Oscar 2017: O Oscar do “ops!” consagra Moonlight e La La Land

Uma gafe para a história. Jordan Horowitz, um dos produtores de La La Land, ergue o envelope para provar o que não era brincadeira: Moonlight era, na verdade, o Melhor Filme. Coisas de Oscar, coisas do Oscar 2017 (Getty Images)

(Laly Siegel & André Bonomini)

Já se vão quase 90 anos de Oscar, e em todas as premiações desde 1929 sempre fica alguma coisa para se registrar na história. Um prêmio honorário, um discurso, uma premiação surpresa e por ai vai. No entanto, quem foi dormir na noite passada depois da 89ª cerimônia da história, provavelmente foi dormir rindo, ou chorando ou incrédulo. Afinal, qual a reação do público diante de uma gafe? E qual a reação do público e dos cinéfilos quando a gafe ocorre, justamente, no Oscar?

Pois então, a cerimonia de 2017 foi e sempre será marcada por uma das maiores confusões ocorridas na história. Uma galhofa (pode se assim dizer) tão esquisita quanto o épico erro de coroas no Miss Universo de 2015. E quis o destino que a gafe fosse no mais aguardado prêmio da noite: Logicamente, o de Melhor Filme. O casal de apresentadores da noite – os atores Warren Beatty e Faye Dunaway (Ou Bonnie & Clyde para os íntimos) – anunciaram a estatueta de melhor produção ao queridinho La La Land – Cantando Estações, o que, talvez, não seria surpresa se fosse.

No entanto, para a felicidade dos haters da produção musical, eis que Beatty e a produção da cerimônia, depois de alguns minutos e de discursos de vencedor vindos da equipe de La La Land, se percebem do erro. Nas mãos do velho ator no momento do anuncio estava o envelope com a premiada à Melhor Atriz – no caso, Emma Stone, de La La Land – e foi este que Beatty leu, ou ficou querendo ler, já que passou uns 20 segundos sem saber o que fazer, já sabedor do erro.

Apressados e em meio aos discursos, a produção do Oscar entrega a Warren o bilhete verdadeiro enquanto um dos produtores de La La Land, Jordan Horowitz, dizia em um tom aparentemente de brincadeira que Moonlight – Sob a Luz do Luar era o grande vencedor. Tinha quem risse ou não acreditasse, mas era exatamente aquilo mesmo. Horowitz ainda apontou o envelope para as câmeras para todos confirmarem: A produção de Barry Jenkins era a vencedora. O espanto foi geral, seguindo de abraços emocionados e discursos vitoriosos. Quem acha que foi peça ensaiada, acho melhor engolir as palavras, embora não há como negar que ficou para a história.

Agora sim! Barry Jenkins ergue ao alto a estatueta do Oscar de Melhor Filme por Moonlight. A mais inusitada forma de saber qual foi o melhor filme. Produção não tinha grandes estrelas, mas conquistou o mundo com uma narrativa simples e direta Reprodução)

Agora sim! Barry Jenkins ergue ao alto a estatueta do Oscar de Melhor Filme por Moonlight. A mais inusitada forma de saber qual foi o melhor filme. Produção não tinha grandes estrelas, mas conquistou o mundo com uma narrativa simples e direta (Reprodução)

Moonlight conta a história de Black (Trevante Rhodes), um jovem negro que, diante do mundo de criminalidade e drogas que o cerca, faz uma jornada de autoconhecimento e sonha com um futuro melhor para si. Sem grandes estrelas e apresentando um argumento e narrativa simples e direto, a película colecionou elogios e chegou até correndo um pouco por fora diante do favoritismo do musical que, em janeiro, havia passado o rodo nas premiações do Globo de Ouro. A produção de Jenkins ainda levou as estatuetas de Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Adaptado.

Já para La La Land, restaram ainda seis estatuetas de consolação para celebrar a noite: Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Diretor (Damien Chazelle, o mais jovem a conquistar o prêmio nesta categoria), Melhor Trilha Sonora (Justin Hurwitz), Melhor Canção Original (City of Stars), Melhor Direção de Arte (Sandy Reynolds-Wasco e David Wasco) e Melhor Fotografia (Linus Sandgren). Um bom saldo para quem perdeu o prêmio principal por um envelope errado.

Mesmo surpreendido no ato, La La Land não deixou de ser o grande filme da noite, levando seis estatuetas de consolação para casa Reprodução)

Mesmo surpreendido no ato, La La Land não deixou de ser o grande filme da noite, levando seis estatuetas de consolação para casa (Reprodução)

E Trump?

