Gramming & Marbles (F1): Hamilton faz Vettel piscar primeiro e vence no domingo feliz de Barcelona

Na cabeça e na pista. Lewis Hamilton teve de estudar o adversário e contar com um pouco de raça e frieza para domar Vettel na pista e faturar em Barcelona, naquele fim de semana cheio de movimento, dentro e fora da pista (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Tem fãs da F1 que, em linhas gerais, pensam as mesmas coisas quando fala-se que a próxima corrida é na Espanha. Corrida chata, prova sem ultrapassagem, um trenzinho, pode crer… algumas reações meio óbvias, ainda mais depois da procissão em Sochi.

Mas, há momentos que a F1 contraria nossas expectativas formadas. E justo a tão odiada Espanha foi uma destas. A quinta prova do mundial foi responsável pelo primeiro duelo olho no olho de Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, com vitória primeira para o inglês, muito graças a estratégia acertada da Mercedes no último stint de pneus.

E não foi apenas isso. Do sábado até o fim da festa no pódio foi um fim de semana movimentado e alegre na sempre aconchegante Barcelona, casa da categoria no país há 26 bem vividos anos. As emoções, inesperadas, partiram de dentro pra fora da pista, trazendo de um personagem inusitado a performances impensáveis de algumas equipes.

Quem não viu, lamento muito, mas vai ter que se contentar com os melhores momentos. Vamos ao relato.

Mercedes 57 milésimos a frente e surpresa laranja

Nos treinos, a pole era de Hamilton, mas apenas 57 milésimos a frente. A corrida não ia ser fácil (Getty Images)

Nos treinos, nada que fosse muito especial, embora a briga entre Mercedes e Ferrari continua acirrada até mesmo nas evoluções. Depois de alguns testes, a casa de Stuttgart trouxe à Barcelona atualizações para tentar reverter os problemas de performance durante uma corrida inteira, na esperança de equiparar o desempenho do carro ao dos italianos numa prova completa.

O resultado foi na mosca. Hamilton cravou a pole (a 64ª da carreira, uma a menos que o seu sempre ídolo Ayrton Senna), mas reles 51 milésimos de Vettel, que ia partir bem em segundo. Atrás deles, Kimi Raikkonen e Valtteri Bottas faziam a escolta. Max Verstappen e Daniel Riccardo completavam os seis primeiros, mostrando talvez que a Red Bull não queria ficar para trás.

Mas, a grande atração do treino foi quem vinha em sétimo. Como um vulto assombroso entre os dez do Q3 estava a McLaren-Honda de Fernando Alonso!

Quem sabe, sabe. Mesmo com o carro limitado e com atualizações a ver se funcionam, Alonso operou um dito milagre e levou a McLaren ao Q3, alinhando-se em sétimo. Fabuloso! (Getty Images)

Se quiser limpar a vista para ler de novo, fique a vontade, mas foi isso mesmo que você leu! Tirando leite de pedra e aproveitando o que há de atualizações que Woking preparou, o asturiano incorporou-se num piloto de Indy (como o será dia 28) e arrancou uma vaga no último estágio.

E não foi só isso, poderia ter sido o pior dos dez, mas conseguiu se colocar a frente das duas Force India e de Felipe Massa, com a Williams, que esperava um sexto lugar para o brasileiro na corrida (óbvio!). Só o fato do espanhol, que passou a semana dizendo que quer voltar as rodas de briga de título pra já, nos deixou com um entre tantos motivos para ligar a TV cedo depois de abraçar a mamãe pelo seu dia.

Na largada: Enroscos e Vettel disparando

Domingão, dia de sol a pino e dia das mães rolando no Brasil. Como disse, depois do abraço na mamãe, ligam-se as TVs e a corrida começa. Na grelha de Montmeló, Vettel dispara muito bem em contraposição a Hamilton, que outra vez larga muito mal, sendo quase ultrapassado por Raikkonen e Bottas.

