução)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Desde os primórdios do automobilismo, é comum que os times tenham uma dupla – e em outros tempos um trio, quarteto até quinteto – de pilotos defendendo as escuderia. Seja para reunir o maior número de talentos dentro de uma equipe, para garantir mais dinheiro de patrocinadores ou para contribuir na guerra contra os patrocinadores.

Por anos, a F1 assistiu equipes com pilotos numerosos, de três até cinco, como se viu com a BRM em 1972. Dar oportunidade a jovens talentos ou testar equipamentos era, muitas vezes, o sentido de ser ter mais de dois pilotos na pista, coisa que se viu pela última vez em 1985, quando a Renault alinhou um terceiro carro para François Hesnault carregar a câmera onboard para a TV, a primeira da história da categoria.

Habitualmente, as equipes tem dois pilotos, um geralmente mais rápido que o outro. Eles dividem alegrias e tristezas de um time e, como qualquer competidor, disputam uma corrida entre os outros, mesmo que nem sempre seja em igualdade de condições com relação ao equipamento ou tratamento dispensado a um deles. Nem sempre a relação de um bota com o outro é boa e até rivalidades já nasceram dentro de uma casa. Coisas de família, podemos assim dizer.

O polêmico incidente entre Senna e Prost em 1989 dá o que falar até hoje. O caso tem lá suas motivações e história que dão uma discursão longa. No entanto, os incidentes aqui descritos não deixam dever em nada (ou alguma coisa) ao enrosco da dupla galática da McLaren naquela chincane de Suzuka (Reprodução)

O polêmico incidente entre Senna e Prost em 1989 dá o que falar até hoje. O caso tem lá suas motivações e história que dão uma discussão longa em qualquer situação. No entanto, os incidentes aqui descritos não deixam dever em nada (ou alguma coisa) ao enrosco da dupla galática da McLaren naquela chincane de Suzuka (Reprodução)

A relação de uma dupla de pilotos sempre está a prova em qualquer momento de uma corrida, assim como ela está sujeita a toda a sorte em incidentes, como qualquer outro numa prova. E a F1 viu alguns, os mais curiosos, malucos e polêmicos incidentes entre duplas de pilotos da mesma equipe. Se um acidente entre dois botas chama a atenção, o que dizer de dois botas que vivem no mesmo teto?

Sendo assim, eu e Douglas recordamos alguns dos casos mais lembrados do tal do fogo amigo, dos mais estranhos aos mais instigantes, diretos ou até indiretos. Se faltar algum na lista, deixe nos comentários, participe e recorde junto da gente.


Niki Lauda e Clay Regazzoni (Espanha, 1975)

Lauda e Regazzoni já se conheciam desde o tempo da BRM. Dividiam a Ferrari desde 1974 e precisavam mostrar serviço em 1975. Não contavam que seriam envolvidos no salseiro da largada do complicado GP da Espanha de 1975 (Reprodução)

Lauda e Regazzoni já se conheciam desde o tempo da BRM. Dividiam a Ferrari desde 1974 e precisavam mostrar serviço em 1975. Não contavam que seriam envolvidos no salseiro da largada do complicado GP da Espanha de 1975 (Reprodução)

Devendo resultados com um visível carro competitivo no início da temporada, Niki e Clay pousaram na Espanha precisando recuperar terreno no campeonato daquele ano. Alheios, de certa forma, aos protestos conta as condições precárias da bela pista de Montjuch, os soldados de Maranello não queriam perder a chance de um bom resultado e exigiram a presença da dupla no grid.

Nos treinos, Lauda e Regazzoni fecharam a primeira fila e até largaram razoavelmente bem no fatídico domingo. No entanto, num movimento espevitado de Mário Andretti e sua Parnelli, o americano empurra Niki de encontro ao guard-rail, sendo seguidamente abalroado por Clay no seguir do incidente da largada.

O suíço ainda voltaria ao GP por mais algumas voltas, já o austríaco acabou a corrida por ali, com a suspensão dianteira direita do Ferrari totalmente danificada.


