Gramming & Marbles (F1): Novidades, Mercedes e barbatanas, o que esperar do circo em 2017?

(André Bonomini & Douglas Sardo)

O silêncio sepulcral nos arredores da pista de Montmeló foi, enfim, quebrado pelo bem da velocidade. A unidades de força (eita nominho feio!) dos bólidos da F1 já estão urrando a plena nos primeiros testes da pré-temporada de 2017, o 68º mundial da história da mais alta classe do automobilismo. Depois das semanas de lançamentos, novidades e confirmações, agora equipes e pilotos se reúnem pela primeira vez para os últimos ajustes antes da primeira largada do ano: Dia 26, na sempre simpática Melbourne, Austrália.

Para um ano onde a F1 busca se reencontrar com o espetáculo perdido há muito tempo, os primeiros experimentos dos novos carros na pista mostraram algo mais do que as novas máquinas, enquadradas no novo regulamento para a temporada: Mas sim o quão feias são as benditas barbatanas, que voltaram em 18 dos 20 bólidos de 2017. E quando falo assim, digo que menos dois seguem esta tendência um tanto maldosa com a beleza dos bólidos: A Mercedes, a única que não utilizou o aparato e que é a força a ser batida neste ano, mas que também entra na pista com a mesma incerteza sobre se manterá seu domínio ou será ameaçada.

A grande vedete dos primeiros dias de testes: A Ferrari andou perto da Mercedes e da pinta de que será ela que vai ameaçar o dominio das flechas de prata (Reprodução)

A grande vedete dos primeiros dias de testes: A Ferrari andou perto da Mercedes e da pinta de que será ela que vai ameaçar o domínio das flechas de prata (Reprodução)

Os alemães da flecha de prata podem se manter a frente, mas olham com cuidado para o que os lados de Maranello estão aprontando, já que a Ferrari acabou como uma das mais comentadas depois das primeiras impressões na pista e dos bons tempos virados, especialmente, por Kimi Raikkonen. Se é o suficiente para dizermos que habemus disputa este ano, não sabemos. Mas toda a cautela é necessária, afinal, de pisadas na bola a Ferrari já está cheia nos últimos anos.

De resto, os testes vem mostrando o que cada equipe deve passar neste ano, ou ao menos aquelas cujos holofotes estão bem apontados. A Williams, por exemplo, teve de tirar o tempo restante da semana para contar os danos de um acidente do estreante Lance Stroll, que já causou motivação para a primeira galhofa do ano dos fãs: A fama prematura de batedor do canadense, o comparando em vezes com Pastor Maldonado. Um pouco de maldade, mas é por ai que a vida segue diante os olhos dos espectadores do circo.

Stroll já começou colocando dúvidas em si mesmo e sua capacidade de ser mais do que um (Batchelor / XPB Images)

Stroll já começou colocando dúvidas em si mesmo e sua capacidade de ser mais do que um pay-driver. Nos primeiros testes, uma rodada e uma batida que atrasou os trabalhos da Williams (Batchelor / XPB Images)

Falando em Williams, é nela que reside o único brasileiro da temporada, algo que foi possível em uma decisão que pegou meio-mundo da F1 de calça curta ainda em 2016. Com a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes, no lugar do aposentado Nico Rosberg, coube a Felipe Massa atender o clamor de Grove, esquecer a aposentadoria e retornar a F1 (sem ter, praticamente, saído do universo da categoria) para contribuir com o time inglês na sua tentativa de volta para o futuro. Com bons testes e inspirado por ter papel crucial na evolução da equipe, Massa afirma que não voltou por acaso, e não quer ser um mero coadjuvante neste ano.

Enfim, sem muito lenga-lenga, vamos ver o que nos aguarda cada equipe do grid de 2017. Perspectivas, armas, pilotos e o que trazem no bojo para a batalha deste ano. A ordem de apresentação dos times segue a classificação dos construtores de 2016.