Enquanto Seb e Lewis se despacham a frente, os enroscos começam atrás. A primeira curva em Barcelona não é la algo muito santo e algum toque sempre sobra. Quem esperava uma largada sem incidentes talvez sorriu quando Raikkonen, que quis suplantar Bottas por fora, foi chispado pelo finlandês da Mercedes. No mesmo xabú, Verstappen – que tentava suplantar Raikkonen também por fora – foi tocado pela Ferrari do iceman e ambos acabaram com suspensões dianteiras danificadas.

E não acabou por ai, na volta a pista, Max e Kimi retornaram estabanados na frente da outra metade do grid que vinha atrás. Para escapar dos dois, Massa desviou e jogou indiretamente Alonso para a grama. O sétimo lugar no grid virou fumaça na segunda curva. Feliz foi a Force India, que saiu do rebu com Sergio Pérez em quinto e Esteban Ocon em sexto.

Uma nota (e guarde esta nota): Enquanto Raikkonen se arrastava no choque da largada, a câmera da FOM encontrou pelo meio da platéia na reta um garotinho incorporado verdadeiro torcedor da Ferrari em prantos pelo acidente do iceman logo na largada. Cortou o coração, claro, qual o fã que não teria o coração cortado? Mas calma, tudo a seu tempo, guarde esta nota!

Está vendo o pequenino chorando? Guarde esta imagem, vamos voltar a falar dela mais a frente (TV)

Enfim, voltando a corrida, Vettel despachava, abrindo bem para cima de Hamilton, que fazia de tudo para acompanhar o alemão. Bottas perdia terreno e a corrida parecia se estabilizar assim, prevendo uma mudança de posições na estratégia. Mas não foi bem assim apenas. Com a primeira parada de Alonso, as equipes foram antecipando suas paradas, a senha que a Ferrari precisava para chamar Vettel.

Lewis ficou um pouco mais de tempo na pista, buscando talvez fazer uma parada apenas, o que era impossível. O inglês parou na volta 22 e calçou médios, talvez seguindo esta ideia. Vettel voltava a segunda posição e se aproximava muito de Bottas, com pneus mais desgastados e também esticando seu stint ao máximo. Era o momento que o escudeiro escandinavo trabalhava a favor de Hamilton, neutralizando o alemão e a maquina vermelha atrás dele.

A diferença baixou, é verdade, e Vettel teve de agir. O fez com baita maestria, dando um drible na reta e metendo roda na grama. Bela manobra e fundamental para voltar a ponta da corrida, para a alegria dos mecânicos e, claro, do pequenino tifoso nas arquibancadas (não esqueçam desse piá. Já vamos falar dele!)

Bottas fez seu papel de escudeiro até onde conseguiu. Reduziu a diferença, mas foi superado por Vettel magistralmente no fim da grande reta (Getty Images)

Parecia que a Ferrari teria controle da situação, mas não estávamos nem perto no fim da prova. Há alguma coisa ainda por vir. Não se levante ainda!

Safety-car e a virada de mesa prateada

Pelo caminhar da volta 33, Vettel despachou sete segundos a frente de Hamilton e parecia ter o controle da situação até para uma segunda parada, onde teria de botar os médios (ele calçara macios na primeira parada) e seguir tranquilo. No entanto, um incidente entre Massa (outra dele!) e Stoffel Vandoorne paralisa a corrida. Hora do safety-car virtual na pista.

Neste meio-tempo, talvez redesenhando a estratégia, a Mercedes tenta uma cartada: chama Hamilton antes da Ferrari e durante o safety-car virtual e faz a troca, colocando macios para debulhar o que tinha. Seb tinha uma segunda parada por fazer, mas o que ele precisava era abrir ainda mais para parar e voltar a frente. A intervenção na corrida quebrou suas pernas, mas não por completo até aqui.

Na volta seguinte, quando a corrida retomou o curso, Vettel fez a segunda parada, colocando os médios por obrigação da regra e voltaria a pista ladeando curva com Hamilton. Quem estava sentado em casa não teve como se segurar sentado ao ver os dois dividindo curva ao extremo e tocando roda. Melhor para o alemão, pelo menos naquele lance de tirar o fôlego.

