Gramming & Marbles (Indy): A “Força de Vontade” supera o azar no misto de Indianápolis

Para superar as dificuldades é preciso muita força de vontade. Bom, isso, Will Power já tem até no nome. Australiano espantou a zica e fez a festa no primeiro evento em Indianápolis antes das 500 Milhas (IndyCar)

(Douglas Sardo)

Se estava faltando sorte para o australiano Will Power no princípio deste ano, o GP de Indianápolis pode ter espantado a zica. O #12 da Penske teve um fim de semana que beirou à perfeição no misto do Indianápolis Motor Speedway, liderando todas as sessões de treinos e quase todas as voltas da prova para vencer pela primeira vez em 2017.

Pior para Hélio Castroneves. O brasileiro foi o único que esteve próximo de Will durante o fim de semana e chegou a liderar algumas voltas apenas para ver suas chances evaporarem em stint final muito ruim com os pneus duros. No fim, o australiano deixou a má sorte para trás e saí do primeiro compromisso no mítico circuito como um dos candidatos ao título da F-Indy neste ano.

Abrindo os trabalhos das 500 Milhas

O importante é marcar território desde os treinos. Power já começou fazendo isso nos treinos, comandando o pelotão da Penske no grid (IndyCar)

Após um evento muito criticado em Phoenix há duas semanas, nada melhor para a F-Indy do que retornar ao seu templo sagrado em Indianápolis e reencontrar as disputas emocionantes no mês mais importante do automobilismo. Se é óbvio que todas as atenções estão concentradas na prova do próximo dia 28, ainda mais com a presença de Fernando Alonso, os fãs mais hardcore da categoria tinham expectativas de uma prova bem disputada no traçado misto de Indianápolis.

Só que Will Power tinha outras ideias em mente. O australiano que vêm de um começo difícil de temporada rapidamente tratou de marcar seu território no fim de semana, dominando todos os treinamentos e marcando a pole com margem de quase meio segundo para Castroneves. A Penske aliás, mostrou novamente seu poderio colocando Josef Newgarden em terceiro, e Juan Pablo Montoya, de volta para correr em Indianápolis nesse mês de maio, em quinto lugar.

Montoya está de volta, pelo menos por este mês de Maio. O colombiano treinou bem para o GP em Indy, mas seu rendimento caiu durante a prova. Até capacete descolorido ele usou para diminuir o peso (IndyCar)

Os dois lugares restantes do top six foram preenchidos pelo sempre presente Scott Dixon, e por Sébastien Bourdais, mostrando velocidade com o Honda da Dale Coyne. Simon Pagenaud foi o único piloto do Capitão que não ficou no top-six. O francês não se entendeu com os pneus Firestone durante o fim de semana e teve de se contentar com o sétimo lugar.

Passeio australiano no mistão do Brickyard

Após sua performance exuberante nos treinos, Power era o favoritaço da corrida e a maior esperança dos outros pilotos era uma bandeira amarela. Spoiler: não teve bandeira amarela…

É isso mesmo! Você não leu errado não e nem foi brincadeira infame nossa. A prova seguiu até o fim sem nenhum acidente que exigisse o toque de precaução. Mas isso não quer dizer que Will teve vida fácil. Ele até disparou na frente, mas junto com ele estava Castroneves, o brasileiro fazendo sua melhor prova até aqui.

Power foi sempre seguido por Castroneves. Brasileiro chegou a liderar mas se bateu no fim da prova com pneus mais duros, não recomendados para o mistão (Michael Conroy)

A ausência de um big one ou algo parecido não significou que alguns pilotos não tenham sido maltratados por incidentes diversos. Tony Kanaan, por exemplo, bateu com Marco Andretti na primeira volta, destruindo suas chances na corrida. Os diretores de prova puniram Marco com um drive-through. De qualquer forma, o pessoal da NBC não perdeu a chance de comentar ao fim da prova que a cabeça do brasileiro já estava no oval, e não na prova mista.

Outro que se deu mal logo no começo foi Bourdais. O francês abandonou com problemas em seu motor Honda após míseras três voltas… Aquele início promissor de campeonato vai escorrendo pelo ralo, uma pena para quem esperava ver o elefante teimando em ficar no alto da árvore.