1 – Mercedes

Hamilton, Wolff e Bottas. A Mercedes não quer perder a majestade e conta com a excelência como arma principal para tanto (Reprodução)

Hamilton, Wolff e o novo na casa prateada, o jovem Bottas. A Mercedes não quer perder a majestade e conta com a excelência como arma principal para tanto, mesmo com a virada de regulamento (Reprodução)

Carro: W08 EQ Power+
Motor: Mercedes-AMG F1 M08 EQ Power+
Pilotos: Lewis Hamilton e Valtteri Bottas

A campeã do mundo que não quer, de jeito nenhum, perder a majestade. Embora
abalada – em partes ou não – com a saída repentina de Rosberg, a Mercedes parece
ter voltado a um começo ao receber o novato Bottas, sedento por vitórias e
querendo mostrar que tem fogo para queimar. O que pode significar problemas para
Lewis Hamilton, que não quer sair de 2017 sem o sonhado tetra.

Valtteri Bottas tem, ao menos, a obrigação de vencer pela primeira vez este ano, depois de ser premiado com uma vaga na melhor equipe do grid (Reprodução)

Valtteri Bottas tem, ao menos, a obrigação de vencer pela primeira vez este ano, depois de ser premiado com uma vaga na melhor equipe do grid (Reprodução)

Entrementes, a mudança de regulamento abre precedente para uma nova ordem no
grid. Ao menos, teremos alguém seguindo de perto as flechas de prata, mesmo que
os alemães continuem mostrando nos testes a boa e velha eficiência dos últimos
três anos.


2 – Red Bull

Azarado para alguns? A apresentação do novo RB13 apelou para a superstição, mas alguns problemas nos primeiros testes já colocaram em duvida a competitividade do carro (Reprodução)

Azarado para alguns? A apresentação do novo RB13 apelou para a superstição, mas alguns problemas nos primeiros testes já colocaram em duvida a competitividade do carro (Reprodução)

Carro: RB13
Motor: TAG Heuer (Renault R.E.17 1.6 V6 Turbo híbrido)
Pilotos: Daniel Riccardo e Max Verstappen

Depois de um ano positivo e de volta ao burburio da categoria, a Red Bull quer
afirmar a volta a briga por um titulo depois da era Vettel. No entanto, o time austríaco
parece ter começado os testes justificando o azar impresso no nome do carro.
Contratempos com o motor preocupam, algo que pode colocar a prova o talento
precoce e deslumbrante de Max Verstappen, na sua primeira temporada completa
pela equipe do touro paraguaio.

Verstappen terá um ano para mostrar, definitivamente, por que é uma das grandes apostas no futuro da F1. Por primeiro, terá de superar os primeiros problemas da equipe austríaca apresentados nos testes (Mark Thompson / Getty Images)

Verstappen terá um ano para mostrar, definitivamente, por que é uma das grandes apostas no futuro da F1. Por primeiro, terá de superar os primeiros problemas da equipe austríaca apresentados nos testes (Mark Thompson / Getty Images)

O jovem holandês, porém, não terá apenas que lidar com possíveis problemas, mas
com o impeto de Daniel Riccardo. O australiano não está a fim de andar atrás do
companheiro, o que promete uma interessante disputa dentro dos cercados
austríacos.


3 – Ferrari

O SF70H, com a missão ingrata de recobrar a confiança no vermelho-Ferrari e a competitividade perdida no ano passado (Reprodução)

O SF70H, com a missão ingrata de recobrar a confiança no vermelho-Ferrari e a competitividade perdida no ano passado (Reprodução)

Carro: SF70H
Motor: Ferrari 062 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen

Motor, carro, confiabilidade… a Ferrari é a vedete da pré-temporada, pelo menos
por agora. Os tempos virados pelos bólidos de Maranello, independente do
composto que usam, surpreenderam nas primeiras sessões e colocaram uma
interrogação sobre o domínio da Mercedes. É claro, testes são testes, mas tanta
surpresa se justifica com o espanto dos concorrentes.

Não se deve falar em coisas grandes ainda. Vettel age na defensiva e calado, quando muito, usando do bom humor para definir o novo ano (Reprodução)

Não se deve falar em coisas grandes ainda. Vettel age na defensiva e calado, quando muito, usando do bom humor para definir o novo ano (Reprodução)

Mas falar de briga pelo título ainda é cedo para os vermelhos. Sebastian Vettel
esquiva-se com bom humor, talvez tentando não cultivar esperanças para este ano.
Já Kimi Raikkonen pode viver um renascimento com um carro que permita voltar aos
tempos do iceman calculista que é.