Derek Daly e Jean-Pierre Jarier (Mônaco, 1980)

Voaaaaando! Daly alçou voo no fundo do grid e foi atropelando quem via. Sobrou, no pouco, para o companheiro, Jarier, que por pouco não perdeu a cabeça no incidente (Reprodução)

Voaaaaando! Daly alçou voo no fundo do grid e foi atropelando quem via. Sobrou, no pouco, para o companheiro, Jarier, que por pouco não perdeu a cabeça no incidente (Reprodução)

Todos os fotógrafos do mundo da F1 sonham acordados com este momento: Uma largada desastrosa e um acidente na Saint-Devote, a primeira curva do trajeto de Monte Carlo. Este sonho de Ícaro lhes foi a realidade dos profissionais das lentes que estavam diante da curva na largada do GP de Mônaco de 1980, numa inesquecível carambola.

Quando a luz verde abriu na largada, tudo parecia normal, exceto pelo voo do Tyrrell de Derek Daly, que cruzou quase meio grid no ar, do fundo a ponta, acertando em cheio no pouso o companheiro de equipe, Jean-Pierre Jumper Jarier. Era um bom ano para tio Ken e seus carros andavam razoavelmente bem durante a temporada.

O abandono foi uma pena par Jarier, que largava num bom nono. Já Daly ainda ia decolar mais uma vez, num incrível acidente em Zandvoort, na Holanda.


Derek Warwick e Patrick Tambay (Mônaco, 1984)

Amigos, amigos... Warwick e Tambay dividiam os problemas da Renault em 1984. Ate mesmo as eventuais engatadas e totós nas largadas (Reprodução)

Amigos, amigos… Warwick e Tambay dividiam os problemas da Renault em 1984. Ate mesmo as eventuais engatadas e totós nas largadas (Reprodução)

A mesma Saint-Devote iria assistir, dois anos depois, mais uma carambola tendo como protagonista dois pilotos da mesma equipe. Na encharcada pista de Monte Carlo naquele ano, que contemplaria o talento de Senna e Stefan Bellof, o início da prova acabou sendo bastante complicado, sobretudo para a dupla da Renault: Derek Warwick e Patrick Tambay. Na largada, o inglês da Régie achou os pneus logo na virada da primeira curva. Tambay não viu e acabou enganchado pela lateral no carro do companheiro.

A corrida dos dois acabou por ali mesmo e era apenas mais um dos capítulos complicados da Renault depois da era Prost.


Eddie Cheever e Riccardo Patrese (Africa do Sul, 1985)

Compadres: Patrese e Cheever cultivaram uma grande amizade nos tempos da Alfa Romeo, passando até para o lado familiar. E tudo começou numa rastelada de pista entre os dois em Kyalami (Reprodução)

Compadres: Patrese e Cheever cultivaram uma grande amizade nos tempos da Alfa Romeo, passando até para o lado familiar. E tudo começou numa rastelada de pista entre os dois em Kyalami (Reprodução)

Entre as grandes amizades da F1, a destes dois é uma das grandes já vistas. Afinal, além de amigos, o americano e o italiano são compadres. A irmã era casada com o outro e vice-versa. No entanto, nem sempre esta irmandade ítalo-americana foi lá um conto de fadas. Nos tempos de Alfa Romeo, quando a dupla se conheceu de fato, Cheever e Patrese dividiram as agruras dos últimos dias da esquadra italiana, feita de motores beberrões e corridas pífias.

Uma delas, a mais amarga destas passagens, foi na primeira curva de Kyalami, na largada do controverso GP da Africa do Sul naquele 1985. Na sede de suplantar uma Toleman na largada, Cheever tomou um toque e rodou, partindo para o lado de fora da curva e levando na viagem o carro do companheiro de esquadra. Não faltou bronca de Riccardo ao bom amigo.

Na temporada seguinte, cada um tomou seu rumo: Patrese regressou a Brabham, já Cheever fez uma passagem relâmpago pela Lola/Haas, retornando pra valer em 1987, na Arrows. A amizade, felizmente, continuou a mesma.


Jacques Lafitte e Philippe Streiff (Austrália, 1985)

Ao lado de Rosberg, a alegria da Ligier, com Laffite em segundo e Streiff, em comedidas palmas, em terceiro. Podia não ter acabado assim (Reprodução)

Aos lados de Rosberg, a alegria da Ligier, com Laffite em segundo e Streiff, em comedidas palmas, em terceiro. Podia não ter acabado assim (Reprodução)

Que coisa boa para qualquer equipe terminar com os dois carros no pódio. Para a Ligier mesmo, era um grande momento depois de alguns anos de dificuldade, as voltas com pilotos medianos e carros difíceis. O ano de 1985 muito bom para os azuis de Vichy, dentro das limitações do motor Renault, e parecia terminar ainda melhor com os dois bólidos de tio Guy chegado no pódio na primeira parada da história da F1 na terra dos cangurus.