Longe desses problemas, Power e Castroneves cumpriam sua primeira rodada de pits e o brasileiro surgiu na frente, para alegria de Téo José e Felipe Giaffone, que já estão há alguns anos esperando para gritar Não perde mais! para uma vitória brasileira.

Enquanto Helinho brigava com Power ferozmente,Tony Kanaan vivia outro capitulo do inferno astral em 2017. Desta vez, foi acertado por Marco Andretti na largada e praticamente se arrastou a corrida inteira. Pudera, a cabeça do bom baiano já está no dia 28 próximo (IndyCar)

Mas a rodada de pits guardava desagradáveis surpresas para alguns pilotos. Spencer Pigot fazia excelente prova, escalando do 16º lugar do grid até um belíssimo sexto posto na prova. Mas a equipe Carpenter se atrapalhou no serviço de box e devolveu o ascendente #20 em 12º…

Na frente, Helinho encontrava Kanaan como retardatário, após o incidente com Andretti. Pior para o brasileiro da Penske, já que o baiano não estava nem um pouco afim de tomar uma volta e tratou de se manter à frente de Hélio. Em nova rodada de pits, Power antecipou sua troca e conseguiu voltar na frente de Castroneves, que ficou em situação complicada: o brasileiro ainda não estava usando o pneu mais duro, e teria de fazê-lo no último stint.

E quando o fez…pois é, no último stint Hélio finalmente usou o tal composto mais duro, e seu desempenho simplesmente sumiu. O brasileiro virou presa fácil para Scott Dixon, depois perdeu o lugar no pódio para Ryan Hunter-Reay e faltando cinco voltas para o fim ainda tomou passão de Pagenaud, que fez corrida apagada com seus problemas.

Dixon chegou a ameação Power no final, mas ficou apenas no bom segundo lugar, o que o coloca de vez na bola da briga pelo título. Ryan Hunter-Reay (abaixo) fechou o pódio (IndyCar)

Dixon ainda encontrou forças para se aproximar de Power, mas a vitória do australiano estava assegurada. Will Power chega com excelente momento para as 500 Milhas, mas ele não foi o único vencedor do dia. Destaques para Dixon, que se aproximou de Pagenaud no campeonato. O próprio francês conseguiu um resultado interessante após um fim de semana problemático.

Outro ponto positivo do dia foi Graham Rahal, que largou do vigésimo lugar e fechou em excelente sexto lugar. E se a prova tivesse mais algumas voltas ele fatalmente passaria Castroneves. Além disso, merece palmas o livery do carro do herdeiro de Bobby, um dos mais belos (senão o mais belo) na pista. As famosas cores da bandeira de listras e estrelas e as mensagens de cunho born in USA clássicas que agradaram os olhos.

Helinho só não foi o pior Penske do dia porque Newgarden teve um dia para esquecer. O jovem chegou ao ridículo de sofrer uma punição por entrar no pit-lane acima da velocidade permitida, e na hora de pagar a punição…. ele excedeu o limite novamente e teve que pagar outro drive-through! Um verdadeiro looping de punições.

Dia desgraçado para Newgarden. Duas punições seguidas por excesso de velocidade no pit-lane. Mais uma e seria o Jackpot do dia! (IndyCar)

Os 10 mais – Corrida

1 – Will Power (Penske-Chevrolet)
2 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
3 – Ryan Hunter-Reay (Andretti-Honda)
4 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
5 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet)
6 – Graham Rahal (RLL-Honda)
7 – Max Chilton (Ganassi-Honda)
8 – Alexander Rossi (Andretti Herta-Honda)
9 – Spencer Pigot (Carpenter-Chevrolet)
10 – Juan Pablo Montoya (Penske-Chevrolet)
20 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)

Graham Rahal alcançou um ótimo sexto lugar depois de partir em 20º. Um bom dia para o carro com o livery mais belo da pista. Aquelas famosas cores e estilo born in USA agradaram aos olhos (IndyCar)

Os 6 mais – Campeonato

1 – Simon Pagenaud (191)
2 – Scott Dixon (181)
3 – Josef Newgarden (152)
4 – Hélio Castroneves (149)
5 – Will Power (145)
6 – James Hinchcliffe (137)

