Gramming & Marbles (Indy): Hinchcliffe volta as vitórias em Long Beach (E tudo sobre Alonso nas 500 milhas)

Hinchtown está em feriado desde o último domingo. O filho mais ilustre da cidade fictícia mais veloz da Indy voltou as vitórias depois de dois anos. James Hinchcliffe passou por cima das estratégias dos rivais e foi a gloria em Long Beach (IndyCar)

(Douglas Sardo)

Se restava alguma dúvida sobre a ressurreição da Honda na F-Indy, não resta mais. O fim de semana em Long Beach foi dominado pelos carros de kit nipônico, e com exceção de uma celebradíssima pole de Hélio Castroneves o que se viu foi uma briga estratégica entre os carros de motor japonês com dois carros da Penske correndo por fora. No final, vitória de James Hinchcliffe após praticamente dois anos e um terrível acidente em Indianópolis/2015.

Mas a notícia do bom desempenho dos comandados de Allen Miller não faz sorrir apenas os americanos. Ela chegou até a região das Astúrias, terra de um certo bicampeão mundial de F1. Sim, Fernando Alonso está animado para cruzar o mar e confirmou esta semana que estará nas 500 milhas de Indianópolis deste ano.

Se você achava que não íamos comentar esta bomba… Sim, vamos falar sobre isso também! Mas antes, a corrida litorânea do último domingo, naturalmente.

Mais um fim de semana Honda com pole Chevrolet

O único momento de felicidade do kit Chevrolet, a muito festejada pole de Helio Castroneves. Ficou nisso para o brasileiro, já que uma má largada minou melhores chances (IndyCar)

Os resultados dos treinos de Long Beach foram muito parecidos com os vistos em São Petersburgo. Nada mais natural, já que se tratam de pistas de rua. Fato é que na Califórnia o domínio da Honda se repetiu, mas novamente no momento derradeiro alguém da Chevrolet garantiu a pole-position.

Em St. Pete havia sido Will Power, dessa vez foi o brasileiro Hélio Castroneves que arrebatou o lugar de honra. E como ele comemorou! Helinho vive uma fase bastante apagada, e sua celebração intensa com o time acabou soando como desabafo.

Mas Hélio foi o único motivo de comemoração para a turma da gravatinha do tio Louis. O restante do top six foi composto por carros da Honda. Scott Dixon ficou em segundo, confirmando a boa forma da Ganassi. Ryan Hunter-Reay conseguiu um promissor terceiro lugar com a Andretti, seguido por Hinchcliffe da Schmidt Peterson. Alexander Rossi botou outro carro da Andretti em quinto e Graham Rahal foi o sexto. Tony Kanaan ficou com o 11º lugar, e atrás dele aparecia o vencedor de St Pete, Sébastien Bourdais.

Amarelas e estratégias

Largada na praia longa. Não duraria muito a liberdade da bandeira verde, já que Charlie Kimball passaria o rastel em Will Power numa das curvas (IndyCar)

A estratégia padrão prevista para a prova era de duas paradas. Mas essa tática exigia alguma economia de combustível, por isso um corrida de três paradas não era descartada.

Por sua vez, Charlie Kimball não tem tática. Na primeira volta, com Will Power com meio carro a seu lado, o trapalhão da Ganassi seguiu o plano pessoal, fez a curva 4 como se estivesse sozinho e acertou a Penske do australiano. Kimball abandonou no ato e Power se arrastou até o fim da prova para chegar em 13º com uma volta de atraso. Péssimo começo de temporada para o atual vice-campeão.

Dixon tentou um drible na concorrência com três paradas. Nada feito, as bandeiras amarelas atrapalharam seus planos (IndyCar)

Como Castroneves largou muito mal, quem aparecia na liderança era Dixon, enquanto Bourdais se enroscava e caía para último. O neozelandês liderava um pelotão com Hunter-Reay, Hinchcliffe e Rossi. A Andretti confirmava o bom desempenho dos treinos.

Para driblar a concorrência, o Ganassi #9 decidiu arriscar a tática de três paradas e passou a imprimir um ritmo impressionante. Mas seu plano começou a ir por água abaixo quando surgiram os retardatários. Isso porque na Indy os pilotos nunca querem levar uma volta, já que a qualquer momento pode acontecer uma bandeira amarela e eles podem reviver na corrida, exceto, se já tiverem um giro de atraso.

Há pouco mais de vinte voltas para o final, Dixon parava pela terceira vez e a ordem era Hinchcliffe – que conseguiu voltar à frente dos carros da Andretti em seu segundo pit – Rossi, Hunter-Reay, um inacreditável Bourdais, Newgarden, e Simon Pagenaud, que largou de último por conta de uma punição nos treinos.

Para Hunter-Reay, uma clara chance de brigar pela vitória, interrompida com um problema inesperado. Seu companheiro, Alexander Rossi, que também tinha grandes chances de vitória, também parou. Um calvário para a Andretti. Abaixo, o impressionante Simon Pagenaud, remando pelo grid de último para o quinto posto (IndyCar)

Então começou o calvário da Andretti. O carro de Rossi parou de repente com problemas no motor. Uma bandeira amarela crucial entrou em cena, permitindo aos pilotos pouparem combustível, mas também agrupando todos para o final.
Dixon não conseguiu avançar o pelotão e a briga ficou entre Hinchcliffe e Hunter-Reay, mas faltando seis voltas para o fim o Andretti-Honda #28 também parou, com motor apagado. Michael Andretti viu uma ótima chance de vitória escapar pelas mãos…

Triunfo de Hinchcliffe, seguido de Bourdais que fez impressionante recuperação e manteve a liderança do campeonato. Josef Newagarden completou o pódio, depois vieram Dixon, e Pagenaud, também com excelente remontada.