Jacques Laffite aproveitava a sucessão de abandonos na prova para conduzir o carro ao segundo lugar em Adelaide. Atrás dele, voando como nunca, o jovem Philippe Streiff, que aproveitava a chance que a Ligier lhe dera na Itália, depois da demissão sumária de Andrea De Cesaris. Só que parece que ele foi com sede ao pote demais. No fim da prova, o velho Laffitão reduzia o ritmo para evitar uma pane seca e não podia imaginar que o companheiro vinha como uma bala para suplanta-lo.

O resultado: Obvio. Streiff foi com tudo e não escapou de arrebentar a suspensão dianteira da Ligier na roda traseira de Laffite. Não perdeu o terceiro lugar por muita sorte, se arrastando em três rodas até o fim. Foi o suficiente para tomar o bilhete azul e sumir das vistas de tio Guy em 1986.


Philippe Streiff e Jonathan Palmer (Belgica, 1987)

Só resta rir em tempo de vacas magras. Era o que fazia Ken Tyrrell e seus comandados: Streiff e Palmer, em 1987. A paulada na Bélgica foi um dos momentos mais marcantes da equipe na temporada (Reprodução)

Só resta rir em tempo de vacas magras. Era o que fazia Ken Tyrrell e seus comandados: Streiff e Palmer, em 1987. A paulada na Bélgica foi um dos momentos mais marcantes da equipe na temporada (Reprodução)

Em tempos de pobreza, correr de Cosworth era o que havia para Ken Tyrrell no distante 1987. Relegado ao pelotão traseiro do grid e disputando o tal Troféu Jim Clark, o velho lenhador contava com um equipamento modesto, mas sincero nos resultados, além de uma dupla um tanto explosiva: O doutor Jonathan Palmer e o francês-problema Philippe Streiff. Alguns pontos pipocavam, mas era só e nada mais.

A dupla chegou a Bélgica sabendo que ia tomar um vareio de motores turbo, como já estava tomando em pista rápidas. A Tyrrell passaria incólume se não fosse a panca de Streiff no começo da reta Kemmel, a mais rápida do autódromo, logo após a subida da Eau Rouge. O francês conseguiu dividir o carro em dois e, na salada, levou Palmer consigo.

Duplo prejuízo para tio Ken, que saiu de Spa com dois chassis a menos. Streiff ainda voltou a prova, terminando-a na nona posição, quatro voltas atrás do líder.


Andrea de Cesaris e Alex Caffi (EUA, 1989)

Todo mundo feliz na foto em família. No entanto, os bastidores da Dallara ferveram na rastelada de De Cesaris contra o companheiro Caffi, no que era um ótimo fim de semana para o team (Reprodução)

Todo mundo feliz na foto em família. No entanto, os bastidores da Dallara ferveram na rastelada de De Cesaris contra o companheiro Caffi, no que era um ótimo fim de semana para o team (Reprodução)

Que o mitológico De Cesaris é o rei das saladas e pancadas da categoria, isso é fato. Felizmente, uma delas apenas foi direto para o companheiro de esquadra. A vitima era o cabeludo Alex Caffi, com a qual dividia o volante da Dallara naquele 1989. Era um ano promissor para a pequena equipe vermelha de Gianpaolo Dallara depois da difícil temporada de estreia. Também era a primeira vez que haviam dois pilotos no team e, até a prova de Phoenix, a equipe já havia aparecido bem no bom quarto lugar de Caffi em Mônaco.

Tudo corria ainda melhor no deserto do Arizona, Caffi era o quarto e, se suportasse mais um pouco na pista, poderia alcançar o pódio. Isto se o jovem italiano não encontrasse pelo caminho o companheiro, nono colocado e uma volta atrás. Numa tentativa de passa-lo, Caffi não esperava a manobra e acabou sendo fechado contra o muro por De Cesaris. Fim de corrida para o cabeludo.

Diz-se a boca pequena que, ao voltar ao box, De Cesaris era esperado por mecânicos da equipe para receber alguns sopapos. Apesar do clima tenso depois daquela prova, Andrea ainda ficaria mais um ano na Dallara. Já Caffi seguiria para a Arrows em 1990.


