Gramming & Marbles (MotoGP): Pedrosa domina em Jerez, Yamaha decepciona e o campeonato pega fogo!

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Na corrida de número três mil, um momento de emoção para Pedrosa. A sombra dos laranjas, aquele que ninguém acredita fazer muito fez demais em Jerez e faturou com autoridade (MotoGP)

(Douglas Sardo)

Ele já havia tentado em Austin mas foi superado solenemente por seu companheiro de equipe. Só que nas belas terras da Andaluzia ninguém pôde com Dani Pedrosa. O Samurai de Borracha fez uma exibição de gala e nem mesmo todo o arrojo de Marc Márquez foi capaz de suplantar o acerto fino e a suavidade do #26 em cada freada da clássica pista de Jerez de La Frontera.

Dobradinha da Honda e uma grande derrota para a Yamaha, que costumava dominar nessa pista mas teve uma exibição pífia com Maverick Viñales apenas em sexto e Valentino Rossi em ofegante 10º lugar. O pódio foi completado por um renovado Jorge Lorenzo, após duelo com o fenomenal Johann Zarco, cada vez mais à vontade no grande palco da MotoGP.

Yamaha fora de ritmo em Jerez

Assim como todos sabiam que a Honda seria imbatível em Austin, a Yamaha tinha um alvo nas costas quando o circo desembarcou em Jerez para a quarta etapa do mundial (uma das trocentas do calendário na Espanha). Os comandados de Lin Jarvis vinham de duas vitórias nos últimos dois anos no circuito (Rossi em 2016 e Lorenzo em 2015) que casava a perfeição com as características da M1.

Porém, já no domingo de manhã durante a prova, eu conversava com o colega Lucas Carioli, do sensacional Notícias Motociclísticas, e confabulávamos sobre as surpreendentes dificuldades enfrentadas pelos azuis. Ele apontou que a nova M1 parece ser muito difícil de regular, diferente da versão 2016 usada pela Tech3.

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Frustração. essa era a palavra que definia o clima nas bandas de Rossi e Viñales (Yamaha)

Talvez isso explique o domínio flagrante da Honda desde os primeiros ensaios, enquanto Valentino Rossi e Maverick Viñales se debatiam para encontrar o ritmo ideal. O treino classificatório foi um páreo caseiro da Honda, com Pedrosa deitando e rolando numa pista que cai como uma luva em seu estilo suave de frenagem com muita finesse na saída de curvas. O #26 cravou a melhor volta com a marca de 1’38”249.

Desesperado, Marc Márquez chegou até a dar a boa e velha colada, tentando replicar as linhas de Pedrosa para uma última tentativa. Mas La Hormiga cometeu um erro e teve de se contentar com o segundo lugar do grid.

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Passa a resposta de Jerez aí. Márquez bancou aquele colega que vivia pedindo cola nas provas (Philippe Marcou).

Cal Crutchlow confirmou a forma dominante da Honda clocando sua LCR em terceiro lugar, não sem ser atacado por uma abelha que entrou em seu macacão provocando um momento hilário. Viñales foi o quarto seguido por Andrea Iannone (Suzuki) e Johann Zarco. Rossi largaria apenas do sétimo lugar, a frente de Jorge Lorenzo.

Abaixo, Crutchlow em uma batalha contra a natureza:

Flag to Flag de Pedrosa, show de Zarco e fracasso da Yamaha

Marc Márquez repetiu sua tática de Austin: largou com os dois pneus duros enquanto a maioria optava pelo dianteiro duro com traseiro médio. Mais uma vez o #93 tentava se valer de suas freadas agressivas para se manter no ritmo dos líderes desde o início e principalmente ter pneus inteiros para um ataque final. Portanto não foi surpresa quando Pedrosa manteve a liderança e tomou o comando da corrida nas primeiras voltas.

Porém o plano de Márquez começou a afundar com o início fulminante de Zarco. No segundo giro o francês se livrou simplesmente de Viñales, Crutchlow e Iannone (que fez excelente largada). Não demorou muito e ele estava colado em Márquez, e na quarta volta conseguiu uma manobra que lhe garantiu o segundo lugar na prova. Sensacional!