4 – Force India

Estranho? De entortar o nariz? Mas talvez o bólido que possa levar a Force India a um novo patamar depois do ótimo ano anterior. E como carro bonito é aquele que anda rápido... (Reprodução)

Estranho? De entortar o nariz? Mas talvez o bólido que possa levar a Force India a um novo patamar depois do ótimo ano anterior. E como carro bonito é aquele que anda rápido… (Reprodução)

Carro: VMJ10
Motor: Mercedes-AMG F1 M08 EQ Power+
Pilotos: Sergio Perez e Esteban Ocon

Eleito por unanimidade o mais estranho dos carros do ano, o novo bólido da turma
de Vijay Mallya tem uma missão um tanto ingrata para cumprir: Igualar ou superar o
desempenho do ano anterior, quando ficou a frente da tradicionalíssima Williams. Os
indianos, no entanto, querem mais. Falam em primeira vitória e de assustar um
pouco mais os ponteiros, confiando principalmente na estrela de Sérgio Checo
Perez, cada vez melhor ano após ano.

Checo tem estrela, está em posição privilegiada na equipe indiana e pode surpreender este ano. Isto se a máquina e o ímpeto de Ocon deixarem (Reprodução)

Checo tem estrela, está em posição privilegiada na equipe indiana e pode surpreender este ano. Isto se a máquina e o ímpeto do novo companheiro, Ocon, deixarem (Reprodução)

O mexicano – que incorporou a persona de esportista patriota anti-Trump com louvor
– não terá uma vida fácil. Ao seu lado, o rápido e promissor Esteban Ocon pode
trazer uma disputa salutar aos lados preto-prata-laranja, além de surpreender
novamente quem acha sempre que Vijay anda mal das pernas. Vamos aguardar.


5 – Williams

A dura tarefa de voltar a ser um time de ponta. Com um novo projeto, a Williams busca regressar ao status de força, e tem feito boas apresentações, ao menos na mão de Massa (Reprodução)

A dura tarefa de voltar a ser um time de ponta. Com um novo projeto, a Williams busca regressar ao status de força, e tem feito boas apresentações, ao menos na mão de Massa (Reprodução)

Carro: FW40
Motor: Mercedes-AMG F1 M08 EQ Power+
Pilotos: Felipe Massa e Lance Stroll

A batalha é para  voltar as cabeças como nos bons tempos. Depois de dois anos estacionada no mesmo projeto, a esquadra de Grove larga mão de um novo projeto que, nos primeiros testes, já se mostrou promissor. Massa conseguiu um terceiro lugar nos tempos e trouxe sorrisos a Claire e seus comandados. O brasileiro passou de
beneficiário do INSS a uma espécie de Moisés, responsável por fazer o team
cruzar, enfim, o mar de imobilismo dos últimos anos.

Saído da fila do INSS, Felipe Massa é o principal motivador do time de Grove para voltar aos tempos de glória. Andou bem no primeiro dia de testes e promete muito (Reprodução)

Saído da fila do INSS, Felipe Massa é o principal motivador do time de Grove para voltar aos tempos de glória. Andou bem no primeiro dia de testes e promete muito (Reprodução)

No entanto, tem quem já está esbugalhando os olhos com as patetadas de Lance
Stroll, o novato canadense do time que tem a missão de mostrar que é muito mais
do que um pay-driver. Já começou mal, rodando e carimbando o bólido nos pneus.
Se não mudar a imagem, vai ser, simplesmente, um herdeiro de Maldonado, como
já tem sido dito por ai.


