Trump e seus demônios

(Reprodução)

Donald Trump, o louco, cercado de denuncias.

Quem diria que iriamos dormir na terça-feira com uma notícia dessas? Sua falta de conhecimento político está cobrando o preço, bem como sua amizade colorida com Moscou. Foi o que aconteceu hoje, quando duas denuncias bateram a porta da Casa Branca e do magnata carrancudo.

Ivanka subiu na cadeira de susto e o velho ranzinza deve estar rindo da própria desgraça. Deveria estar preocupado com a própria pele, mas provável que esteja pensando na próxima forma de tentar quebrar os braços da imprensa e dos opositores.

Mas ele não deveria brincar com fogo, como está brincando. Primeiro, abriu a boca sobre assuntos de segurança interna secretíssimos aos camaradas russos, ainda se achando no direito de fazer o que quer porque é o presidente e pronto.

Depois, a demissão polêmica de James Comey, então diretor do FBI, que estava começando a tocar no que ele mesmo não gostava: as ligações dele e de seus assessores com os russos.

James Comey, ex-diretor do FBI, demitido por Trump, em tese, por mexer onde não devia (AP / Mike Groll)

É mais do que óbvio que sua equipe de assessores, uma verdadeira piada e das mais sem graça, vai tentar a mesma tática evasiva contra os enxeridos dos jornalistas americanos, em especial a amada CNN, que Trump adora pisotear.

Só que agora, o troço é bem pior. Trata-se de segurança nacional, da luta contra o execrável Estado Islâmico principalmente. E pior, se Mr. Trump não sabia, influir como influiu nas investigações do FBI é, pura e simplesmente, obstrução da justiça. E não é preciso ser entendido pra saber que isso é crime.

E cá pra nós, a imprensa americana não se abate com pisões e está sabendo responder a eles da melhor forma. Parece que incorporou, de certa forma, as personas dos mitos Woodward/Bernstein nestes últimos tempos, e tá mais que certa em não parar. O que está em jogo é o país onde eles, seus filhos e parentes vivem, trabalham e aprenderam a amar em cada nota de Rock ou do hino nacional.

Para quem não se recorda desta duplinha do barulho, Bob Woodward e Carl Bernstein foram os ditos pentelhos (apelido carinhoso que dou aos fenomenais jornalistas investigativos) do Washington Post que desmantelaram o esquema sujo que resultou no escândalo Watergate e na renuncia do então presidente Richard Nixon, em 1974.

Bob Woodward e Carl Bernstein (Bettmann / CORBIS)

Com relação aos jornalistas, é bem certo que se repete aquele velho ciclo: ele fica doido com eles… e quando ele endoidece, corre pras redes sociais. Típico chorão moderno, coisa feia pra um magnata que se orgulha do seu império.

O mundo, ou pelo menos quem está ligado na trama, sabe que há tempos se desconfia das ações de Trump. Um magnata mimado que mal sabe o que está fazendo no poder, se é que está fazendo algo de proveitoso nele.

A BOINA tem acompanhado esse rolo desde as campanhas eleitorais e a vitória improvável de Donald. Assustado, diga-se de passagem.

Há quem o defenda, falando que Barack Obama era um mole sem pulso para resolver os problemas americanos e acabou ferrando ainda mais a terra do tio Sam. Outros, como a grande maioria, não suportam nem mesmo ver o cidadão de cabeleira loura oxigenada balbuciando seus versos incisivos contra os adversários e anunciando medidas um tanto mirabolantes.

Trump e Obama. Encontro agradável, não? (Reprodução)

Que me desculpem, vou deixar muitos amigos ensandecidos, mas antes mil Obamas moles do que um Trump com cara de Sr. Hyde pronto a partir pra bronca de qualquer forma para resolver seus problemas.

E que período que estas denuncias aparecem: Na Coreia do Sul, a eleição de Moon Jae-In, o presidente liberal que defende uma forma de diálogo para frear a nuclearização do vizinho comunista. Um tapa na cara vindo de um aliado, e daqueles bem imprevisíveis.

Completando as desgraças, a China de Xi Jinping anunciando investimentos bilionários na milenar Rota da Seda, buscando conquistar aliados por meio de parcerias comerciais, o que vai totalmente na contra-mão das políticas econômicas e externas aparentemente isolacionistas de Donald.

Xi Jinping (esquerda) ampliando o investimento chinês pelo mundo, Moon Jae-In (direita) pregando o diálogo com a Coreia do Norte. Trump poderia querer mais más notícias para duas semanas? (Reprodução)

E que estranho isso, enquanto Trump busca se isolar do mundo inteiro – que julga ser perigoso demais – balbuciando o bendito America first sempre que pode, Pequim, que num passado um tanto distante já foi isolada do resto do mundo, quer abraçar o mundo buscando firmar-se de vez como the first economy in the world.

Claro, soa perigoso para uns e esperançoso para outros… Mas vá saber se o que Xi Jinping trama é seguro. Cedo para avaliar.

Enquanto isso, Trump terá que lutar, querendo ou não, contra os demônios que ele mesmo vem criando. Agora, com estas duas bombas no quintal, não é preciso nem atentado terrorista para arrepiar seus cabelos. Se é quem por debaixo da capa arrogante, alguém já está preocupado em tomar o helicóptero e sair de fininho, como fez Nixon.

Já penso há tempos que ele não dura quatro anos, e acho que em breve vou apostar isso pra ver se dá dinheiro. O que acham?

Por incrível que pareça, o fantasma do Watergate paira sobre Washington.

Observermos…

(Reprodução)

Um comentário sobre “Trump e seus demônios

  1. André,
    Sem surpresa essas atitudes esses desmandos desse Trump.
    Trump como aquele da Coreia do Norte, infelizmente são os reflexos do mundo atual e que já está enfestado nos quatro cantos do mundo e em nossas próprias ruas. Hoje a situação é tão complicada, tanto desamor , tanto ódio e cada um por si, que é arriscado até cumprimentar vizinho e ele não gostar e perguntar “o que foi? estás me cumprimentando porquê”.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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