Gramming & Marbles (Indy): Sorte de Pagenaud e bravura de Hildebrand em Phoenix

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Sorte de campeão? O “Pequeno Francês” é o novo líder do campeonato após um golpe fortuito em Phoenix.

Ninguém falava muito dele até então, mas eis que o atual campeão da F-Indy, Simon Pagenaud, resolveu dar as caras na temporada. O pequeno francês conquistou a primeira vitória em 2017 (seu primeiro triunfo em ovais na carreira) e, de quebra, sai de Phoenix com a liderança no campeonato.

É verdade que o francês deve muito à providencial bandeira amarela que definiu os rumos da prova. Porém, se alguém duvidava está aí a resposta: Pagenaud vem firme e forte para defender seu título em 2017. Vamos ao que rolou na prova, a última no oval do Arizona, que fechará para reformas por quase dois anos, em mais um evento quase vazio.

Primeiro oval do ano: Massacre da Chevrolet

Após duas pistas de rua e um circuito misto, a F-Indy desembarcou no curto oval localizado em Avondale, cidade adjacente a Phoenix, para mais um teste de forças dessa temporada.  E os carros da Chevrolet não deixaram dúvidas: garantiram os cinco primeiros lugares do grid, com Hélio Castroneves fazendo sua segunda pole na temporada, seguido de Will Power.

As expectativas eram boas pelas bandas da Carpenter e J.R. Hildebrand correspondeu com excelente terceiro posto. Detalhe: J.R. não correu em Barber na semana passada por conta de seu acidente em Long Beach, onde quebrou sua mão esquerda. Mesmo tendo recentemente tirado os pontos, o piloto mostrou sua garra e começou o fim de semana de forma excelente.

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A preparação de Hildebrand para a prova em Phoenix. (Twitter).

Josef Newgarden vinha de vitória no Alabama e largaria em quarto seguido por Simon Pagenaud e Tony Kanaan. O sol estava começando a se pôr no deserto num belo panorama de fim de dia tipicamente americano quando foi dada a largada.

Mas logo de cara Mikhail Aleshin perdeu sozinho o controle de seu carro e causou o primeiro big one de 2017. Azar do líder do campeonato: Sébastien Bourdais ficou vendido no lance e foi uma das vítimas da carambola. Felizmente nada de mais grave aconteceu, mas a corrida do francês estava encerrada.

Sobrou também para Marco Andretti, Max Chilton e Graham Rahal. Ou seja, um grande golpe no plantel da Honda. Temia-se uma bandeira vermelha, mas os destroços ficaram localizados em apenas um lado da pista, possibilitando a continuação com bandeira amarela.

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Aleshin (#7) rodou com os pneus frios e causou um belo reboliço. Pior para Bourdais, literalmente prensado contra o muro na imagem. (Mark J. Rebilas)

Após 21 voltas os motores voltavam a roncar mais alto e Castroneves matinha a vantagem de sua pole-position. Newgarden vinha em segundo, depois Power e Pagenaud. O quarteto fantástico da Penske dava as cartas.

A corrida seguiu sem grandes alterações até a primeira rodada de pits. Foi então que a realidade de desempenhos da corrida começou a se desenhar: Os carros da Honda precisavam parar muito antes dos Chevrolet. Questão de quatro ou cinco voltas, (em caso extremo, Hinchcliffe parou DEZ voltas mais cedo que Pagenaud). Uma grande desvantagem de consumo. E, como se tratava de um oval curto, o tempo perdido em um pit-stop era maior que o tempo médio de uma volta, e isso seria um fator crucial.

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Relatos dão conta de que precisaram de um caminhão-pipa da Sunoco para saciar a sede dos Honda. Esse aí foi visto a caminho do autódromo…(Reprodução)

Após a primeira janela de paradas quem emergiu na liderança foi Power. O australiano fez excelente trabalho no out-lap e tomou a ponta de Castroneves. A quadra da Penske seguia na frente e quem garantia a movimentação da prova era Hildebrand que despachava Scott Dixon, James Hinchcliffe e até Newgarden para subir do sétimo para um ótimo quarto lugar.

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Voltando de lesão e com a mão esquerda ainda enfaixada, Hildebrand fez uma das melhores provas de sua carreira (Reprodução)

Nova janela de pits e novamente o drama da Honda, já que os carros japoneses paravam muito antes dos Chevrolet. Então veio o momento decisivo da prova: todos já haviam parado pela segunda vez menos Pagenaud, que continuava na pista com uma volta de vantagem para o restante do grid quando Takuma Sato bateu na curva 4 provocando nova amarela na pista.