6 – McLaren

Tudo laranja para Vandoorne e o veterano Alonso. A McLaren procura o rumo definitivo depois de anos sumida e presa aos problemas do motor Honda, que continua este ano (Reprodução)

Tudo laranja para Vandoorne e o veterano Alonso. A McLaren procura o rumo definitivo depois de anos sumida e presa aos problemas do motor Honda, que continua este ano com a promessa de mais confiabilidade e desempenho (Reprodução)

Carro: MCL32
Motor: Honda RA617H 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne

Novamente alaranjada (embora meio fora do tom do passado), riscando a memória e
o nome de Ron Dennis da vida, a McLaren chegou chegando na apresentação do
novo carro, o Maria-Come-Laranja… ou melhor, MCL32, trazendo no cofre o motor
Honda e as esperanças da volta as primeiras posições. Infelizmente, nas primeiras
rodadas do bólido, os velhos problemas voltaram. Troca de motor, Fernando Alonso
desanimando e fazendo galhofa… é uma volta aos tempos sombrios?

Nos primeiros testes, preocupações: Motor problemático e falta de performance fazem Alonso voltar as galhofas e indiretas de tempos sombrios Reprodução)

Nos primeiros testes, preocupações: Motor problemático e falta de performance fazem Alonso voltar as galhofas e indiretas de tempos sombrios (Reprodução / Motorsport)

Eric Boullier já começa a estar indeciso sobre o futuro do asturiano no cercado de Woking, muito mais pela falta de um horizonte para a equipe com tantos problemas. Algo que pode prejudicar também o desenvolvimento de Stoffel Vandoorne, que em 2016 já tinha mostrado que tinha talento para muito mais.


7 – Toro Rosso

O pacote de Bis... ou melhor, o carro mais bonito do ano está em Faenza. Com o novo STR12, a Toro Rosso procura voltar a surpreender no circo REprodução)

O pacote de Bis… ou melhor, o carro mais bonito do ano está em Faenza. Com o novo STR12, a Toro Rosso procura voltar a surpreender no circo (Reprodução)

Carro: STR12
Motor: Renault R.E.17 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Daniil Kvyat e Carlos Sainz Jr.

Nasceu em Faenza o mais belo carro de 2017. Com uma pintura azul metálica combinada ao prateado do touro (sendo, carinhosamente, chamado de carro-Bis), a Toro Rosso quer muito mais do que ser um carrinho bonitinho: Quer voltar a espantar o grid com bons resultados, confiando especialmente na volta do motor Renault a equipe e a confiança num projeto mais tradicional, mesmo sem dispensar a barbatana.

Kvyat está em um momento de reset, para começar de novo e mostrar que o que passou, passou. A tarefa não é nada fácil para 2017

Kvyat está em um momento de reset, para começar de novo e mostrar que o que passou, passou. A tarefa não é nada fácil para 2017 (Reprodução)

Nos cockpits, residem duas realidades distintas: Daniil Kvyat tem de mostrar a opinião publica que ainda é rápido e não merece ser descartado como qualquer coisa, isto depois de um rebaixamento inesperado no ano passado. Do outro lado, o espanhol filho da lenda de rally, em mais um ano pela equipe italiana buscando, quem sabe um dia, seu espaço no time principal. Realidades que vão se chocar na pista a partir do dia 26 com consequências ainda incertas.


8 – Haas

Mais tinta no cinza: A Haas vem confiante para 2017 e traçando novos objetivos. Um deles, o mais ambicioso, o top-4 entre as equipes Reprodução)

Mais tinta no cinza: A Haas vem confiante para 2017 e traçando novos objetivos. Um deles, o mais ambicioso, é estar no top-4 entre as equipes (Reprodução)

Carro: VF17
Motor: Ferrari 062 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Romain Grosjean e Kevin Magnussen

Gene Haas está querendo mais. Depois de um ano de estreia interessante, o time americano busca agora uma meta mais ambiciosa: O top-4 da F1 em 2017. Competência, a equipe tem. Fez uma temporada de debut decente e bem diferente de outras experiências vistas em outros anos (leia-se Caterham e Manor). E carro também não falta, embora ainda precisando mostrar o verdadeiro potencial.

