Gramming & Marbles (Indy): De último a primeiro, Bourdais rouba a cena na abertura da temporada

Um veterano e a menor equipe. Nada pode impedir quem ainda sabe fazer estratégias e andar na frente. Para quem não se lembra dele desde sua última vitória, na corrida 1 de Detroit no ano passado, ai está o emocionado Sébastien Bourdais, de volta a Dale Coyne, vencendo e contrariando a lógica (Reprodução)

(Douglas Sardo)

Foi um fim de semana de surpresas em São Petesburgo, Flórida, onde a F-Indy abriu a temporada 2017. Desde o excelente desempenho dos carros Honda, passando pela performance discreta da Penske e uma certa falta de eficiência do kit Chevrolet. Mas a grande história do fim de semana foi um francês que não se chama Simon Pagenaud, mas é tão vitorioso quanto…

Em seu retorno à pequena e perseverante Dale Coyne após a temporada 2011, Sébastien Bourdais cometeu um erro nos treinos e teve de largar do último lugar. No entanto, graças a sua excelente pilotagem (e uma bandeira amarela crucial) o tetra campeão da antiga Champ Car conseguiu uma improvável vitória no circuito temporário de St. Pete, justamente no seu lar doce lar. Ainda mais fazendo história partido do fundão para atingir os píncaros da glória.

Power na Pole e Bourdais em último

Will Power achou uma volta sensacional para quebrar o domínio da Honda nos treinos. 44ª pole de sua carreira, quinto maior pole-sitter da história da Indy (Reprodução)

As surpresas na pista da Flórida começaram logo nos treinos, com os carros da Honda confirmando os bons resultados dos testes pré-temporada. No top 6 do qualify, quatro bólidos da marca nipônica. Destaque para Scott Dixon e sua nova blue Ganassi da General Eletric (GE) que dominou as sessões apenas para ser batido por um décimo de segundo na luta pela pole.

Will Power estragou a festa japonesa e garantiu o lugar de honra do grid com a Penske nº 12. James Hinchcliffe fez treino excelente e arrebatou o terceiro posto, seguido de Josef Newgarden e Takuma Sato, ambos estreando na Penske e na Andretti, respectivamente. Tony Kanaan ficou em sexto e Helio Castroneves partiria em um discretíssimo 16º.

Parecia tudo acabado para Bourdais após o francês travar tudo, passar reto e bater na classificação. Mas a roda da fortuna ainda daria suas voltas… (Reprodução)

Sébastien Bourdais teve bom desempenho nas sessões livres, mas na hora de fazer sua volta no Grupo 2 do qualify o francês cometeu um erro e bateu seu carro. Sem tempo anotado, teve de se contentar com o último lugar no grid em seu retorno à equipe Dale Coyne. O que, para os críticos, era algo até normal vindo da considerada pior equipe do grid.

Domínio de Hinchcliffe e Dixon no primeiro stint

Na largada, Will Power fritou pneus na primeira curva para manter a ponta contra um atrevido Hinchcliffe. Um lance que custaria caro ao vice-campeão de 2016. Algumas curvas depois e não demorou nem uma volta para a primeira bandeira amarela da temporada aparecer, após Graham Rahal e Charlie Kimball se espremerem na remodelada curva 3. Pior para Carlos Muñoz, que não tinha nada a ver com o lance mas tomou uma casquinha do salseiro.

Power detonou os pneus logo na primeira curva, resultando em corrida latrinária para o piloto da Penske. (Reprodução / Motorsport)

Rahal (onboard) não deu espaço para Kimball (destaque) e acabou deixando seu carro morrer após o incidente. Ambos continuaram, mas perderam qualquer chance logo de cara (Reprodução / TV)

Após a verde, Hinchcliffe não tomou conhecimento de Power e assumiu a ponta da corrida. Nosso dançarino favorito abria vantagem enquanto o australiano teve que parar mais cedo por conta de problemas no pneu dianteiro direito. Para piorar, a Penske se atrapalhou no pit lane e Will atropelou uma mangueira do equipamento do time, o que lhe custou um Stop & Go pouco depois.

Longe desses problemas, Hinchtown agora era seguido por Scott Dixon e o piloto da Ganassi parecia ter os meios para descontar a diferença. Só que na turma do fundão um plano maligno se desenhava contra os dois…

Mais uma vez a velocidade do bailante Hinchtown não foi o bastante… (Reprodução)

Bandeira amarela vira a mesa

Simon Pagenaud e Sébastien Bourdais estavam lutando para se recuperarem de grids ruins. Então suas equipes fizeram uma aposta: antecipar suas paradas torcendo por uma bandeira amarela que pegasse os líderes de surpresa. E foi exatamente o que aconteceu, quando Tony Kanaan saiu do pit lane com pneus frios e se viu atacado pelo russo Mikhail Aleshin. O baiano não deu espaço para o piloto da Schmidt Peterson e os dois tocaram, espalhando pedaços de carro pela pista. Bandeira amarela em todo o circuito.

Carro madrinha na pista, vantagem dos líderes devidamente evaporada. Pior, eles não tiveram escolha a não ser o pit-stop durante a amarela, sendo jogados para o meio do pelotão. Azar de Hinchcliffe e sorte de Pagenaud. O francês agora se via na liderança da prova seguido por Bourdais, Marco Andretti e o rookie Ed Jones, em excelente debut!

