Videotape n’A Boina nº60 – (Double Especial) Vamos rir outra vez com Os Trapalhões

(Lucas “Luke” Baldin & André Bonomini)

Hello, Videotapers Trapalhões! Tudo bem com vocês?

Hoje mais um especial. Comemorando o aniversário de 40 da estréia deles na platinada Globo, vamos comentar a trajetória do quarteto mais querido e que deixa saudade da formação original. Ainda não se ligou? Vamos falar d’Os Trapalhões! Na sequencia vou comentar sobre a minha relação com os filmes d’Os Trapalhões e depois o chefinho Bonomini toma conta do texto.

Antes de começar, vamos assistir a cena gravada em Blumenau em 1985 para o filme “Os Trapalhões No Reino Da Fantasia que teve a participação da Xuxa (<3).
Confesso que demorei para reconhecer a Rua 7 de Setembro sem o Shopping Neumarkt. Mas a cidade era (e continua) sendo muito linda…

Luke trapalhão e como os filmes dos Trapalhões inspiram-no até Hoje

(Luke Baldin)

Além da clássica Sessão da Tarde, o Youtube colaborou bastante para eu conhecer mais a fundo os files da trupe liderada por Didi. Não vou ficar passando datas e filmografia completa, mas quero falar de como é inspirador assistir aos longas do quarteto mais amado do país. É mais uma conversa sobre como era divertido assistir filmes de quando o cinema nacional era de qualidade.

P.S.: Teremos uma revelação bombástica no fim dessa parte Luke do texto. Se é verdade ou não você vai decidir; Eu conclui isso com o que ouvi e vi na época em que essa situação me aconteceu…

Que Globo Filmes que nada! Era a Renato Aragão Produções que bancava os custos, claro que sempre tem um nome de fora como a Warner Bros, por exemplo, envolvida. Mas a gente sabe que quem põem a mão na massa (e no bolso) é praticamente os brasileiros. Filmes sempre lúdicos, divertidos e que conseguiam arrancar risos do país inteiro. Se existia problemas eles acabavam naquela hora e meia de filme que eu assistia.

Claro que não eram produções como as de Hollywood, mas posso classificar melhores. Dane-se a especie de Reboot que fizeram com Os Saltimbancos Trapalhões e até mesmo os filmes solo do Didi com aqueles protótipos de personagens de apoio dos programas de TV de domingo de meio-dia que eram insuportáveis. Quer ver longa d’Os Trapalhões? Assista aos clássicos!

Parceria icônica nos filmes nacionais dos anos 80: Os Trapalhões e Xuxa (Reprodução)

Meus filmes favoritos são, sem dúvida nenhuma, A Princesa Xuxa E Os Trapalhões que é lúdico (tirando a cena em que o Didi e a Xuxa estão in love um pelo outro (chefe: Cheeesuis!)) e tem uma trama interessante, batida mas interessante. E O Casamento Dos Trapalhões, que eu cresci assistindo pela Sessão Da Tarde. Sim miguxos, não tinha TV por assinatura naquele tempo.

Claro que se for parar pra analisar quem brilhava nos filmes além do convidado especial (artistas que estavam em alta na época como Xuxa, Angélica, Gugu fazendo aparições rápidas e grupos masculinos daquele tempo), quem brilhava mais era o feijão com arroz Didi e Dedé. Digo Feijão com Arroz não no sentindo de algo simples, mas sim de uma dupla que funciona e que são opostos. Tipo o engraçadão e o esquentadinho. Mussum e e Zacarias estavam mais pros coadjuvantes na minha visão.