Thierry Boutsen e Erik Comas (Brasil e Hungria, 1992)

O encontrão de Comas com Boutsen na Hungria, em 1992. Era o segundo dos dois encontrões da dupla na pista (Reprodução)

O encontrão de Comas com Boutsen na Hungria, em 1992. Era o segundo dos dois esbarrões da dupla na pista (Reprodução)

A Ligier estava se recuperando dos tantos problemas de início da década, em que passou seca de pontos e sofrendo com projetos que mais eram barcas furadas. Se valendo da mão amiga de François Mitterrand, a equipe de Vichy inaugurava o novo parque técnico e, junto dele, um novo carro com motor Renault. A dupla, o experiente belga Thierry Boutsen e o jovem francês Erik Comas.

Apesar de um ano interessante, os azuis não podia esperar que algumas das encrencas que passariam na pista seriam culpa da própria dupla. A primeira, no Brasil, numa manobra equivocada de Boutsen. Tentando passar o companheiro que perseguia a Lotus de Johnny Herbert, Therry abre junto de Comas e acaba espremido contra o muro. Thierry se salva do muro por pouco mas acaba rodando mas leva na viagem a Lotus do inglês. O belga fica, o francês continua.

Na Hungria, os dois voltaram a se achar logo na largada. Desta vez, foi num erro de Comas, que tentou passar Boutsen e acabou engatado pela roda traseira e rodando. O que se seguiu foi um pequeno salseiro envolvendo ainda mais um carro. E você querendo acreditar ou não, era outra vez Johnny Herbert e sua Lotus. É mole?


Bertrand Gachot e Ukyo Katayama (Canadá e Japão, 1992)

Katayama na Venturi, em 1992. Sobrava dinheiro da Cabin, além da sorte em se enroscar com o companheiro Gachot durante o ano (Reprodução)

Katayama na Venturi, em 1992. Sobrava dinheiro da Cabin, além da sorte em se enroscar com o companheiro Gachot durante o ano (Reprodução)

Outra dupla que se meteu em fria em 1992 foi a da diminuta Venturi, o nome-fantasia da Larrousse naquela temporada. Gachot vinha de volta a F1 depois de um gancho junto a justiça britânica por ter agredido um taxista. Ao seu lado, o nipônico Ukyo Katayama, em sua estreia. Se faltava talento ao herdeiro de Nakajima, ao menos não faltava o dinheiro bem-vindo da marca de cigarros Cabin.

Durante o ano, as voltas com um carro limitado, a Venturi assistiu a duas esparramadas de seus pilotos pela pista. A primeira foi no Canadá, onde Katayama atropelou a asa dianteira de Gachot ao contornar o famoso hairpin da pista da Ilha de Notre Dame. Bertrand deu a paga em Suzuka, ao tentar passar Ukyo na famigerada chincane de entrada da reta. Outra vez, quem se deu mal foi o luxemburguês-belga, que ficou na brita.

Nenhum dos dois ficou para 1993 na casa de tio Gerrard. Katayama seguiu para os domínios da Tyrrell. Já Gachot só regressaria em 1994, na patética Pacific.


Jean Alesi e Gerhard Berger (Italia, 1993 e 1995)

Só de histórias já daria uma matéria só para eles. Mas enquanto ela não chega, Alesi e Berger são lembrados por dois incidentes bem curiosos nos tempos de Ferrari (Reprodução)

Só de histórias já daria uma matéria só para eles. Mas enquanto ela não chega, Alesi e Berger são lembrados por dois incidentes bem curiosos nos tempos de Ferrari (Reprodução)

Só de histórias desta dupla famosa já valeria um post inteiro (e ele virá, aguardem!), mas também a relação de ambos teve lá seus momentos de trapalhada. Um era já o queridinho dos tifosi, o outro voltava a casa depois de um hiato de quatro anos pelas terras de Woking. Berger e Alesi foram responsáveis pelos últimos sorrisos da Ferrari com o clássico V12, mas também escorregaram na pista em incidentes onde um teve culpa para o outro.

Em 1993, talvez o mais curioso. Na volta para os boxes, Alesi cumprimentava os torcedores, como costumava fazer quando estava na Itália. Ele só esqueceu que Berger estava em volta rápida e debulhando tudo que podia no F93. Num movimento brusco do francês na chegada a variante Ascari, Gerhard foi pego de surpresa e acabou arrebentando o carro contra o muro. Mamma mia!