Pagenaud a frente de Bourdais. Francês da Penske se recuperou bem de problemas no equilíbrio do carro nos treinos e até lutou pela vitória. (Reprodução)

Só que a moleza do atual campeão acabou após a relargada. Pagenaud foi avisado pelo rádio que tinha de economizar combustível. Controlando o ritmo, o #1 foi presa fácil para Bourdais que passou e tratou de abrir boa vantagem. Os líderes fariam mais duas paradas mas Sébastien manteve a ponta com autoridade, rechaçando qualquer ataque do campeão ao se livrar com maestria dos retardatários.

A última chance de Pagenaud era um possível splash & Go do #18 da Dale Coyne, mas a Honda parece ter achado a chave da eficiência e Bourdais não teve problemas de combustível. No final, vitória inconteste do francês, com Pagenaud em segundo, seguidos por Dixon e Ryan Hunter-Reay, ambos com excelentes recuperações. Hinchcliffe por sua vez, não conseguiu se reerguer após a amarela e terminou apenas em nono.

Bourdais foi rápido e preciso para se livrar dos retardatários, vencendo sua corrida caseira (Reprodução)

De último para primeiro, uma vitória memorável para um piloto que muitos consideram talento desperdiçado, pois desde que entrou na IndyCar Series em 2011 Bourdais jamais dispôs de equipamento de ponta.  E mais uma vez a Dale Coyne provou que consegue fazer muito com o pequeno orçamento que possui, fruto do belíssimo trabalho de seu dono, um legítimo homem das corridas.

De quebra, Bourdais superou o número de vitórias da lenda Bobby Unser. Contando as 31 vitórias do francês na antiga Champ Car, mais as cinco da atual Indy, Sébastien agora tem 36 triunfos e é o sexto maior vencedor da F-Indy.

O abraço dos vencedores. Em tempos de muito business no esporte, é sempre bacana ver gente como Dale Coyne, autêntico garagista da Indy, vencendo (Paul Hurley)

Os 10 mais – Corrida:

1 – Sébastien Bourdais (Dale Coyne-Honda)
2 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
3 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
4 – Ryan Hunter-Reay (Andretti-Honda)
5 – Takuma Sato (Andretti-Honda)
6 – Helio Castroneves (Penske-Chevrolet)
7 – Marco Andretti (Andretti-Honda)
8 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet)
9 – James Hinchcliffe (Schmidt Peterson-Honda)
10 – Ed Jones (Dale Coyne-Honda)
12 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Sébastien Bourdais (53)
2 – Simon Pagenaud (41)
3 – Scott Dixon (35)
4 – Ryan Hunter-Reay (32)
5 – Takuma Sato (31)
6 – Hélio Castroneves (28)

Nos construtores a Honda saiu na frente, levando 119 pontos da prova na Flórida, contra 93 da Chevrolet.

O choro de Dixon

A nova cor da Ganassi de Dixon, agora patrocinada pela General Eletric. Cores novas e ladainha velha. Tetra campeão choramingou por resultado fabricado da corrida (Reprodução)

Enquanto Simon Pagenaud foi extremamente elegante e parabenizou Bourdais por uma vitória impressionante, Scott Dixon ficou lamuriando após a prova. O piloto da Ganassi chegou a dizer que o resultado da corrida foi fabricado! e questionou a bandeira amarela após o toque de Kanaan e Aleshin: Não haviam pedaços de carro ali. Só tinha uma peça pequena mas você teria que bater no muro para acertá-la! Não sei porque deram bandeira amarela.

Os mistérios de Will Power em St. Pete

Mais uma vez Will Power foi o pé frio de St. Pete. Pole, o australiano detonou seus pneus logo na primeira curva com um fritada que resultou em furo. Aí foi a vez da Penske fazer lambança na troca de pneus, resultando em Stop & Go para o #12. Power até esboçou uma reação durante a prova e poupava combustível para se adequar à janela de paradas. Mas aí seu rendimento caiu vertiginosamente e a direção de prova lhe mostrou a bandeira preta por excesso de lerdeza.

Uma corrida típica em St. Pete para mim. O que teria acontecido com o motor de Will Power? Penske e piloto fizeram mistério. Mais uma peça do folclore em torno das participações do australiano na Flórida.

O quê teria causado a queda de rendimento? Power preferiu não dizer: …logo após Dixon me passar o motor começou a fazer um barulho engraçado e eu fiquei sem potência. Eu não posso dizer o que houve mas nós fizemos algumas voltas para tentar recuperar o motor, mas não funcionava e tivemos que abandonar.

Investigações a parte, o calendário da Indy não tem mistério. A próxima corrida acontece em 9 de abril na glamourosa Long Beach, com todas as belezas da costa do Pacífico.

Se a Dale Coyne pode ameaçar no campeonato e contrariar a lógica? Bom, só a bela Long Beach – próxima parada da Indy – e as próximas corridas poderão dizer melhor (Reprodução)

E dia 26 de março tem a abertura das temporadas da MotoGP e da F1. Será que Maverick Viñales será o grande adversário de Marc Márquez? Será que a Ferrari achou o segredo para vencer a Mercedes?

Imperdível! Portanto até o próximo G&M!

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