Depois de anos de afobação, Grosjean renovou-se diante da missão de levar a Haas adiante. Agora, no segundo ano com os americanos, conta com equipamento e estrutura para voar mais alto Reprodução)

Depois de anos de afobação, Grosjean renovou-se diante da missão de levar a Haas adiante. Agora, no segundo ano com os americanos, conta com equipamento e estrutura para voar mais alto Reprodução)

Nem piloto falta, Romain Grosjean tem rejuvenescido no trabalho junto aos americanos, assumindo uma posição de liderança dentro da esquadra. A vinda de Kevin Magnussen em substituição ao fraquíssimo Esteban Gutierrez pode representar um bom avanço. Isso se o dinamarquês resolver mostrar serviço.


9 – Renault

O objetivo é não ser piada. Simples, direto e grandioso, o projeto da Renault soa muito melhor do que foi em 2017, prometendo muito para os amarelos francesas Sutton) (L to R): Bob Bell (GBR) Renault Sport F1 Team, Nico Hulkenberg (GER) Renault Sport F1 Team, Jolyon Palmer (GBR) Renault Sport F1 Team, Jerome Stoll (FRA) Director of Renault Sport F1, Alain Prost (FRA) Renault Sport F1 Team Special Advisor, Mandhir Singh,BP COO, Sergey Sirotkin (RUS) Renault Sport F1 Team Test Driver, Thierry Koskas, Renault Executive Vice President of Sales and Marketing and Cyril Abiteboul (FRA) Renault Sport F1 Managing Director at Renault Sport F1 Team RS17 Reveal, The Lindley Hall, London, England, 21 February 2017.

O objetivo é não ser piada. Simples, direto e grandioso, o projeto da Renault soa muito melhor do que foi em 2017, prometendo muito para os amarelos francesas (Sutton)

Carro: R.S.17
Motor: Renault R.E.17 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Nico Hulkenberg e Joylon Palmer

Pelo bem da história da Régie na F1, a lei é esquecer 2016. Depois de retornar como equipe, a turma amarela da França tem que mostrar que tem capacidade de fazer um carro competitivo e de ter uma equipe eficiente. O novo modelo ainda não surpreendeu nos testes, mas ao menos não apresentou problemas sérios.

É na experiência de Hulkenberg que a Renault aposta suas fichas para voltar a dar o que falar. Ainda mais que, agora, o alemão tem um ambiente voltado ao que ele tem a dizer para tudo seguir no caminho certo Reprodução)

É na experiência de Hulkenberg que a Renault aposta suas fichas para voltar a dar o que falar. Ainda mais que, agora, o alemão tem um ambiente voltado ao que ele tem a dizer para tudo seguir no caminho certo (Reprodução)

Cabe a Nico Hulkenberg, agora em posição principal numa equipe, tem uma chance de peso de mostrar sua habilidade como piloto que vai além de Le Mans. Um grande problema para o filho do Dr. Jonathan, Joylon Palmer, que ainda é um mistério por ter ficado na equipe mesmo depois de um ano patético.


10 – Sauber

25 anos de aventuras, mas uma temporada onde

25 anos de aventuras, mas uma temporada das mais decisivas. Vinda de um 2016 esquecível, a Sauber entra no novo ano como a segunda a lançar o carro, mas candidata a ser uma espécie de nova Manor. Afinal, alguém tem que andar atrás (Reprodução / Motorsport)

Carro: C36
Motor: Ferrari 061 1.6 V6 Turbo híbrido
Pilotos: Marcus Ericsson e Pascal Wehrlein

Candidata fortíssima a Minardi do ano (já que alguém tem que andar atrás na lei da natureza), a Sauber foi a segunda a apresentar o carro este ano, diferente do atraso cabalístico do ano passado. O carro é bonito mas não surpreende, o motor Ferrari é defasado e não ajuda muito, o desempenho do carro pode até ser melhor do que 2016, mas só um pouco melhor.

Ericsson é o único titular na pista na Espanha, já que Wehrlein recupera-se de uma lesão. Até agora, nenhuma surpresa para os suiços, que esperam um milagre para fazer

Ericsson é o único titular na pista na Espanha, já que Wehrlein recupera-se de uma lesão. Até agora, nenhuma surpresa para os suiços, que esperam um milagre para fazer coisa melhor (Reprodução)

Uma pena, a equipe tem no cast o jovem Pascal Wehrlein, que ainda não testou o carro por estar lesionado depois de um acidente na Race of Champions do ano passado. O test driver Antônio Giovinazzi está cumprindo o papel do alemão junto de Marcus Ericsson, sobrevivente da temporada passada, que parece não ter tanto horizonte para 2017 diante das dificuldades da esquadra suíça.


