Em Brusque, A história da Schlösser sob os cuidados da Havan

Comitiva da Havan visita as antigas instalações da Schlösser, em Brusque. Intenções da rede de lojas é transformar o espaço em um centro multiuso, unindo cultura, serviços, entretenimento e gastronomia (Reprodução/Havan)

A notícia é antiga, mas em tempo para menção. No último dia 24 de maio, a diretoria e equipe da Havan visitou o imóvel da antiga Companhia Industrial Schlösser, em Brusque, recém-adquirido pela rede por R$ 25 milhões. A comitiva esteve no local para avaliar o que poderá ser construído no local.

O terreno, de 60 mil metros quadrados, será preservado, o que é uma boa notícia para o patrimônio histórico do berço da fiação catarinense. A ideia principal é instalar um espaço multiuso com prioridade para assuntos relacionados à cultura e serviços, unindo entretenimento e gastronomia num só lugar. Preservaremos de 80% a 90% das construções existentes e restauraremos a casa principal (…) A área vai agregar para a cidade e para a região. A primeira ideia que tivemos foi construir um teatro para peças e musicais, afirma o presidente da Havan, Luciano Hang.

No local, deverão ser instalados teatro, um escritório de coworking, restaurante, uma faculdade e um salão de ventos, sendo outra parte destinada novamente a atividade industrial. Também deverá ser preservada a antiga casa de um dos fundadores companhia: Hugo Schlösser.

Luciano Hang, ao centro, durante a visita. Presidente da Havan já deixa claro que grande parte das instalações será preservada, inclusive a antiga casa da família Schlösser, dentro do terreno. A área vai agregar para a cidade e para a região (Reprodução/Havan)

Fundada em janeiro de 1911, a Companhia Industrial Schlösser S/A foi fruto da visão de Gustavo Schlösser, junto dos filhos Hugo e Adolfo. No início, eram apenas dois simples teares manuais de madeira, responsáveis por produzir artigos que conquistaram popularidade em Brusque e região.

O crescimento da empresa era constante, ao ponto de chegar aos anos 50 com um parque fabril mecanizado e forte. As maiores concorrentes não estavam apenas fora de casa, mas também dentro: Renaux e Buettiner. As três empresas juntas formam o que se podia chamar de triduo das pioneiras têxteis de Brusque, responsáveis por consolidar a cidade o indefectível apelido de berço da fiação catarinense, conquistado graças a instalação, pela Renaux, de uma fiação de algodão. A primeira no estado.

Das três, a Schlosser era a terceira, sendo a Renaux fundada em 1892, por Carlos Renaux, e a Buettner em 1898, por Eduardo Von Buettner. Infelizmente, a invasão de produtos chineses levou a crise no setor têxtil no início da década, e as três empresas escorregaram definitivamente para condições falimentares até fecharem as portas. A Schlosser foi a primeira a fechar as portas, em fevereiro de 2011, numa forma triste de celebrar o centenário. Foi seguida da Renaux, em 2013 e a Buettner foi a última, em abril de 2016.

Atualmente, a marca encontra-se em processo de recuperação judicial, sonhando talvez voltar, algum dia, ao cenário têxtil nacional. No entanto, a notícia da compra pela Havan dá um alento a quem sonhava ver o antigo parque fabril de volta a vida.

É o mesmo destino que se espera dos parques da Buettner e da Renaux, que podem voltar ao mundo industrial ou, simplesmente, a outras atividades, desde que preservados os elementos históricos. Especialmente o da Renaux, a mais antiga e que preserva traços de outros tempos na fachada.

Aguardemos novidades das ações na Schlosser. Dignas de registro e necessárias para manter viva a história de uma das pioneiras da indústria têxtil brusquense.

Um comentário sobre “Em Brusque, A história da Schlösser sob os cuidados da Havan

  1. André,
    Boa matéria, mas que nos entristece muito ao ver essas tradicionais empresas fechando suas portas. Lamentável.
    Bem o Luciano conhece muito bem todas em especial Schlösser, nem precisava visitar, hummmm ai tem. Mas tirando todos os desaborres e desconfortos, estamos na torcida pela Havan e sua diretoria.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.

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