Pedrosa liderava tranquilo e assistia pelo retrovisor o imbróglio entre seu companheiro de time e Zarco (Cristina Quicler)

Só que a resposta veio na volta seguinte, e apesar de lutar o quanto podia, Zarco não teve mais como ameaçar a Honda #93. Todavia, Márquez perdeu terreno considerável para Pedrosa, e alcançá-lo agora era tarefa difícil.

Ficando para trás de Márquez, Zarco viu crescer em seu retrovisor o surpreendente vermelho e branco da Ducati. Era Lorenzo, que também despachou as Yamaha e agora lutava por seu primeiro pódio com a equipe de Bologna. O francês bem que resistiu, mas Lorenzo não aceitava outro resultado que não a ultrapassagem e foi isso que ele conseguiu na volta 12.

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Lorenzo surpreendeu com a Ducati. Na foto, já a frente de Zarco e rumo ao seu primeiro pódio com o time italiano (MotoGP)

Essa foi a última briga com que Zarco teve de se ocupar. Atrás dele as Yamahas que poderiam ser uma ameaça começavam a ficar para trás. Rossi vivia tarde miserável e foi ultrapassado por quem viesse atrás: na sequência Andrea Dovizioso, Danilo Petrucci, Jonas Folger, Aleix Espargaró, e se a prova tivesse mais algumas voltas seria batido por Scott Redding também. Restou ao italiano se contentar com um amargo 10º lugar.

Menos mal para Rossi que Viñales também foi superado por Dovizioso e terminou apenas em sexto. Assim, o italiano mantinha a liderança do campeonato, a não ser, claro, que Márquez passasse Pedrosa e vencesse a corrida.

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Tarde difícil para os diapasões. Aqui as Yamaha são acossadas pelas Ducati de Lorenzo e Dovizioso (MotoGP/Reprodução)

Bem que La Hormiga tentou, atacando com tudo que tinha nas últimas voltas e reduzindo a diferença momentaneamente para menos de 1 segundo. Mas Pedrosa estava irredutível e garantiu uma bela vitória. Aquela vitória digna de calar a boca de críticos que estão de olho nos bons serviços do samurai de borracha nestas primeiras provas de 2017.

Márquez em segundo e um exausto Lorenzo em terceiro. O pódio foi um desabafo do Espartano, que não fez questão de esconder o quanto sofreu para manter uma moto extremamente difícil nos trilhos durante o GP. E ele tem muito chão pela frente para colocar a nova Desmosedici nos eixos.

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Essa foi a única visão que os outros pilotos tiveram de Pedrosa  durante a prova em Jerez (Reprodução)

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Lorenzo comemorou o pódio como se fosse vitória.  O Espartano começa a cair nas graças da Ducati (MotoGP)

Os 10 mais – Corrida

1 – Dani Pedrosa (Honda)
2 – Marc Márquez (Honda)
3 – Jorge Lorenzo (Ducati)
4 – Johann Zarco (Tech 3 Yamaha)
5 – Andrea Dovizioso (Ducati)
6 – Maverick Viñales (Yamaha)
7 – Danilo Petrucci (Pramac Ducati)
8 – Jonas Folger (Tech 3 Yamaha)
9 – Aleix Espargaró (Aprilia)
10 – Valentino Rossi (Yamaha)

Rossi não se encontrou em Jerez, mas segue líder do campeonato. Porém, a vantagem agora é de apenas dois pontos para Viñales e quatro para Márquez (Luciano Bianchetto)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Valentino Rossi (62)
2 – Maverick Viñales (60)
3 – Marc Márquez (58)
4 – Dani Pedrosa (52)
5 – Andrea Dovizioso (41)
6 – Johann Zarco (35)

Miller e Bautista: Street Fighters

Jack Miller provou mais uma vez que é o maluco, o Jackass da MotoGP. Durante a prova o britânico lutava bravamente para se manter em 11º diante dos ataques ferozes de um inspirado Álvaro Bautista. Até que, de repente, os dois tocam e terminam a pauleira na brita.

Fim de prova e Miller furioso. Aí o piloto da equipe Marc VDS partiu para cima de Bautista, dando-lhe empurrões e chutando a Aspar-Ducati do espanhol, num clássico chilique de raiva. Um momento tosco daqueles que vai ficar na memória dos fãs que adoram a zueira no automobilismo.

