Gramming & Marbles (MotoGP): Em Austin, Márquez bate cartão e Rossi é o novo líder

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Você já sabia. Nós também. Vitória de Márquez nos EUA é mais manjada que A Lagoa Azul na Sessão da Tarde (Reprodução)

Sabe quando você tem um dia totalmente burocrático no seu trabalho? Nada além de uma jornada comum sem grandes histórias? Então, assim é a vida de Marc Márquez quando a MotoGP corre no Circuito das Américas. O domínio do espanhol na pista é tamanho que correr lá fica parecendo uma mera formalidade.

Diante da obviedade do resultado na pista de Austin, a grande história da corrida foi mesmo o tombo de Maverick Viñales, embolando a briga pelo campeonato que tem agora ninguém mais ninguém menos que Valentino Rossi na liderança! A grande pergunta agora é se o italiano vai conseguir sustentar essa briga valendo-se de sua conhecida consistência.

Confronto em terreno estratégico

Na guerra pela coroa da MotoGP em 2017, a corrida em Austin era um momento crucial. O circuito do Texas é um verdadeiro domínio da Honda e de Márquez (falaremos mais a respeito) e após o tombo do espanhol em Termas de Rio Hondo, virou questão de vida ou morte manter a supremacia em solo americano.

Sabendo disso, Maverick Viñales chegou claramente disposto a destronar os laranjas e atacou o treino classificatório com muita garra, chegando a ter a liderança por alguns instantes. Só que Márquez ainda não tinha dito sua última palavra e com uma volta incrível cravou a pole nº 67 de sua carreira. O duelo pelo lugar de honra deixava claro que a corrida seria tensa.

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Viñales sabia que fazer a pole seria um golpe psicológico em Márquez. Ele tentou de tudo mas não foi dessa vez. (Ara Ashjian)

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Na corrida, Pedrosa surgiu do nada para tomar a ponta. Excelente largada! (Reprodução)

A primeira fila prometia fortes emoções com Márquez, Viñales e Valentino Rossi. Mas nenhum deles completou a primeira curva na liderança. Em agradável surpresa, Dani Pedrosa partiu agressivamente e sem nenhuma cerimônia tomou a ponta de seu companheiro de equipe.

1-2 da Honda na frente, ou melhor, 2-1. Pior para Viñales que largou mal e se via em incômodo quarto lugar, atrás de Rossi e com Jorge Lorenzo e Johann Zarco lhe ameaçando. As más notícias continuaram para os lados do Mavecão, que desapareceu do radar na segunda volta. Ansioso por recuperar o terreno perdido, Viñales se afobou e caiu sozinho na curva 18.

Com a Yamaha #25 fora e Pedrosa controlando a corrida, o duelo que sobrava era Rossi contra…Zarco! Pois sim, o francês resolveu aprontar de novo e não hesitou em atacar o Doutor. Os dois dividiram uma freada e Rossi evitou um acidente cortando caminho pela área de escape, de quebra deixando o francês um pouco para trás.

A direção de prova viu e aplicou uma punição de três décimos de segundo ao tempo de prova do italiano. A Yamaha, lógico, não avisou Rossi com receio de afetar seu desempenho.

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Pode isso, Arnaldo? Rossi deu aquela passeada na área de escape. Após a prova o italiano criticou Zarco com o manjado Aqui não é mais Moto2, filho! (Reprodução)

Enquanto Rossi e Zarco se engalfinhavam, a liderança de Pedrosa era ameaçada. Ele tentou resistir aos ataques de Márquez, mas no final a Honda #93 prevaleceu. Para você ter uma ideia da vantagem de Marc nessa pista, veja que La Hormiga se deu ao luxo de largar com os dois pneus duros.

Isso mesmo! Enquanto Rossi partiu de médios e Pedrosa correu com o dianteiro médio e o traseiro duro, Márquez usou o composto mais resistente e lógico, menos aderente nas duas rodas, e mesmo assim conseguiu acompanhar o ritmo dos rivais desde o início.

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Não demorou muito para Márquez assumir a ponta. O #93 entende como ninguém o funcionamento dos pneus de pau da Michelin (Reprodução)

O começo de prova muito forte cobrou seu preço para o dianteiro de Pedrosa e o Samurai de Borracha começou a perder rendimento na parte final. Rossi começou a tirar a diferença, o que nos levou ao momento comédia do dia: o pessoal dos boxes da Honda queria avisar Dani sobre a punição de três décimos do italiano, mas quem disse que eles acharam uma placa escrito Penalty?