E quem achou que Donald Trump passou incólume da lembrança dos artistas, enganou-se. Protestos contra e a favor também marcaram a noite no Teatro Dolby, em Los Angeles. Enquanto os poucos apoiadores criticavam a chamada elite de Hollywood na porta do teatro, artistas e demais convidados ostentavam no peito uma fita azul, alusiva a União Americana pelas Liberdades Civis, opositora do magnata cabeludo.

Asghar Farhadi, vencedor no Melhor Filme Estrangeiro, ausente em protesto contra as medidas de Trump para impedir muçulmanos de entrar nos EUA Habib Madjidi)

Asghar Farhadi, vencedor no Melhor Filme Estrangeiro, ausente em protesto contra as medidas de Trump para impedir muçulmanos de entrar nos EUA (Habib Madjidi)

Na cerimônia, o diretor iraniano Asghar Farhadi, vencedor na categoria de Melhor Filme Estrangeiro por O Apartamento, não compareceu a cerimônia. Em carta, Asghar deixou claro que se tratava de uma atitude de respeito aos conterrâneos e a demais imigrantes, barrados por conta da tentativa de banimento à muçulmanos imposta por Trump. Uma pena.

Mas, talvez, a passagem mais curiosa foi dita por um dos apresentadores de prêmio da noite. Jimmy Kimmel soltou, em dado momento, que Já estamos em duas horas do prêmio e Donald Trump não twittou sobre a gente até agora. Estou ficando preocupado, em seguida mostrando o perfil de Twitter do presidente no telão da premiação.

Mas é bem provável que Donald, do alto dos seus milhões e da sua arrogância costumeira não vai deixar passar um twitte inocente, ainda mais depois da gafe na entrega do Melhor Filme, não mesmo…

Casey e uma menção a Manchester à Beira-Mar

Casey Affleck na pele de

Casey Affleck na pele de Lee Chandler, o zelador amargurado de Manchester a Beira-Mar. Enfim, o irmão mais novo de Ben Affleck é laureado no Oscar, como Melhor Ator. Prêmio que o irmão não tem (Reprodução)

Se em Melhor Atriz deu a lógica de La La Land, em Melhor Ator a estatueta foi de encontro a um elemento de outra produção bem lembrada durante a noite. Filme dirigido por Kennet Lonergan – que ainda abocanhou a estatueta de Melhor Roteiro  – Manchester à Beira-Mar conta a história de um zelador mal-humorado e introvertido de Boston que volta a cidade-natal – Massachusetts – por conta do grave estado de saúde do irmão, que morre tempos depois. No testamento do parente, o zelador acaba ficando com a guarda do filho adolescente e embarca numa jornada que procura faze-lo entender por que deixou sua cidade e sua família no passado.

O dono da estatueta atende pelo nome de Casey Affleck, irmão mais novo do já consagrado Ben Affleck. Depois de algum tempo nas telonas e destaque em produções como American Pie (1 e 2), a franquia Onze Homens e um Segredo, Roubo nas Alturas e Interestelar, Casey foi premiado como melhor ator pela interpretação de Lee Chandler, o zelador azarado do filme de Lonergan. Ele já tinha uma indicação ao Oscar no bolso de Melhor Ator Coadjuvante por O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, em 2008, e nesta premiação concorria com pesos pesados da noite, como o veterano Denzel Washington (Um Limite Entre Nós) e Ryan Gosling (La La Land).

Uma carreira atribulada, marcada até por denuncias de assédio, mas que foi, enfim, reconhecida, mesmo aos 41 anos de vida do ator. É um prêmio que o irmãozinho mais velho, Ben, não tem na prateleira, ao menos como Melhor Ator.

Viola Davis – Uma sonhadora entre os laureados

Viola Davis incorpora o sonho do que acham que não podem sonhar. Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós Lucy Nicholson / Reuters)

Viola Davis incorpora o sonho do que sabem que podem sonhar e realizar seus sonhos. Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós (Lucy Nicholson / Reuters)

Numa noite onde o Oscar teve 20 negros indicados a premiações, um recorde,  uma premiação em especial foi dominada por eles: A dos coadjuvantes. Mahershala Ali já havia ganhado o de Melhor Ator Coadjuvante por Moonlight e coube a Viola Davis conquistar a sua de Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós.

Contracenando e sendo dirigida pelo veterano Denzel Washington, Viola interpretou Rose Maxson, esposa de Troy (vivido por Denzel), um ex-jogador de baseball que, do sonho de ser grande estrela, restou apenas o emprego de coletor de lixo para garantir a sobrevivência da família. O filme gira em torno das relações sociais nos EUA permeados pelo racismo dos anos 50.