Para Recordar: O arrebatamento de Tom Pryce

Um promissor galês que, entre os fortes dos meados dos anos 70, colocou a máquina negra da Shadow em destaque. Eis Tom Pryce, jovem promessa britânica ceifada da forma mais cruel há 40 anos, num lance brutal em Kyalami Rainer W. Schlegelmilch / Getty Images)

Um promissor galês que, entre os fortes dos meados dos anos 70, colocou a máquina negra da Shadow em destaque. Eis Tom Pryce, jovem promessa britânica ceifada da forma mais cruel há 40 anos, num lance brutal em Kyalami (Rainer W. Schlegelmilch / Getty Images)

Thomas Maldwyn Pryce, galês de Ruthin, 27 anos e um jovem de cabelos longos e boina na testa querendo ser um sucessor de Jackie Stewart assim como fora James Hunt. Chamado apenas por Tom nas pistas, ele era uma proeminente esperança da Grã-Bretanha de ter mais vitórias nas estatísticas. Infelizmente, ficou marcado por um dos acidentes mais brutais da categoria, que completa 40 anos neste início de mês de março.

Estreou na F1 em 1974, na diminuta Token, acumulando um abandono e não-qualificações com o carro verde do time que tinha no comando um jovem Ron Dennis em início de carreira. Iria para a Shadow no mesmo ano, substituindo a Brian Redman, que por conseguinte, substituía a Peter Revson, morto durante testes no autódromo de Kyalami.

A Shadow negra de Pryce em 1975. Na curta carreira, apenas dois terceiros lugares como melhores resultados, mas

A Shadow negra de Pryce em 1975. Na curta carreira, apenas dois terceiros lugares e uma pole como melhores resultados, mas a atenção de muitos pilotos do grid para seu talento proeminente (Reprodução)

Pryce era o garoto da Shadow, a equipe de Don Nichols vinda das provas de Can-Am e que, desde 1973, estava evoluindo entre os times do grid do circo. Fez um interessante ano de 1975, com um terceiro lugar conquistado na Áustria e não teve um feliz 1976, repetindo a melhor colocação do ano anterior em Interlagos. Ainda assim, era visto como um piloto promissor e chegava em 1977 com uma equipe melhor estruturada, permitindo-lhe mais.

Infelizmente, o destino lhe pregou uma peça naquele dia 5 de março, na veloz pista sul-africana (outra vez ela, o karma da Shadow). Seu companheiro de equipe, o italiano Renzo Zorzi, encostara seu carro na lateral da pista com problemas no motor. Renzo estava alvoroçado pois as chamas começavam a consumir o carro enquanto tentava se desvencilhar de um aparato que o prendia no cockpit.

Neste instante, alguns fiscais (leia-se voluntários) atravessam a pista, entre eles Frederik Jansen Van Vuueren, que carrega um pesado extintor. Sem mensurar a distância dos carros, é feita a travessia sem perceber que Pryce vinha descendo a lenha na grande reta. O choque foi inevitável, Tom acabou acertando Van Vurren, cujo extintor atingiu em cheio a cabeça do galês e arrancou seu capacete. O jovem voluntário teve o corpo destroçado e só foi identificado na chamada geral dos fiscais, que denotaram sua ausência.

Quanto a Pryce, desfalecido a bordo de um Shadow sem controle, ele perfaz toda a grande reta morto com o carro desacelerando aos poucos mas ainda rápido. Acerta a Ligier de Jacques Laffite antes de estatelar-se nas telas fora da pista. Nada mais pode ser feito. Mais uma promessa britânica (a terceira da chamada Geração Perdida, que tinha ainda Roger Williamson e Tony Brise) partia das pistas para a memória.

Há 40 anos.

Reprodução)

(Reprodução)

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