Antes de encerrar minha parte e passar o cajado pro meu capataz/carrasco amigo e chefinho André, vou revelar uma memória minha: Em 2003 lembro de ter ido na casa de um colega de um amigo de meus pais. Ficava no Belchior (Gaspar) que é próximo aqui de casa. Me disseram que ali perto tinha uma casa que pertencia ao Mussum…

Mussum em foto de 1980, tirada na Rua Siderópolis, Itoupava Norte. Teria ele tido uma residência no Belchior? Misteeeerio (Adalberto Day)

Eu curioso fui com uma colega lá. Cheio de medo nem adentramos muito no lugar. Não tentamos invadir a casa, óbvio, mas nem pra garagem entramos direto. Acredito que a casa poderia pertencer a família de Mussum pelos itens que tinham do lado de fora da casa. Artigos de cenografia que eram utilizados em filmes e programas de tv. Poderia ser mentira? Sim. Poderia ser verdade? Também.

Eu tinha só 9 anos, isso é tudo que me lembro. Um tempo depois mais velho tentei juntar as peças mas não consegui muitas informações úteis. E o mistério ficou…

Hey André! É contigo! Até semana que vem Videotapers! E fiquem agora com o nosso querido chefinho!


Eternos clássicos do quarteto mais louco da televisão brasileira 

(André Bonomini)

O pequeno vídeo acima diz tudo. Um advogado, um artista de circo, um mecânico especialista virado num talentoso sambista e um comerciante. Quatro elementos de lugares distintos que, pelos palcos da vida acabaram se encontrando, se combinando e, claro, fazendo a gente rir. E é impossível ficar indiferente ou, ainda, dizer que nunca viu ou ouviu falar deles.

Os Trapalhões são uma espécie de patrimônio do humor brasileiro. Não há o que mentir. Esta combinação perfeita de quatro tipos, com piadas que não tinham receio de flertar com o que hoje chamamos de politicamente incorreto é que fez a hora por 18 anos na tela da Venus Platinada.

Uma passagem pela Globo que, talvez, pode ser considerada uma salvação. Na estrada, olhando pela correção monetária desde 1969, Renato Aragão (Didi, naturalmente) e Dedé Santana pelejavam por telas da Record onde encontraram a persona do super Antônio Carlos Bernardes Gomes, o alegre Mussum dos inesquecíveis Os Originais do Samba.

Eram os tempos d’Os Insociáveis, que arrancavam as primeiras risadas inocentes dos espectadores com uma nova forma de fazer humor. Fora daqueles padrões comuns dos anos 60 de escolinha, de uma pessoa apenas, familiar ou de pequenos esquetes, entre outros. Eram quatro moços que, ou se enrolavam num único ato ou agiam na pele de outros personagens. E os trejeitos próprios tornavam tudo único no ato.

O maroto Zacarias – personagem do risonho mineiro Mauro Faccio Gonçalves – apareceria em 1974, quando o grupo pulou para a Rede Tupi. Era a criança que faltava para completar o quarteto. A ida para a casa dos Marinho em 1977, estreando em 13 de março, foi pura e simplesmente uma salvação na trajetória do grupo, como já dito acima. Muito mais pelo aumento do share de audiência – já que as risadas da trupe estavam roubando audiência do magnânimo Fantástico – a emissora dos Chateaubriand já sofria naqueles idos suas primeiras dificuldades financeiras e técnicas.

Na Globo, o Brasil acabou por conhecer definitivamente a trupe. É claro que, no mundo dos negócios e da fama, nem tudo são flores. Houveram brigas, uma breve separação e uma chuva de boatos. Mas nada que impedisse o brasileiro de ligar a TV perto das 19h, logo após o futebol dominical, para soltar umas gargalhadas merecidas. Alegria das crianças e o espanta-depressão pré-segunda-feira daquele momento do dia.

Foram mais de mil esquetes, sem dúvida. Cada um tão cômico quanto o outro. Alguns estão vivos na memória de muita gente, tão vivos como os filmes que o Dr Baldin lhes contou acima e que, até hoje, alguns destes figuram nas maiores bilheterias nacionais.

