Gramming & Marbles (Indy): Alonso começa sua história em Indianápolis

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Esse é o carro. E não dá para entender porque diabos a McLaren não usa esse livery na F1! (Michael Conroy)

(Douglas Sardo)

Após o choque do anúncio, Fernando Alonso enfim teve seu primeiro contato com a pista de Indianápolis e o carro da Andretti, já tingido com as inconfundíveis cores usadas pela McLaren em sua passagem pelo Brickyard nos anos 1970 (definido pelas lendas Mario Andretti e Johnny Rutherford como laranja McLaren).

Não poderia ser mais auspicioso. Foi um dia de aprendizado, as primeiras voltas, com Marco Andretti fazendo o shakedown do carro e com a equipe estudando acertos e buscando informações. E claro, Alonso tentando se entender com a máquina, o que soou prazeroso para o asturiano a cada volta de adaptação ao bólido.

Ao fim do dia, uma entrevista coletiva onde o espanhol deixou impressões sobre o carro, reafirmou o objetivo de vencer a prova e não apenas participar, matou uns passarinhos e mostrou um sorriso que há muito tempo não se via na F1.

Está acontecendo! E está perto!

Quem escreve o nome dos pilotos com essa letra cursiva nos carros, ganha pontos com o pessoal do G&M (Reprodução / Indy)

Foi dada a largada para o maior evento automobilístico do ano: as 500 Milhas de Indianápolis, e a edição de 2017 não poderia começar de forma melhor, com Fernando Alonso, bicampeão Mundial e um dos melhores pilotos da história, fazendo seu primeiro teste no Brickyard.

A primeira grande notícia, sem duvidas, é o livery do McLaren Andretti-Honda. Se na F1 a equipe errou feio com o tom errado de laranja e aquele preto estragando a pintura, na Indy temos que tirar o chapéu para os caras, entendedores da arte do retro: pintura igual à dos anos 1970, dos tempos em que Johnny Rutherford venceu no templo com a equipe de Woking  em duas das três vezes que bebeu do leite (1974 e 1976, venceria novamente em 1980, com um Chaparral).

Falando em Rutherford…o próprio esteve na cobertura da TV americana (transmitida via Facebook para o mundo) ao lado de Mario Andretti. As pessoas envolvidas com a categoria realmente estão adorando esse momento, como deu para perceber na empolgação de Robin Miller, veterano repórter que acompanha a Indy com muita paixão desde os anos 1960. E, claro, um dos motivos desse entusiasmo é a personalidade de Alonso.

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Zak Brown (Diretor executivo da McLaren) dando umas risadas com Johnny Rutherford, três vezes vencedor da prova. E duas dessas vitórias vieram à bordo de um McLaren, como o carro abaixo, um McLaren-Offenhauser M16C, da primeira vitória do piloto da estrela, em 1974 (Chris Owens | Reprodução)

Numa análise geral quanto a recepção yankee, os americanos gostaram da honestidade do espanhol, como na entrevista coletiva, onde foi perguntado se sonhava em correr no lendário oval quando era pequeno. Alonso poderia ter valorizado, dito que sempre quis essa chance. Mas ele foi verdadeiro: disse que não sonhava sequer em chegar na F1 quando era garoto, e que sua primeira lembrança de Indianápolis foi a vitória de Jacques Villeneuve, em 1995.

O teste em si foi tranquilo, tirante alguns pássaros que voaram próximo ao carro de Alonso. O primeiro foi apenas um susto, só para fazer o asturiano desviar. Mas num segundo momento duas aves atravessaram-lhe a frente e foram atropeladas.
Depois da chacina… dá-lhe produto de limpeza no carrinho!

Alonso sabe que o desafio é grande. Deixou bem claro que um dos maiores problemas será a adaptação à questão do tráfego na pista. Também revelou suas impressões sobre o carro comparado com os bólidos da F1. Definiu os Indycars como mais brutos. Um carro mais divertido, sem tanta tecnologia embarcada.

E ainda, durante as perguntas, revelou um certo medinho de fazer a curva 1 de pé embaixo: Eu sabia que Marco havia feito a curva de pé embaixo anteriormente, então eu tinha que fazer também. Meu cérebro estava ajustado para isso, mas… meu pé não estava em sintonia (risos). Era como se tivesse vida própria. Mas na segunda volta já consegui fazer…

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Marco Andretti deu as primeiras voltas com o carro para verificar se estava tudo certo. Enquanto isso Alonso esfregava as mãos…(Reprodução)

Além dessas dificuldades, o espanhol terá uma milhagem excessiva pela frente. Serão várias viagens de ida e volta intercalando a próxima corrida da F1, na Espanha, com os testes em Indy. Fuso-horário, adaptação, o stress de guiar um carro sem desempenho na F1… a lista é grande, e pode ser compensada, se os deuses da velocidade permitirem, com um saboroso leitinho diante do Borg-Warner no dia 28.

Esse é o tamanho do desafio de Alonso. E ele está disposto a escalar essa montanha. Que bom para nós, fãs do automobilismo, e que bom para o automobilismo em si. Enfim, alguém resolveu sair do quadrado da F1 para ter brilho próprio, independente de quão fácil pareça virar para um lado só, como dizem certos profissionais de imprensa…

Vai em frente, Alonso! O automobilismo agradece!

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