A outra situação, talvez ainda mais dolorosa, foi também a mais estranha, e o palco foi a mesma pista de Monza. A dupla dominava a prova de 1995, com Alesi a frente e Berger lhe comboiando bem próximo. Num golpe do destino, a minicâmera de televisão do carro de Jean se soltou e, justinho, parou na suspensão dianteira de Berger. O austríaco abandonou a prova logo depois. Alesi resistiu mais um pouco para também parar voltas mais tarde, com problema (acredite) em um rolamento.

Quanta história… e tem mais. Mas deixamos para breve.


Rubens Barrichello e Eddie Irvine (Japão, 1995)

Já se iam dois anos e pouco de um bom convívio. Mas nem assim Barrichello e Irvine escaparam de um pequeno incidente na pista, em 1995 (Reprodução)

Já se iam dois anos e pouco de um bom convívio. Mas nem assim Barrichello e Irvine escaparam de um pequeno incidente na pista, em 1995 (Reprodução)

A temporada de 1995 era um pesadelo para Eddie Jordan. Cotados como favoritos a vitórias, o pacote com o motor Peugeot não rendia nada de especial, sujeito a quebras e falta de performance. Um golpe no estômago de Rubens Barrichello, que esperava ao menos estar bem mais colocado entre os ponteiros e teve de passar o ano brigando com um carro inconstante.

Se para ele estava ruim, para o companheiro Eddie Irvine estava também. A relação dos dois era um tanto pacífica, mesmo que um botasse tempo no outro. No entanto, não escapou um incidente na relação da dupla que já dividia a Jordan desde fins de 1993. Foi em Suzuka, ao tentar contornar a ultima chincane, Rubinho não viu a redução do nada e a mudança de faixa de Eddie e acabou se atravessando as costas do irlandês. O brasileiro parou na parede e de lá não saiu mais.

Rubinho ainda ficaria mais um ano na Jordan, já Irvine foi tentar a vida nos lados de Maranello, como companheiro de Michael Schumacher.


Mika Hakkinen e David Couthard (Áustria, 1999)

Uma dupla de osso. Hakkinen e Couthard eram os garotos da McLaren desde os primeiros anos do ressurgimento, em 1996. Somente na hora da decisão que, as vezes, os nervos meio que afloravam, deixando margem para algum probleminha na pista (Reprodução)

Outra dupla de respeito. Hakkinen e Couthard eram os garotos da McLaren desde os primeiros anos do ressurgimento, em 1996. Somente na hora da decisão que, as vezes, os nervos meio que afloravam, deixando margem para algum probleminha na pista, como foi em 1999 (Reprodução)

No fervor que virara a temporada de 1999, Mika Hakkinen não podia se dar ao luxo de bobear se quisesse levar o bi diante da Ferrari, como já levara no ano anterior. Sem Michael Schumacher pelo caminho – de molho por conta da panca sofrida na Inglaterra – o finlandês podia levar o título no bolso, não contando ele que um novo adversário surgia nos lados vermelhos: O atrevido Eddie Irvine, que até ali só tinha vencido em Melbourne, além de ter regularmente pontuado.

Ao lado de Hakkinen, o fiel escudeiro David Couthard, com o qual dividia a McLaren desde 1996, numa das relações mais longas e famosas da F1. No entanto, Mika não contava com o calça-pé que o escocês lhe daria numa briga de posição na Áustria. Foi ainda depois da largada, onde na briga pela ponta Couthard tentou se enfiar onde não dava para tomar a liderança do companheiro ainda no primeiro trecho de alta em Spielberg.

Na confiança da ultrapassagem, David rastela Mika e se manda, deixando o finlandês ao contrário. Por sorte, ambos chegaram ao pódio, mas por azar, Irvine ganhou.


Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya (EUA, 2003)

Montoya e Ralf Schumacher viviam os últimos anos de força da Williams. Não poderiam imaginar que um lance deles mesmos tiraria o time de Grove das cabeças de forma direta em 2003 Reprodução)

Montoya e Ralf Schumacher viviam os últimos anos de força da Williams. Não poderiam imaginar que um lance deles mesmos tiraria o time de Grove das cabeças de forma direta em 2003 (Reprodução)

O fervor de 2003, com a briga intensa entre Schumacher, Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya, chegava a quente e estranha pista de Indianápolis, nos EUA. Era o último grande ano da Williams na F1, com o poderoso motor BMW em mãos, um bom carro e o atrevido colombiano vindo da CART no volante junto do mano mais novo de Michael, Ralf Schumacher. A confirmação de um trabalho de formiguinha começado em 2000 e que dava frutos visíveis naquele ano.