Enquanto os pegas corriam a frente, Wehrlein estreava na Sauber. E fez uma corrida primorosa, andando toda a prova num surpreendente sétimo lugar (Getty Images)

Ao mesmo tempo, a Mercedes ficava sem Bottas, traído com problemas no motor, o que permitiu ao discretíssimo Riccardo subir ao terceiro lugar e por ali ficar. Atrás dele, Pérez e Ocon seguiam o trenzinho padrão da Force India e galgavam mais uma posição cada, entrando no seleto top five da prova. Nico Hulkenberg, outra vez muito bem, bisava o sexto com a Renault.

Mas quem realmente impressionava era Pascal Wehrlein. O alemão finalmente estreou na Sauber com uma corrida pensada e medida, contando também com a durabilidade do equipamento suíço. Quem achava que o pior carro do grid não faria nada se espantou ao ver o jovem teuto em um brilhante sétimo lugar, numa das atuações mais destacadas da corrida e muito celebrada pelo velho Peter e seus comandados.

Mas, enfim, voltando a disputa, eis que na volta 44 (irônico, não Lewis?) Hamilton sente o melhor rendimento do carro com os pneus macios e supera Vettel sem maiores dificuldades no fim da grande reta. O inglês, enfim, é o líder da prova e, inteligentemente, prefere conter-se em uma vantagem consistente a frente do que disparar e arriscar acabar com a borracha. Foi a decisão certeira e que lhe deu a corrida mesmo com os compostos menos duráveis que os de Seb.

(Veja as duas manobras, de Vettel e de Hamilton, abaixo)

Vettel nos boxes. Parada após o safety-car virtual para calçar médios parecia certeira, mas Hamilton já estava voando com os macios (Getty Images)

Ainda no fim, Vettel tentou tirar a vantagem, mas não tinha muito o que fazer. Além disso, numa manobra curiosa ao dar uma volta em Massa (outra vez? Dá um carnê do Inamps pra ele!), o alemão recebeu a passagem no pior lugar possível e se viu preso atrás do brasileiro. Não escapou de beliscar Felipe pelo rádio: por que toda vez tem que ser o Massa?

No fim, uma grande atuação de Lewis Hamilton, que o colocou a meros seis pontos de Vettel na classificação e que vai levar fogo para a cosmopolita Mônaco daqui a duas semanas. Riccardo, modesto e sem muito o que fazer, fechou o pódio.

A única alteração final na classificação foi justo a de Wehrlein, que tomou uma punição de cinco segundos por uma postura incorreta na saída do pit-lane. Nada demais, o oitavo lugar é digno de nota para o alemão da Sauber.

Os 10 mais – Corrida:

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Sebastian Vettel (Ferrari)
3 – Daniel Riccardo (Red Bull-TAG)
4 – Sergio Pérez (Force India-Mercedes)
5 – Esteban Ocon (Force India-Mercedes)
6 – Nico Hulkenberg (Renault)
7 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Renault)
8 – Pascal Wehrlein (Sauber-Ferrari)
9 – Daniil Kvyat (Toro Rosso-Renault)
10 – Romain Grosjean (Haas-Ferrari)
13 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

Discreto e limitado, Riccardo ainda bisou um terceiro lugar. Só e nada mais para a Red Bull, a decepção entre as de ponta (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Sebastian Vettel (104)
2 – Lewis Hamilton (98)
3 – Valtteri Bottas (63)
4 – Kimi Raikkonen (49)
5 – Daniel Riccardo (37)
6 – Max Verstappen (35)
9 – Felipe Massa (18)

Thomas e o maior dia da sua infância

Atende por este nome singelo – que lembra o simpático personagem dos trenzinhos de Sir Topham Hatt – o garotinho francês que durante o relato pedi para você guardar na memória. O pequeno Thomas, seis jovens anos, um tifoso fanático pela Ferrari que não deixou esconder em momento algum a paixão, aquela que todo italiano torcedor da casa de Maranello sente, vestindo e sentindo a emoção de sua equipe amada na pista.