Os 10 mais – Corrida

1 – James Hinchcliffe (Schmidt Peterson-Honda)
2 – Sébastien Bourdais (Dale Coyne-Honda)
3 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet)
4 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
5 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
6 – Ed Jones (Dale Coyne-Honda)
7 – Carlos Muñoz (Foyt-Chevrolet)
8 – Spencer Pigot (Carpenter-Chevrolet)
9 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet)
10 – Graham Rahal (RLL-Honda)
15 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)

Bourdais operou um novo milagre, veio do meio do grid para o segundo lugar em outra grande atuação. Ele não quer ficar para trás na luta pelo título (IndyCar)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Sébastien Bourdais (Dale Coyne-Honda) 93 pts
2 – James Hinchcliffe (Schmidt Peterson-Honda) 74 pts
3 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet) 71 pts
4 – Scott Dixon (Ganassi-Chevrolet) 70 pts
5 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet) 59 pts
6 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet) 51 pts
16 – Tony Kanaan (Ganassi-Chevrolet) 33 pts

Mais um domingo difícil para os brasileiros

Tony Kanaan não teve sorte outra vez. Largou mal e, perto do fim, teve novo encontrão com Aleshin. Segunda vez consecutiva que o bom baiano se enrosca com o garoto russo nesta temporada (IndyCar)

Os treinos foram promissores. Pole de Hélio Castroneves, pista de rua, difícil de ultrapassar. Mas não foi dessa vez que o Brasil saiu da fila na Indy. Logo na largada Helinho caiu para sexto, e pra piorar terminou a prova em nono, longe de dois companheiros de Penske, Josef Newgarden (terceiro) e Simon Pagenaud (quinto), o francês tendo largada do último lugar!

Tony Kanaan também teve uma prova apagada, e no final, mais uma vez, teve um encontrão com Mikhail Aleshin, algo que já virou rotina. O baiano acabou em 16º, uma volta atrás do líder.

Alonsomania in USA

Um asturiano feliz (e seus companheiros de equipe também) por uma ausência na F1. Fernando Alonso (óbvio, o único barbudo da foto) abrirá mão do GP de Mônaco para participar das 500 Milhas de Indianápolis, na maior bomba do automobilismo neste ano, e talvez nesta década (Reprodução/McLaren)

Dias após o GP em Long Beach, o mundo do automobilismo foi pego de surpresa: Fernando Alonso e a McLaren anunciaram que vão participar das 500 milhas de Indianópolis! O bicampeão mundial de F1 vai abrir mão do GP de Mônaco para correr no Brickyard com um carro da equipe Andretti, que também usa motores Honda.

Essa é sem duvidas a notícia mais legal dos últimos anos para quem gosta de esporte motor. A presença de Alonso na Indy 500 vai dar um ar internacional para o certame, algo que não se vê por lá há muito tempo. O impacto que a notícia teve rendeu comparações com os anos 1990, mais precisamente 1992, quando o então campeão mundial de F1 Nigel Mansell anunciou que disputaria a temporada completa da Indy em 1993, pela saudosa equipe Newman-Haas.

O então bigodudo e recém-campeão da F1, Nigel Mansell, e Mario Andretti, nos áureos tempos da Indy, defendendo as cores da Newman-Haas, em 1993. O Leão chocou o mundo da F1 com a decisão que o levou aos EUA para dois anos de alucinantes aventuras nas pistas yankees, aventura premiada com um título logo na temporada de estreia (Reprodução)

O último one-off entre Indy e F1: O buona gente Teo Fabi estava na Brabham em 1984 quando foi ao Brickyard defender o verde-e-branco do March-Ford da Forsythe. Não passou de um discretíssimo 24º lugar (Reprodução)

Claro, o caso de Alonso é diferente: ele irá competir apenas as 500 milhas e logo depois voltará para a F1, o que nos leva a uma lembrança mais antiga. A última vez que um piloto que estava fazendo a temporada da F1 se arriscou em one-off na Indy foi em 1984. O italiano Teo Fabi correu 12 provas pela Brabham naquela época, e participou do Brickyard pela equipe Forsythe, com um March 82C. Ele terminou a prova em 24º lugar.

Enfim, um momento único, muito especial para quem gosta de velocidade. E fica a torcida para que Alonso consiga um excelente desempenho (já pensou se ele ganha em Indianópolis?) para fortalecer novamente essa conexão da F1 com a Indy. As duas categorias só tem a ganhar, e os pilotos muito mais, claro!

Não custa lembrar, 28 de maio é o dia: 500 milhas de Indianópolis com McLaren-Andretti” e Fernando Alonso. Imperdível!!!

Os designers conceituais da internet já estão colocando a imaginação para funcionar nas primeiras experiências sobre qual será o livery de Alonso na Indy 500. Pedem-se o laranja-papaia tradicional dos anos 70, mas deve se repetir as cores atuais da McLaren, pelo que fala na boca pequena. Este é apenas um destes estudos imaginativos. Detalhe que o esboço foi feito num antigo chassi Chevrolet (Sean Rull)

E lembrando também que dia 23 de abril tem o GP do Alabama, a próxima etapa da F-Indy. E claro, neste domingo tem o GP do Bahrein de F1, ao meio-dia!

Até o próximo G&M!

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