Quando me perguntam que papéis eu quero interpretar, eu digo ‘dessas pessoas que não sabem o que é poder sonhar, poder atingir seus sonhos’, disse Viola ao receber a estatueta. E disse tudo por sinal.

Viola e o veterano Denzel Washington em cena de Um Limite Entre Nós. O ex-jogador de baseball veterano que precisa ganhar a vida como coletor de lixo Reprodução)

Viola e o veterano Denzel Washington em cena de Um Limite Entre Nós. O ex-jogador de baseball veterano que precisa ganhar a vida como coletor de lixo (Reprodução)

Animações: Disney manda na noite

Não há quem não conteste que a Walt Disney é a dona da noite no quesito animação. Colecionadora de Oscars na categoria, a noite de ontem mostrou mais uma vez que a casa do saudoso Walt continua na vanguarda de tudo. Nas premiações de Melhor Longa de Animação e Melhor Curta de Animação não deu outra. Na primeira, o divertido mundo animal de Zootopia foi a grande vencedora, enquanto na segunda, o curta Piper – produzido pela Pixar, que é de propriedade da Disney – foi o laureado.

Judy Hopps e Nick Wilde, uma dupla de ação policial no mundo de Zootopia. A Melhor Animação de Longa Metragem. Da Disney, claro Reprodução)

Judy Hopps e Nick Wilde, uma dupla de ação policial no mundo de Zootopia. A Melhor Animação de Longa Metragem. É de Walt Disney, claro (Reprodução)

Como se não bastasse, a Disney ainda saiu com mais uma estatueta para a coleção. Trata-se do prêmio de Melhores Efeitos Especiais para o remake de Mogli, O Menino-Lobo. É a segunda vez que a Disney refaz o filme baseado no romance de Rudyard Kipling, o primeiro feito pela primeira vez em 1994, sem contar a animação lançada em 1967. Na sua categoria, Mogli surpreendeu um peso pesado: Rogue One – Uma História Star Wars, que causou frisson no ano passado.

Maquiagem / Figurino: Rasteira em Star Trek e um prêmio a Harry Potter

Os super-vilões de Esquadrão Suicída. A Melhor Maquiagem da noite Reprodução)

Os super-vilões/heróis de Esquadrão Suicida. A Melhor Maquiagem da noite Reprodução)

Contrariando o que se esperava, o prêmio de Melhor Maquiagem parou nas mãos do filme de heróis (pode-se assim dizer) mas falado de 2016: Esquadrão Suicida. A reunião de vilões da DC Comics para derrotar uma ameaça maior à Terra foi a grande vencedora, numa equipe composta por Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson. Surpreendeu por passar para trás Joel Harlow e Richard Alonzo, responsáveis pela maquiagem do aclamado Star Trek: Sem Fronteiras.

Já na premiação do Melhor Figurino, um sorriso feliz para os fãs de Harry Potter. Pertencendo a franquia do bruxo mais famoso do mundo, Animais Fantásticos e Onde Habitam, por meio da figurinista Colleen Atwood, faturou a estatueta. É a primeira vez que o universo de Hogwarts fatura um Oscar.

Um troféu para o universo de Harry Potter. O promissor Animais Fantásticos e Onde Habitam

Uma estatueta para o universo de Harry Potter. O promissor Animais Fantásticos e Onde Habitam foi laureado com o Melhor Figurino. Grande trabalho de Colleen Atwood (Reprodução)

E, para frente, ainda virão mais cinco filmes desta nova série, já aguardados com muita expectativa pelos fãs do Sr. Potter.

Gibson fatura duas e A Chegada desbanca favoritos

Um médico que recusa-se a matar durante a Segunda Guerra.

Um médico que recusa-se a matar durante a Segunda Guerra. Até o Ultimo Homem, de Mel Gibson, levou duas estatuetas e permitiu o mais azarado do Oscar a ser, finalmente, laureado depois de 20 indicações sem sucesso (Reprodução)

Intenso filme de Mel Gibson sobre um médio que se nega a matar na Segunda Guerra, Ate o Último Homem (Hacksaw Ridge) saiu da premiação com duas estatuetas: Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição. Aqui cabe um detalhe, depois de 20 indicações sem sucesso, enfim o engenheiro de som Kevin O’Connell conquista uma estatueta pela mixagem de som do longa de Gibson. Se você acha que Leonardo DiCaprio sofreu para ganhar um Oscar, imagine esse cidadão!