Quem não lembra, por exemplo, do pastoril do velho Faceta, da SWAT, do Mussum e seu amado , do Zacarias perdendo a peruca ou do Didi arrancando os barões (cédula de mil cruzeiros, impressa com a imagem do Barão de Rio Branco) das economias do Dedé, a Vila Vintém e a Agência Trapa Tudo… Isto fora a passagem de outros tipos feitos de escadas para as piadas do quarteto, interpretados por nomes inesquecíveis como Tião Macalé, Ted Boy Marino, Carlos Kurt, Roberto Guilherme, até mesmo Carlos Alberto de Nóbrega, entre outros…

Doces recordações, que hoje são isso mesmo, recordações. Os fãs mais apaixonados chorariam a morte repentina de Zacarias, em 1990. Quatro anos depois, o baque da partida de Mussum. Em 1995, Os Trapalhões desapareceram, envoltos na boataria dos jornalistas do mundo dos famosos, ávidos por qualquer A ou B dito por alguém. Eram os processos, brigas, reencontros, qualquer patacoada era motivo para uma manchete urgentíssima.

Anos passaram, Didi seguiu fazendo rir na Globo e dedicando-se ao tão estimado Criança Esperança, que toca até hoje com o mesmo vigor de outrora. Dedé converteu-se a igreja evangélica e, por um tempo sumiu. Voltou para a TV pela mão da trupe do Comando Maluco do saudoso Beto Carreiro e seguiu sua vida, tendo até passagens aqui por Blumenau. Era normal quando alguém, espalhando a notícia, dizia que Dedé estava residindo no Morro do Goth, a Rua Carl Heinz Buechler, no Garcia.

Em 2008, depois de 15 anos, a dupla regressou ao trabalho junto na Globo, com uma ponta de nostalgia mas já sem o mesmo brilho. Planeja-se uma nova atração para este ano, com uma nova formação da trupe, mas por enquanto tudo não passa de apenas conversas ao vento.

Didi, Dedé e o elenco das Aventuras do Didi, último humorístico da dupla na Globo. Segundo fala-se, uma nova produção para a TV vem ai, mas por enquanto apenas meras conversas (Reprodução)

Enfim, 40 anos depois, a simples citação d’Os Trapalhões é motivo para navegar em tempos. Aqueles tempos ficaram as lembranças de risadas fáceis e sinceras de um humor que, apesar de soar agressivo hoje, é impossível não rir. Os Trapalhões é, exatamente, aquilo que falei lá em cima: Um patrimônio do humor brasileiro, muito maior que boatarias, que brigas, é simplesmente risadas, imortais como qualquer clássico.

E clássico a gente vê outra vez. Que tal uns 10 esquetes marcantes do quarteto mais louco da TV brasileira? Pra já:

Começando com um dos favoritos deste escriba: A fuzarca no hospital:

Pintando apartamento, não há equipe mais competente:

Aquela confusão básica no Fla-Flu (o melhor está no final, segundo este escriba!)

Falando em Mussum, o bom mangueirense tentando passar uma pindureta para Didi…

Muvuca no bar do Didi. E ai, como faz?

A mais eficiente tropa de operações especiais da polícia: S.U.A.T.!

Zacarias, minerinho, é calmo como qualquer mineiro… Será?

Algumas passagens do saudoso Costinha na movimentada Agência Trapa Tudo:

Tiques nervosos… quem não segurar, perde o barão:

Depois da matinê do cinema, quem ouve a história é o Didi…:

Uma noite maluca num armazém velho…

Malucos, o cúmulo da maluquice para soltar risadas…

E, para terminar… Bom, como diz Didi, o que a gente acertou, é obrigação nossa. O que a gente errou, a gente também não esconde… Então, vamos as falhas nossas (desculpe a imagem, video do canal Clássicos da Comédia):

Então é isso, é simplesmente impossível esquece-los. E deixar de rir, idem. Para você, um domingo divertido e uma ótima semana, cheia de sorrisos e inspiração.

Luke e André para A BOINA, encerrando a transmissão, psit! Valeu!

(Reprodução)

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