Tiveram que improvisar com uma cartolina e aquele bom e velho giz de cera que você compra na papelaria da esquina. Pior do que esse sintoma de pobreza foi o aviso ter saído tarde demais, pois quando ergueram a placa Rossi já tinha passado Pedrosa e a vantagem já era de mais do que três décimos.

Digamos que o cara da placa vai ter que dar uma passada no RH nas bandas da Honda…

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Não achamos foto na internet, então vai esse frame mesmo. Se a Honda pode improvisar uma placa, também podemos improvisar uma foto (Reprodução / TV)

Vitória tranquila, porém crucial de Márquez, que revive no campeonato. Falando em campeonato, Rossi fechou em segundo lugar, seu terceiro pódio em três corridas, se tornando o novo líder do certame. Olho na regularidade do italiano!

Pedrosa fechou o pódio, seguido por Cal Cruthclow, que superou Zarco na penúltima volta.

Os 10 mais – Corrida

1 – Marc Márquez (Honda)
2 – Valentino Rossi (Yamaha)
3 – Dani Pedrosa (Honda)
4 – Cal Crutchlow (LCR Honda)
5 – Johann Zarco (Tech 3 Yamaha)
6 – Andrea Dovizioso (Ducati)
7 – Andrea Iannone (Suzuki)
8 – Danilo Petrucci (Pramac Ducati)
9 – Jorge Lorenzo (Ducati)
10 – Jack Miller (Marc VDS Honda)

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Mais um pódio chapeludo em Austin. A F1 também já usou, lembra? Mas agora só pode o boné da burocracia da Pirelli… (Reprodução)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Valentino Rossi (56)
2 – Maverick Viñales (50)
3 – Marc Márquez (38)
4 – Andrea Dovizioso (30)
5 – Cal Crutchlow (29)
6 – Dani Pedrosa (27)

 Ducati e Suzuki apagadas

A Ducati decepcionou de novo. Em Austin, Andrea Dovizioso foi apenas sexto, menos mal que à frente de Lorenzo que foi despencando até o nono lugar. Vale lembrar que o Espartano teve que disputar novamente o Q1 com várias motos de equipes satélites.

O pessoal da Suzuki também não foi bem. Andrea Iannone terminou em sétimo, e Alex Rins nem correu por conta de um pulso quebrado após acidente nos treinos de sábado. O espanhol fez cirurgia e deve voltar na próxima etapa em Jerez.

A abertura da temporada no Catar mostrou essas duas marcas muito fortes, mas parece que foi apenas uma ilusão. Esperávamos mais.

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A cara feia de Lorenzo diz tudo: o desempenho da Ducati não está empolgando ninguém. (Mohd Rasfan/AFP/Getty Images)

A Dinastia Honda/Márquez nos EUA

Não é muito a nossa seara aqui no G&M ficar falando de estatísticas. Mas essa é tão impressionante que merece uma exceção. Desde 2013, quando chegou à MotoGP, Marc Márquez venceu todas as nove corridas realizadas em solo americano, incluindo uma vitória em Laguna Seca e três triunfos em Indianápolis.

Bom, isso você provavelmente já sabia. O quê o ‘douto’ leitor talvez não saiba é que em Austin, Márquez correu cinco vezes e conseguiu cinco vitórias, cinco poles e quatro voltas mais rápidas. Pois é, La Hormiga só não fez o giro mais rápido em 2015, quando a honraria ficou com Andrea Iannone, então na Ducati. E mais: nessas cinco provas em Austin, Márquez liderou 81 das 105 voltas em disputa, um aproveitamento de 77%.

Quer mais um número incrível? Contando toda a carreira de Márquez desde os tempos da antiga 125cc, onde ele começou a correr em 2008 com a tenra idade de 15 anos, o espanhol correu 14 vezes na terra do Tio Sam, e venceu em ONZE oportunidades.

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Indianápolis, 2010: Nos tempos de 125cc, Márquez teve a chance de vencer pela primeira vez nos EUA, mas esse erro lhe custou a corrida. Desde então ele não sabe o quê é perder uma prova na América (Reprodução)

Ele só não ganhou nos EUA nas suas três primeiras aparições por lá, nas corridas de Indianápolis da 125cc em 2008, 2009 e 2010. As duas primeiras ele não tinha equipamento para vencer com o chassis da KTM. Em 2010 ele liderou a prova mas cometeu um erro e perdeu várias posições. Desde então, Márquez nunca mais foi batido na América. Além das 11 vitórias que seguiram, ele ainda amealhou 10 pole-positions e 10 voltas mais rápidas, e liderou 180 de 332 voltas, um aproveitamento de mais de 50%.