Para Recordar: Do shopping para o Bump Day, o silly weekend de Felipe Giaffone

Felipe Giaffone fazendo proeza ao colocar o #48 da Foyt no último lugar vago em Indianópolis, para as 500 Milhas de 2005. O piloto de caminhão mal teve tempo de conhecer o carro, estava perambulando pelas redondezas quando foi chamado ao dever (Reprodução)

Durante a transmissão da prova em Indy, o comentarista-caminhoneiro veloz Felipe Giaffone recordou aos fãs da categoria uma das passagens mais curiosas de sua carreira peculiar na F-Indy, uma coisa clássica vinda da categoria. Foi durante as qualificações de 2005, quando o mito A.J. Foyt estava desesperado atrás de um piloto para colocar um terceiro carro de sua esquadra no grid daquele ano

Sem pilotos disponíveis, Foyt ainda tinha um número de celular para tentar. Era do recém-saído da categoria Felipe Giaffone, que esteve presente na Indy (até aquele dia) de 2001 a 2004, com meras 52 largadas e com uma única vitória no currículo pela Mo Nunn Racing na temporada de 2002 (ainda nos tempos da IRL), no oval do Kentucky. Fantástica, por sinal, segurando a blitzkrieg de Sam Hornish Jr. e Buddy Lazier na sua traseira.

Narração de Sérgio Maurício (no tempo que ele não forçava a barra com o tal no capricho!) e comentários de Gualter Salles pela Sportv:

Pois bem, voltando a 2005, Giaffone estava dando voltas com a mulher, Alice, e o filho num shopping (dizem ser uma loja de brinquedos) em Castleton, norte de Indianápolis, quando o velho A.J. lhe ligou fazendo a oferta. Felipe, cujo sangue familiar tem história no Brasil (vide Affonso, Zeca e Zequinha Giaffone) não pensou duas vezes: arranjou um capacete e saiu correndo para o Brickyard para fazer o serviço, para a alegria do quatro vezes vencedor das 500 Milhas e então chefe de equipe.

De princípio, a tarefa era fogo, mas logo na primeira volta, Felipe colocou-se em 33º e último, com uma ótima média. A única ameaça que tinha era Arie Luyendyk Jr., filho do holandês voador Arie Luyendyk, vencedor das Indy 500 de 1990 e 1997. No entanto, Arie Jr. falhou na nova tentativa, o que praticamente garantiu o jovem Giaffone no grid de 2005. Uma façanha para quem já corria de caminhão naqueles idos e, na noite anterior, havia tomado uma garrafa de vinho, segundo o próprio Felipe.

Com apenas cinco anos de Indy, mas tendo um quarto lugar como melhor resultado no Brickyard, Giaffone partiu para a luta e até fez um bom trabalho, terminando a prova em 15º naquele ano e ganhando de presente, para 2006, um contrato com a Foyt (Michael Kim / LAT Photographic)

Era apenas a quinta de seis participações em Indianápolis, e até que o 15º lugar final não foi de se jogar fora. Nas seis vezes que esteve na prova mítica, Felipe tem como melhor resultado o quarto lugar em 2002, pela mesma Mo Nunn que lhe deu a única vitória na categoria. A façanha de 2005 lhe garantiu lugar na equipe de Foyt em 2006, mas Giaffone correu apenas oito corridas naquele ano, nada além disto.

Enfim, estas foram as sutis emoções do mistão de Indianápolis neste ano. A Indy volta a se encontrar agora, e no mesmo lugar, no dia 28, final do mês. É o dia da sempre emocionante, empolgante e histórica 500 Milhas, que terá um espanhol atrevido (se assim o Bump Day permitir) no meio dos botas que disputarão a glória maior, o Borg-Warner e o direito de se esbaldar de leite no fim das 200 voltas.

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Para fechar, o colírio do fim de semana: a bela Alicia Silverstone, que marcou presença no fim de semana de Indy no mistão do Brickyard e deu as bandeiradas de largada e final de prova. Alegria para os corações masculinos (IndyCar)

Abraço, preparem as emoções e até lá!

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