Com todos os pilotos andando em ritmo de precaução, Pagenaud pôde parar tranquilamente e voltar na liderança. E o mais bizarro: muitos pilotos não conseguiram ficar na frente do francês quando ele saiu dos boxes, portanto continuaram com uma volta de atraso.

Somente Power, Castroneves, Hildebrand e Newgarden ficaram na volta do líder.

 

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A bandeira amarela ajudou…o carro amarelo-menard (Reprodução)

Querendo a segunda vitória consecutiva, Newgarden arriscou uma terceira parada ainda na bandeira amarela para colocar pneus novos e partir para um stint arrasador. O plano estava funcionando: após mais uma rodada de pits o #2 da Penske já estava em terceiro e parecia ter ritmo para ameaçar o segundo lugar de Power.

Mas aí Ryan Hunter-Reay tocou de leve no muro e foi cambaleando pela pista. Newgarden veio com muito mais ação e não conseguiu evitar uma pequena batida que foi suficiente para arruinar sua prova. Melhor para Hildebrand que superou Castroneves e herdou o terceiro lugar de Newgarden.

Vitória fácil de Pagenaud após ser bafejado pela sorte. Enfim o francês conseguiu ganhar uma corrida em ovais. E Will Power, enfim, conseguiu completar uma prova sem grandes transtornos para fechar em segundo.

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Newgarden arriscou uma tática diferente após a reviravolta provocada por Sato, mas um toque sutil com Hunter-Reay destruiu suas chances, (Chris Owens)

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É sempre bom fazer uma média para o chefe. Com Ed Carpenter em ação, Hildebrand correu bem mesmo com a mão esquerda remendada. (Richard Dowdy)

J.R. Hildebrand foi o nome da prova e levou a Carpenter a um valente terceiro lugar para alegria de Ed Carpenter, que fez sua estréia na temporada (ele só corre nos ovais) fechando em sétimo. Castroneves foi o quarto e Dixon o quinto. Tony Kanaan fechou em sexto.

Os 10 mais – Corrida

1 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
2 – Will Power (Penske-Chevrolet)
3 – J.R. Hildebrand (Carpenter-Chevrolet)
4 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet)
5 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
6 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)
7 – Ed Carpenter (Carpenter-Chevrolet)
8 – Charlie Kimball (Ganassi-Chevrolet)
9 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet)
10 – Carlos Muñoz (Foyt-Chevrolet)

 

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Hélio foi coroado “Speed King” por Bryan Sperber, presidente do autódromo de Phoenix. Pole com direito a novo recorde da pista para o brasileiro (Reprodução)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Simon Pagenaud (159)
2 – Scott Dixon (141)
3 – Josef Newgarden (133)
4 – Sébastien Bourdais (128)
5 – James Hinchcliffe (120)
6 – Hélio Castroneves (118)
8 – Tony Kanaan (87)

Fabricantes:

1 – Chevrolet (322)
2 – Honda (313)

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O elefante caiu da árvore e Bourdais não é mais o líder. Pagenaud assumiu a dianteira em sua busca por mais um anel de campeão. (Reprodução)

 

O problema da Honda em Phoenix

Após um início de ano promissor com duas vitórias, a Honda caiu feio no oval de Phoenix. Os carros com o kit da fabricante japonesa simplesmente não tinham ritmo e principalmente eficiência para acompanhar os rivais americanos. Os pilotos da marca japonesa sempre tinham que parar várias voltas antes dos carros da Chevrolet, uma diferença absurda em pista oval. Mas afinal, qual a explicação?

Durante a transmissão da NBC, Paul Tracy comentou sobre uma conversa com Dario Franchitti, que atualmente trabalha como conselheiro na equipe Ganassi. O escocês relatou que o kit Honda não estava entregando a pressão aerodinâmica desejada e por isso as equipes precisavam usar mais asa, logo gerando mais arrasto, menos velocidade de topo e mais consumo.

Vamos ficar de olho para ver se esses problemas vão se manifestar novamente no próximo circuito oval, justamente a corrida mais importante do ano… as 500 milhas de Indianápolis.

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Franchitti deu sua explicação para os problemas vividos pela Honda em Phoenix (Reprodução)

A confiança de Tony Kanaan

O desempenho pífio dos Honda em Phoenix não abalou Tony Kanaan. Apesar de muitos acharem que a pista do Arizona serve de parâmetro para o Brickyard, o brasileiro demonstrou confiança total no desempenho do carro. Ansioso para disputar as 500 milhas no final de maio, Tony disse que os testes do time revelaram um desempenho muito forte, e que mal pode esperar para acelerar no templo sagrado de Indianápolis.

