Nokia 3310: O ressurgimento do “tijolão” 17 anos depois

Ele está de volta: Depois de 17 anos longe, o lendário Nokia 3310 retorna as vendas como opção de celular simples para quem quer apenas falar ao telefone, viver longe das redes sociais ou se manter em contato com os tios e avós. Lançamento foi nos últimos dias de fevereiro, na Espanha Reprodução)

Ele está de volta: Depois de 17 anos longe, o lendário Nokia 3310 retorna as vendas como opção de celular simples para quem quer apenas falar ao telefone, viver longe das redes sociais ou se manter em contato com os tios e avós. Lançamento foi nos últimos dias de fevereiro, na Espanha Reprodução)

Quem era um jovem indolente ou um adulto cheio de ocupações por volta do ano 2000 lembra muito bem dele. Resistente (praticamente inquebrável!), eficiente na função que era concebido e com uma autonomia de carga de dar inveja a qualquer iPhone. Claro que você já deve ter ouvido falar das proezas do lendário Nokia 3310, o popular tijolão, que naqueles tempos estava na vanguarda da tecnologia em telefonia móvel e que, com o passar dos anos, virou objeto de memória na evolução dos celulares.

Pois bem, eis que a tradicional empresa finlandesa, que hoje tem apenas status de marca depois que vendeu a divisão de celulares em 2014, volta a estar na evidencia da tecnologia, mas agora responsável por um, digamos, retrocesso saudável. É que marca anunciou as vésperas da Mobile World Congress, em Barcelona, que o velho 3310, repaginado mas ainda clássico, estará de volta as lojas trazendo consigo elementos de um passado distante mas que, por incrível que pareça, está encontrando lugar no mercado.

O lançamento do novo 3310 em Barcelona, durante o

O lançamento do novo 3310 em Barcelona, durante o Mobile World Congress. Volta do modelo vinha sendo cantada há algum tempo, sendo confirmada pela HMD Global, atual responsável pela marca Nokia para celulares, as vésperas do congresso (Reprodução)

Esteticamente, o novo 3310 não parece com o antecessor. Ele sofreu algumas alterações de design e de gráficos, bem sutis por sinal. No entanto, na essência de tudo, o modelo é clássico ao extremo. A internet é de 2.5G, quase inexistente, não há aplicativos disponíveis para ele como Whatsapp e Messenger, entre outros; é perfeito para falar e enviar mensagens, além de trazer consigo um clássico dos jogos dos mobile: O Snake, ou o popular jogo da cobrinha, nostalgia pura para muitos que eram desafiados a alimentar o réptil virtual sem faze-lo se chocar contra si mesmo.

O modelo será fabricado pela HMD Global, empresa também da Finlândia que, recentemente, assinou um licenciamento para a fabricação de celulares com a marca Nokia, estando entre eles o novo 3310. Até então, a marca finlandesa havia deixado o mercado de celulares depois que a divisão de telefonia móvel foi adquirida pela Microsoft em 2013, rebatizando à época a linha Lumia, a última fabricada pela marca. Depois disto, a Nokia se dedicou a aparelhos de telecomunicação e de saúde, através da marca Withings.

O Snake

O Snake, ou jogo da cobrinha, repaginado no novo 3310. Mais um clássico de volta (Reprodução)

Em entrevista para a BBC, o consultor Ben Wood, da CCS Insight, fala que a volta do modelo tem como um dos apelos – lógico – a nostalgia de muitos que tiveram o 3310 como seu primeiro celular. O 3310 foi o primeiro celular a ser produzido em massa e há uma enorme nostalgia e carinho das pessoas por ele (..) Se a HMD tivesse anunciado apenas dispositivos Android eles teriam apenas um pequeno espaço na imprensa. Então, o 3310 é um movimento muito inteligente e esperamos que ocorram vendas em volumes significativos.

Veja, abaixo, alguns outros modelos populares da Nokia:

Por que o tijolão volta?

Mas o que leva uma marca a investir, novamente, num celular ultrapassado tecnologicamente? Muito mais do que a nostalgia de seus usuários, o 3310 é reflexo de um mercado novo que nasce dentro da telefonia móvel: São os chamados dumbphones, ou celulares burros na tradução literal. Um aparelho que, mesmo sem tantos recursos, é uma opção para quem quer um segundo celular apenas para ligações, ou um aparelho simples para idosos que também querem facilidade, ou ainda um aparelho para as férias, numa espécie de desintoxicação digital dos milhares de recursos de um smartphone convencional.

A simplicidade

Além da nostalgia, a simplicidade de uso é um dos atrativos, seja para quem não domina os modernos smartphones ou para quem busca uma alternativa de segundo celular que permita uma desintoxicação digital das redes sociais (Reprodução)

Com relação a este último tópico, a proposta é mais do que bem-vinda num mundo carregado de recursos e celulares complexos para muita gente. Para quem tem um smartphone a realidade não é muito diferente: Toda a hora um bombardeio de recados, mensagens e toques nos é oferecido gratuitamente. Não que não gostamos, nossa vida de hoje tem parcela no mundo virtual, mas em momentos, esta tal desintoxicação digital é um alívio para quem vive, constantemente, envolto nos apitos do companheiro smartphone, mas que não querem tornar-se incomunicáveis.

E quem acha que isso não é possível, pode olhar em volta quantos dos seus amigos que, por um período ou de forma definitiva, abandonam redes sociais, como os próprios Facebook e Whatsapp, em busca de um relaxo para a mente e uma fuga para a vida real que corre em sua volta. Não que seja um número espantoso, mas vem crescendo em vista da frieza e cansaço do mundo virtual, cuja presença soa ainda mais exigente para a sua imagem, muitas vezes maquiada por situações ou frases.

nokia-logoO mercado de dumbphones não é novidade já há algum tempo. Desde o início da década, existe uma especial preocupação  com a acessibilidade de um aparelho celular para pessoas que não dominam facilmente tantos recursos tecnológicos, como os idosos. Assim, outras marcas já estão pensando em reviver aparelhos ou lançar modelos de uso simples e, muitas vezes, mais simples a pessoas com dificuldade de visão, audição ou por conta da idade. É outro nicho em que o 3310 se encaixa perfeitamente pela simplicidade de recursos que traz, além de seguir a tendência de inserção no mercado da terceira idade como público consumidor de tecnologia.

Sejam quais forem os caminhos que virão, o Nokia 3310 ainda não chegou, oficialmente, as lojas, tampouco tem data de chegada ao Brasil. Estima-se que o preço do aparelho gire em torno de R$ 160, muito acessível para qualquer um, além de contar com a marca e a durabilidade de bateria reconhecidas pelos aparelhos da icônica Nokia.

(Reprodução)

(Reprodução)

Resta aguardar e ver se o novo tijolão (não mais tão com cara de tijolo) vai emplacar e seguir o que se espera de um celular tão simpático e carismático como ele.

Um comentário sobre “Nokia 3310: O ressurgimento do “tijolão” 17 anos depois

  1. André,
    Boa pesquisa sobre a NOKIA. Você poderia ter usado e fotografado alguns dos modelos que te dei da NOKIA.
    Nem vais precisar comprar, só colocar bateria.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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