Gramming & Marbles (MotoGP): Tombo de Márquez entrega vitória fácil para Viñales na Argentina

Com uma mão nas costas: Numa corrida que contrariou as emoções da MotoGP – e bem diferente da prova do ano passado – Viñales faturou a segunda praticamente sem rivais e mesmo partindo de um grid embaralhado (Reprodução)

(Douglas Sardo)

Após as emoções da F1 na madrugada chinesa, o domingo ainda reservava a corrida da MotoGP na terra de Diego Maradona. Mais uma vez a chuva influenciou os treinamentos, porém, sem tanto drama dessa vez – nenhuma sessão foi cancelada – apenas o suficiente para embaralhar o grid.

Com Marc Márquez na pole e as Yamaha largando em sexto e sétimo, a promessa era de uma corrida bastante movimentada. Mas não foi bem assim. Uma série de tombos acabou minando parte da competição, e com certa tranquilidade, Maverick Viñales venceu pela segunda vez em duas provas em 2017.

Grid embaralhado

Lorenzo acelera na pista úmida nos treinos. Quando chove, a tendencia é embaralhar as motos. E não deu outra (Reprodução)

A corrida de abertura no Catar havia deixado todos os fãs com água na boca. Afinal a prova foi marcada por duelos intensos e a expectativa era de que esse cenário se repetisse no autódromo argentino de Termas de Rio Hondo, assim como fora em 2016, com o final maluco na vitória de Marquez.

Bem, os treinos não decepcionaram. Durante as sessões alguns dos favoritos não foram bem e ficaram para o Q2, onde lutariam por duas vagas para o treino que definiria as 12 primeiras posições. Lá estavam Valentino Rossi, Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso brigando entre as equipes satélites.

No final, Pedrosa marcou o melhor tempo seguido de Rossi – o italiano com um esforço espetacular para se salvar – e Dovizioso, o primeiro dos eliminados do treino. Johann Zarco, que brilhou no Catar, também estava fora do Q1, assim como Lorenzo, que tomou tempo até de Scott Redding na Ducati da Pramac.

Pedrosa foi o melhor do Q2, seguido por Rossi. Mas o fim de semana não seria muito alvissareiro para a Honda (Reprodução)

No Q2 com pista molhada não teve para ninguém. Márquez mais uma vez provou seu imenso talento em voltas lançadas para agarrar a pole-position de número 66 de sua carreira. La Hormiga se tornou o piloto com mais poles na história da MotoGP, deixando para trás seus rivais Jorge Lorenzo (65) e Valentino Rossi (64).

Mas a história do treino foi Karel Abraham. O tcheco marcou o segundo melhor tempo com sua Ducati 2015 da Aspar! Um desempenho sensacional em pista molhada que deixou todos boquiabertos e, pelo menos depois dos treinos, fez repensar quem duvidava do talento do filho do dono da pista de Brno.

A chuva fina tirou Viñales do páreo e Márquez aproveitou para marcar mais uma pole. Abaixo, Karel Abraham e o time da Aspar celebrando um feito surpreendente (Reprodução)

Cal Crutchlow, sempre prestativo na chuva, colocou a Honda LCR em terceiro. Na segunda fila aparecia outra surpresa, Danilo Petrucci e sua Ducati da Pramac. Depois Dani Pedrosa da Honda. E só em sexto lugar a primeira Yamaha, com Maverick Viñales, que dominou os treinos livres mas não conseguiu bom desempenho na chuva. Rossi largaria no sétimo posto.

Tombos e vitória de Viñales

Um tombo do Espartano logo na virada das primeiras curvas. Início de ano desolador para Lorenzo na Ducati (Reprodução)

Durante as corridas da Moto3 e Moto2 não choveu. A pista portanto estava seca para a prova da MotoGP. Mas logo as pessoas começariam a duvidar disso quando Jorge Lorenzo tocou na traseira da moto de Andrea Iannone e abandonou a prova na primeira curva! Nem o mais fanático rossista poderia imaginar um começo de temporada tão desastroso para o espartano.

Enquanto isso, Márquez mantinha a ponta e ao ver Crutchlow segurar as duas Yamaha – que já haviam despachado Karel Abraham – La Hormiga não hesitou e partiu para um ritmo insano, abrindo dois segundos em apenas três voltas. Mas tudo caiu por terra. Viñales não demorou para superar Cruthlow,

E… quando todos esperavam uma perseguição frenética do #25 da Yamaha ao líder, eis que Márquez errou sozinho na curva dois e sofreu o tombo que decidiu a corrida. Surpreendente para não dizer esperado depois do ritmo insano imprimido pelo atual campeão para livrar-se da sombra de Mavecão.

A expressão do campeão diz tudo: vai ser difícil recuperar a desvantagem para Viñales (Reprodução)

Coube a Viñales apenas conter o ímpeto de Cruthclow, abrir vantagem e seguir para uma vitória muito mais fácil que a obtida no Catar. Rossi levou praticamente a corrida inteira para se livrar do britânico, e quando o fez, a vantagem de Viñales era grande demais para o italiano pensar em algum ataque.

1-2 da Yamaha. Crutchlow se redimiu do erro no Catar e garantiu seu primeiro pódio em 2017. Nas bandas da Aspar, enquanto o surpreendente Karel Abraham despencava na corrida, o experiente companheiro Álvaro Bautista fez ótimo trabalho e terminou em quarto lugar, seguido pela dupla da Tech3, Johann Zarco e Jonas Folger.

A Honda amargou um grande prejuízo na Argentina, além de Márquez, Pedrosa também caiu, e na mesma curva 2. Fim de semana desastroso por completo para os laranjas.

