Assimvi: Trânsito e mobilidade em Pauta-Café

(Rogério Pires / Assimvi)

Manhã agradável a dos colegas jornalistas esta de quarta-feira (17/05), em mais uma reunião para o Pauta-Café, evento promovido pela Associação de Imprensa do Médio Vale do Itajaí (Assimvi), no também agradável espaço da Officina Café Coworking, no bairro Victor Konder, em Blumenau.

A temática da reunião de hoje seguiu as reflexões despertadas pelo Maio Amarelo, que nos recorda de questões relacionadas as leis do trânsito e o que leva os motoristas a desobedece-las e a se colocarem em atos imprudentes. Emendado junto, questões como a mobilidade urbana e transporte coletivo, questões que sempre pegam fundo em Blumenau. Foi o primeiro evento deste porte que A BOINA participou. Primeiro de muitos, diga-se de passagem.

Como convidados do bate-papo uma trinca das boas para discutir o assunto: a especialista em trânsito e coordenadora estadual do Maio Amarelo, Marcia Pontes; o especialista em trânsito e transportes e conterrâneo garciense, Fábio Campos; e o professor, ex-presidente do antigo IPPUB (Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Blumenau), ex-secretário de planejamento de Blumenau e Brusque e atual responsável pela mesma pasta em Gaspar (ufa!), Alexandre Gevaerd, que trouxe consigo os alunos da turma de Engenharia Civil da FURB para a qual ministra aulas.

Alexandre Gevaerd, Marcia Pontes e Fábio Campos, os convidados da Pauta-Café de hoje (Rogério Pires / Assimvi)

A conversa, regada do bom companheiro café e de quitutes apetitosos para despertar os sentidos, teve inúmeras contribuições e visões sobre antigos e enjoados problemas do trânsito blumenauense. E que não são poucos, sempre rendendo toda sorte em pautas polêmicas e debates em qualquer segmento.

Alias, estendendo o debate para o amigo e amiga leitores do blog, transito é aquela palavra que enche de urticária os planejadores e políticos e torce o nariz dos motoristas, motociclistas e pedestres. Nunca escapa, sempre quando o assunto é mencionado, um debate quente e que escape até palavrões.

Blumenau é um caso clássico disto. Lá no começo de A BOINA, recordei de um passado não muito distante, quando ser prefeito ou homem público na cidade-jardim era ter um pouco de senso visionário. Mesmo que isso fosse parecer ser louco de pedra.

(Jaime Batista)

Alguém no passado, por exemplo, riu quando o então prefeito Carlos Curt Zadrozny dissera que a Rua 7 de Setembro, naqueles idos uma via de mão dupla, teria de ter quatro pistas para o fluir do trânsito em crescimento. Eram poucos carros naquele tempo, uma frota infinitamente menor e os ônibus ainda chegavam com o mínimo atraso.

Os anos passaram, e a Rua 7 acabou com quatro pistas, sendo uma delas corredor exclusivo para os ônibus. O trânsito está de morder o volante e o transporte coletivo, integrado há 21 anos, passa por um momento complicado de transição, que ainda gera discursos de irregularidades e desconfianças pelos mais céticos.

E enquanto os ônibus novos não vem, a malha de trânsito urbano segue saturada e sem saídas. Os planejadores de Blumenau ainda demoram muito para olhar para os diversos pontos possíveis para novas ligações e novas ideias para, ao menos, amenizar este problema crônico.

Participação de A BOINA no debate (camisa listrada) (Rogério Pires / Assimvi)

Somos, teoricamente, uma cidade de atalhos. Basta olhar um mapa de qualquer região de Blumenau para notar a proximidade entre bairros e como vias alternativas ajudam a minar o problema. Morando no Garcia (especificamente, no Progresso), A BOINA não pode deixar de passar um antigo sonho que constitui no maior atalho da cidade: a famosa ligação Velha-Garcia.

O sonho é antigo, nunca saiu do papel e, ainda hoje, os motoristas / motociclistas / passageiros do transporte coletivo seguem reféns das Ruas Amazonas e Hermann Huscher, quando estas não superlotam a qualquer horário. Enquanto isto, o projeto da ligação entre os dois bairros, que economizaria uma volta enorme no bairro, segue sendo idealizado, falado e negado pelos gestores pouco visionários que nos rodeiam.

Mas não basta só o transporte individual na roda, incentivar o transporte coletivo e outros meios é o caminho a buscar desbravar. Como dissera Marcia Pontes, o blumenauense ainda é preso, algemado, na tal cultura carrocrata, onde não se pensa no coletivo e usa-se o carro para tudo e mais um pouco.

O presidente da Assimvi, Fabrício Wolff, em momento de contribuição ao lado de Alexandre Gevaerd (André Bonomini / Assimvi / A BOINA)

No entanto, como sair desta ciranda sem um incentivo melhor? Os ônibus, por exemplo, passam pelo momento complicado da transição do emergencial para o oficial. Os veículos, que já eram velhos, praticamente carregam consigo um carnê do Inamps pedindo arrego com sequentes problemas mecânicos. Horários equivocados, falta de alternativas de linhas e por ai vai a lista de problemas.

Um deles também foi levantado por A BOINA, replicando uma das 12 sugestões enviadas pelo blog no período de coleta de pedidos feito pelo Seterb no ano passado: alternativas ao Troncal 10. A lista de galardões da linha é extensa: maior linha em número de passageiros da cidade, maior linha em distância percorrida da cidade, maior linha em deslocamento de passageiros em um único ponto da cidade e, por conseguinte, a linha com o maior número de reclamações da cidade.

A ideia mais interessante: deslocar o Troncal 12 do Terminal Fonte para o Terminal Garcia, colocando mais uma opção com horários alternativos para os moradores do Distrito se deslocarem para a região central e até uma opção para a Vila Nova partindo da região sul. Algo simples? Terá gestor que dirá que é inviável e impossível, preso na falta de visão e experimentação.

Troncal 10, nos tempos do SIGA (Reprodução)

Em suma, a manhã foi rica e se alguns colegas se atrasaram foi, justamente, pelo trânsito complicado da manhã na cidade. Rendeu assunto, alguns risos mais muitas ideias e sugestões que, certamente, serão acatadas pela classe jornalística da cidade e, claro, incluindo A BOINA.

Enquanto isso, continuamos nós – transeuntes, jornalistas e especialistas – atentos aos movimentos do trânsito blumenauense. E como dizia Ranulpho Pereira, personagem do saudoso Orival Pessini no humorístico Uma Escolinha Muito Louca, da Band: Se a gente não reclamar, vai ficar do jeitinho que está!.

E a vida segue…

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