Grupo NC: Novo nome, três opções… e uma “tem dono”

O Grupo NC está em busca de um novo nome para as emissoras de TV da antiga RBS catarinense. E em meio a votação, uma curiosidade: o NSC “tem dono” e remete ao esporte (Reprodução / NC)

Na última quarta-feira (03/05), o Grupo NC – novo proprietário da rede e veículos de comunicação outrora pertencentes a RBS em Santa Catarina – lançou campanha para a escolha do novo nome da rede de emissoras. As três opções navegam entre DNC (remete a DNA catarinense), LIG (remetente a ligação) e NSC (cuja sigla significa Nossa Santa Catarina).

A campanha tem dado o que falar, especialmente pela principiante estranheza com as opções de nomes apresentadas. No entanto, uma curiosidade chamou atenção nesta sexta-feira sobre um dos nomes colocados para a escolha do público: O NSC tem dono, e ele não se sente muito confortável em ver a sigla sendo usada para outra emissora.

(Reprodução)

A informação veio importada e com grife do portal TV História, do colega jornalista sergipano Gabriel Vaquer. Segundo a matéria, a sigla NSC já foi usada por um longo tempo por um canal esportivo, o National Sports Channel (NSC, claro!), de propriedade dos jornalistas Octávio Tatá Muniz e Ana Christina Wense, ainda na ativa no jornalismo esportivo.

O canal foi colocado no ar em 2003 e tinha uma proposta interessante: servir os fãs de esporte de uma programação que cobrisse apenas competições esportivas nacionais, algo como de brasileiros para brasileiros. Uma ideia ousada e inovadora, haja vista a falta de divulgação de modalidades e outras práticas esportivas em nosso país.

Muito prazer, eis a NSC – National Sports Channel, antiga emissora dos jornalistas Octávio Muniz e Ana Christina Wense e que, entre 2003 e 2007 se propôs a cobrir modalidades esportivas disputadas dentro do Brasil (Reprodução)

A sede do NSC era em São José dos Campos, em São Paulo, e suas coberturas estendiam-se a todos os rincões do país. No futebol, se não havia jeito de transmitir séries A e B, o canal mostrava ao país quase todos os campeonatos estaduais, além do Brasileiro da Série C e outros torneios por faixa etária e feminino da modalidade.

O automobilismo também era presença constante, com a cobertura da F-Renault / Copa Clio, campeonatos Brasileiro e Paulista de Motocross, Brasileiro de Motovelocidade, além de ter sido um dos poucos canais a transmitir na íntegra as Mil Milhas Brasileiras. Isto tudo sem contar outras modalidades esportivas e desportos olímpicos.

Quem duvida que este canal existiu, olha ai embaixo:

Com o fim das atividades da operadora de satélite DTH Tecsat – a pioneira no setor no Brasil – em 2007, o NSC acabou perdendo a base de emissão de sinal e foi forçado a sair do ar. No entanto, o nome, segundo a matéria de Vaquer, continua como propriedade de Tatá Muniz, conforme depoimento do jornalista ao TV História.

Não, não acho, afinal NSC é um nome, uma sigla, reconhecida por todas as pessoas quando se trata de canal de televisão. São as iniciais de National Sports Channel, que abriu as portas para os regionais de futebol no Brasil, inclusive o de Santa Catarina (…) Eu, que além de sócio majoritário da empresa, sou jornalista e formado em marketing sei que, quando se abre um negócio, a primeira coisa a se fazer é contratar uma consultoria para, entre outras coisas, promover o estudo do nome e logomarca. Muito me estranha uma empresa deste porte cometer tal absurdo, afirma.

Octávio Tatá Muniz, ainda hoje na ativa no jornalismo esportivo, está atento aos movimentos do NC e não gostou muito da ideia. Quando se abre um negócio, a primeira coisa a se fazer é contratar uma consultoria para, entre outras coisas, promover o estudo do nome e logomarca. Muito me estranha uma empresa deste porte cometer tal absurdo, disse (Reprodução)

Blogueiro de esportes do R7 e âncora da Rádio Tropical FM (SP) na atualidade, Muniz também destaca que tem provas de que a sigla NSC é de sua posse. Segundo ele, o registro da marca é seu desde 2004 com contrato social ativo e lançado também na Receita Federal e na Junta Comercial de São Paulo (JUCESP), bem como os nomes disponíveis para registro na web. Além do mais, há todo o registro histórico disponível na internet mediante uma simples pesquisa. Neste aspecto me sinto confortável, disse.