O que não contava Montoya era com a confiança exagerada de Ralf em algumas manobras, uma delas praticamente o tirou da briga direta pelo título daquele ano. Foi na segunda volta da corrida yankee daquele ano, quando Ralf foi com sede para cima de Juan Pablo na virada da primeira curva. O alemão perdeu mão do Williams e rodou, levando Montoya pra fora da pista e o derrubando na classificação da prova.

Para Ralf, era o fim da prova. Já para Montoya, restou um amargo sexto lugar e a retirada da briga direta pelo título daquele ano, sobrando apenas a matemática impossível que não deu certo.


Sebastian Vettel e Mark Webber (Turquia, 2010)

Aconteceu, fazer o que? Um incidente de prova entre Vettel e Webber que colocou a liberdade da Red Bull na briga de pilotos em xeque, pelo menos por uma semana Reprodução)

Aconteceu, fazer o que? Um incidente de prova entre Vettel e Webber que colocou a liberdade da Red Bull na briga de pilotos em xeque, pelo menos por uma semana (Reprodução)

Nascida do espólio da Jaguar, a Red Bull chegava, enfim, as cabeças de um campeonato naquele 2010. Apoiados no renovado motor Renault, o time da marca de energético tinha nas mãos o menino-prodígio Sebastian Vettel, pau a pau em cada prova com as McLaren de Lewis Hamilton e Jenson Button e a Ferrari de Fernando Alonso. Ao seu lado, a experiencia de Mark Webber, vivendo um momento especial depois de anos penando em carros de qualidade duvidosa.

Em 2010, o australiano não queria ser mera sombra do companheiro famoso e estava na ponta do GP da Turquia, quando foi alcançado por Vettel. O alemão tentou a manobra de ultrapassagem, com Webber o forçando ao máximo para fora da pista. Deu no que deu, Seb furou um pneu e estourou a suspensão traseira, saindo em rodopio pela pista. Como se não bastasse, a manobra infeliz entregou de bandeja para a McLaren uma dobradinha inesperada, com Hamilton em primeiro e Button e segundo.

O incidente colocou dúvidas sobre a liberdade dada a equipe para a briga entre os pilotos. No entanto, o que eram declarações exaltadas de Vettel para com Webber (chamando-o de maluco) acabou numa divertida foto na semana seguinte e que ilustra estre trecho.


Nico Rosberg e Lewis Hamilton (Espanha e Austria, 2016)

Nem mesmo o show de competência da Mercedes podia evitar encontrões. Hamilton e Rosberg protagonizaram-os algumas vezes entre 2013 e 2016. As duas do ano passado, no entanto, não se limitaram apenas a um leve totó Reprodução)

Nem mesmo o show de competência da Mercedes podia evitar encontrões. Hamilton e Rosberg protagonizaram-os algumas vezes entre 2013 e 2016. As duas do ano passado, no entanto, não se limitaram apenas a um leve totó (Reprodução)

E como esquecer a dupla mais bem sucedida da F1 atual? Numa análise rasteira, talvez os totós de Hamilton e Nico Rosberg sejam os mais numerosos vindos de uma dupla de pilotos de uma equipe de ponta na história da categoria. Desde o primeiro ano da dupla, em 2013, os polêmicos encontrinhos nas largadas já acendiam o sinal de alerta na casa da flecha de prata. Mas Toto Wolff dava de ombros e tudo estava bem.

Bem, tudo até o GP da Espanha do ano passado. Quem viu praticamente pulou do sofá no quiproquó causado por Hamilton na tentativa de recuperar a ponta perdida para Rosberg na largada. O inglês rodou e levou de arrasto o companheiro, abrindo caminho para a primeira vitória de Max Verstappen na F1. Foi uma semana tensa, entre declarações exaltadas de Hamilton, controvérsias e perguntas na cabeça dos jornalistas que acompanham o circo.

A paga de Lewis se deu apenas quatro corridas depois, na pista de Spielberg. Talvez um dos lances mais emocionantes da temporada. No desespero para segurar a ponta do ataque de Hamilton na última volta, Rosberg se esparramou para cima para o inglês e acabou ficando com o prejuízo. Lewis venceu, e Nico veio no arrasto para o quarto lugar.

Felizmente, no fim do ano, Rosberg faturou o título, isto depois de uma temporada de altos e baixos e alguns encontros desagradáveis com o companheiro pela pista.

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