Pelo visto a chance de uma vitória da Honda por lá vai ser grande. Uma boa notícia, também, para Fernando Alonso.

Morreu Joe Leonard, o John Surtees da América (04/08/1932 – 27/04/2017)

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Lenda nas duas rodas, e também lenda na Indy. Esse é Joe Leonard (Reprodução)

Durante essa semana o mundo da velocidade perdeu um de seus grandes nomes. Joe Leonard faleceu nessa quinta-feira, aos 84 anos.

Nascido em 4 de agosto de 1932 em San Diego, Califórnia, Leonard cresceu próximo de um vale onde eram realizados encontros do Aztec Motorcycle Club. Não demorou muito para ele começar a frequentar as corridas do local e arranjar um emprego em loja de artigos motociclísticos.

Aos 19 anos se mudou para San Francisco em busca do sonho de se tornar piloto. Lá ele competia com uma Triumph e seu arrojo chamou a atenção do lendário engenheiro Tom Sifton, que o levou para San Jose para correr de Harley-Davidson.

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Tom Sifton trabalhando com uma moto, possivelmente a de Leoanrd (Reprodução)

Após se recuperar de acidente sério em 1953, o jovem de San Diego venceu o Campeonato Americano de Motos em 1954. No ano seguinte viria um terceiro lugar geral, e em 1956-1957 um bicampeonato que o estabeleceu como um dos grandes nomes da história do motociclismo americano.

Bem sucedido nas duas rodas, Leonard mudou de rumos nos anos 1960 e iniciou carreira nos carros. Foi em 1964 que ele fez sua estréia no campeonato da USAC (United States Auto Club), no mesmo ano em que, do outro lado do Atlântico, John Surtees conquistava o mundial de F1 após migrar de carreira gloriosa nas motos.

O sucesso de Leonard nos monopostos, porém, demorou um pouco mais. Mas em 1968 ele já corria esporadicamente na equipe de Parnelli Jones e lutou pela vitória em Indianápolis, onde quebrou o recorde da pista para fazer a pole e liderar 31 voltas antes de ter sua chance minada por uma mangueira de combustível. Melhor para Bobby Unser que aproveitou para vencer a primeira de suas três em Indy.

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Um problema de combustível tirou a chance de vitória de Leonard nas 500 milhas. Foi a melhor corrida do Lotus 56, o famoso carrro-turbina que tinha tração nas quatro rodas e logo voltou para a gaveta. (Reprodução)

A vitória em Indianápolis jamais viria para Leonard, mas em 1971 ele se torna piloto oficial da Parnelli. Com uma vitória em Ontário e mais três pódios, veio o primeiro título da USAC, batendo ninguém mais ninguém menos que a lenda A.J. Foyt.

Em 1972 o desafio seria ainda maior pois a Parnelli trouxe para o time os cobras Al Unser e Mario Andretti.  E nesse dream Team, Leonard conseguiu prevalecer com três vitórias seguidas no meio do ano para faturar o bicampeonato da USAC. Era o auge de sua carreira nos monopostos.

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Leonard, Unser, Parnelli Jones e Andretti. O timaço da Parnelli em 1972 (Reprodução)

O terrível acidente de Leonard em Ontario, em 1974 (Reprodução)

Após o segundo título, Joe não conseguiu manter o desempenho no ano seguinte e sofreu nas mãos de seus companheiros de time. Para 1974 a equipe Parnelli começou a enfrentar dificuldades com falta de patrocínios e a retirada da Firestone das competições.

Em meio a essas questões, Leonard sofreu um grave acidente no Ontario Motor Speedway após um estouro de pneu. Um corte na testa e lesões seríssimas nos pés e nas pernas acabaram com uma brilhante carreira. Ele ainda tentou um retorno no mesmo Ontario em 1975, mas não passou nos testes físicos.

Com sucessos nas motos e na “Indy” da época, Leonard chegou inclusive a participar de uma corrida da NASCAR em 1969. Merecedor com louvor do título de John Surtees da América. Fica aqui nossa pequena homenagem.

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Rest in Speed, Joe Leonard. (Twitter/Motor Cyclist)

Bom galera, está chegando o mês de maio, e se você pensou no que pensamos, é isso mesmo, agora é Indianápolis! Dia 13 tem o GP no circuito misto, e dia 28 o momento mais esperado do ano para quem é fã de automobilismo: 500 Milhas de Indianápolis!

Até lá!

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