Crutchlow azedo com a Honda

Se no treino Cal Crutchlow protagonizou uma cena humorística tentando se livrar da abelha que entrou em seu macacão, após o teste o britânico não estava para brincadeiras. Cal se queixou sobre a forma como a Honda vêm conduzindo o desenvolvimento das motos.

Segundo o britânico, as suas sessões de testes são usadas pela fabricante japonesa como cobaia para experimentos, algo que não acontece com Márquez e Pedrosa, no final estamos contentes, foi positivo o suficiente e queremos continuar amanhã, mas estamos perdendo tempo ao testar coisas para a Honda na minha sessão, é bom para a Honda e para mim, mas é trabalho duro,  e não estamos conseguindo o melhor acerto para a moto por causa disso, queixou-se.

É, como diz o bom português, alguém está ficando p… da vida.

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Crutchlow de cara feia para a Honda (MotoGP)

Moto3 – Canet X Fenati: a revanche

Duas semanas atrás na Moto3, Aron Canet perdeu uma corrida em que tinha amplo favoritismo após cair sob a pressão do transviado Romano Fenati. E essa batalha teve um segundo round em Jerez.

Como de praxe na categoria, houve briga frenética pela vitória típica de jockey clube, com Canet, Fenati, Joan Mir, Marcos Ramirez, Darryn Binder, entre outros lutando pelo primeiro lugar. Faltanto poucas voltas para o fim o páreo afunilou e a briga ficou entre Canet, Fenati, Mir e Ramirez.

O italiano abriu a última volta na liderança mas Canet conseguiu a ultrapassagem decisiva nas curvas finais e os dois seguiram para um último pega na linha de chegada. Dessa vez Aron Canet levou a melhor, pela diferença ínfima de 31 milésimos de segundo.

Mir fechou em terceiro e segue na liderança do campeonato com 74 pontos, seguido de Fenati, com 65 e Martin, com 59.

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Canet (ao centro, cumprimentado por Mir) de 17 anos,  conseguiu sua primeira vitória na Moto3 de forma incrível (Reprodução)

Moto2 – Com tombo de Morbidelli, Márquez enfim consegue sua primeira vitória

A história não muda na Moto2. Tudo gira em torno da Marc VDS e a menos que os dois pilotos do time cometam erros (leia-se quedas), vai ser muito difícil algum outro piloto vencer na categoria esse ano.

Álex Márquez liderou todos os treinamentos, com exceção do Warm-Up. Na largada ele manteve a ponta e Franco Morbidelli tratou de comboiá-lo nas primeiras voltas. Era um passeio dos companheiros de time, que sem grande esforço abriam folgada margem para o pelotão formado por Francesco Bagnaia, Mattia Pasini, Dominique Aegerter e Miguel Oliveira.

Para Morbidelli bastava um segundo lugar pois estaria ampliando sua vantagem para Thomas Luthi, que fazia prova apagada apenas em nono. Mas, eis que Márquez novamente comete um erro na liderança ao alargar a trajetória de uma das curvas. As posições estavam invertidas e tudo parecia pronto para mais uma vitória de Franco.

Só que na volta seguinte, por incrível que possa parecer ao leitor, foi a vez do italiano cometer um erro e sofrer sua primeira queda em 2017, entregando a vitória de mãos beijadas para Márquez, a primeira dele na Moto2. Festa em família, com o irmão Marc no meio da galera para abraçar seu caçula. Fecharam o pódio Bagnaia e Oliveira, o português  que segue se destacando.

Morbidelli ficou com seus 75 pontos, e agora tem Luthi um pouco mais próximo com 64. Miguel Oliveira aparece em surpreendente terceiro com 59 e Márquez agora é quarto com 49.

 

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Álex Márquez deu um passeio por Jerez. Vitória sem qualquer oposição. Enfim, a vitória do Márquez Lado B (Reprodução)

Por hoje é só! A MotoGP se reúne novamente no dia 21, no templo sagrado de Le Mans. Lembrando ainda que sábado, 13 de Maio, tem o GP de Indianápolis na F-Indy e domingo, dia das mães, tem GP da Espanha de F1.

Um abraço e não esqueça da mamãe! Até lá!

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