À mulher: Um ser mais forte que o junco

(Reprodução)

Conta uma velha fábula que, em um córrego num lugar qualquer do mundo um grande Carvalho, debochado, se achava a ultima bolacha de pacote diante de um pequenino Junco, plantado à outra margem do rio. O tempo inteiro contava vantagens e se gabava por poder abrigar os pássaros, de ser mais forte, mais alto e mais chamativo que o baixo e frágil junco. Mesmo com as respostas sensatas do junco, o grande Carvalho mostrava sua arrogância, dizendo que resistia a tudo e a todos e que o pobre junco se baixava a qualquer vento.

Num certo dia, uma forte tempestade com ventos veio mostrar quem estava certo e errado. O duro e arrogante Carvalho, que tanto dizia resistir, quebrou-se, foi arrancado e desapareceu. Já o pequeno Junco, mesmo com a força feroz dos ventos, dobrou-se suavemente resistindo as rajadas potentes, tudo isso para, depois da tempestade, subir novamente e olhar ao céu radiante e sem medo de ser quem era. Assim o junco mostrou que ser durão e prepotente não é a saída para toda a adversidade, bem diferente de ser maleável e, nesta maleabilidade, usar sua força interior para vencer e dar a volta por cima.

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Mas onde você quer chegar , você mulher pergunta neste dia que o mundo dedica a você… É que, perdido entre tanto pensar sobre o que ou como te descrever em mais um 8 de março, resolvi recordar de uma fábula para dizer-te que encontrei pelo mundo alguém mais forte que o junco. Por vezes, mulher, você se dobrou. Dobraste diante das desgraças a ti dirigidas, aos maus maridos, maus homens que te execraram e lhe viram como objeto, como qualquer coisa, como um ser reservado a fofura e a fraqueza. Tantos Carvalhos que você teve de ouvir ou, pior, sentir em socos e chutes, morais ou físicos.

Sim, soa violento, mas ainda temos realidades assim neste mundo dito moderno. Não sou mulher, mas creio que entendo-te como um homem que não quer e rejeita juntar-se neste mundo de impropérios e rótulos criados a você. Na música pífia, na mídia descarada, na esquina mal esperada, onde qualquer um está pronto para te agredir e te humilhar. Te acoam e te calam quando podem, dizendo eles serem os que te protegem e te dão o que queres. Nefastos do dia a dia, independente das posições que estão, Carvalhos arrogantes numa floresta de mentiras e virilidades covardes.

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Mas mulher, como te disse, você é mais forte que o junco. Esta tempestade pode estar longe de terminar – infelizmente – mas você nos dá uma lição verdadeira de como desdobrar-se com sua maleabilidade característica, e mesmo assim, ser forte e vigorosa como… um Carvalho. Bates teu pé diante do que te impede, de quem te agride nesta selva de pedra hostil e te colocas em posições firmes, dizendo ao mundo quem você é e o que quer. Não se dobra, mas se dobrada, reage com o mesmo vigor de quem lhe agride, seja sozinha ou junto de outras como você.

Tua força é espantosa, tão espantosa quanto sua beleza, doçura e amor. De ti parte a origem da vida e dos sentimentos que inspiram os verdadeiros poetas e romancistas, como eu. Pessoas que veem em você o misto de força e leveza que só você, mulher, consegue em combinação perfeita. O filho gerado e criado em tua prole, o amigo ou amiga que busca teu aconchego, a enfermeira, a esposa do bom e dedicado marido que te cobre de força e amor dia a dia, a avó dedicada e experiente. É espanto demais para meu espírito.

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O dia é teu, mulher. Você que é um ser mais forte que o junco, mas tão maleável e bela em flor quanto ele. Eu sei que muitas tormentas vem e virão, mas não duvido que você as dobrará em gesto de persistência e luta sem perder a elegância e charme do dia a dia, o que fascina quem te vê vencer, sorrir, vibrar e gritar em lágrimas de alegria para quem quer ouvir.

Bom, seria isto à ti, mulher. Dobre-se como o junco, mas mostre cada dia sua força e leveza diante dos Carvalhos. Só você sabe muito bem fazer isso. O mundo é seu, é de vocês, e a nós, homens, cabe nossa reverencia, respeito e um doce abraço no fim do dia.

Bom dia para vocês, seres mais fortes que o junco.

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Um comentário sobre “À mulher: Um ser mais forte que o junco

  1. André, parabéns por nos trazer esta bela fábula.
    As mulheres merecem todo nosso carinho e respeito pela passagem de seu dia internacional. Desde aquele fatídico 08 de março de 1857 … um dia para não esquecer, mas que jamais deveria ter ocorrido tamanha barbarei. Mas justamente a data foi escolhida para que jamais se esqueça o fato. Parabéns a todas as mulheres valorosas e incansáveis trabalhadeiras, filha, mãe, avó …
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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