Até o Último Homem também concorria com a produção de ficção científica A Chegada (Arrival), de Denis Villeneuve em duas das seis categorias em que foi indicado. A história sobre a chegada de extraterrestres a Terra saiu com um prêmio: Melhor Edição de Som. Tanto a produção de Villeneuve como a de Gibson tiveram um concorrente em comum: La La Land, claro.

Para a alegria de Trump, o Irã tem o Melhor Filme Estrangeiro

O Apartamento

A produção iraniana O Apartamento, de Asghar Farhadi, faturou como Melhor Filme Estrangeiro. E, no ar, aquele grito velado de Engole essa, Trump! (Reprodução)

Em tempos conturbados na política americana, com Donald Trump disparando para todos os lados e, especialmente, para os países árabes, a vitória de um filme iraniano soa como um grito de contrariedade as ideias do magnata cabeludo. Neste caso, a película O Apartamento, produção de Asghar Farhadi, foi a grande vencedora no Melhor Filme Estrangeiro. Como comentado acima, ele não estava presente, em protesto e respeito aos conterrâneos, barrados pela nova lei de banimento de muçulmanos imposta por Trump.

A película gira em torno de um casal de atores teatrais que vive um grande revés quando são forçados a se mudar para um apartamento emprestado. Um filme intenso e polêmico, clássico do diretor, e mais um grande destaque do cinema de Teerã, cada vez mais destacado na cena internacional. Concorreram com O Apartamento produções da Suécia (Um Homem Chamado Ove), da Austrália (Tanna), da Alemanha (Toni Erdmann) e da Dinamarca (Terra de Minas).

A categoria não teve filmes brasileiros. O mais próximo que chegou a uma indicação foi Pequeno Segredo, de David Schurmann, baseado na história da pequena Kat, filha do casal de aventureiros Vilfredo e Heloísa Schurmann. Mas não passou da pré-indicação.

Ainda falando em produções estrangeiras, o curta húngaro de drama Mindenki foi o vencedor na categoria Melhor Curta-Metragem. A película foi produzida por Kristóf Deák e conta sobre o lado obscuro da fama de uma jovem cantora mirim recém-chegada a um coral infantil.

Documentários: Voluntários na Síria e O.J. Simpson são os consagrados

O.J. Simpson no julgamento em 1995. A vida e a tragédia social do ex-jogador de futebol americano em O.J-Made In América foi a grande vencedora como Melhor Documentário em Longa Metragem Reprodução)

O.J. Simpson sendo julgado por assassinato em 1995. A vida e a tragédia social do ex-jogador de futebol americano em O.J. Made In América foi a grande vencedora como Melhor Documentário em Longa Metragem. A produção mais longa já premiada na história do Oscar (Reprodução)

O esporte e a guerra são os temas dos vencedores nas categorias que envolvem os documentários no Oscar. Na primeira, a de Longa Metragem, a vitória ficou com O.J. Made In América, produção da ESPN Films, pertencente a famosa cadeira de emissoras de esporte, que conta a história do famoso ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson

Famoso nas jardas do mais popular esporte com bola americano, O.J. teve a carreira arruinada num caso de assassinato em 1995. Isto sem contar os tantos outros crimes que cometeria e seria condenado nos anos seguintes, somando-se as denuncias de assédio, o soterrando ainda mais na opinião publica. Como é um trabalho feito para a TV, o documentário acabou tendo intermináveis 7h47, sendo a produção mais longa a conquistar uma estatueta, batendo o longa soviético Guerra e Paz, de 1969, com 7h07 de duração e vencedor do Melhor Filme Estrangeiro no mesmo ano.

Em Curta-Metragem, o melhor da noite foi Os Capacetes Brancos (The White Helmets), produção britânica que conta mostra a dura vida de um grupo de voluntários sírios que não mede esforços para salvar vidas de vitimas em meio aos confrontos e carnificina da Guerra Civil Síria.

Para os amigos de A BOINA que não a conhecem, eis Laly Siegel, a nossa especialista em cinema em A BOINA Patricia Roth)

Para os amigos de A BOINA que não a conhecem, eis Laly Siegel, a nossa especialista em cinema em A BOINA (Patricia Roth)

Enfim, terminamos mais uma revisão da noite de premiações da Academia. Agora, só conferirmos o que de bom virá no grande circuito durante 2017 para renovarmos as esperanças e prestigiarmos de nossos televisores (ou ao vivo, para os sortudos) a próxima premiação do Oscar, a 90ª da história. E, queira Deus, sem gafes!

Agradecimentos de A BOINA a querida Laly Siegel, mais uma vez brilhante e responsável pela cobertura da cerimônia direto da poltrona de casa, mas sempre atenta aos detalhes e rica de conhecimento cinematográfico.

Até 2018!

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