Há algum tempo, a FOM e a nova organização da categoria tem procurado quebrar de vez o gelo que há entre as equipes e pilotos dos fãs. O fez outra vez com ações que os aproximaram durante o os trabalhos em Barcelona, mas nada que se comparasse ao achado dos cinegrafistas do órgão, que flagraram le petit fan de Ferrari entre os presentes na arquibancada da grande reta.

Thomas chorou com Raikkonen e foi ao extasio nas manobras de Vettel, algo que não passou incólume não só pela FOM, mas também pelos operários da Ferrari, que receberam pelas redes sociais o pedido dos fãs internautas: Deem um presente ao garoto! E pra já!

E Thomas vai a loucura! Era Vettel que arrancava o sorriso no garoto com a bela manobra sobre Bottas. Enquanto isso, a Ferrari já lhe procurava para uma grande surpresa (Getty Images)

E não demorou nada, pela segunda vez no ano a Ferrari – a mais antiga e maior vencedora da F1 – quebrou os protocolos possíveis (como fez na China, na alegre correção do nome de Vettel) e convidou o garoto e a mãe, ferrarista desde os tempos áureos de Michael Schumacher, a dar uma passada no motorhome da equipe. Algo que tomou de bom susto a família.

Desta vez, o anfitrião foi o próprio Raikkonen, que deu um boné, distribuiu autógrafo, talvez com o famoso coração de gelo derretido pela simpatia do moleque francês. A família toda ainda ganhou credenciais VIPs e passaram praticamente o resto do domingo todo circulando pelo paddock. Que história! Que dia para Thomas e que presente para Coralice, sua mãe!

Pense no tamanho da felicidade do garoto, mesmo com Raikkonen na sua pose padrão pra fotos. Ele não vai dormir tão cedo essa noite. Uma baita história para ninguém botar defeito na F1 atual (TV)

Já estava passando e muito da hora da F1 se aproximar com quem a segue e a idolatra há anos. Não que a gestão de Bernie Ecclestone tenha distanciado as coisas, há muitas falhas que ainda devem ser reparadas e com atraso considerável nesta relação, mas uma história desta já é um começo ótimo para a categoria, que só agora começou a olhar para o outro lado da cerca e descobrir seus admiradores.

Pode ser que outros Thomas virão, e devem vir, não tenho dúvidas. De todos os cantos do mundo certamente veremos e ouviremos contos como este vivido por este garoto, que vai dormir ainda mais sorridente hoje sabendo que viveu o maior dia da sua infância. Digo da infância porque a vida dele ainda é breve, e muita história ele ainda vai ver nas pistas em que a F1 estiver pousando, com fãs talvez mais loucos e alegres como ele.

Como diria Lucas Berredo, se a F1 emociona um garoto de 6 anos, a F1 tá salva. Ainda bem!

MENINO DE MUZAMBINHO: Lewis Hamilton (Mercedes)

Se ele usar a cabeça mais vezes, será um perigo eminente. Lewis Hamilton parecia num tabuleiro de WAR junto da equipe para procurar vencer a Ferrari. E o inglês foi brilhante (Getty Images)

Depois da emoção de Thomas – que merecia um galardão honorário – agora sim podemos contar do melhor na pista. E foi difícil escolher. O duelo entre Hamilton e Vettel dividiu as opiniões dos escribas que aqui lhes contam a corrida. Mas resolvi me dobrar aos argumentos de Douglas e admitir: Lewis fez A Corrida, aquela que ele estava guardando na manga em caso de emergência.

Lewis sabia, desde a largada, que não venceria se não usasse as peças certas ao seu favor. Simples, a Mercedes não iria superar a Ferrari facilmente. Então foi a hora do jogo de estratégia de juntar a capacidade do piloto. O inglês captou e usou a cabeça para ser frio na dividida com Vettel e no procedimento para evitar destruir o pneu macio no último stint de prova.

O prêmio está ai. E quem acha que Hamilton não tem cabeça de ficar preocupado. Quando ele usa, pode ser potencialmente perigoso para os adversários.