Mas afinal, qual é o segredo? Que os ares americanos fazem muito bem ao piloto da moto #93, ninguém duvida. Mas não é só Márquez que domina na terra da bandeira estrelada. A Honda tem muitos motivos para adorar correr por lá.

Após a corrida de Laguna Seca em 1994, a MotoGP ficou dez anos longe da América. Desde o retorno das provas dos EUA em 2005, em 22 corridas, (nove em Laguna Seca, oito em Indianápolis e cinco em Austin), a Honda venceu 17 vezes por lá. Um aproveitamento de quase 80%. Além disso, foram 12 poles, 15 voltas mais rápidas e 361 voltas lideradas de 606 disputadas, quase 60%.

Quando pegamos apenas os números de Austin, a coisa fica ainda mais absurda. São cinco provas e cinco vitórias do conjunto Márquez/Honda, com cinco poles, e 4 voltas mais rápidas. Mas além das 81 voltas lideradas por La Hormiga, Dani Pedrosa liderou mais 20 giros! É isso mesmo, de 105 voltas disputadas em Austin na MotoGP, apenas QUATRO não foram lideradas por uma Honda! O autor desse feito memorável foi Andrea Dovizioso, em 2015 com a Ducati.

Agora você já sabe, quando a MotoGP chega nos EUA, o negócio é acompanhar a briga pelo segundo lugar, porque a vitória já tem dono.

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O Xerife de Austin (Reprodução)

Moto3 – Vitória fácil de Fenati

Enfim uma corrida tranquila da Moto3. O espanhol Arón Canet, de 17 anos, partiu da pole e tinha uma Honda da Estrella Galicia afinadíssima para vencer com facilidade a prova. Ele largou bem e já estava sumindo na frente quando após duas voltas, um acidente trouxe preocupação para todos por ter acionado a bandeira vermelha.

Mas estava tudo bem com o japonês Kaito Toba, que dispensou a maca e seguiu para os boxes na tentativa de relargar. Enquanto isso, Canet esbravejava por ter perdido toda sua vantagem.

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Canet tinha tudo para vencer pela primeira vez. Mas sucumbiu à pressão de Fenati (Reprodução)

Na relargada o espanhol novamente saiu na frente, mas dessa vez ele era seguido por Romano Fenati, e os dois trocaram ultrapassagens. A pressão foi demais para Canet, que sofreu um high sidena curva 19 e abandonou a corrida…decepção total após um fim de semana em que dominou todos os treinos.

Fenati venceu sem qualquer ameaça, seguido por Jorge Martin. Quem decepcionou foi Joan Mir, que fechou apenas em oitavo, mas segue líder do campeonato com 58 pontos, 6 a mais que Martin.

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Romano Fenati botou Canet no bolso e venceu pela sétima vez na Moto3. Italiano está encalhado na categoria desde 2012 por conta de sua indisciplina fora das pistas… (Reprodução)

Moto2 – Morbidelli segue 100%

Parecia que dessa vez Franco Morbidelli não venceria na Moto2, já que Aléx Márquez, seu companheiro na equipe de Marc VDS, lhe ultrapassou na segunda volta e parecia ter ritmo para vencer.

Só que o Márquez Lado B cometeu um erro poucas voltas depois e caiu para quarto lugar, deixando Morbidelli na liderança, de onde não saiu mais. Terceira vitória em três corridas para Franco, com Thomas Luthi em segundo após tentativas infrutíferas de ataque. O japonês Takaaki Nakagami fechou em terceiro, seguido de Márquez.

Morbidelli tem 75 pontos, 100% de aproveitamento e uma vantagem de 19 tentos para Luthi, o suíço que não parece ter equipamento para brigar efetivamente pela taça. Tudo indica que o maior adversário de Morbidelli será mesmo Márquez, só que o espanhol é apenas o sexto com 24 pontos, uma diferença difícil de se descontar. Se Franco tiver paciência para administrar essa vantagem, suas chances serão muito grandes.

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Já são três vitórias seguidas para Franco na Moto2. Se os adversários não reagirem logo… (Reprodução)

A MotoGP se reúne novamente no dia 7 de Maio, para o GP da Espanha em Jerez de la Frontera, primeira das trocentas provas do calendário no solo espanhol. E lembrando que sábado, dia 29 de Abril, tem corrida da Indy. É o primeiro oval do ano, a prova noturna em Phoenix. E claro, no domingo tem F1 no fantástico circuito de Sochi, na terra de Vladimir Putin.

Abraços e fique com esse vídeo do incrível save de Loris Baz nos treinos de sábado. Afinal, não é preciso estar numa equipe grande para pintar obras de arte até em matéria de resgate.

Até a próxima!

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