Você sabia? O BEC está de volta (e jogando bem!)

(Vídeo: Irineu Vídeos)

Como diria o amigo jornalista Claudio Holzer: Blumenau é Brasil. E Brasil, aos domingos, é futebol.

Curiosamente, Holzer proferiu estas palavras numa matéria sobre a tarde de jogo entre o BEC e o Tubarão no saudoso estádio Adherbal Ramos da Silva, num Catarinense perdido nas memórias em 1997.

E ontem, justificando a frase outra vez, foi dia de jogo do Monumental do Sesi, a casa grande na Rua Itajaí, no Vorstadt. Mais de 800 pessoas gritando, pulando, xingando, comendo amendoim e vibrando pelos gols do time da cidade. Nem parecia, olhando neste aspecto, que tínhamos um dia de chuva e frio.

Metropolitano? Não! Acredite, não era a torcida verde que estava lá. De volta aos bancos do Sesi depois de um breve período, os bons malucos da BEC Manguaça ocupavam as cadeiras verdes do estádio municipal cantando os velhos cânticos e empurrando o Blumenau Esporte Clube em uma nova vitória: 3X1 sobre o Imbituba pela terceirona catarinense.

Ai está, a quem desconfiou por tempo e ainda desconfia), o BEC voltou a cena e está muito bem. Duas vitórias na terceirona, trabalho sem afobações e futuro promissor (Reprodução / BEC)

E pra quem acha que A BOINA pirou (provavelmente por você não ler o noticiário esportivo regional até este domingo) não é nada disso. Talvez nestas andanças do mundo esportivo, aficionados pelo futebol e colegas jornalistas não estejam sabendo, integralmente, que o tricolor blumenauense está de volta aos gramados outra vez, e jogando bem.

Há algum tempo, o blog contou um pouco da volta aos campos depois de uma passeada na tradicional feijoada do clube, em agosto do ano passado no grande salão do Caça-e-Tiro Blumenauense. Lá, ainda se sonhava em voltar e voltar forte, coisa que torcia o nariz dos incrédulos, aqueles que duvidavam (e duvidam) muito da possibilidade depois da série de goleadas na última tentativa.

Quem ouvisse os planos do presidente do clube, Wanderlei Laureth, quem ouvisse os sonhos do sempre torcedor-simbolo, Maicon Chatourni, quem ouvisse qualquer torcedor naquele dia podia chama-lo de louco, alienado, sem noção e tudo mais. Isto, claro se você não conhece a história centenária do BEC e a persistência que já faz parte há muito tempo do dicionário do clube.

E tinha muita gente desconfiando, duvidando e até agourando este intento. Normal.

O mantra de Wanderlei Laureth não falha: Trabalhar sério e com os pés no chão. As coisas começam e recomeçam assim para qualquer iniciativa (Reprodução / BEC)

Veio o lançamento do projeto para 2017, em novembro do ano passado. Os novos uniformes (ainda com o Oktoberfest 2016 estampado), a chegada de Viton, a apresentação das ideias para crescer o clube, tudo num clima esperançoso no Shopping Park Europeu. E ainda tinha quem desconfiasse, agourasse, tudo junto e misturado como de costume.

Passou o tempo, com gente desconfiando, agourando e tudo mais… e o clube voltou de vez. A terceirona catarinense não é o torneio de luxo nesse estado, como é de se esperar. Fora o BEC, mais quatro clubes disputam o direito de subir para a segunda divisão: Curitibanos, Imbituba, Porto e Caçadorense. O nível técnico é um tanto díspar entre os times e quem se prepara bem, vence no fim das contas.

Uma tabela modesta de cinco clubes. Além do Blumenau, outras quatro equipes buscam o sonho de ascender a segunda divisão (Reprodução)

E se preparar é algo que Laureth fez com a maior calma. Depois da última desilusão, a ultima coisa que deveria se pensar era em uma nova afobação, ilusão e outro fracasso. Nas redes sociais, o presidente repetia uma velha e verdadeira frase: trabalho sério, com os pés no chão. Pode ser que falte algo no começo, mas não planejamento. Apressar-se não é a lei agora e está mais do que certa a atitude.

Veio, então, o primeiro desafio no profissional, e poderia ser de arrepiar. O Caçadorense já tem algum tempo de estrada e todo cuidado é pouco. Mas depois do primeiro gol, ninguém segura mais. Foram felizes 4 a 0 na casa do adversário, sem dó nem piedade. Um bom sinal.

De volta ao último domingo, novamente no Sesi de glórias passadas, eis que o BEC cativa mais de 800 pessoas e faz a festa delas com outra boa vitória: 3 a 1 sobre o Imbituba, que segundo diz-se, é o time mais difícil do campeonato, sem desmerecer a equipe do sul do estado.

Mais de 800 pessoas, diga-se passagem, é um público que, modéstia a parte, surpreende se pegar o retrospecto recente do estádio, muitas vezes quase vazio nos jogos da primeira divisão estadual. Isto sem contar a renda: ótimos R$ 9 mil, não é muito, mas é um bom valor para uma tarde de domingo como a última.

Todo mundo sabe que fazer futebol em Blumenau, nos dias de hoje, é um desafio hercúleo que deve superar até a opinião publica que desconhece por completo as intenções de um projeto e, por outro lado, o que traz em renda e incentivos o esporte para a cidade, especialmente o futebol. O Metropolitano sabe muito bem disso e é de conhecimento de todos que este ano, para os verdes, tem sido um pesadelo: rebaixamento no estadual, dívidas e algo mais que possa vir.

A torcida sabe da missão que tem quando está nas arquibancadas. Esta era a vista do último domingo, no jogo contra o Imbituba, onde mais de 800 pessoas compareceram ao Sesi, gerando renda de R$ 9 mil. Uma boa média para um domingo com chuva e de jogo da terceirona catarinense, e um recado ao clube de que só se cresce e vibra quando a torcida abraça a ideia e entra junto (Lucas Prudencio)

Não que o BEC seja perfeito e imune a estes problemas decorrentes da falta de apoio tradicional na cidade-jardim. Exemplos destas dificuldades aqui e em outros municípios estão a vista de todos que tocam o projeto atual. A fórmula para manter o crescimento é aquela que Laureth vem repetindo como mantra: trabalhar sério, com pés no chão e sem afobações. A torcida entra e abraça o time, e sabe que aos poucos, como fermento no pão, o renovado BEC vai crescendo.

O próximo desafio do tricolor é no próximo domingo (04/06), fora de casa, contra o Curitibanos. Para os ainda incrédulos, não duvidem, o BEC está de volta e muito afim. E para os que ainda agouram, é permitido sacudir os ombros, mas com respeito.

Alguém está tentando fazer futebol nessa cidade além do Metropolitano, e a coisa começou muito bem.

Um comentário sobre “Você sabia? O BEC está de volta (e jogando bem!)

  1. André,
    BEC – Blumenau Esporte Clube é tradição é paixão, é amor, toda cidade vai ver o BEC um dia na primeira divisão e com emoção.
    O Wanderlei Laureth é de fibra, garra e junto com os outros diretores, vão levar o legado do BEC adiante.
    Tudo começou lá em julho de 1919 (Brazil do Teixeirinha) foi campeão em campo em 1932 e a federação usurpou o titulo. Depois mudou o nome devido a Guerra para Palmeiras de tantas glórias e 1980 em diante essa bela história do BEC. único time de Blumenau que jogou no Maracnã enfrenta as feras de Zico e Cia. em 1989.
    Só a marca Blumenau trás um nome forte em todos os cantos do mundo, portanto parabéns a todos.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

Deixe uma resposta