Force India e Toro Rosso dobram, Haas joga na moeda e Williams se humilha

A melhor do ano. Checo Perez e Ocon levam a Force India ao 5-6, contando com o bom trabalho e alguma sorte (Getty Images)

Forante a magnífica atuação de Wehrlein a bordo da limitada Sauber, digna de palmas, a Force India também aprontou bonito. Mesmo limitado em comparação a outros projetos dos indianos, a equipe fez miséria e conquistou o melhor resultado da temporada até o momento (e olha que é a segunda vez que digo isso). Checo Pérez fez bem o dever outra vez e trouxe o garoto Ocon consigo para um quarto-quinto digno de palmas.

E ainda teve mais histórias interessantes nos pontuantes da corrida. Hulkenberg caprichou outra vez e levou a Renault para mais uma corrida nos pontos, provando a evolução constante. As Toro Rosso carimbaram ambos os carros, com Carlos Sainz Jr. num sexto lugar que teve até dividida na saída dos boxes e Daniil Kvyat em nono.

Hulkenberg, outra vez, caprichando e entregando bons pontos para a Renault, em constante evolução (Getty Images)

Sainz teve até de dividir saída de pits perigosamente, mas chegou num bom sexto (Getty Images)

Chassi novo não basta quando se erra muito. Magnussen acabou superado por Grosjean (logo atrás) mesmo com o carro zero que ganho no cara ou coroa (Getty Images)

Já pelos lados da Haas, talvez o conto mais curioso entre os pontuantes da corrida. A equipe trouxe um chassi novo para a prova, mas apenas UM equipamento. E quem ficaria com o brinquedo zerado? Bom, sem se deixar levar por atuações e pontos, o time decidiu na moeda quem teria o prazer de acelerar o chassi novo. O vitorioso foi Kevin Magnussen, que até andou grande parte da prova nos pontos, mas não resistiu aos próprios erros e ao companheiro, Romain Grosjean, que veio de chassi velho.

Agora, a execração da prova certamente foi a Williams. Sem dúvida, o carro de Grove, se não é limitado, é caquético para manter um trem de corrida constante. Mesmo animados com o aumento das áreas de uso da asa móvel, os bólidos fecharam a prova da pior forma possível: atrás de Alonso, da Sauber de Marcus Ericsson, e com um deles em último.

E enquanto os outros fazem a festa, a Williams se rebaixa e sofre com seus carros sem desempenho. Massa teve algumas paradas a mais na corrida, algumas depois de toques, e chegou em 13º, duas voltas atrás. Só não foi pior que Stroll (abaixo) porque o jovem mimado literalmente não sabe se portar na pista. Foi o último da prova. Patético! (Getty Images)

Primeiro Massa, partindo em nono e forçado há umas seis, sete, sei lá quantas paradas nos boxes, seja para as trocas de pneus ou por algum pneu furado. Acabou em 13º, duas voltas atrás do líder e sem a mínima condição de competitividade. Pior que ele só mesmo o pífio Lance Stroll, que mostra a cada corrida que o dinheiro do paitrocínio foi uma baita furada. Não segurou ninguém, queimou pneus e foi superado até pelo fraquíssimo Joylon Palmer.

Infelizmente, esta é a bancarrota em que está enfiada a Williams, cada vez mais decadente, distante dos bons dias e, infelizmente, fadada a terminar, no pior cenário, como a terceira ou quarta pior do grid.

Já dizia Tião Carreiro & Pardinhoa coisa tá feia, a coisa tá preeeta…

Para Recordar: Na Espanha, onde costuma-se alterar o regulamento

O #44 bem pronunciado na barbatana de Hamilton. Nova regra que determina melhor e mais visível identificação dos carros entrou em vigor em Barcelona. É a segunda vez que uma corrida espanhola mostra mudanças causadas por uma mudanças no regulamento. A última vez foi na clássica Jarama, em 1976 (Getty Images)

Na corrida desta domingo, entrou em vigor as novas formas de identificação dos pilotos na pista, através de números maiores e detalhes nos carros, para facilitar para as equipes e, principalmente, para os fãs. Quem reparou nos números maiores nas barbatanas e na frente dos carros pode perceber que esta norma foi muito bem acatada, algumas equipes antes, outras depois.