O Grupo NC já tem registrados no Instituto Nacional de Propriedade Indústrial (INPI) as três opções de nomes. No entanto, como destaca a matéria de Vaquer, é um caso típico de falta de originalidade, que não é exceção nas comunicações brasileiras. Como foi no atual programa Conversa com Bial, da Rede Globo, cujo logotipo era muito parecido com a atração da TV Brasil Conversa com Roseann Kennedy. A emissora dos Marinho recebeu notificação, confirmou a falta de originalidade e teve de alterar a logo do programa de Pedro Bial.

(Reprodução)

Procurado pelo TV História, o Grupo NC disse estar surpreso com a informação mas não comentará sobre o caso. No entanto, chama a atenção de qualquer maneira a história, que na escolha de nomes aqui em Santa Catarina passa batido, mas não nos ouvidos de telespectadores da região sudeste, que conheciam a NSC por outro motivo.

Não há aqui intenção de denegrir ou atingir a imagem do jovem Grupo NC, que tem pela frente a árdua missão de manter a excelência dos serviços da RBS, que por mais de 30 anos escreveu uma página marcante na comunicação catarinense. No entanto, este jornalista não esconde que esperava um pouco mais das opções de nomes. Não que devêssemos voltar ao Coligadas de outros tempos, apenas algo que não se resumisse, talvez, a uma sigla com um significado forçadamente ufanista, mas um termo que expressasse o catarinense sem forçação de barra.

A matéria do TV História na íntegra esta disponível aqui para os curiosos de plantão. Agora, quem se agradou com um dos três nomes (inclusive o NSC) e quiser votar, não se finja de rogado. Acesse www.aminhatv.com.br e faça sua escolha.

E, cá para nós… eu ainda preferia Coligadas. Na boa…

2 comentários sobre “Grupo NC: Novo nome, três opções… e uma “tem dono”

  1. Bela postagem André,
    Acho que poderia ter nomes bem mais criativos. Não voto em nenhum, não gostei, mas pouco vai adiantar e como você diz …. E, cá para nós… eu ainda preferia Coligadas. Na boa…
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.
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  2. Olá André, excelente postagem. Como fui mencionada, segue minhas considerações sobre o assunto.
    Nos anos pulsantes, o NSC, National Sports Channel, se valorizou e desenvolveu uma forte estratégia no segmento esportivo. Ofereceu o que o cliente realmente leva em consideração, conteúdo, diferenciação em relação aos outros concorrentes, deixou claro para o mercado seus atributos e serviços inéditos e fortes. Fico extremamente lisonjeada ao saber, que mesmo depois de tanto tempo que o nosso canal saiu do ar, ele ainda continua forte na lembrança dos nossos telespectadores. Tanto continua que tenho lido e recebido muitos relatos sobre os vários protestos contra a empresa que quer usar o nosso nome (NSC). Com a evolução da tecnologia que facilitou muito o acesso às informações, o consumidor sabe muito mais rápido sobre tudo que acontece no mercado. Se manter atualizado e ligado no que se está falando já é um ponto de partida e pelo que estou percebendo, todos estão indignados com a história. Eu particularmente achei muito estranho a deficiência na pesquisa (vão colocar a culpa no estagiário) até porque tínhamos ótimas relações com o estado e boa base de assinantes no local. Com um bom planejamento e criatividade (artigo raro hoje em dia) tem lugar para todos nesse planeta sem precisar bancar o esperto. Por se tratar do mesmo segmento, eles terão problemas não só com o nome do canal, mas também com todas as redes sociais, domínios, autorização de satélites, entidades representantes da classe, etc. Em tudo constam as iniciais do canal NSC, pelo simples motivo, ela ainda existe. Penso que, se essa nova empresa, em se confirmando a opção pelo nome, se o objetivo não for o de querer enganar o seu telespectador, vai ter que aplicar um esforço de marketing muito grande para mudar e substituir a imagem e o posicionamento da marca, além de ter que conquistar a mente e os corações dos nossos consumidores. Muito mais fácil e menos estressante achar um nome novinho pra trabalhar. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos. A todos os amigos, telespectadores, ao povo das redes sociais que tem nos apoiado, agradeço imensamente o carinho e o respeito com a história e as lembranças do NSC, TVNSC ou NSCTV, afinal, sãos os mesmos. Obrigada.

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