Viñales comemora, ao fundo a turma da Yamaha celebra a dobradinha. Rossi chegava logo depois (Reprodução)

Por fim, a Ducati teve um fim de semana para esquecer. Após Lorenzo sair logo no começo da prova, Andrea Dovizioso defendia seu sétimo lugar contra Aleix Espargaró, quando o piloto da Aprilia caiu e levou Dovi pelo caminho. Restou aos ducatistas se contentarem com o pedido de desculpas de Aleix.

Os 10 mais – Corrida

1 – Maverick Viñales (Yamaha)
2 – Valentino Rossi (Yamaha)
3 – Cal Crutchlow (LCR-Honda)
4 – Álvaro Bautista (Aspar-Ducati)
5 – Johann Zarco (Tech 3-Yamaha)
6 – Jonas Folger (Tech 3-Yamaha)
7 – Danilo Petrucci (Pramac-Ducati)
8 – Scott Redding (Pramac-Ducati)
9 – Jack Miller (Marc VDS-Honda)
10 – Karel Abraham (Aspar-Ducati)

Não foi uma corrida auspiciosa para a Ducati, nem para a Aprilia… Numa manobra na briga pelo sétimo lugar, Aleix Espargaró caiu e levou Dovizioso no caminho (Reprodução)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Maverick Viñales (Yamaha) 50 pts
2 – Valentino Rossi (Yamaha) 36 pts
3 – Andrea Dovizioso (Ducati) 20 pts
4 – Scott Redding (Pramac-Ducati) 17 pts
5 – Cal Cruthclow (LCR-Honda) 16 pts
6 – Jonas Folger (Tech 3-Yamaha) 16 pts

Moto3 – Largando de décimo-sexto, Joan Mir venceu de novo

Derby no Jockey Clube da Moto3: Joan Mir (36), Philipp Ottl (65), John McPhee (17) Jorge Martín (88) e Andrea Migno (16). Mais um dia de muito combate corpo a corpo na menor das categorias da MotoGP (Reprodução)

Foi mais um domingo de briga de foice na Moto3. Mas apesar de ter largado apenas do décimo-sexto posto, Joan Mir escalou o pelotão e rapidamente se colocou em posição de lutar pela vitória. No entanto, assim como na maior parte das provas da Moto3, as brigas parecem derby no Jockey Clube, com confrontos literalmente pescoço a pescoço.

Apesar do esforço de John McPhee, Jorge Martin e Andrea Migno durante o páreo, o espanhol da Leopard foi novamente irresistível e garantiu sua segunda vitória na temporada. McPhee inclusive tentou um ataque derradeiro nas últimas curvas, chegando a cometer um erro.

Apesar de todo o equilíbrio no desempenho dos equipamentos, parece que já temos um homem a ser batido.

Moto2 – Márquez Lado B não consegue parar Morbidelli

Ninguém conseguiu parar Franco Morbidelli (foto) até aqui. Até mesmo quando o companheiro de casa, Alex Márquez, tentou alguma coisa foi freado pelas forças ocultas dos desgastes, caindo na última volta. Onde o ítalo-brasileiro pode chegar? (Reprodução)

Das três categorias, a Moto2 é a que vive o momento mais linear. Pelo menos nesse início de campeonato há um domínio claro da equipe Marc VDS. Por isso foi grande a surpresa quando o português Miguel Oliveira botou sua KTM na pole-position para a corrida na Argentina.

A festa lusitana durou pouco e logo a dupla de Marc VDS surgiu na frente, com Franco Morbidelli liderando o eterno irmão de Marc Márquez, Álex. O espanhol ensaiou um ataque inicial, mas foi perdendo terreno e no meio da monótona prova tudo parecia definido.

22 anos e algumas espinhas na cara. Esse é Miguel Oliveira, o português de Almada que surpreendeu a Moto2 com uma bela pole-position. Olho no lusitano! (Reprodução)

Só que Márquez estava guardando tudo para um ataque final e nas dez últimas voltas descontou toda a diferença. O pega empolgou, mas tudo se definiu na curva 7 da volta derradeira, quando Márquez caiu sozinho e jogou fora pontos preciosos. Vitória de Morbidelli, com Oliveira em segundo e Thomas Luthi, apagado até aqui, em terceiro.

Marco Túlio Bezerra freia o ufanismo

Morbidelli e a tal bandeira bipartida entre Brasil e Itália que faz a alegria dos ufanistas, mas que não contamina a racionalidade sã de Marco Túlio Bezerra (Reprodução)

Após mais uma vitória do ítalo-brasileiro Franco Morbidelli, naturalmente houve celebração por parte da equipe da Sportv. Só que dessa vez Fausto Macieira estava fora da transmissão. O comentarista estava em solo argentino fazendo matérias para o canal, e foi substituído por seu companheiro de blog, Marco Túlio Bezerra.

Sem entrar na onda em torno da dupla nacionalidade de Morbidelli, o comentarista foi direto ao ponto: se ele quisesse se nacionalizar brasileiro, já o teria feito há muito tempo. De qualquer forma – para a alegria dos ufanistas – ao vencer a prova Morbidelli comemorou com uma bandeira meio brasileira e meio italiana, para a alegria de Guto Nejaim, o louco narrador da MotoGP no canal.

Bandeiras a parte, o fato é que Morbidelli desponta como o grande favorito ao título, e parece que Álex Márquez, seu companheiro de time, é o único com equipamento para desafiá-lo nesta estabilidade que está a Moto2.

Daqui duas semanas a MotoGP se reúne novamente, dia 23 de Abril o pega é nas terras do Tio Sam, no Circuito das Américas em Austin. A MotoGP corre lá desde 2013, e só Marc Márquez venceu na categoria rainha por lá.

Não é preciso dizer que será uma corrida vital para o campeonato, portanto, não perca por nada!

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