Curiosamente, esta situação faz lembrar outra ocorrida há 41 anos atrás, justo na Espanha. Foi na prova de 1976, ainda na pista saudosa de Jarama, quando a F1 eliminou segundo alteração no regulamento a tomada de ar alta dos carros, que vinha surgindo nos cofres dos motores com mais vigor desde 1973. A abolição dos ditos periscópios veio também com o reposicionamento dos aerofólios e muitas equipes tiveram que rasurar os gabaritos para ajustar os projetos.

Com o sumiço dos chamados periscópios, teve de tudo. De equipe adaptada a tampas feitas a martelo e até mudanças elegantes, como a da Ligier de Jacques Laffite, que ficou muito bela depois de se livrar da bendita corcunda do bólido (Reprodução)

E foi em Jarama que esta nova regulamentação entrou definitivamente em vigor. Algumas equipes já estavam bem preparadas para a mudanças, outras literalmente destamparam os motores e correram sem tampa no cofre. Carros como a Ligier ficaram ainda mais bonitos esteticamente, isto que o primeiro bólido de tio Guy carregava no cofre a bendita e mal vista corcunda de notre-dame, ou bule, como queiram.

Outros ganharam um pouco mais em desempenho, como a McLaren. Já era um carro bem acertado por Emerson Fittipaldi em 1975 e cujo gabarito dos ajustes ficou na mão de James Hunt, o vencedor de facto da prova naquele dia. De facto pois a inspeção pós-corrida considerou que o chassis estava fora da largura devida e, por isto, a vitória foi dada a Niki Lauda. Teddy Mayer, o então chefe de equipe do time apelou da decisão, mas só seria ouvido meses depois, recuperando a vitória e os pontos. Além de Hunt e Lauda, Gunnar Nilsson fechou o pódio na sua terceira corrida pela Lotus.

Hunt venceu e não levou no dia por conta de uma irregularidade no chassi do M23, que só seria revista meses depois em apelação, lhe devolvendo a vitória. Na mesma corrida, a primeira aparição do emblemático Tyrrell P34 (abaixo), que não foi bem naquele fim de semana mas faria coçar a cabeça de engenheiros durante o ano (Reprodução)

Também foi a corrida em que a F1 seria apresentada ao mirabolante P34, o icônico carro de seis rodas que assombrava os engenheiros daqueles tempos e que, por muitos, era um blefe dos grandes de Ken Tyrrell. É bem verdade que ele assustou com Patrick Depailler partindo de terceiro no grid, mas ambos os carros não completaram a prova. O francês retirou-se na volta 25 depois de um acidente. O companheiro, Jody Scheckter, que largou em 14º, parou no giro 53, com o motor estourado.

Quanto aos brasileiros, um misto de satisfação e suor em sangue. Emerson Fittipaldi fazia a quarta corrida pela Copersucar e praticamente nada dava certo para o time. Motores estourados e até uma não-qualificação de Ingo Hoffmann, participando da prova com um segundo carro. Emmo ainda largou, com muito custo, em 19º, e parou na volta 11 com a transmissão moída. José Carlos Pace seguia acertando na mão o Brabham-Alfa e, depois de sair em 11º, arrancou um ponto com o sexto lugar. Era o primeiro dos sete pontos dele na temporada.

Emerson com o Copersucar. Um fim de semana tenebroso para o time nacional, com motores arrebentados e Ingo Hoffmann fora do grid. No fim, apenas Pace, com a Brabham-Alfa em processo de acerto, salvou o fim de semana dos pilotos brasileiros em Jarama, com um sexto lugar (Reprodução)

Enfim, era apenas isso para hoje. Uma prova digna de emoções e a melhor do fim de semana, pasmem! A F1 volta as pistas no próximo dia 28, no grande dia do automobilismo mundial, com o GP de Mônaco, nas refinadas curvas de Monte Carlo. Será um fim de semana sem Alonso no grid da categoria, já que ele estará do outro lado do Atlântico (se o Bump Day permitir) participando de outra prova mítica no mesmo dia: As 500 Milhas de Indianápolis.

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Um abraço e até breve!

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